sexta-feira, 29 de abril de 2022

Tiraram as máscaras e agora?

 

Sexta-feira dia 22 de abril de 2022, passados dois anos de uma pandemia mundial, foi liberado o uso obrigatório das máscaras, mas foram também liberadas as nossas expressões indesejadas e foi também liberada a nossa cara, nua e crua.

Depois de dois anos temos de novo a nossa cara descoberta e do nada parece que já não sabemos agir sem algo a tapar-nos a cara, sem algo, que de certa forma, esconda as nossas expressões. Algo que antes da vinda “do bicho”, como as minhas avós lhe gostam de chamar, era tão importante para lermos as pessoas.

Aprendemos a nos expressarmos com os olhos, por palavras e por gestos, e as expressões faciais já era algo do passado, algo esquecido.

Para mim as nossas expressões são como a capa de um livro, dão uma ideia do seu conteúdo, mas não o mostram na sua totalidade e por vezes não correspondem ao conteúdo. Mas é um simples sorriso, uma simples expressão que nos davam uma ideia da pessoa.

Agora foi-nos tirada a nossa capa do livro e passado tanto tempo a escondê-la é difícil voltar a criar todos os dias uma capa nova e ter de moldá-la e ajustá-la a cada pessoa.



sexta-feira, 22 de abril de 2022

O início da liberdade…

 

Avizinha-se uma data muito importante para Portugal, para os portugueses, para todos aqueles que fizeram parte desse dia ou deram asas para que tal acontecesse. Falo então do grande dia, aquele que começou bem cedo, de madrugada pelas vozes daqueles que seriam os capitães dos portugueses, os capitães de abril que conduziram o 25 de abril em direção a dias infinitos de liberdade…

Sempre ouvi dizer que abril era sinónimo de liberdade, e que devíamos agradecer por tê-la, pois nunca saberemos até quando temos essa mesma liberdade. Há pessoas que dão graças a Deus pela Revolução dos Cravos, contudo nem todos tem a mesma opinião sobretudo aqueles que viveram a guerra colonial, pessoas de mais idade, e com isto não quero dizer que pensemos todos da mesma maneira ou que todos discordam com este acontecimento.

Mas às vezes penso e se o 25 de abril nunca tivesse acontecido? E se o Salgueiro Maia nunca tivesse sido militar? E se… pois é, se pensarmos sempre nos “e se isto ou aquilo”, nunca teríamos saído de uma ditadura que durou 48 anos não foram apenas 5 foram 48 anos longos e duros que certamente custaram a passar a muita gente.

O ser humano já teve inúmeras oportunidades de aprender que com a guerra não se chega a lado nenhum. Ontem foi dia do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky discursar através de videochamada em pleno parlamento português, que contava com a presença de jornalistas, políticos, enfim de inúmeras figuras públicas da alta sociedade portuguesa, mas apesar dos cargos que desempenham, são portugueses e acima de tudo são seres humanos, até Zelensky recordou 25 de abril, o mesmo que acerca de dois meses se vê perante uma guerra, aquele que ainda não baixou os braços e ajuda a defender o país pelo qual foi escolhido para dar a cara nas boas e más ocasiões, às vezes penso, será que os nossos governadores fariam o mesmo? Espero nunca vir a descobrir.

Bom, espero que o 25 de abril se repita por muitos e longos anos, sem guerras, e em plena democracia, e que todos os países aprendam com a história do nosso país e com a história de outros países que passem por uma situação idêntica, temos de comemorar este dia por tudo aquilo que ele de bom nos trouxe não como sendo um simples feriado, por podermos sair à rua sem problemas, por podermos divertirmos sem os olhares da PIDE, por escrevermos o que nos apetecer sem a censura do lápis azul, temos de continuar a dar voz por todos aqueles que deram o corpo pela liberdade dos outros.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Passageiros no carro da vida

Cheguei a casa, tirei os sapatos e deitei-me na cama. 

