segunda-feira, 13 de junho de 2022

Num bloco de notas pela madrugada

Há uma luz que se esconde, quando foges de ti. Quando te perdes no meio do caos e já não sabes onde colocar a ordem. Há uma luz que se desvanece, no princípio e no fim. Quando não te refugias no silêncio, dos que sabes que te ouvem. Há uma neblina que te percorre, quando te deixas de ouvir. Quando o barulho se sobrepõe ás vozes que ditam o que és. Há uma neblina que te acaricia e trata por tu. Quando deixas de ver o mar e perdes o sentido às marés. Há uma claridade que incendeia, quando persistes aqui. Quando pincelas a vida, íntegra da tela e do caminho. Usas todo o espectro, és dona de ti e quem aprecia a obra, espanta-se com as cores do teu destino. Há uma claridade que incendeia, quando a vida nasce de ti. Quando danças, cantas e aprecias a tua companhia. Enches a sala, a casa, as avenidas e a rua. 

Não sei qual é o segredo mas mulher, nunca a tua alma foi tão tua.

Fim.

Dava Tudo Para Poder Vivê-lo Outra Vez!

Em outubro de 2021 que embarquei na aventura do que é a universidade, do que é ficar longe da família, pois sou dos Açores. Entrei no Politécnico de Portalegre, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais.  Uma universidade que fica no meio do Alentejo, se me imaginava lá? Nem por isso. Como só entrei na segunda fase todos os que entraram na primeira já tinha tido duas semanas de aulas e de praxe, ou seja, a maior questão de todas era, fazer ou não praxe. Falei com os meus pais se valeria a pena, sendo que já existem grupos formados e seria muito mais difícil me integrar, disseram-me para pelo menos dar uma oportunidade à vida académica, eu, sem esperança alguma experimentei e não podia ter feito melhor!

Quando cheguei ao Jardim da Corredora, vi imensos universitários, algumas caras conhecidas pois eram meus colegas e outros da residência.

Aqueles que estavam naquela experiência há mais tempo e que também me conheciam tentaram explicar-me como as coisas funcionavam, o que tinha de fazer a cada palavra que eles diziam, como, “granada”, entre muitas outras coisas. O que mais me fez ter receio foi quando uma colega disse-me “Não desistas no primeiro dia, por pior que pareça acredita que vais gostar.” fazendo assim o meu medo subir. Após isso começou uma correria para organizar quatro filar e lá vinham os senhores veteranos, trajados, de capote aos ombros que esvoaçavam a cada passo. “Olhos no chão” gritaram mil e uma vezes, já não os podia ouvir, mesmo tentando acompanhar o ritmo daqueles que já estavam à mais tempo foi difícil. Após algum tempo fomos todos separados por cursos e aprendi ainda mais músicas só que desta vez as de curos. Houveram imensas brincadeiras entre nós e foi tão divertido! Pensei que por ter chegado mais tarde não me fosse integrar, mas pensei mal! Os veteranos fizeram questão de fazer com que nós nos integrássemos.

Senti-me bem-vinda e que não estava sozinha, percebi a família que era a praxe e dou graças ás amizades que lá fiz. No início não percebia o enorme encanto que as pessoas tinham pela praxe, mas depois percebi, que a praxe ensina muitas coisas, como ter respeito, união, solidariedade, termos empatia com pessoas que mal conhecemos, mas estamos todos ali pelo mesmo.

Ao contrário do que dizem, a praxe não é abusiva, não humilha ninguém.

A praxe não é obrigatória, só vai quem quer, porém acho que as pessoas para poderem ter uma ideia bem formada do que é a praxe deveriam ao menos experimentar e não se guiarem pelo que veem na televisão. 

Eu tenho a noção que cada momento que passei lá irá ficar gravado para sempre na minha memória, a praxe é uma montanha russa de emoções e sentimentos, mas dava tudo para poder vivê-lo outra vez!

Só quem vive é que sente, e a alegria de finalmente trajar é cem vezes maior, ter um capote aos ombros, ser trajada pela minha madrinha, partilhar esse momento com os meus colegas que fizeram para merecer.

Com a praxe eu cresci e aprendi, mesmo depois de trajar eu faria a praxe de novo sem pensar duas vezes!

“A praxe é fixe e eu curto bué.”

 


Daniela Medeiros

domingo, 12 de junho de 2022

Vamos cancelar o cancelamento !

Fazendo uma análise do cenário mundial que vivemos, podemos entender que cada vez está mais difícil ter uma opinião divergente do que a maioria acha correto. 

E entramos assim na nova cultura do “cancelamento” que em calão é basicamente “Se não concordas comigo tas lixado que eu vou fazer tudo para te acabar com a vida". A mim dá me uma certa piada, confesso, estas pessoas que fazem da sua vida laboral, procurar pessoas na internet que disseram algo estupido ou algo que elas não concordam, para juntarem um grupo de outras virgens ofendidas e cancelarem tal individuo que proferiu tais palavras ou opinião.   

