quarta-feira, 31 de março de 2021

Uma confusão chamada de amor

Estou sentado, na minha secretária em frente ao meu computador a pensar se devo ou não abordar o tema, mas decidi falar sobre o amor. Pensando para os meus botões, mas o que é o amor? Alguém por aqui sabe uma definição concreta e consensual de amor? Afinal talvez não seja o único com dificuldades para defini-lo, provavelmente depende da definição de cada um. Se cada pessoa ama a sua maneira, cada um interpreta-o a sua maneira. Correto? Talvez sim, talvez não. Faço a pergunta e não sei a resposta devido ao amor ser um sentimento muito confuso, aposto que muitos de nós não sabemos a diferença de paixão e amor, vocês sabem? É que eu não, mentira tenho uma ideia que muito provavelmente pode ser diferente da vossa, para mim amor é como a esperança é sempre a última a morrer, mas a paixão é diferente é como uma pilha acaba e já não pode ser utilizada de novo, essa é a principal diferença na minha opinião sobre paixão e amor. Centrando de volta ao tema o amor, ele é tão confuso deixa qualquer um baralhado e com imensas dúvidas, vou tentar explicar o amor por partes embora ele seja um só, o quê que eu quero dizer com isto? Que o sentimento de cuidar, proteger, conviver, preservar, querer ter ao nosso lado e de desejar o melhor para os nossos sejam eles familiares, pessoas com quem vivemos, amigos, uma namorada ou namorado, o nosso animal de estimação e até mesmo coisas como clubes de futebol ou desportos, no fundo, alguém ou algo que nós tenhamos considerado de grande valor. É universal seja qual for o tipo de amor e nisto é um só.

Ele divide-se várias formas dependendo a que pessoa te estás a referir, por exemplo, é normal que o amor que sentes pela tua namorada seja diferente que o amor que sentes pela tua mãe, afinal tu não tens relações sexuais com a tua mãe? Se fazes é muito estranho. Continuando, tu queres proteger ambas e as duas serão o bem mais valioso da tua vida nesse momento, mas são diferentes uma criou-te e a outra é a pessoa com quem queres construir uma vida. Um amigo também tens amor por ele, vejamos tu queres que o teu amigo esteja bem? Queres que ele tenha sucesso? Ajudas em tudo o que ele precisar sem querer nada em troca? Contas os teus problemas e ouves os dele? Se fazes isto tudo parabéns, és um amigo.

Um amor que não sei se é amor ou fanatismo, estou a mencionar a chamada "clubite". É verdade que por amor fazemos loucuras, eu por exemplo pela rapariga que gostava dei a volta a escola de joelhos para no fim ouvir um não. Foi uma dor no coração, mas foi saudável para todos menos para os meus joelhos, mas não magoei ninguém e muitas vezes no futebol existem apedrejamentos, agressões e violência, todas essas atitudes são tremendamente condenáveis e não podem ser aceites na nossa sociedade, o Hitler e as suas guerras ficaram no século XX, no próximo derby lembrem-se disso, ok?

Amor só tem um problema que eu não gosto e muitas vezes faz-me ter medo por dois motivos o primeiro, é o da ilusão, iludir-nos é muito fácil, nunca vos aconteceu criar expetativas de grandes amizades ou amores e não dar em nada? Se sim, compreendem o quanto vazio e escuro pode ficar o nosso coração e uma sensação a qual não recomendo e odiava repetir. Segundo é o amor transformar-se em obsessão temos o caso da violência doméstica ou dos ciúmes doentios, se isso acontecer com um de fosses saiam não é saudável para a vossa saúde mental nem física e nunca se esqueçam não tenham vergonha ou medo de pedir ajuda. Cada pessoa tem a sua liberdade se o amor chegar ao fim ponham um ponto final e siga a sua vida.

Deixei para o fim a parte mais importante do amor, o amor-próprio, mas porquê que o mais importante? É simples, se não te amares como podes amar alguém? Como podes amar alguém se não te amas a ti próprio? Um conselho a quem não se ama a ela mesma, tu és linda e uma excelente pessoa nunca duvides disso e não deixes ninguém duvidar.

