segunda-feira, 14 de junho de 2021

Uma nova realidade

     Se eu imaginasse há uns 2 anos atrás, de como seria a minha vida no presente, nunca iria colocar a hipótese de estar a estudar tão longe de casa, com uma vida independente e com a quantidade de pessoas que conheci. Era impossível para mim estar num plano destes sem o auxílio da minha família. Eu que nunca tinha cozinhado na vida, porque sempre que chegava da escola a minha avó tinha as refeições todas preparadas. 


    Na realidade, acho que sempre fui mais independente que a minha irmã, e sempre achei que estaria preparada para me desenrascar caso acontecesse alguma coisa, mas para tão longe não. Tinha sempre o refúgio de alguém que fazia algo por mim. 


    Tenho 20 anos, sou a pessoa mais tímida que vocês irão conhecer. Falo pouco ou quase nada, tenho até vergonha de que quem esteja perto de mim ouça a minha respiração, vá-se lá saber porquê, mas a minha cabeça é assim e não consigo controlar, depois quando ganho confiança já é bem diferente, relaxem! Mas agora imaginem como foram as minhas primeiras semanas em Portalegre.


    Sabia que me tinha candidatado para a faculdade longe de casa e longe dos meus amigos do Barreiro, aqueles que sabiam como eu era e sabiam como lidar comigo, mas estava sempre com a esperança de ser colocada em Lisboa, quando recebo um mail com a minha colocação em Portalegre. Choque. Medo. Tudo naquele momento me vem à cabeça e vou logo pesquisar tudo sobre a cidade e um estúdio para ficar a viver porque eu a partilhar casa com desconhecidos não ia ser boa coisa, pensava eu, mas depois descobri a residência Dorms4U, com ótimas condições, um quarto individual e uma casa de banho só para mim (ufa!). 


    Em Outubro, depois do meu pai me deixar pela primeira vez na minha nova casa, e depois de já estar sozinha, começo a ter um mini ataque de pânico. No dia seguinte ia ter contacto com novas pessoas, uma turma gigante, novas personalidades, novas experiências, enfim, tudo novo! Novo e desconhecido, palavras aterrorizadoras. 

As primeiras duas semanas foram super complicadas, chorava todos os dias, queria desistir a toda a hora, pensava que não ia fazer amigos e pensava que ia estar sozinha até ao final do ano. Estava sempre no quarto, comia pouco, dormia muito pouco, andava super cansada. Ninguém sabia de nada, nem a minha família, nunca contei a ninguém. Queria superar esta sensação e este mundo novo sozinha. 


    De facto consegui, ainda tenho aquele medo das apresentações e até aquela vergonha de dizer que estou presente na aula quando os professores fazem a chamada, mas se olhasse para trás no tempo nunca teria imaginado a minha vida agora. Agora confortável em Portalegre, mas cheia de saudades de casa, agora dou a minha opinião sobre determinados assuntos e faço as minhas piadas sobre imensas coisas, desabafo com alguém e desabafam comigo. Sim, não acabei sozinha, sem amigos, como pensei no início do ano letivo, mas ainda tenho receio, medo e vergonha de tanta coisa. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Sem dar conta

 Há quem procure a felicidade em muitos locais, como se fosse um destino distante, algo grande, perfeito e definitivo. Como se fosse preciso...