Por exemplo os antis taurinos passam a vida a cancelarem os taurinos e os taurinos a vida passam a cancelar os antis taurinos, não era mais fácil e mais “cool” tentarem só conviver com a ideia de que alguém não tem que gostar obrigatoriamente de algo que nós gostamos, é que se eu escrever no meu Twitter que não gosto de touradas provavelmente veem 50 gajos que vivem para os touros dizer que eu sou um atrasado mental e que sou isto e aquilo, mas eu ofendi a tua mãe ou assim? Responde-me! é que se foi isso peço desculpa meu querido não era a intenção, só disse que eu Alexandre Caseiro não gosto de touradas e não me identifico com aquilo, se tu gostas, meu amor, vê à vontade não te vou tapar os olhos nem te ofender por isso. E sinto que é este saber estar que tem faltado à sociedade nestes tempos, as pessoas não sabem muito bem o conceito de liberdade de expressão porque da mesma maneira que tu podes dizer o que te apetecer, o outro também tem a liberdade de expressão dele e também tal como tu pode dizer o que quiser, mas com atenção que há limites para tudo isto porque a minha liberdade acaba quando começa a do outro e parece que este acaba não se aplica muito bem a estes novos policias da internet ou como gostam de ser chamados os “justiceiros do cancelamento”, porque eles tem a liberdade toda, mas os que discordam deles são privados da sua. Dá que pensar até que ponto esta suposta cultura leva pontos positivos para a sociedade de hoje em dia, porque eu sinto uma clara regressão no que se foi conquistando durante anos e anos acerca de liberdade de expressão e não é a oprimir os outros pelas suas opiniões que vamos alcançar melhorias significativas na sociedade e acho que a história prova isso mesmo que oprimir nunca é solução.  


Em suma e muito claramente e didaticamente aconselho a todos seriamente a respeitar os outros independentemente das barbaridades que são ditas, pois acreditem há muita mais gente com dois dedos de testa do que sem eles. E se seguirmos a linha do respeito e da compreensão chegaremos muito mais rápido a melhorias significativas no que toca em termos sociológicos do que a oprimir e a cancelar.

Por isso proponho que cancelem o cancelamento.  


Alexandre Caseiro

Os sonhos perdidos

Quando era pequena, deveria ter 7 ou 8 anos, o meu passatempo preferido não era brincar às bonecas, mas sim escrever. Adorava escrever. Escrevia histórias, histórias essas que na minha cabeça davam filmes dignos de Hollywood. Costumava lê-las para as minhas primas e para os meus avós, que me faziam sentir uma verdadeira escritora com os seus comentários. Este foi o meu primeiro sonho, ser escritora.

Cresci, e o meu sonho rapidamente “morreu”, porque percebi que escrevia mal e que era um sonho inalcançável.

Surgiu outro sonho. Aos 10 anos fui para um conservatório, onde encontrei a minha paixão, a música.

Aprendi a tocar saxofone, a conhecer compositores através das suas músicas, aprendi o que tinha para aprender em 5 anos, 5 fantásticos anos.

Descobri que para além de adorar tocar saxofone, adorava cantar. Era elogiada pelos meus vários professores de canto, mas nunca dei muita importância a isso. Mas assim nasceu o meu outro sonho que desaparecera por não acreditar em mim.

Agora aqui estou eu, no 2º ano do curso de Jornalismo e Comunicação. Comecei na escrita, depois na música e acabei em Comunicação Organizacional.

Atualmente, o meu porto seguro ainda é quando estou só eu com o meu saxofone e é quando me consigo abstrair de tudo o que se passa na minha vida, mas não passa disso, não passa de um refúgio.

Por isso sonhem, sonhem muito e não desistam dos vossos sonhos por medo, sigam em frente sem se preocuparem com olhares menos bons, porque a vida é feita de sabores e dissabores.

Acabo a minha última crónica com uma citação de Fernando Pessoa: “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”


Trabalhador-Estudante

 Sou trabalhadora-estudante, mulher, mãe de dois filhos adolescentes e trabalho numa Biblioteca. Por circunstâncias da vida esta é a terceira vez que tento fazer uma licenciatura. E como se costuma dizer à terceira é de vez! Não é fácil, nada fácil! Sou cota, portanto quando entrei neste curso tive medo, ansiedade, e muitas dúvidas (será que vou me dar bem? Vou conseguir fazer os trabalhos? Os meus colegas vão me aceitar, uma cota no meio de jovens, não é fácil!) mas o importante é nós não deixarmos que o medo, as dúvidas nos bloqueiem e que mandem na nossa vida. A vida é para ser vivida, mesmo com medo! Para a frente é que é o caminho!

Tenho muitos colegas de trabalho, amigos a perguntarem como consigo, é tanta coisa para gerir, não é fácil, nem justo. Perde-se muito tempo, deixamos de fazer muita coisa, na maioria das vezes ando a mil, a correr para todo o lado, muitas vezes ficam coisas para trás, mas tento que as pessoas que mais amo não fiquem para trás, só as coisas: limpar casa, fazer comida, sair com amigos, descansar (como agora, com este calor podia estar na piscina ou praia mas estou em frente ao computador a tentar fazer mais uma crónica), mas como tudo na vida, são escolhas que fazemos. Decidi à 3 anos atrás tirar a licenciatura, primeiro porque dá-me a possibilidade de progressão na carreira, e ganhar mais, depois porque adoro aprender e terceiro para me desafiar e perceber os meus limites, do que era capaz. Às vezes é necessário sairmos da nossa zona de conforto. Mas respondendo aos meus colegas consigo porque quero, por teimosia, persistência e resiliência. Tenho um filho que vai concorrer em setembro para a universidade, ele optou por continuar a estudar, só lhe disse que tente, persista e não desista porque mais tarde, até pode conseguir ir fazer mas vai custar o dobro e se tem agora a oportunidade aproveite!

Para finalizar quero dizer não desistam do vosso sonho, vai custar, vai ser um caminho difícil mas vai valer a pena, pela experiência que ganhamos, pelas pessoas que conhecemos e por aprendermos algo mais sobre quem somos e as nossas capacidades.

Filme de Conforto

 Existe sempre aquele filme que nos conforta, que num dia mau, enfadonho ou simplesmente triste nos traz um sorriso aos lábios e por momentos nos transporta para outro lado. Para mim esse filme é o Mamma Mia! É um musical despretensioso, tem uma história normal (assim parece, mas...), mais do mesmo mas os atores e a música, a música vale por tudo! O cenário também é magnifico, quem me dera estar lá nesta altura do ano! Lindo!