Sinto que este texto está uma confusão, mas afinal o amor também o é, estão bem um para o outro. Queria terminar o texto dizendo que amem e vivam o mais que poder porque o amor é o sentimento mais bonito que temos.



domingo, 28 de março de 2021

Memórias de Infância


   Os tempos de hoje trazem-me uma nostalgia do tempo em que vivia a correr pela casa, igualmente daqueles pratos maravilhosos feitos pela minha avó.
   Lembra-me o tempo em que tinha um lugar especial para brincar com os meus amigos, desde brincadeiras mais simples às mais divertidas, aquele choro depois de uma pequena palmada da mãe, birras e mais birras, um carinho e o colo do pai, algo muito aconchegante sem esquecer daquelas festas de criança em que comia muitos doces e no fim, trazia um pedaço de bolo para saboreá-lo em casa.
   Na altura a minha imaginação não tinha limites, assim como aptidão de fantasiar mundos e sonhar em viver em um conto de fadas ou talvez ser uma das super heroínas dos desenhos animados, tudo era muito simples e mágico à nossa volta, a pureza, a  ingenuidade, o facto de não termos preocupações, a alegria e todos os sentimentos se voltavam a sentir no dia seguinte.
   Com o passar do tempo o nosso desejo de crescer, de nos tornar-mos independentes e ir para a escola ia aumentando, pensando que tudo iria continuar a ser um mar de rosas, o que não sabia é que quando a gente cresce desperta vontade de ser criança de novo.

      Quem me dera voltar a ser criança!!!



Escrevendo uma crónica

 

Pediram-me que escrevesse uma crónica. Não sei que fazer. As ideias teimam em não vir. É sempre assim, no decorrer do dia mil pensamentos me vão passando pela cabeça, mas quando tenho de escrever alguma coisa, nada ocorre. Por mais que pense, que tente encontrar um tema, ele demora a aparecer. Por vezes, dou por mim tempos e tempos a olhar para o papel sem saber o escrever. Primeiro que surja algo, meu deus, e quando algumas ideias me começam a invadir os pensamentos, há sempre alguma coisa que me faz duvidar se serão as certas.  Depois de me decidir sobre que tema a escrever, ainda me deparo com a organização do texto. Quando começam a surgir as primeiras frases, as ideias aparecem como um turbilhão. Depois tenho aquelas alturas em que há medida que as penso vão logo fazendo sentido, mas também tenho alturas em que se torna difícil encaixá-las todas, acabando mesmo por ter de descartar algumas. Aí surge mais um problema. Qual a parte que deve ser excluída? Qual a que faz mais sentido? E ali fico mais uns tempos, a olhar para o que já escrevi, a pensar no que irei escrever, qual a ideia, entre as centenas pelas quais me perco a pensar naquele momento, que será melhor escolher. E no fim, depois de tanto pensamento e de tudo organizar, o texto está terminado. E agora que penso nisso, que observo todas estas linhas que foram surgindo, constato que, realmente, juntando-as todas fazem algum sentido. Querem lá ver, que sem saber muito bem o que estava para aqui a escrever, a crónica acabei por fazer.

sábado, 27 de março de 2021

A Resposta para a Definição de Amizade


Ao longo da minha vida (não muito extensa), fui construindo várias definições de amizade. Recordo-me que em criança os meus amigos eram das coisas mais importantes na minha vida, até porque na altura não tinha muitas responsabilidades e, afinal se eles não existissem, com quem brincaria na escola, ou até nas férias? É uma pergunta que nem me atreveria a fazer.

Cresci numa rua com imensas crianças com a mesma idade que eu, e por isso nunca pensei sequer se me identificava com elas, ou se isso seria um fator importante para construir uma amizade, talvez porque ainda não me conhecia o suficiente (apesar de achar que estou em constante mudança, e por isso nunca me vou conhecer na totalidade). Mas, com o passar do tempo, essas crianças cresceram, algumas delas já não mantenho contacto, outras seguiram rumos diferentes, e outras permanecem na minha vida.