Faltavam 15 min  para as 21H e o silêncio daquela casa é ensurdecedor. Senti-me sozinho e perdido, comecei a pensar o porquê de estar nesta situação e acho que cheguei a uma conclusão. Todos nós somos substituíveis. O tempo faz com que tudo passe e tudo se esqueça. Por muito que possamos dar o melhor de nós isto não deixa de ser verdade. Compararmos a nossa vida com um muro percebemos que basta um único deslize para que tudo se desmorone. Fico a pensar que recebemos em troca se dermos sempre o nosso melhor mas até que ponto é que somos recompensados. 

Já sabemos que a vida é um sopro e que somos passageiros na vida dos outros, mas até que ponto é que isso é vantajoso, se vamos acabar por ser esquecidos ou melhor, substituídos. Acabei por adormecer no meio de tantos pensamentos mas hoje cheguei a uma conclusão, ser passageiro na vida do outro não é algo que tenhamos de ter medo. Na verdade, nada nesta vida é eterna e temos de aceitar isso. 

E talvez seja assim que tenha de ser, talvez a palavra substituível seja uma apenas uma palavra. As pessoas simplesmente mudam de opinião, de prioridades, vontades, objetivos e alguns caminhos, infelizmente acabam por não se cruzar mais. Não nos podemos sentir culpados por não sermos mais a pessoa importante que éramos na vida do outro   


João Carriço 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Belinha

A presente crónica vai ser sobre uma das minhas gatas cujo o nome era Belinha e, a meu ver, o nome dela é o título adequado para este texto. Muitos de vós podem achar estranho o facto de eu estar a escrever sobre um animal de estimação, mas eu não acho isso.

Afinal, quem era a Belinha?

A Belinha era a gata mais velha cá de casa, tinha uma cara de má (mas que não correspondia nada à personalidade dela), era teimosa, adotava tudo o que era gato e cão, mesmo quem não gostasse de gatos ela fazia de tudo para as pessoas gostarem dela, entre muitas outras coisas.

Atualmente tenho 22 anos e recordo-me vagamente da altura em que adotamos a Belinha, eu devia de ter 7 ou 8 anos, portanto literalmente cresci com a minha gatinha. Ela esteve presente em todas as minhas fases: a entrada chata na adolescência, os tão cobiçados 18 anos (deveras romantizado este ponto), o começo da minha jornada na faculdade…lamento por ela não ter aguentado mais um tempo para me ver a finalizar o curso. Confesso que não estava preparada, e ainda não estou, para lidar com a ausência dela. Tem sido estranho adaptar-me ao facto de ela já não estar presente na minha vida. De volta e meia escapa-me o nome dela durante uma conversa e isso não é mau, não estou a tentar esquecê-la, não quero apagar toda a sua existência da minha vida, simplesmente ainda custa.

Sinto muito a falta dela e muitos de vocês podem não perceber isso ou até mesmo achar “parvo” porque estou a falar de um animal de estimação e não de uma pessoa que me é próxima, mas eu amo muito animais e custa-me imenso lidar com a perda de algum, pois isso significa que vou ter que me adaptar a um vazio.

E assim termino a minha crónica.

Após muitos bons anos presente na minha vida, a Belinha descansou a 10 de abril de 2022.

Esta era a Belinha.


Ana Lopes

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Para lá do que se espera

A arte conheceu-te e disse-me que gostou de ti. Segredou-me que já eras artista antes de o saberes. Acho que quanto a isso, não vacilo um segundo e acredito nela piamente. Contou-me que durante o jantar, cruzaram talheres e brindaram que era para sempre. É mesmo para sempre. De agora em diante, são oficialmente do mesmo teto, da mesma casa e tendo em conta o que sei, não contes que ela venha com aviso. Há dias em que me arromba a porta sem avisar e há outros em que vai chegando paulatinamente. Permite que experiencie toda a panóplia de sensações e sei que me sente de volta. Percorre de mãos dadas, lado a lado comigo, o caminho da autodescoberta e é aí que percebo que a vida pode ser muito mais do que se consegue alcançar. Beija como o toque de uma flor ou assola como o ardor da vela. É palco sem barreiras e história sem final. Confessa segredos e dá espaço necessário a todas as formas de expressão e digo-te, se no meio desse espaço que também vais sentir, tiveres medo de lhe transmitir o que quer que seja… Transmite na mesma. Talvez seja essa a mensagem que ela quer ouvir. Num mundo onde há cada vez menos tempo, para mais coisas, obriga à pausa e à reflexão sobre o chão que se pisa. No fundo, como alguém um dia disse, ela existe porque a vida não basta e isso já é dizer tanto. Ontem conheces-te a arte e ela gostou de ti. Prepara-te para construírem a vida juntos.