Nota-se a envolvência dos atores no filme, atores conceituados, que vimos em outro registo e que aqui demonstram o quão bom são na sua profissão, não é qualquer um que consegue passar de um James Bond para um "pai" a cantar ABBA.

Este filme dá-me a esperança que existem dias bons, que desde que lutemos na vida, pela vida, de forma honesta e feliz, fazer o que gostamos, é meio caminho andando para não haver arrependimentos e se os há, que sejam por aquilo que fazemos e não pelo que ficou por fazer. Aborda certos temas, mãe solteira, trabalhar no estrangeiro, sozinha a criar uma criança, naquela época (anos 80, 90) não era fácil. Aborda várias situações da nossa vida: ser mãe solteira, mulher, trabalhar para sustentar a família, ver a sua filha crescer e casar. São tudo fases da vida e a versátil atriz - Meryl Streep conseguiu transpor para o filme uma leveza, espontaneidade, simplicidade, paixão e amor ao falar, cantar, representar essas situações.

Mamma Mia! é um presente para todas as pessoas que gostam de musicais e procuram no cinema o entretenimento, sempre respeitando a inteligência das pessoas que o vão ver.

Para mim é o meu filme conforto, tal como existe para muita gente a comida de conforto!



A bola já não rola como rolava

Lembro-me de ser miúdo e de correr sem parar, jogava há bola sem parar e quem é que sofria com isto as pobres jarras da sala de minha casa que acabavam sempre estilhaçadas no meio do chão. 

Ainda hoje me vem à memória os míticos jogos de futebol que eu e os meus amigos fazíamos num largo de uma igreja, caiamos, feriamo-nos, chorávamos, mas o pecado capital era ou deixar de jogar ou chamar algum adulto porque nos magoamos. 

Naquela altura já havia tablets, computadores e smartphones, mas os poucos que os tinham para utilizar não se preocupavam muito em ficar em casa a assistir vídeos no Youtube ou a jogar na nova Playstation, preocupavam-se sim em fazer rápidos os trabalhos de casa para depois pedirem à mãe para irem jogar futebol para o largo da igreja. 

Sinto-me um velho quando digo que “eram outros tempos”, e eram mesmo às vezes apanho conversas de pessoas na casa dos 30 com pessoas na casa dos 40 e não noto tanto esta diferença geracional, sinto que ambos faziam as mesmas coisas, falam das mesmas dificuldades e não denoto uma diferença assim tão grande como noto entre a minha geração e a dos miúdos de hoje em dia. 

Lembro-me bem que na minha época dizer a um amigo que ele era viciado num jogo era uma ofensa de quase morte, não podia ser dito em nenhuma circunstância, só na circunstância de atingir e magoar o outro, hoje em dia sinto que dizer ao outro que é viciado num jogo serve só de motivo e de justificação para a sua derrota nesse jogo. 

Enfim como os tempos mudam as mães já não gritam, já não embalam, já não abraçam para eles pararem de chorar agora apenas e só lhe passam o smartphone para as mãos enquanto eles veem vídeos de Youtubers brasileiros e dizem cadê em vez de onde está. 


A nossa cultura vai se perdendo a bola já não rola como rolava e sinto que a cada dia que passa o mundo virtual se vai tornando mais importante que o mundo real e físico. 


Alexandre Caseiro

Depois dos 18

    Sempre ouvi dizer que depois dos dezoito o tempo passa a correr. Toda a gente dizia que a partir dessa idade o tempo passaria a correr, e que não podíamos deixar para amanhã, aquilo que podemos fazer hoje. É claro que continuamos a crescer e que é aqui que entramos na idade adulta, numa altura em que foram quase duas décadas em que o tempo passava praticamente lentamente, e onde guardamos vários acontecimentos e emoções. Aquela idade que todos nós tanto esperávamos e que já há muito a vamos idealizando nas nossas cabeças, em que pensamos que já não temos que dar justificações a ninguém, podendo fazer aquilo que nos bem apetece, porque somos "maiores de idade" e mandamos em nós. 

    Mas as coisas não são bem assim como nós pensamos. Sempre ouvi dizer, "não faças planos para a vida, porque a vida já tem planos para ti", e é bem verdade. Nós idealizamos o que queremos fazer depois dois dezoito, mas os planos acabam sempre por nos passar completamente ao lado, e começamos a ver que o tempo começa a passar a correr. 

    Analisando bem o meu percurso depois dos dezoito anos, posso dizer que tirei a carta de condução, que foi uma das melhores coisas que pude fazer, depois dos dezoito, viajei pela primeira vez sozinho, sem os meus pais, para outro continente, e claro, entrei para a faculdade, e nesta última já há veteranos de curso e não só, que me perguntam se estou preparado para "queimar" para o próximo ano, em que a minha resposta é sempre esta "como o tempo passa". Parece que foi ontem que entrei pela primeira vez no auditório da escola, repleto por alunos que não conhecia de lado nenhum. 

    Olhar para trás no tempo, tem destes privilégios, em que podemos olhar e refletir sobre as coisas boas e menos boas que a vida nos dá, porque nem tudo é ouro. Hoje em dia, digo muitas vezes, que não quero fazer anos, porque só de ver que é mais um, fico logo chocado. Parece mesmo que ainda ontem comecei a andar e hoje já estou onde estou. Como dizia Tony de Matos "Ó tempo volta para trás". 


João Sabóia 

    

41º graus... e agora!!!

