domingo, 30 de maio de 2021

Criar é inspirar ou o contrário?

 Dilema de uns certeza de outros, uma vez que é no inspirar que muitas criatividades advêm, sendo que muitas  também já fazem parte da naturalidade do criador.  Consequente há uma correlação entre esses dois termos  e dada à sua natureza, por  vezes depara-se com a ausência de uma delas.

O bloqueio criativo é mais comum do que achamos. A falta de criatividade e de inspiração perde-se do nada e volta do nada, muitos criadores de conteúdos e artistas já passaram por isso e não tem o que fazer a não ser esperar que a criatividade volte. A perda temporária da criatividade é muito comum principalmente nesse cenário em que nos encontramos onde não podíamos sair de casa e deixar a inspiração fluir, só víamos paredes e o tédio vinha.

Neste preciso momento estou a passar por um bloqueio criativo e sei que muitos de vocês me compreendem pois já passaram por isso. Ficar a todo o momento à espera de uma simples ideia é horrível, não conseguir pensar em nada é tão frustrante que dá vontade de atirar tudo para o alto e desistir, mas somos mais do  que isso. Quando menos esperamos ela, a criatividade vem, só precisamos ficar atentos porque a inspiração está em todo o lado e de várias formas.

A criatividade para mim é uma dádiva, uma pessoa criativa vê o mundo de várias formas e maneiras, eu acho isso espetacular. Todos somos criativos de alguma forma, todos têm a sua forma de exprimir. Tudo bem se não houver criatividade a todo o momento, somos seres humanos e não somos perfeitos, faz parte dessa realidade.

Apenas tenha paciência e ela virá, não desista tao facilmente, ela vem dos mínimos detalhes.



Crónicas de Marlene Barbosa, in Criar é inspirar ou o contrário?


terça-feira, 25 de maio de 2021

Saudades Da Terrinha

 

Saudades Da Terrinha

 

Saudades daquele cheiro a bifana acabadinha de fazer acompanhada daquela cerveja fresquinha ao final da tarde naquela esplanada que não é comparável com mais nenhuma, já que não existe nenhuma em que esteja sempre lá, o “João maluco”, uma lenda de Sesimbra, tanto por ter um caderno assinado por todas as raparigas por que passa como pela sua boa disposição que alegra a esplanada inteira. Saudades do grupo de amigos com os quais já combinamos coisas juntos desde que deixamos de usar fraldas, aquele grupo que se acompanha mutuamente e que cresce junto, hoje em dia cada um com a sua vida mas sempre que existe um tempinho em que todos possam, lá surgem aquelas conversas que duram uma tarde inteira e muitas das vezes se prolonga pela noite fora, acaba sempre numa grande noite quando isto acontece, o pior é o dia a seguir, com aquela ressaca em que a palavra de ordem é ÁGUA, uma dádiva de deus, é a cura para todos os males naquele dia tão “seco”.

 É pena estas conversas só ocorrerem de tempo a tempo, mas sempre me disseram que os melhores amigos não são aqueles com quem lidamos a toda a hora, mas sim aqueles que, passe o tempo que passar, não mudam a sua atitude conosco, ao longo do tempo vamos aprendendo a diferença entre estes e aqueles que se dizem ser nossos amigos, mas são tão falsos quanto aquele relógio comprado nos chineses (nada contra), outra coisa que se encontra na terrinha é claramente a família, esses sim, não precisamos de escolher porque já nos foram designados à nascença, e quer queiramos ou não temos de nos “aguentar à bomboca”, e sinceramente não me importo nada com o que me calhou na rifa, hoje em dia ouvem-se tantas histórias de problemas familiares que me sinto um sortudo por não ter quase nenhuns, é impossível não haver nenhuns, nem mesmo aquelas famílias que tentam transparecer uma imagem de “família ideal” são assim tão perfeitas. As saudades apertam mais quando se fala em mar ou algo relacionado com isso, só de pensar que cada vez que o calor aperta não posso largar o que estou a fazer para ir dar aquele mergulho refrescante até me vêm as lágrimas aos olhos, mas por outro lado também é uma coisa boa, porque se fosse assim já tinha chumbado por faltas.