(Escrevi esta crónica há duas semanas, sabendo apenas que seria hoje a hora de a publicar. Hoje, um dia que seria de se esperar que fosse como todos os outros. Hoje, faço da arte o meu tema e parte uma das maiores artistas do nosso país. Que paradoxo, não é? Que estas palavras por mais que sejam minhas, possam ser dela também. Ela que fez da arte casa durante 80 anos e que leva a chave para um sítio que se quer muito mais bonito e preocupado com a cultura do que este. Que lá em cima ecoem todas as palmas para a receber, porque deste lado, o pano ainda continua de pé e sempre continuará.)

Obrigada Eunice.

Rita Nobre

quarta-feira, 13 de abril de 2022

 

                    A Desvalorização das Doenças Mentais por parte da Sociedade

 

O tema que escolhi abordar hoje foi, a desvalorização das doenças mentais na sociedade, que para mim, é algo que choca. Escolhi retratar este tema mais forte e impactante na nossa atual sociedade, porque percebi que isto de escrever as crónicas para o blogue da cadeira de crónica cria uma espécie de “liberdade” para partilhar e criar impacto, com estes temas mais sensíveis, que eu pertencendo á geração mais recente, acabo por ter maior sensibilidade e percepção destas injustiças que observo, e que considero merecedoras de importância e atenção e cujo, infelizmente, acredito que passam muito despercebidos. Ao mesmo tempo, escolhi este tema também, por experiência própria, e tendo eu estado frente a frente com esta questão de não se dar o devido valor às doenças mentais, que as mesmas deviam receber.

Começo então, por revelar que considero que as doenças mentais, devem ter um impacto tão grande quanto todas as outras doenças, voltadas mais para o plano físico, até porque doenças que mexem com o nosso psicológico conseguem ser mais complexas ainda, e capazes de criar “destruição”, em grande escala. E assim, partilho já que eu sofro de ansiedade, e há mais ou menos um ano, passei por uma fase mais complicada da minha ansiedade, onde muitas vezes tinha ataques de ansiedade, em que ficava com falta de ar, tremores, suores frios, etc.

Lembro-me que houve um dia em que isso aconteceu-me na aula de educação física, estava eu no meu 12º ano, e comecei a ter um ataque de ansiedade. Logo fui abordada por uma colega que tentou chamar a atenção do docente, o professor, e o mesmo optou por ignorar a minha situação e continuar a dar a aula, como se nada estivesse a acontecer. Fui socorrida por uma outra docente que me ajudou, a acalmar. Mais tarde, o mesmo professor que me ignorou numa situação daquelas, veio ter comigo e disse-me que exagerei e que estava a fazer drama. Tentei falar com a minha mãe para entrar em contato com um profissional que me pudesse ajudar, e mais uma vez, ouvi que estava a ser dramática. Até hoje lido com a ansiedade sozinha, e nunca tive qualquer ajuda de um profissional.

Com isto, apercebi-me de como vivíamos numa sociedade “adormecida” para estas situações e que olham para a nossa geração como sendo dramática, exagerada, pois no “tempo” dos nossos pais, era como se isso não existe, não se falava sobre depressão ou ansiedade. E este choque de valores e confrontos causa esta sensação de “drama” da geração anterior para a mais recente… e daí nós somos e sentimo-nos, incompreendidos e sem apoio para saber lidar com as doenças mentais.

Finalizo esta crónica ressaltando, para o impacto que as doenças mentais têm, e para alertar mais a sociedade para o conhecimento destas, de forma que todos possamos ter oportunidade de ter ajuda, e de não sermos tão descredibilizados, pela geração anterior, que olha para nós, como “dramáticos” muitas das vezes e não têm noção daquilo que estamos a sentir e pelo que estamos a passar, tendo por vezes atitudes negligentes para conosco.  

