quinta-feira, 6 de junho de 2024

Mia

    Uma família com duas filhas, um filho bebé que querem um animalzinho de estimação, uma mãe que não tem opinião sobre o assunto e um pai que se opões extremamente à ideia de adquirir um ser totalmente dependente é o exemplo de muitas famílias e a minha não é exceção. 
Foi assim que a minha família deixou de ser barulhenta e mexida para ser extremamente barulhenta e mexida. 
    Lembro-me perfeitamente de como tivemos conhecimento de um gatinho que necessitava de um lar. Estava eu e a minha irmã a jantar no café, na altura, da minha tia, e um senhor que nos conhece desde sempre perguntou se queriamos uma gatinha. O meu pai que estava numa outra mesa com a minha mãe depressa se opôs à ideia, mas estava já o acordo feito, no dia seguinte, o senhor Jaime traria um malhado preto e um malhado cinzento para que pudéssemos escolher.
    E desde esse dia que a minha vida deixou de ser igual. Enquanto bebé, foi toda uma preocupação porque a pequenina bola de pelo andava por debaixo dos móveis e ninguém sabia dela, mas depois cresceu e também nós. 
    Ela deixou de ser uma novidade em casa e passou a ser mais um ser que cá vive. O meu pai lá se acostumou com a Mia - um nome que precisou de muito raciocínio mas que para ser original, não é apenas um nome normal, é a inicial de cada nome meu e dos meus irmãos - e eu estou cada vez mais próxima de sair daqui. 
    Não sei como será, mas sei que vou ter saudades, até de quando já não a posso ouvir miar. Vou ter saudades de cada vez que não me posso mexer porque ela está no meu colo, ou de acordar na ponta da cama, porque ela se vai deitar comigo. 

Magia

    A palavra amizade traz consigo um pouco de magia, não é? É bem mais que apenas um conceito que alguém, algures no tempo se lembrou de criar. Há uma lenda que diz que duas almas gémeas têm um fio vermelho que as une. Bem com a amizade, eu acho que algo bem mais resistente. Há efetivamente mesmo algo que une as pessoas, independentemente das circunstâncias da vida, e eu não acredito em coincidências.

    Mas é esse mistério simples que traz a magia complexa da palavra amizade. Justamente porque se perguntarmos a alguém porque é que é nosso amigo, não haverá resposta. Amigos são amigos porque sim e pronto.

    Entre amizades não há mascaras e talvez por isso seja mais difícil de os fazer quando crescemos, é difícil despirmo-nos de preconceitos e mostrarmos a nossa magia justamente como ela é. Mas quando o fazemos deixamos que os nossos amigos nos vejam no auge da autenticidade, e nos presenteiem com a reciprocidade da sua mais verdadeira faceta, sem receios ou julgamentos.

    Não é difícil saber o que é um amigo. Amigos são os que fazem esforços por nós da mesma forma que fazemos por eles, sem cobranças. São os que percebem o silêncio e tentam, ou não quebra-lo dependendo da circunstância. É algo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo que não precisa de palavras. Mesmo como magia.

    E a magia é simples, para a ver, basta nela acreditar, da mesma forma em que acreditamos cegamente nos nossos amigos. Como abrir um álbum e ver que o tempo parou e fomos acreditando no que nos unia ao longo dos anos e não os vimos passar. O tempo parado ou a passar rápido demais é mesmo a maior prova de que a amizade é magia. Daquelas que ultrapassa qualquer tempestade.

    Eu nunca tive muitos amigos, mas sei que os que tive, continuam na minha vida independentemente das diferentes fases de vida, porque eu não acredito em coincidências, acredito neles e no amor que eles metem na nossa amizade. Sei que posso daqui a 50 anos abrir o álbum das nossas vidas com eles comigo, já que se eles passaram por mim, foi pelo melhor dos motivos, e mesmo que não estejam presente, estarão sempre no cantinho mais guardado do meu coração.

Phineas e Ferb

     Mais um ano letivo passou, e lá vamos nós de férias. A quebra de rotina acontece já desde a última semana de aulas, aquela em que já só levamos uma caneta para o caso de termos de escrever alguma coisa, mas sabemos à partida que não vai acontecer.

       E se durante a escola básica as férias de verão pareciam eternas, agora três meses parecem três dias. Por este motivo queremos aproveitar ao máximo. Começamos agora a perceber que termos por volta de 90 dias de férias é um dado adquirido que se está a acabar.

    Os campos de férias e o ATL acabaram-se e começam agora os trabalhos de verão, bem como as festas da terrinha, que miúdos e graúdos gostam. 

    Quando miúda e as férias era intermináveis, o Phineas e o Ferb cantavam que "há que saber aproveitá-las" eu aproveitei as minhas. Fui às piscinas, às festas da terrinhas e às das terrinhas em volta, andei de patins nas ruas e comi gelados, fui à praia com a minha família e fazia castelos de arei perto da beira-mar. Andei no ATL e atrasava-me sempre, apanhei boleias para ir para os lugares onde os meus amigos estavam. 

    E cresci, Ainda vou às piscinas, as terras da minha terrinha e arredores ainda existem e ainda lá me encontro com os meus amigos, mas já não é para jogar às escondidas e sim para beber e dançar até cair. Os patins estão agora parados e nem tenho a certeza se ainda sei andar. Ainda como gelados e vou a praia, mas os castelos foram transformados em banhos de sol. E continuo a atrasar-me e apanhar boleia para ir ter com os amigos, apenas não para o ATL.

    Posso apenas dizer que se não valorizei todos os momentos dos "104 dias que fazem as férias", valorizo-os hoje, ao pensar neles. Cada momento foi bonitos e apreciado e apenas verdadeiramente felizes agora que olho para trás.

    Hoje em férias que parecem dias, faço planos para as poder aproveitar, contudo o mundo acontece e muda-nos os planos, o que eu amo, mas faz-nos pensar que planos deveremos pensar para o futuro, algo tão incerto. Espero que o meu me sorria e me deixe no futuro aproveitar cada segundo.

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...