Percebi que o importante não é ter uma quantidade exacerbada de amigos, mas sim ter a meu lado os que me querem bem. À medida que evoluímos, a vida leva-nos a deixar pessoas para trás e criar novos laços, ficam apenas aqueles com quem nos identificamos.

Será isto a definição de amizade?

A Sociedade e a Pressão Estética

 Na sociedade onde vivemos, a pressão estética é um colaborador primordial pela morte de milhares de pessoas pelo mundo, interferindo na saúde pública, sendo ela mental ou física. A falta de empatia perante esta questão contribui para o aumento não só de doenças mentais bem como na insatisfação pessoal.

Hoje em dia a pressão estética vem invadindo qualquer ser que se preocupa com a  perfeição, o que é preocupante, pois, a perfeição é inatingível. O ser humano, desde os tempos remotos, procura atingir e preservar as suas ideologias, porém é  impossível afugentar desse acontecimento, já que este problema reside em ser quem somos e nos ideais que em nós residem. Os comentários são formas de reações de mostrar qualquer ação em relação a este tema, deste modo, a partir do momento em que uma pessoa decide fazer um comentário insensível, pode afetar a quem se dirige. A nossa busca pela perfeição, faz com que a insegurança aumente, deixamo-nos afetar por palavras agudas e frias, que serão enterradas em nós e deixam-nos frágeis. Fica difícil continuar sem paranoias e insatisfação com a nossa aparência. Os defeitos nunca param de aparecer, há pessoas que deixam de sair de casa, usar suas roupas favoritas e tomar conta delas mesmas. Todos os dias, alguém morre numa sala cirúrgica à procura de uma ilusão, efeito daquilo que é a perfeição, consequência da pressão estética.  

A perfeição é puro mito, não existe. Hoje eu sei disso, mas imagina todas as pessoas que não o sabem. Todos devemos ter cuidado ao dar a nossa opinião,  porque nunca saberemos que efeito  as palavras podem ter numa pessoa. E consoante for o peso delas suscitará a agressão que não é somente física, às vezes de forma verbal pode magoar até mais do que um empurrão, mas a maioria das pessoas não pensa nisso quando dão as suas opiniões. Então priorizamos o natural aceitando-o tranquilamente.


Crónicas de Marlene Barbosa, in sociedade e a pressão estética

sexta-feira, 26 de março de 2021

Tu

Não tens uns olhos azuis, como o mar.  
Tens um olhar translúcido e frio como cada onda do nosso oceano.  

Tens um olhar cheio, mas vazio ao mesmo tempo. Uns olhos cor de terra e uma alma cor de mar. 


   Se os meus olhos falassem, provavelmente, diriam que vivem no teu olhar. Naquela imensa escuridão que teimas em chamar de alma.  

   Nem todos nascemos com o dom de conseguir transmitir o que sentimos e talvez o facto de seres um ser tão diferente e isolado por vezes pareça que vives na tua sombra e não no teu reflexo. 

   No fundo quem te conhece sabe a pessoa maravilhosa que és e compreende porque te escondes tanto de um mundo repleto de crueldade e maldade.  

   Ao fim ao cabo, só te estás a proteger de um mundo onde a inveja, ódio e rancor falam mais alto que a humildade e o respeito. 

   Todos tentamos manter a sanidade neste mundo de loucos, mas todos temos a nossa fraqueza e eu creio que possa ser a tua.  

   Desde que nos conhecemos que sempre mantiveste o teu lado misterioso. Contavas-me tudo, mas ao mesmo tempo não me contavas nada, porque no fim, quando olho para trás vejo que não te conheço.  

   Tal como não conheço o mar.  

   Pode parecer todo uniforme, e cada onda é idêntica à anterior, mas no fundo nunca o conhecemos por inteiro. 

   Todos os dias uma espécie nova, um mistério novo e nasce uma nova história e uma nova lenda. 

   É tão bonita a forma como tu te assemelhas ao oceano. Como a tua frieza e amargura se conseguem transformar em beleza e singularidade.  

   E é incrível como mesmo sabendo que não te conheço e mesmo sabendo que me escondes os teus segredos continuo enrolada na onda do amor que sinto por ti.  