segunda-feira, 24 de maio de 2021

A Mania de desprezar o Ensino Profissional

    Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que coloquei o ensino regular para trás das costas e segui um novo rumo - frequentar o ensino profissional. Poderia dizer que foi a mudança mais fácil da vida, mas se o dissesse estaria a mentir. E porquê? Porque para trás deixei dois anos de secundário e todo um conjunto de amigas e colegas. Confesso que no dia em que me inscrevi no ensino profissional achei que estava a precipitar-me, porque faltava-me apenas um ano para ingressar na faculdade. No primeiro dia de aulas foi um choque de realidades e, apesar de estar ali “sozinha”, fez-me ainda mais confusão. Não foi difícil adaptar-me, até porque relacionei-me com pessoas com quem me identificava o que acabou, também, por facilitar ainda mais as coisas. É o típico “primeiro estranha-se depois entranha-se”, já dizia Fernando Pessoa.
    Muitas vezes, em conversas entre amigos e amigos dos amigos, ouço sempre uma piada sobre o Ensino Profissional. Penso duas vezes se hei de responder ou não, mas o que é certo é que aquilo mexe com o meu sistema nervoso. Não entro a matar, mas também não sou boazinha quando se trata deste assunto. Quando eu coloco a questão: “Já frequentaste o ensino profissional?” - sabem já qual é a resposta, certo? Pois… a resposta é, e eu atrevo-me a dizer quase sempre, “Não, só andei no ensino regular”. Que giro, então por que razão estas pessoas continuam a falar do que não sabem?
    Só aqui para nós, vocês sabem o que distingue um curso profissional das restantes opções de integração no ensino secundário? Vamos começar por aqui, a grande distinção é o forte vínculo ao mundo profissional. Desta forma, os alunos podem experimentar o contexto laboral, onde são fornecidas visões reais e uma experiência única, que os vai ajudar na altura de ingressarem numa profissão. E sabem que mais? Os alunos do ensino profissional podem candidatar-se à faculdade. Sabem onde eu estou? Na faculdade. Sabem de onde vim? Do Ensino Profissional.
    Não há que fazer comparações, mas se numa balança colocarmos um aluno do ensino profissional que seguiu o curso de higiene oral e no outro lado estiver um aluno do ensino regular que esteve em ciências, mas que quer seguir essa área, qual deles traz mais bagagem? Dá que pensar, certo? Então pensem nisso.
 
    Para todos os haters que teimam em dizer que os alunos do ensino profissional são uns burros, que não sabem nada, que vão para a escola passear e que é tudo bem mais fácil … meus caros, quem nos dera que fosse tudo assim como dizem, porém não é tudo mais fácil, não vamos para a escola passear, muito pelo contrário. Também fazemos testes, provas orais, trabalhos práticos, fazemos um projeto final de curso e ainda temos estágios durante os três anos. Vão continuar a dizer que é tudo fácil?  
 
    Deus, perdoa-lhes que eles não sabem do que falam.
 
    Fica como última nota que, caso não saibam, o Ensino Profissional é o futuro. Não desprezem esta variante de ensino, porque benefícios ela tem muitos e ainda quero ver os vossos filhos lá enfiados.
 
    Fui tão feliz no Ensino Profissional, principalmente na Escola Profissional da Nazaré. Já quero voltar. E se quiserem ser feliz como eu fui, inscrevam-se na EPN. Não se vão arrepender. Professores top, funcionários top, tudo top e ainda vêm o mar.
Que mais podem querer? 


Até breve,
Carolina Estrelinha









domingo, 23 de maio de 2021

"o sol é de todos menos meu"

    Por vezes, temos um daqueles dias em que tudo parece correr ao contrário do desejado. Um daqueles dias em que parece que nos estão a por à prova, em que surge um imprevisto e parece que tens alguém dentro da tua cabeça e que te questiona constantemente, "E agora, como é que te desenrascas?".