     Assim que chego a casa, a primeira coisa que faço é logo vestir algo mais fresco, e de seguida ligar a ventoinha. Quem é que com um calor abrasador destes apetece-lhe andar por aí, à torreira do sol? É que eu não tenho vontade de fazer absolutamente nada, só penso em estar num local, onde não sinta o calor, mas que ao mesmo tempo esteja confortável. 

    Mas a minha pergunta é mesmo essa, porque é que o calor veio agora, e não daqui a uma semana, mais coisa menos coisa. Assim, por essa altura, já estava no meu Algarve, na praia, ou na minha piscina, para combater melhor este calor abrasador, que parece que nos "assa" como quem assa carne. Sinceramente, o que fazer? Estamos no Alentejo, e não há muito mais que fazer, do que nos tentarmos manter-nos frescos. 

    Por outro lado, e vendo a segunda face da moeda, nem tudo é mau, se o calor tivesse vindo um pouco mais cedo, tipo... à cerca de duas semanas atrás, ainda o podíamos aproveitar melhor, é que nesta altura estamos cheios de frequências, trabalhos para fazer e apresentar... olha, como este que estou a escrever agora, em que podia estar perfeitamente a aproveitar as piscinas da Portagem, o Pego do Inferno ou a Barragem da Apartadura, e não. Estou aqui, sentado na minha secretaria, olhando para o ecrã do meu computador, a escrever esta crónica, debaixo de um calor infernal e com uma ventoinha ligada, quase colada à minha cara, mas que em fez de mandar ar fresco, manda só quase ar quente. 

    Como já reparas-te se tiveres a ler esta crónica, eu não gosto nada do calor, prefiro antes o inverno, e ficas deitado com umas dez mantas sobre mim, visto que, ao menos sei, que frio não irei passar. 

    Querem um conselho de bom amigo para não sofrerem como eu? Entreguem os trabalhos a oras, não deixem para a última e assim, podem desfrutar melhor do calor do que eu. Até lá, encontramo-nos na minha próxima crónica. 


João Sabóia

sábado, 11 de junho de 2022

Memórias á minha infância

Já fui casa, fantasia e bonecas, 

Já brinquei de mãe, jornalista, médica e atriz. 

Chocolates, pastilhas, patins, bicicleta e cicatrizes.

Amiga, irmã, vilã.


Incontrolável, maluca e esperta.

Tinha medo de não saber ler.

Também já fui medo, choro e receio,

no entanto tudo superado com aulas, amigos e recreios.


Desenhos e histórias?

Pequena Sereia, a bruxa e toda aquela armação,

Panda, sempre atenta a programação.

Viagens, família e aventuras.


As férias de agosto em casa da tia,

Onde há sempre alegria.


Mas nem tudo é perfeito 

já fui hospital, rim e internação,

médico, bata branca, total aversão.


Dos momentos mais felizes da vida,

impossível esquecer esta infância bem vivida.


Andreia Rodrigues.


Amar, esquecer ou perdoar

 Amar, esquecer ou perdoar. Qual o mais difícil?

Sinceramente é um caso complicado que nos faz pensar em todas as possibilidades na vida.

Amar não é uma questão de ser fácil ou difícil, depende de cada um, vai de pessoa para pessoa, claro que para uns é mais difícil do que para outros, mas o amor acontece quando menos esperamos, acontece com o tempo e o conhecimento entre os dois.

Já o esquecimento custa um pouco mais, é difícil mas não é impossível. Não é fácil, não escolhemos simplesmente esquecer e está feito, não, tudo depende do facto, se foi marcante se não foi, o esquecimento demora algum tempo, mas chega um dia em que das conta que nunca mais te lembras-te daquilo que para ti um dia foi um medo, um dia foi um pesadelo...

Mas para mim o mais difícil é sem dúvida perdoar, o perdão é uma característica dos mais fortes. Perdoar uma falha, perdoar um defeito, perdoar por uma dor que nos fizeram sentir... isso sim é uma demonstração de amor, e para se amar temos então de perdoar. Mas para esquecer também precisamos do mesmo, perdoar, perdoar um erro que tiveram para connosco, perdoar pela dor que nos fizeram passar, perdoar a ferida que nos abriram, perdoar o sentimento de fracasso que nos fizeram sentir... e sem perdoar jamais conseguiremos esquecer, porque a magoa e a dor irão sempre prevalecer.

Para mim a maior dificuldade é sem duvida o esquecer!


Miriam Ferreira

2º ano Jornalismo e Comunicação

Dinheiro é tudo mas não é nada

O dinheiro pode nos dar conforto e segurança, mas ele não compra uma vida feliz. Com dinheiro podemos comprar uma cama, mas não conseguimos comprar o descanso, a paz com a a qual nos queremos deitar. Podemos comprar prendas para oferecer, mas não o amor que queremos receber. Podemos pagar umas férias, mas não a felicidade. Pagar as propinas da faculdade, mas não a arte de pensar. Comprar roupa, mas não a autoestima. O dinheiro pode até comprar um relógio, mas não compra o tempo. 

Nós precisamos de conquistar aquilo que o dinheiro não compra, precisamos lutar por isso, Caso contrário seremos todos uns miseráveis, por muito milionários que possamos ser.

Existe muita coisa que o dinheiro não compra. Aprendi que ser gentil é mais importante do que estar certo. Aprendi que as vezes o que precisamos não é dinheiro para nos conseguirmos distrair, mas sim uma mão para nos segurar e um coração para nos entender. Aprendi que por trás de uma personalidade forte existe uma pessoa que deseja ser apreciada, compreendida e amada. Aprendi que Deus não faz tudo num só dia, e o que me leva a pensar que eu posso? Aprendi que a vida é dura mas eu sou mais ainda. Eu aprendi que quanto menos tenho mais eu consigo fazer.