   E todas as noites pego no meu búzio e espero que me contes um pouco mais sobre ti. 

   E com um búzio na mão eu espero que regresses. 

   Talvez um dia acordes na tua caravela, e decidas voltar para casa.  

   E nesse dia, estarei no alpendre da nossa casa à beira mar, sentada na tua cadeira de baloiço, à tua espera.  

   No mesmo sítio onde me deixaste há uns meses.  

   No mesmo sítio onde hoje choro de saudades. 

   Saudades do afeto, saudades dos sorrisos, saudades de quando era feliz. Saudades tuas. 

   Hoje o dia está triste, e todo o oceano chora comigo, porque hoje, eu sei que não vais voltar. 

   Porque a cada dia que passa te sinto mais longe, e eu sei que, talvez um dia, acordes e penses que isto foi tudo um erro, e que na verdade o teu lugar é ao meu lado. 

   Embarcaste numa viagem que pode não ter regresso. Foste sem medo do amanhã e conseguiste virar costas a todos os momentos de felicidade que viveste comigo. 

   Foste embora, sem olhar para trás, sem pensar no que estavas a deixar em terra.  

   Foste para o mar procurar o que deixaste cá.  

   Seremos nós dois sortudos que puderam encontrar o amor das suas vidas? 

   Ou seremos dois ingratos que se deixaram escapar sabendo que pertenciam um ao outro? 

   Será que teremos a sorte de podermos reencontrar-nos? Um dia. Por acaso.  

   Ou seremos castigados por termos desperdiçado a nossa oportunidade, a nossa chance de sermos realmente felizes? 

   Éramos dois corpos perdidos e tu quiseste encontrar-te. Não estavas feliz na nossa cabana?  

   Saíste um dia sem pressa de voltar e mesmo sabendo que podes não regressar escrevo-te, como muitas mulheres escreveram aos seus homens em tempos de Guerra.  

   Escrevo-te com o coração nas mãos:


Volta, preciso de ti. 

Dependências modernas

            Estava eu a fazer trabalhos no computador para a faculdade, quando a minha mãe entra no quarto e diz, “Antigamente era tudo mais complicado, tínhamos de fazer os trabalhos numa máquina de escrever e se nos enganássemos tínhamos de começar tudo de novo”. Esta afirmação levou-me a lembrar dos meus tempos de infância, de quando não haviam telemóveis para conseguirmos aceder às redes sociais, nos tempos livres, ficávamos na rua com os nossos amigos, até as nossas mães nos chamarem para jantarmos. Hoje em dia a maioria das crianças limitam-se a falar com os amigos através das redes sociais, claro que agora, numa altura de pandemia, é o mais certo a se fazer, mas até mesmo antes do vírus existir, as crianças já não conviviam muito com os colegas, e quando o podiam fazer, no caso dos intervalos da escola, a maioria delas limitavam-se a olhar para um ecrã e a ver o feed de notícias da sua rede social, ou até mesmo a jogar online. Na minha época de escola básica nem era permitido levar telemóveis para a escola, eram-nos tirados e entregues aos pais, com uma ameaça do género “Se o seu filho voltar a trazer um aparelho eletrónico para a escola, vai ser suspenso durante 2 dias”, pelo menos era assim que funcionava na minha escola.

Recordo-me de receber o meu primeiro telemóvel com ecrã tátil, estava no 7ºano, os meus pais foram me buscar à escola e disseram que tinham uma surpresa para mim, quando chegamos a casa ofereceram-me um telemóvel, senti-me muito feliz, jurava que estava no melhor dia da minha vida. Para vermos um filme em casa era preciso comprarmos um CD, muitas pessoas baixavam os filmes da internet, às vezes demorava dois ou três dias a baixar o filme para o computador. Tínhamos de ter um leitor de CD´S, normalmente chamado de DVD para podermos ver o filme. Não havia a facilidade de clicar no atalho da Netflix e simplesmente ver o que nos apetecesse. Eu tinha a coleção inteira dos episódios do Noddy e do Ruca em DVD´S, eram os meus desenhos animados favoritos, dava tudo naquela altura para que a minha mãe me comprasse mais um episódio da minha série infantil favorita.