 

"Os melhores anos da nossa vida"

"A Universidade são os melhores anos da tua vida" dizem eles... Na minha opinião, têm razão. 
Ok, no início, talvez não concordasse a 100% porque não entrei na primeira opção que eu tanto desejava, no sítio e no curso que queria mais que tudo.
Ah... quando eu me lembro do dia em que saíram as colocações... Foi um misto de emoções. Não sabia se chorava de tristeza por não ter entrado onde pretendia ou se chorava de alegria por ter entrado na Universidade, algo que eu sempre quis e imaginei.
Tive de me decidir se arriscava e experimentava o curso, se desistia e fazia um ano 0. Obviamente, eu, como sempre, decidi atirar-me de cabeça, estando em causa dinheiro dos meus pais, tempo e preocupações extra. Mas sabem? Hoje, sinto que ainda bem que tomei essa decisão. E hoje sim, concordo a 100% com quem nos disse que iam ser os melhores anos da nossa vida.
O primeiro ano foi a fase de conhecer as pessoas, os colegas de turma, o curso, os professores, a escola, a vida noturna e a cidade em si. Rapidamente me apercebi que não era tão mau como esperava, fui-me adaptando a tudo isso e desde o início que tenho memórias incríveis cá, horríveis também, mas tudo isso faz parte. Ganhei amizades que sei que posso contar, ganhei outras que eu não me identificava e afastei-me. Tive e tenho cadeiras que gosto e outras que não gosto tanto. Há momentos mais divertidos que outros. Dias melhores e dias piores. 
No início deste segundo ano, nada estava a ir bem, pensei desistir, deitar tudo a perder e fazer um ano 0 para dali a uns meses voltar a tentar a sorte na minha primeira opção. Mas acabei por decidir ficar e dar mais uma oportunidade a tudo isto, e acho que isto é a vida. Há fases e fases. Há momentos que me sinto mais sozinha que nunca, mas sempre me ensinaram a não desistir. Então fiquei. Fiquei e no fundo sou feliz aqui.
Na minha opinião, quando alguém nos diz que "são os melhores anos da nossa vida" estão incluídos também os momentos menos bons, porque sinceramente, nada é "o melhor" se não tiver as tuas falhas pelo meio não é? Absolutamente ninguém chega ao seu auge sem perdas. 
Eu sei que muitas das vezes achamos que isso é apenas uma frase clichê porque achávamos que por se dizer "os melhores anos" que ia simplesmente ser perfeito. Não é. A verdade é que, no final, tudo vale a pena. Todos levamos pessoas, momentos e histórias para a vida. E cada falha ou vitória, cada lágrima ou sorriso, cada cadeira chumbada ou passada, cada noite bem ou mal dormida, trouxeram-nos e vão trazer ainda, muita mais aprendizagem e mudança para o futuro. 

Ainda não cheguei ao final do curso, falta um pouco, mas tenho a certeza do que digo. Não devemos arrepender-nos de nada, porque sempre acreditei que "o que tem de ser, é." e se estamos aqui hoje, como estamos, é porque há um propósito. E no último dia, acredito que vamos olhar uns para os outros e agradecer.



quinta-feira, 7 de abril de 2022

Última crônica (virar a página)


Cheguei ao fim deste ciclo de crônicas semanais ,confesso que fugi em muito daquilo que tinha delineado para este exercício,o objetivo no início seria de escrever sobre assuntos da atualidade ,no entanto, não foi o que aconteceu na prática.

A verdade ! É que os meus problemas pessoais afetaram -me de forma profunda e isso teve consequências no meu processo de pensamento,ou seja, durante as últimas semanas a minha atenção debruçou -se sobre uma pessoa em particular,gastei imensa energia ao tentar perceber aquele ser humano e isso deixou-me exausto.

No fundo! É como se tentasse-mos construir um puzzle sem sentido,no qual falta sempre uma peça, mas já desisti de tentar perceber alguém que se esconde por de trás de um falso sorriso,de uma falsa interação.

Por muito que me custe é tempo de mudar a página, é tempo de dar atenção as coisas que realmente importam, que são os meus sonhos,as minhas ambições e a minha felicidade.