O dinheiro é tudo mas não é nada, quem não o tem está louco para o ter e quem o tem está cheio de problemas por causa dele, curioso...







A amizade

A amizade é algo que foi banalizado. Agora toda a gente está cheio de amigos e deixou-se de dar valor a uma amizade verdadeira.

Chamamos de amigos a pessoas que não damos o nosso melhor. Para mim amizade é amor. Se bem que acho que existe uma grande diferença entre amor e amizade. Os amigos são muito mais importantes do que o amor. São eles que estão lá quando o amor te faz sofrer. 

Aqueles amigos que te chamam à razão quando estás mal mas que te apoiam incondicionalmente nas tuas vitórias sem ter um pingo de inveja. A amizade é dar sem pensar em receber. Questiono-me muitas vezes o que fez com que a amizade deixasse de ter importância. Ou melhor, o porquê de não podermos ter um grupo de amigos pequeno. 

Atualmente quantas mais pessoas tens à tua volta melhor. 

Até que ponto é que é saudável? Será que esses ditos amigos estão lá sempre para t? Encaro a amizade como uma semente, uma vez que demora tempo para dar frutos. Prefiro ter aquelas 2 ou 3 pessoas a quem possa contar tudo que não querer mais nada do que me ver feliz. 

Às vezes passamos o tempo todo à espera que o amor se altere, que pare de nos magoar, que se transforma numa coisa bonita. Até que quando damos por nós estamos outra vez no ponto de partida, com o coração em ruínas. O amor tem disto, a paixão e a dor. 

A amizade existe para limpar as lágrimas que o amor deixou


João Carriço

Sonhos

Estudar, ir para a faculdade ,ser bem sucedida profissionalmente, casar ,ter uma família, ter filhos, etc. Será que este é o sonho de todas as mulheres? 

Não sou mulher, sinto que ainda sou menina, ainda tenho muito para aprender, muito ainda por viver e muito mais ainda para crescer, porém os meus sonhos vão além da minha idade, eu sonho em viver a vida com as minhas próprias regras mas sem infligir nenhuma lei.
A vida está aí para ser vivida da forma certa, mesmo que para muitos a forma certa de viver seja a errada, cada um sabe de si, cada um sabe por aquilo que luta.

Eu? Eu cá sonho em ser alguém na vida, ter a minha liberdade, sair debaixo das asas dos pais, voar pelo mundo e explorar o mundo com a minha forma de ser, sou uma menina que não liga nenhuma aos salões de beleza ou roupa chique, tenho o meu estilo e a minha própria maneira de ser, amo usar tênis, calças e t-shirt larga mas não é por isso que eu odeio vestidos e saltos altos, eu gosto, porém prefiro ser a menina com o seu estilo próprio.

Sobre sonhos só tenho a dizer que enquanto viver nunca irei deixar de sonhar, que o meu maior medo nem é o de aranhas ou do escuro, o meu maior medo é deixar de sonhar, é deixar de viver, pois enquanto eu viver eu sei que todos os meus sonhos serão possíveis de se realizar.

Não posso dizer que não quero casar, criar uma família... pois ia estar a mentir, afinal é o sonho de muitas mulheres, entrar de véu e vestido de princesa na igreja, ter o homem dos sonhos a meter o anel no dedo e ter a lua de mel tão esperada.

Nunca podemos permitir que alguém chegue e nos diga que não vale a pena acreditarmos no nosso sonho, que é um sonho parvo ou ridículo, afinal o futuro pertence a todos aqueles que acreditam nos seus sonhos.


Miriam Ferreira
2º Jornalismo e Comunicação


Felicidade?

Afinal o que é a felicidade? O que é ser feliz? Dizem haver todo um conceito daquilo a que chamamos de felicidade, que é o estado de quem é feliz, dizem ser uma sensação de bem-estar e contentamento, mas contentamento porque? Porque ganhei o jackpot? Porque ganhei um carro? Porque acabei de casar? Porque ganhei um emprego novo ou acabei a faculdade? Sim, não vou estar a mentir isso sem dúvida trás todo um misto de emoções, senti-mos toda uma felicidade a flor da pele, mas ser feliz não é só isso. 

Eu posso viver cheia de defeitos, posso viver ansiosa, posso viver a irritar todos aqueles que vivem a minha volta, mas nunca me vou esquecer que a minha vida é a maior empresa do mundo e que eu não a posso deixar ir a falência.

Gostaria que se lembrassem que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem esgotamentos, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se o autor da sua própria história. 

Ser feliz é encontrar forças no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo.

Ser feliz não é só valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições com os fracassos.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. E ter segurança para receber uma crítica, mesmo que ela possa ser injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que vive dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter coragem para dizer “desculpa”. É ter sensibilidade para conseguir expressar o quanto “eu preciso de ti”. É ter capacidade de dizer “amo-te”.

Ser feliz é agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Admiro a terra, quero-a, sempre gostei dela. Sempre me senti feliz por estar vivo: apesar da guerra, das más notícias, não sou capaz de matar em mim a simples alegria de viver. Afinal nos estamos todos a viajar no tempo, e sem dúvida o melhor que podemos fazer é apreciar esta incrível jornada.


Miriam Ferreira

2º ano Jornalismo e Comunicação

Sozinho do que mal acompanhado

Quem é o nosso maior inimigo? O maior inimigo que podemos ter na vida, não está do lado de fora, o nosso maior inimigo somos nós mesmos.

Por muito tempo nós achamos que os nossos problemas são sempre causados por todos aqueles que vivem ao nosso redor, mas no fundo isso não é verdade. Chegamos a uma altura, a uma idade que começamos a perceber que nem sempre são os outros, que por vezes o maior problema quem o causa somos nós.