Na minha família tínhamos apenas uma tia que possuía um computador com internet. Nas férias de verão implorávamos à nossa mãe para nos deixar ficar na casa dessa tia. Era fascinante ver os vídeos e ouvir as músicas que quiséssemos sem ter de pagar mais por isso. A minha tia avisava-nos sempre que, só podíamos utilizar o seu computador quando ela não tivesse trabalhos a fazer, pois era Jornalista e tinha quase sempre artigos para escrever.

Nos dias atuais, as pessoas não dão o devido valor aos computadores, aos telemóveis, aos tablets, etc. Toda a tecnologia passou a ser algo muito normal. Antes, tudo o que fosse tecnológico era fantástico, dávamos muito valor, o que não acontece hoje em dia. Já pararam para pensar que agora podemos conhecer pessoas de todo o mundo graças às redes sociais e ao avanço da tecnologia? É fascinante, conseguimos ver a cara de alguém mesmo estando a Km e Km de distância. Ao escrever esta crónica dei por mim a pensar em como tudo isto evoluiu tão rapidamente, passamos de uma época em que era raro ver um telemóvel que tivesse acesso à internet, para a atualidade em que é muito banal ter um relógio ou uma televisão inteligente. Chega a ser surpreendente como foi tão rápida toda esta evolução. Confesso, sinto falta da altura em que éramos felizes mesmo sem tecnologias para nos entretermos.

Às vezes pergunto-me, será que toda esta evolução vai acabar por ser mesmo benéfica para o ser humano? Será que não iremos ficar todos estagnados, como um gato que lhe são cortadas as garras e que fica impedido de caçar, dependentes do conforto e da praticidade que as máquinas e as tecnologias nos oferecem? Deixo-vos com estas questões.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Fases

 

Já tive alturas em que as ideias me surgiam só porque sim, alturas em que estava a adormecer e levantava-me de propósito para pegar no meu cadernito cor-de-rosa às bolinhas azuis porque me tinha surgido (vá se lá saber como) frases que não podia deixar de pôr no papel. Alturas em que estava no metro a ir para a escola e nas notas do telemóvel não havia mais espaço para tanto que tinha para escrever na ausência do tal cadernito cor-de-rosa às bolinhas azuis. Alturas em que interrompia conversas com amigos no café para pegar na caneta e dar uso ao meu adorado cadernito mais uma vez. Depois existem estas alturas, em que tento e tento e tento e nada me vem à cabeça.

Dizem por aí que a criatividade se treina, se estimula ou qualquer coisa desse género. Talvez seja verdade – talvez nessas tais alturas em que tudo me soava a poesia andasse a treiná-la melhor, mas sinceramente não sei se acredito.

Prometo que já tentei de tudo, já cheguei ao ponto ridículo de no histórico das minhas pesquisas na internet aparecerem frases como: “como ser mais criativo” ou “exercícios para estimular a criatividade”. Digo ridículo porque é mesmo assim que me sinto: ridícula. Quão desesperado precisa alguém de estar para fazer este tipo de pesquisas na internet? Tenho vergonha de admitir mas é verdade que já o fiz, e que às vezes ainda o faço – por isso mesmo é que digo que não sei se acredito nessas teorias que a criatividade é algo que se exercita.

Os exercícios que o “blog da tia Joana” dizia que estimulam a criatividade não me levaram a lado nenhum, continuo a ter estas fases em que nada me surge no pensamento e me ponho a escrever maluquices como esta. Mas pronto, é assim a vida. Há fases e fases, como dizia a tia Joana no seu incrível post sobre a estimulação da criatividade.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Talvez uma tempestade cerebral

Nesta vida questionamo-nos muito sobre o futuro, sobre o presente e o passado. Por vezes até inúmeras perguntas básicas como “porque é que temos de nos levantar cedo?”  que é algo que não sou adepta, muito sinceramente, e segundo as minhas contas se eu me deitar as 4h da manhã e acordar às 13h estou dentro do horário de sono ideal, mas se me perguntarem se prefiro um horário matinal respondo que sim porque tenho mais tempo livre de tarde para fazer outras coisas e ser mais produtiva e que poderá dar tempo até de dormir a sesta. Vá-se lá entender a cabeça das pessoas.