Apesar das últimas semanas difíceis, sinto que me estou a dar melhor com os meus colegas de turma,algo que me deixa um bocadinho feliz, afinal! quem não gosta de se sentir integrado!

Concluído: As coisas estão a correr na direção certa, apesar de haver sempre pedras na calçada, mas a esperança no futuro torna-se na força que necessito para ultrapassar os obstáculos que virão.

Podem difamar-me ,podem- me ignorar, podem fazer pouco,mas jamais poderão parar -me , por muito que tentem.



José Martins



Mudanças

 

Antes de entrar na faculdade, ou até mesmo antes de estar no secundário, que me diziam que a faculdade seria a melhor fase da minha vida. Mas se esta é a melhor fase, como será a pior?

Nunca fui uma aluna de excelência, nem uma aluna que soubesse o que queria fazer no futuro, não tinha nada planeado, nada pensado e a minha saída da minha zona de conforto estava em estado de hibernação na minha cabeça.

Ao fazer a escolha das faculdades a minha cabeça estava num turbilhão, não tinha certezas de nada e para ser sincera, as opções que selecionei não foram nada pensadas. Submeti e agora era só esperar.

Chega o dia, são 20h e eu ainda não tinha recebido a resposta, pensava que não tinha entrado. Passaram-me mil e uma coisas na cabeça, porque desde pequena que ouvia que se não fosse para a universidade não tinha um bom futuro e que não seria ninguém, o pânico estava instalado.

Fazia refresh no mail 100 vezes por minuto, até que recebo a notificação de que tinha sido colocada, colocada num curso com o qual não tinha nem pensado na sua seleção, colocada num sítio que não é assim tao conceituado e conhecido, colocada a mais de 200km de casa.

Estava num misto de emoções, feliz porque o momento de entrar na faculdade tinha chegado e eu tinha conseguido, a aluna mediana tinha conseguido entrar na universidade, mas estava com mais receios do que certezas.

Caí em mim, ia ficar longe da minha família. Passados 19 anos ia ficar afastada deles semanas, tinha de ir morar com desconhecidos, lidar com desconhecidos, era como se fosse começar tudo do 0, não tinha amigos, não conhecia nada nem ninguém, era como se voltasse a ser um bebé e tinha de aprender tudo de novo.

Hoje, passados quase 2 anos nesta vida de universitária, poderei afirmar que esta não é de todo a minha melhor fase, poderei até dizer que é a pior. É um sentimento estranho, não gostar de estar aqui, mas gostar do facto de ter conseguido uma coisa que ansiava há tanto tempo.

Acho que as pessoas que me disseram que a universidade era a melhor fase da minha vida, deveriam me ter falado das noites sem dormir sem conseguir travar o choro, das pessoas que são más e que vão gozar contigo, do sentirmo-nos insuficientes, do ter saudades de casa.

Mas a pergunta é, se esta não foi a minha melhor fase, qual foi ou qual será? O futuro é desconhecido e não gosto do desconhecido, tenho medo dele, mas ele é o que de mais há de importante para o nosso crescimento pessoal.

Acho que não me deviam ter dito que a universidade era a melhor fase, deviam ter dito que o que aprendemos com ela e os amigos que fazemos nela é que são a melhor fase, porque na realidade a universidade tem mais de mau do que de bom.




terça-feira, 5 de abril de 2022

O passado, o presente e o futuro.

 Atualmente não sei quem sou, só sei que sou uma pessoa diferente da que fui outrora. Lembro-me de ser uma criança e perguntar-me, como serei daqui a 10 anos, o que estarei a fazer, que pessoa vou ser? 

Nos dias atuais quando se aborda o tema "mudança" existem muitas pessoas que o veem de uma maneira negativa, contudo a existência de uma mudança nem sempre é uma coisa pejorativa. Ao longo da nossa vida somos confrontados com situações que mudam o nosso comportamento, crenças e objetivos. As escolhas que fazemos no passado e o empenho que colocamos nas mesmas no presente vão ser refletidas no futuro. 