O primeiro passo para haver uma mudança, tem de partir de nós, nós é que temos de tomar posse e remediar tudo aquilo que já fizemos de errado. Não é possível continuarmos a viver a nossa vida sem realizar um pequeno processo de reciclagem. As pessoas são semelhantes aos rios, durante os anos vão vivendo um processo de poluição… passa um atira uma garrafa, passa outro atira uma palhinha… e vai sendo sempre assim. E com o ser humano é precisamente a mesma coisa, ao longo da vida o que é que nos atiraram? O que é que aqueles que nos rodeiam nos dão? É bom, é mau? Nós retiramos isso das águas?

Temos de perceber que somos nós que temos de acreditar em nós mesmos, não é o outro que chega e diz que acredita em nós. O que vai convencer o outro de que estamos a mudar, de que estamos a fazer a coisa certa, não é o que vamos dizer, mas sim aquilo que eles vão ver que estamos a viver. Aquilo que eu acho que muitas vezes nos falta é a coragem, a coragem de eliminar o que não nos faz bem, a coragem de aceitar que por vezes é melhor estar sozinho do que mal acompanhado.



Miriam Ferreira

2º ano Jornalismo e Comunicação

Medo do escuro

    Todos nós tínhamos algum medo quando éramos garotos. Ainda hoje temos medo de alguma coisa, sejam eles animais, andar de avião, ou até mesmo da coisa mais parva do mundo, mas todos nós temos um medo de alguma coisa. E claro, eu nunca fui diferente das outras crianças. Aliás, eu tinha medo de quase tudo, confesso que ainda hoje tenho medo de algumas coisas, mas especialmente de cobras e da trovoada, este último continua desde os tempos de infância. 

    Mas havia aquele medo, que ainda nos deixava com mais medo, do que todos os outros medos, e o meu sempre foi o escuro, que para quem não sabe dá-se o nome de Nictofobia. Acho que é aquele sentimento que a maioria das crianças têm. Eu chegava a não querer ir dormir porque já sabia que iria ter medo do escuro, mesmo com os meus pais no quarto ao lado. A minha mãe chegou a comprar-me uma luz de presença para pôr no meu quarto, para não estar totalmente escuro e não ter medo, mas mesmo assim eu ficava com medo. 

    Eu, como a grande maioria das crianças que têm medo do escuro, imaginávamos coisas do "outro mundo" que poderiam acontecer durante o sono, como o aparecimento de monstros durante a noite no quarto, que alguém poderia nos levar para sempre, o chamado "Velho da Saca" ou o "Bicho Papão", ou que houvesse sombras a passar por nós durante o sono. Nós crianças, tínhamos uma imaginação muito fértil e sonhávamos com tudo. 

    Os meus pais diziam-me sempre antes de irem dormir "não há medos João". E pronto, com esta frase lá ficava eu no escuro, deitado na cama, com os meus 50 mil bonecos ao meu lado, em que eu era "engolido" por eles. Mas foi graças aos 50 mil bonecos que conseguia dormir sozinho, naquele quarto escuro. 

    Hoje em dia, as coisas mudaram, mas confesso que se de noite ouvir um barulho pelo mais pequeno que seja, vou ficar com um pouco de medo, pois há coisas que nunca mudam na vida adulta. 

João Sabóia

        

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Sinto me parte da futilidade

Ultimamente tenho refletido sobre o mundo que me rodeia e tenho percebido que me sinto acurralado por uma sociedade fútil e que por vezes sinto me parte deles.

Sinto-me parte da sociedade que é escrava da vaidade de mostrar o que tem por fora pois sabem que o que tem por dentro nem é assim tao interessante e relevante.

Sinto-me parte da sociedade que é tao fútil que me tem roubado tempo, pessoas e momentos.

Sinto-me parte da sociedade que me deixa mais imbecil a cada dia que passa devido há sua futilidade.

Sinto-me parte da sociedade dos rótulos e da superficialidade.

Sinto-me parte da sociedade que não ouve Platão e que pensa que é mais importante falar de pessoas do que sobre ideias e ideais.

Sou parte desta sociedade, talvez um pouco fútil também seja, afinal a rotina do trabalho casa e da casa trabalho, faz com que a futilidade se crie em ti próprio, mas mesmo fútil digo e reflito.

Que nós somos maiores o nosso caracter é maior, os nossos sentimentos são maiores e o que realmente acreditamos é maior que toda esta futilidade.

Alexandre Caseiro

Ser ou Ter

 Numa conversa que tive com umas colegas de trabalho estávamos a falar sobre o ter ou ser, a minha mente comecou a divagar e sinceramente acho que, a maioria das vezes, fico perdida e começo a ser o que tenho (bens materiais) e não Ser, seja em termos de personalidade seja em termos de valores e sentimentos perante certas situações que nos acontecem na vida. E está errado, sinto que está errado. Sinto-me perdida e sem perceber quem sou e o que quero ser como pessoa, como mulher.

Nós podemos Ter tudo e um par de botas mas por dentro não sermos nada, não sentirmos nada para além do vazio, do desalento de não nos sentirmos. Sinto falta daqueles finais de tarde, em que as aulas acabavam e o pessoal se juntava a desfrutar de uma bela cerveja fresquinha e uns amendoins e a falar e rir sobre o que íamos fazer no futuro - o que iriamos SER. A sensação de expectativa, de assombro e nervoso miudinho por causa do desconhecido mas com uma sensação de que vencíamos tudo e iriamos ser o que quiséssemos, desde que nos esforçássemos para isso.