Nunca ninguém está satisfeito com nada, queremos sempre o que o outro tem ou queremos ir onde também já esteve uma certa pessoa. Já dizia o António Variações “Porque eu só estou bem aonde não estou, porque eu só quero ir a onde não vou”, que por sinal é um dos grandes da música portuguesa. Por falar em música eu sou igual com os Amor Electro, por mim ia a todos os concertos deles de norte a sul deste país maravilhoso, mas a minha carteira não é propriamente recheada e eu ainda nem a carta de condução tenho, e quando vejo vídeos e diretos nas redes sociais fico a desejar lá estar, junto deles e das outras pessoas a viverem aquele momento. Depois fico a pensar e sou uma sortuda e uma egoísta porque imensa gente que conheço não tem tanta possibilidade e vai só a um concerto por ano ou nem isso. Eu penso na mesma que queria lá estar não sou hipócrita, não o demostro a ninguém mas fico com uma invejazita, apesar de estar feliz por quem lá está.

 É o que eu digo, somos estranhos. Estamos felizes pelos outros, mas com “ciúmes” (no meu caso saudável, mas em outros é melhor ter cautela). Ou não, posso ser só eu que penso assim e estou numa tempestade cerebral e às escuras no que fazer daqui por diante. Ter de pensar no que escrever semana sim, semana não e em algo viável e que se leia fácil como é um dos objetivos das crónicas. É que eu já sou confusa por natureza!

De facto, é bom que pensemos e estamos constantemente a fazê-lo. Temos de pensar nos nossos objetivos e sonhos de vida, mas muitas vezes pensamos mais nos outros e na vida deles que nos esquecemos de aproveitar a nossa e vivê-la ao máximo com aquilo que temos. É assim que eu penso, vejo e deduzo em tudo o que me rodeia. Devíamos ter um botão que desliga o nosso cérebro de pensar e sermos livres, sem maldade e sem complexos.

Sem ilusão não há desilusão

 Ao longo da nossa vida conhecemos várias pessoas que começam a fazer parte do nosso dia a dia em que depositamos demasiadas expectativas e depois acabam por nos desiludir. Eu por exemplo, dava sempre aos outros mais do que era devido sem receber nada em troca, confiava e dava tudo de mim e depois de terem tudo o que queriam, em troca só recebia desprezo.

Quando mais precisava dessas pessoas na minha vida para me apoiarem tal como eu apoiei, elas não estavam lá. Comecei por me desiludir muito, arrepender-me de dar logo tudo aos outros sem merecerem e acabei por deixar de conseguir confiar em alguém durante muito tempo.

Isto tudo para dizer que não devemos logo dar tudo de nós a outra pessoa, não devemos confiar logo nos outros, devemos sim deixar com o passar do tempo ver se podemos ou não confiar nas pessoas, para não cairmos na desilusão, não nos podemos iludir a pensar que as outras pessoas vão fazer o mesmo por nós ou não.

Com isto aprendi que a confiança conquista se com o tempo e não de mão beijada.

DE OLHOS POSTOS NAS QUATRO LINHAS


 Vou começar a minha primeira crónica assim. Parece meio estranho, mas o certo disto é que não sei fazer nada do que é suposto. No final desta crónica espero dizer que, finalmente, coloquei um ponto final nisto. 
Hoje apetece-me falar de futebol. Desculpem os não entendidos neste assunto, mas a vida é assim... não podemos agradar a todos. 