Recentemente vi um filme bastante interessante, infelizmente não me lembro do nome, mas no mesmo são discutidos vários temas. Numa parte do filme uma das personagens disse uma frase que me marcou bastante, " O passado é história, o futuro é incerto e o presente é uma dádiva". Uma frase simples e de poucas palavras que demonstra a essência da vida. Tudo o que fazemos e experenciamos no passado é história porque nunca mais o vamos viver, são experiências únicas que iremos guardar na memória, o futuro tal como a frase do filme refere é algo incerto, algo que é desconhecido e são estes fatores que o tornam tão apaixonante. Contudo, tanto o passado como o futuro podem ser bastante perigosos para algumas pessoas, devido ao facto de existirem indivíduos que ficam presos a um ou a outro. Ficar agarrado às decisões do passado não vai alterar o presente nem o futuro, pode sim causar distúrbios psicológicos, como depressões, coisa que cada vez vem sendo mais "normal" de acontecer. O futuro também tem os seus problemas, pessoas que pensam em demasia no que pode ou vai acontecer não conseguem aproveitar o presente como gostariam e acabam por começar a ter ansiedade, ataques de pânico entre outro tipo de resposta aos pensamentos exagerados sobre o futuro. Chegando a esta parte acho que é de fácil conclusão que o que devemos todos fazer enquanto sociedade é aproveitar o presente, os momentos que experenciamos, que sentimos com o nosso coração, tudo isso, tem que ser valorizado e não estarmos presos a acontecimentos passados nem a eventuais acontecimentos futuros. 

 Comecei por dizer que atualmente não me conhecia, que não sabia quem era, contudo menti, sei perfeitamente quem sou e o que era. Antigamente era uma pessoa tímida, envergonhada, muito "mole", sem grande vontade para querer ser mais que isto, contudo hoje em dia tenho todo o orgulho em dizer que sou totalmente diferente, muito sociável, sem medo de falar seja com que for, por vezes muito extrovertido etc. O que me assusta nesta mudança foi ter acontecido em tão pouco tempo e tão drasticamente, passar do "8" para o "80" num espaço que eu considero curto sobressalta-me um pouco. Tenho plena consciência que esta mudança se deve a inúmeros fatores, contudo aquele que eu gostaria de destacar é o facto de já há dois anos estudar longe de onde fui criado, encontrar-me longe de casa, longe dos meus pais, longe da minha família obrigou-me a ser uma pessoa mais desenrascada e não estar à espera que alguém fizesse as coisas por mim. 

Provavelmente quando entrei na aventura de ir estudar para longe de casa ainda era uma criança, tinha apenas 17 anos. Hoje com 19, passados 2 anos de estudar fora posso dizer que sou muito mais "homem" em comparação com o miúdo que tinha 17 e que pensava que tinha o mundo a seus pés. 

Tenho orgulho naquilo que fui, tenho orgulho naquilo que sou e sei que vou ter orgulho daquilo que vou ser. 


João Carriço 

domingo, 3 de abril de 2022

Cronicando sobre assuntos...

 

Não sei muito bem o que escrever nem sobre o quê, estou simplesmente sem ideias, sem assuntos para assentar de como um bloco de notas se tratasse, podia expor-me e falar um pouco sobre mim, mas isso é algo difícil acontecer pois sou uma pessoa tímida e reservada, coisa que para esta profissão é um pouco estranho.

Os adjetivos como tímida, introvertida, retraída, acanhada, e toda uma panóplia de adjetivos do mesmo género não são compatíveis com esta profissão…ou se calhar até são!?

Nunca tinha revelado a ninguém, que curso iria seguir ou que profissão sonhava ter, nem sequer aos meus pais que só descobriram no dia em que saíram os resultados, felizmente consegui entrar no curso que queria. É claro que desejava que fosse um pouco mais perto de casa mas faz bem às pessoas por vezes mudar de ares, não é verdade!

Hoje em dia, sinto que os jovens precisam de liberdade mas também acho que alguns tem liberdade a mais, talvez seja bom como poderá ser mau, depende da tal liberdade, é claro que depois do dezoito anos não há muito que os nossos pais nos digam, ainda por cima estando longe e sem os olhares protetores e supervisores por perto.