Na maioria das vezes deixamo-nos engolir por tudo e todos. Pelas expectativas que criamos e depositamos nos nossos ombros, pelo que os outros querem para nós, pelo que queremos Ter (mais dinheiro, um carro, um computador melhor, um telemóvel topo de gama, roupas, casa nova, etc.), pela realidade do que não temos e acabamos por nos esquecer do que somos ou queremos ser: -Será que somos felizes? E seremos felizes com tudo o que conseguimos Ter? Ou será que basta um sorriso, uma conversa com amigos, ter saúde, ser como somos (pequenos ou grandes, magros ou gordos) mas com a certeza de quem somos e daquilo que somos e que podemos SER tão grandes tanto como a nossa alma ou o amor for grande.

Precisamos de parar de correr atrás do Ter e começarmos a corrida atrás do Ser: ser amigo, ser amado e amar, ser um melhor ser humano.

A minha convicção é de que, quando SOMOS, ficamos mais felizes e melhor do que quando Temos


Preocupações da vida universitária

Esta semana, surgiu uma notícia sobre o facto dos jovens universitários estarem deprimidos devido à Universidade.

Estamos naquela altura do ano em que temos mais trabalhos e frequências do que o número de cadeiras lecionadas. Como sempre, deixamos tudo para a última pois achamos que conseguimos conciliar entre a vida social e a faculdade. Claro que é fácil de conciliar no início de cada semestre, onde a matéria dada ainda é pouca, mas nesta altura do ano é completamente o contrário.

Apesar de tentar dar o meu máximo, a verdade é que muitas das vezes me sinto stressada com tanta coisa por fazer e o tempo a apertar. Este stress transparece na nossa vida social e pode contribuir muitas vezes para estados de espírito menos felizes. Temos consciência de que a universidade é uma fase importante e decisiva para o nosso futuro, daí sentirmos que a pressão é ainda maior.

Como referi anteriormente, a culpa de acumular matéria é nossa, mas na minha opinião a marcação das datas destas responsabilidades tem um grande peso. Considero que uma das formas de ajudar os alunos nesta situação, seria atribuir datas com maior intervalo de tempo entre si.

Enquanto estas situações continuarem, o conteúdo desta notícia também permanecerá.

Até haver mudanças a estes níveis, convém que os estudantes se tentem organizar tirando o melhor proveito possível da vida universitária.


Ana Margarida Perna

O desenvolvimento para a felicidade

“Cancro colorretal. 18 doentes entraram em remissão completa após participação em ensaio clínicoDezoito pessoas diagnosticadas com cancro colorretal entraram em remissão completa depois de terem participado no ensaio clínico de um novo medicamento. Um resultado inédito, considerou o autor do estudo que foi publicado este domingo no New England Journal of Medicine, ao jornal norte-americano New York Times.” – Observador


Querida indústria farmacêutica, até que ponto conseguiremos continuar a avançar em descobertas como estas? 

O quão aprazível é ver estes desenvolvimentos para uma doença tão macabra, conseguindo levar os nossos entes queridos, os nossos guerreiros.

Falamos então, de um problema que é considerado a segunda causa de mortalidade no país.

É, de facto, um sentimento avassalador, sentirmo-nos incapazes de ajudar fisicamente alguém em que a vida foi menos boa. A ajuda psicológica para estas situações será sempre a arma mais vital para aquelas que são as forças para o prosseguimento dos fortes e agressivos tratamentos.

Estas boas notícias são a esperança do futuro, a esperança de que um dia o sofrimento deixará de ser tão agoniante, e a luta para a cura do cancro será uma realidade tão boa.

Um dia espero ver essa felicidade, a sensação de que um problema que antes era uma fase complicada passará para algo mais suportável. Ver que todo o sofrimento ao longo destes 4 meses foi avassalador e assustador, um sofrimento de uma pessoa tão valiosa perdida nas marés de azar. E ver que daqui a uns anos, possamos pensar e assistir a esta cura que ajudará a muitas pessoas. Livrando as mesmas do caminho da infelicidade da própria vida.

Posso afirmar que ninguém espera passar por uma situação destas, ou até assistir pelos mais próximos. Mas só quando acontece algo deste calibre é que conseguimos cair nesta realidade, e de como realmente não valemos nada nesta vida.

De como o ser humano nestas situações só pode permitir que a esperança seja a última coisa a partir.

Resta-nos relembrar unicamente dos momentos mais bons e de toda a felicidade passada, sem ela não será possível avançar.




Rita Ferreira

Se nos tivessem dito

Se nos tivessem dito que a vida era muito mais ser do que parecer, que se prendia no equilíbrio entre o dar e o receber e que ia ser esta longa dança onde estamos permanentemente à procura de acertar o passo, talvez as coisas fossem diferentes. Se nos tivessem dito que os minutos não voltam, que a saudade faz casa que ganha pó e que coleciona fissuras por onde nem sempre a luz decide sair. Se nos tivessem dito que os pores do sol são efémeros, que a chuva chega sem avisar e que nem sempre vamos ter os relógios sincronizados. Que somos os pintores da nossa arte, os escritores da nossa prosa e que a vida nasce do que dela captamos, tínhamos desenhado e pintado prados verdejantes citando Dostoiévski e absorvendo Chico Buarque como banda sonora. Se nos tivessem dito que nada é garantia, que tudo se cultiva e que o que vem continua a saber o caminho de volta, tínhamos dito quase tudo, abraçado e beijado com intensidades mediadas pelas linhas que pautam o coração e a vontade. Ás vezes o nosso problema é construir equações onde elas não existem, sabes? Somar demais. Subtrair demais e acabar por reduzir o mundo a um tamanho completamente desproporcional aos nossos sentimentos e ambições. Tornamo-nos pequeninos. Achamos que há coisas que não nos servem e esquecemo-nos completamente de que vimos cá sem tamanhos. Que tudo ganha a proporção que lhe dermos e que só por essa razão, somos força. Mesmo que haja quem insista em dizer-nos o contrário.