Há já muito tempo que ouço que os bons jornalistas não podem ou, melhor, não devem dizer de que clube são e, com esta frase feita, achei que deveria ficar caladinha. 
Este campeonato, apesar de ter sido jogado num ano atípico, veio mostrar que o Sporting CP é um justo vencedor. Está a fazer o melhor campeonato dos últimos anos, onde a formação se está a destacar pela positiva. Um dos grandes objetivos da época está a uma jornada de ser alcançado: a entrada direta para a liga dos campeões. Os dez pontos de vantagem sob o segundo classificado, deixam os leões na liderança isolada por mais duas semanas - tempo que dura a passagem pelas respetivas seleções. 
O Benfica já teve dias melhores. Com o arranque da temporada foram gastos em média 100 milhões de euros em mercado de transferências - mais do dobro que o Sporting e Porto juntos - em tempos de pandemia, os encarnados conseguiram bater o recorde de investimentos de um clube português. 
Ainda com tudo em aberto, as contas são claras e se o campeonato acabasse hoje teríamos, certamente, de dizer adeus ao Boavista e ao Nacional pela descida de divisão e dar as boas vindas ao Estoril e ao Feirense pela subida direta à 1.ª liga. De salientar que o Marítimo ainda teria de disputar um play-off contra o 3.º classificado da 2.ª liga para, finalmente, sabermos quem desce e quem sobe.
Faltam ainda 10 jornadas para o término do campeonato, será que a tabela classificativa se irá manter assim? Aguardemos. 

É isto uma crónica? Consegui. 


Carolina Estrelinha





















A bendita sombra!

Lá vai a camioneta da carreira. Destino: as cidades mais próximas a 32 e 38Km´s respetivamente. À mesma hora começam os mineiros a chegar, para mais um turno de trabalho. De inverno nem vêm luz e nos dias maiores, lá conseguem aproveitar alguns raios de sol que demoram mais tempo a pôr-se pela serra de Cebola. Os mais velhos dizem que a cada ano que passa, têm mais sol por alguns minutos em relação aos anos que passam. Dizem que são as courelas da serra que se estão a “dar”. Mas que "raí" são courelas, pergunta o leitor atento? Pois bem, são as terras, onde a nossa gente semeia, que estão espalhadas pela encosta. Pondo isto por miúdos, a serra está cada vez mais baixa. Mas o que realmente se passa, é que devido às escavações da mina, abrem-se novas crateras espalhadas por diversos pontos da serra, o que faz com que exista a sensação de que a serra está a perder altitude (digamos assim), embora muito pouca. Talvez o mais interessante disto tudo, seja saber como as pessoas vêm esta mudança. É através da torre da igreja de S. Jorge da Beira! Confuso?? Passo a explicar: como esta povoação encontra-se num vale, a sombra da torre da igreja é visível por mais tempo, a cada ano que passa, mostrando que sobravam alguns raios de sol, por mais tempo.

É que embora, Portugal seja um país onde o sol reina, não nos podemos esquecer, que no inverno, chove, neva e está muitas vezes encoberto. Para além destes fatores climatológicos que são confirmados pelo meu joelho, os dias são mais pequenos, do que no verão. As gentes destas terras mineiras, na estação mais quente do ano, têm o hábito de se sentarem às suas portas, fazendo a chamada “fotossíntese da vitamina D”. Claro sempre com o tão típico “boné”, ou com um guarda-sol com uma dada marca de café que a tasca da aldeia tem. Numa aldeia de vale, o sol é como o volfrâmio que se explora mesmo ali ao pé. Valioso e muito raro num dia gélido de janeiro e têm-se de o aproveitar muito bem, pois mal ele aparece, já está a desaparecer na outra ponta da aldeia.

Mas o que o sol tem a ver com os mineiros? Pois bem, em certa parte nada. Mas a nível pessoal, para quem passa 8 horas debaixo de terra é muito importante, não só para a sua saúde, tanto física, como mental, mas também para que os mineiros consigam aproveitar um pouco do seu tempo livre, para ir ter com os colegas do trabalho, “trabalhar a língua” (assim dizendo), pondo todos os assuntos em dia, ou então aproveitar algum tempo com a família.

Apenas achei interessante falar deste tema, pois para além de ser algo do quotidiano, que já está enraizado a alguns anos, também é uma forma de homenagear os mineiros e agradecer por termos um país onde o sol é uma marca de identidade, que brilha praticamente 365 dias por ano.

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...