Na opinião de alguns, dizem que esta geração está perdida, nem sei bem qual a reação ou postura que devo ter ao ouvir este tipo de coisas, é certo que “esta geração” no qual também estou inserida, tem coisas que talvez não sejam assim tão agradáveis de todo. Mas tem coisas ótimas e são essas “coisas” de que temos de nos orgulhar e fazer ver aos outros que não há gerações perdidas nem vitoriosas.

Então mas afinal, o que é uma geração perdida? Ou melhor a geração dos nossos pais e avós é que é melhor ou superior que a nossa? Quando ouço pessoas já de uma certa idade falarem mal dos jovens, só porque ouvem nas notícias “jovem matou fulano tal” já tem motivo para odiarem os jovens, mas uma coisa de que se esquecem é que quando foram jovens tais acontecimentos também ocorriam só que a diferença é simplesmente uma, os meios de comunicação de antigamente não são como agora, agora todo se sabe os assuntos bons mas também os maus.

Por favor, deem uma oportunidade aos jovens ou a esta geração que julgam perdida, pois é nos jovens de hoje que está o futuro de amanhã e provavelmente dos próximos anos.

 

 


sábado, 2 de abril de 2022

Não sou quem queria ser


 

Há muitos  anos que as pessoas ao meu redor falam e debitam opiniões sobre mim , grandes diálogos são gerados acerca da minha personalidade, uns acham – me um ser arrogante e desprezível , outros acham que sou um jovem educado e ambicioso e ainda existem aqueles que acham que sou um coitadinho que não tem capacidade para pensar, independentemente das diversas perceções  , uma coisa é certa ! não sou irrelevante para ninguém , e prova disso foi a ousadia de um  jornal local que elaborou e publicou uma extensa reportagem de três páginas a falar de mim , tal não é a importância que dão a alguém que ainda não fez nada na sociedade.

 

Mas porque falam tanto de mim? Porque gastam  tanto  tempo a dizer mal de mim? Talvez seja porque estavam há espera que fosse um cordeirinho humilde e resignado derivado ao facto de ser  deficiente , Sim bem sei que um cidadão com  deficiência têm de acordo com a sociedade viver sempre agradecido , temos de agradecer a Deus por nos deixar nascer defeituosos , temos que agradecer ao estado a merda da pensão de invalidez que nos dão e finalmente temos que idolatrar as pessoas que fazem solidariedade .

 

A verdade ! É que desde cedo mostrei que não era igual aos outros deficientes , em primeiro lugar nunca  agradeci a  ninguém por estar vivo , em segundo lugar nunca idolatrei ninguém , em terceiro lugar nunca ouvi ninguém sem ser eu próprio e por  ultimo nunca deixei que decidissem o que iria ser o  meu futuro.

 

 

Nos últimos anos tenho conseguido grandes conquistas , consegui arranjar uma casa ,consegui arranjar um emprego que durou três anos e encontro – me a tirar a licenciatura ,  estou num bom caminho e pretendo muito mais no futuro.

 

 

No entanto ! Apesar do meu sucesso nem tudo são um mar de rosas , a verdade é que para conseguir fazer tanta  coisa tive que adotar uma personalidade fria ,arrogante e pragmática , hoje sou alguém que não confia nos outros , que não acredita nas boas intenções e que está disposto a fazer de tudo para chegar a onde quer , se sou um arrogante desprezível isso deve – se há sociedade que me obrigou a ser alguém que não queria ser .

 

Lembro – me ainda  de ser um jovem humilde e simpático e isso fez com que as pessoas abusassem da minha boa vontade ,que tentassem controlar o meu destino e acima de tudo que gozassem comigo , a partir de um certo momento jurei para mim mesmo não deixar nunca mais que fizessem pouco  de mim , e tornei -me a longo prazo neste homem pragmático e frio.


Concluído : as pessoas dão me tanta atenção porque não estão habituadas a ver um jovem com deficiência a lutar pelo seu futuro de forma agarrida, para elas faz-lhe confusão alguém como eu ter objetivos próprios,e acima tudo faz-lhes confusão a minha ambição e arrogância .

Pois uma pessoa com deficiência têm que ser humilde!

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...