Tenho a certeza, de que se nos tivessem dito que a vida não tinha ensaio, muito provavelmente imploraríamos por um bilhete para ficar a assistir à peça na primeira fila e isso diz muito sobre o nosso à vontade em palco.

Rita Nobre


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Se Existes…

Deus! Se existes…Dá-me esperança, enche o meu coração de alegria e tira toda a tristeza que existe em mim.

Deus! Planta no meu coração amor e tira toda a amargura de lá.

Deus! Ajuda-me a perdoar todos aqueles que fizeram mal a mim e aos que me são queridos.

Arranca da minha alma as rugas do ódio, e transforma-as em esperança e fé. Devolve a alegria ao meu olhar, faz me ver a cor nos meus dias cinzentos e deixa me dormir à noite. Não me deixes ter pesadelos com o passado que me assombra, faz me ter sonhos lindos e belos, cheios de cor e vida. Enfeita os meus sonhos de margaridas e rosas, campos de trigo, praias e um céu azul, enche o meu corpo de esperança e possibilidades infinitas.

Quero poder sentir o corpo vivo, poder tomar as decisões que forem precisas. Não preciso das melhores roupas, da melhor casa, sapatos, ou comida, preciso apenas que ouças as minhas preces.

Não me deixes cair em sorrisos sedutores que escondem maldades por detrás.

Não deixes que me faças esquecer que eu valo a pena.

Não me deixes cair nas mentiras que espalham por aí.

Não me deixes ouvir as vozes que insistem em recordar os meus defeitos.

E não me deixes perder a fé nas sombras do mundo.

Deus! Se me estás a ouvir, dá-me um sinal, mostra que me ouves todas as noites a chorar no meu quarto, a pedir para que a dor pare. Mostra-me onde coloquei a esperança.

Sei que só em momentos de aperto é que penso em ti e ponho em causa a tua existência, mas a vida não tem sido fácil e se existes porque não tiras o mal todo que existe na terra? Para isso terias que retirar a raça humana daqui, para que os animais vivam em harmonia e a natureza volte a reinar?

Mesmo não tendo muita fé, aqui estou eu, a pedir-te um sinal vindo de algum lado. A minha mãe sempre me disse que estavas a olhar por todo nós, será que estás?

Sei que não sou a única a pedir que me ouças, mas quando tiveres algum tempo, no meio de todos os pedidos que te fazem, ouve-me, ouve as minhas preces e mostra-me que consigo ser uma pessoa feliz, que consigo perdoar e acima de tudo amar o próximo.

 

Daniela Medeiros

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Vou Viver Cada Dia Por Mim e Por Ti

Sempre soube que este momento haveria de chegar, mas nada poderia me preparar para tamanho sofrimento. Hoje sei como é por dentro, o coração de uma filha que perdeu o pai, pois o meu partiu-se em mil pedaços quando foste embora. Dói muito. É quase impossível respirar, o meu coração bate de forma acelerada como se cada pedaço partido batesse por si.

Pai, desde que partiste o meu mundo ficou sem cor, pobre e triste, nasceu em mim uma saudade que nada nem ninguém poderá curar.

A minha alma e o meu coração vestiram o luto eterno, pois a tua perda é irreparável. Sem dúvida o momento mais difícil que tive de enfrentar até hoje.  Uma criança que perde o pai aos 12 anos, nunca se curará disso. Não consegue acreditar que nunca mais vai ouvir a voz dele, eu não acredito que nunca mais vou ouvir a sua voz.

Dizem que o luto é a solução, mas passado quase 8 anos ainda não acabei o meu luto.

Já estou entregue à realidade do teu adeus!

Ainda sonho em te abraçar novamente e compartilhar mais uma conversa. Mas sempre que chega ao teu dia, ao dia que estaria a festejar mais um ano da minha vida, o dia dos pais, o teu dia, o natal e o dia da tua partida eu choro, choro ao pensar que não me viste crescer, choro ao pensar que não viste as minhas conquistas, choro por não me teres visto a ter o meu primeiro coração partido, choro não me teres visto jogar vólei, choro quando olho para mim e vejo o quanto cresci, amadureci e consegui entrar na universidade e tu não pudeste ver isso…Daria tudo para ter mais um minuto ao teu lado e retirar todas as coisas rudes que alguma vez disse.                                  

Eras e serás sempre o melhor pai do mundo por mais defeitos que tivesses, por mais que errasses, eu vou sempre amar-te com todo o meu coração e alma.

Sinto me triste, mas sempre que olho para o céu penso que estás lá a olhar por mim, a sorrir ao me ver conquistar tudo aquilo que desejas te para mim.

Apesar da despedida ter sido demasiado cedo, eu tive a oportunidade de aprender a viver com isso, de ajudar as pessoas ao meu redor, compreendi que não sou a única pessoa a passar por essa dor.

Fiz o meu luto a chorar ao relembrar todas as boas memórias que tive ao teu lado.

 Mesmo que hoje não estejas entre nós, não quero pensar ou falar só na tristeza, porque não quero associar o teu nome ao sofrimento. 

Hoje, amanhã e sempre quero recordar quem foste em vida, quero apenas me lembrar o pai maravilhoso que tive a oportunidade de ter, quero tornar eterna a tua memória e honrá-la com a minha vida.

Todos os dias visto o luto por ti, mas não fico triste, não mais, o luto será eterno como a memória que tenho de ti.

Vou viver cada dia por mim e por ti!


Daniela Medeiros

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...