      Por exemplo, está uma pessoa deitada a pensar que está muito bem disposta e que o dia vai correr mesmo bem, quando olha para as horas e vê que está atrasada porque o despertador não tocou, e lá se vai a boa disposição. Entretanto, depois de levar com o transito no caminho, parece que toda a gente se lembrou de sair à mesma hora, parece que o dia finalmente começa a correr bem. Acontece que se dirige a uma aula e se lembra nesse preciso momento que na aula anterior o professor pediu o computador, e o computador estava em casa. Depois chega a hora do almoço, após umas cinco voltas à carteira apercebe-se que não tem dinheiro que chegue para comer, mas lá há alguém que se oferece para o pagar. Na continuação das aulas, há ainda aquela altura da correção de um trabalho, e com um bocadinho de sorte, perguntam-lhe logo a única questão a que não soube responder. Por fim chega a altura de ir para casa, em que tudo parece mais tranquilo, em que já só pensa em lá chegar e descansar de toda aquela correria. Mas não. Distrai-se um pouco com as horas e perde o autocarro, tenta arranjar boleia com alguém, mas parece que toda a gente se lembrou que tinha algo importante para fazer naquele momento. Fica então à espera do próximo autocarro. Finalmente em casa, convencida de que pode então relaxar, liga a televisão, que precisamente naquele dia decide não funcionar. Lembra-se então de ir à internet, que parece estar bem mais lenta que nos outros dias.

      É nestas alturas que uma pessoa pensa, "mas que mal é que eu fiz". É nestas alturas que se olha para os outros, mesmo não conhecendo de lado nenhum, e sem sequer ocorrer que possam ter muitos mais problemas do que nós, ou bem piores, e se fica com uma sensação de, como canta o António Zambujo, "o sol é de todos menos meu".

As nossas vidas - II

      Necessitando de muito esforço para formar esta conversa, ainda por cima passando por um momento desagradável, para mim a alegria não é quando há falta de tristeza, como uma criança que abre um sorriso inocente quando vê uma pessoa a tropeçar na rua, de qualquer forma a pessoa contribuiu pelo sorriso da criança. A mãe que fica feliz com o filho por ele ter tirado as melhores notas na frequência e a menina que fica a gargalhar por ter lembrado de alguns acontecimentos engraçados do passado. 

      Já reparaste que nunca estamos satisfeitos, queremos sempre mais e mais, apreciamos sempre algo que nunca teremos e nem sempre é algo que é da nossa necessidade básica, enquanto que há pessoas que precisam do básico, e nós procuramos por bens só para alimentar o nosso prazer de tê-lo. Pensamos que temos que morar numa casa grande para ser feliz, ter um carro do ano, ter muito dinheiro, ir à festa todas as sextas feiras. Pois bem, isso não é um real significado de felicidade. 

     Que tal fazermos algo de coração, sem pensar sempre em receber, como diz um ditado: é dando que se recebe. De certeza depois de fazer um bem, vais sentir uma enorme felicidade dentro de si, só pelo facto de ver o outro feliz. Ser feliz é saber lidar com o pouco que temos, sentir feliz em ver o outro feliz, encarrar a realidade e a simplicidade das coisas, ter a humildade e reconhecer que a vida não é feita de coisas que carregamos, guardamos e possuímos 

 

A felicidade está na nossa cabeça e não nos bolsos. 


 




sexta-feira, 21 de maio de 2021

Crescimento

 Era uma miúda, não há muito tempo atrás. Ainda sou - ainda faço por sê-lo. Ainda faço por manter a vivacidade que costumava ter quando tudo era mais fácil. Quando a noção não se tinha assentado em mim como a poeira assentou nos livros do meu avô. Quando a pureza permanecia lado a lado com a inocência.

 Hoje o que trago comigo são apenas memórias desses anos, que atualmente têm um sabor diferente. Sabem a saudade com uma pitada de tristeza. Não que hoje seja triste, sofro apenas de uma felicidade diferente. Com mais clareza e com direito a ponderação. Hoje o pensamento pesa, já que tenho de carregar todo este ser, que está atolado em histórias e vivências, felicidades e tristezas, amores e dores, para onde quer que vá. Se alguma vez se perguntaram porque é que o mundo se divide tanto entre o 8 e o 80, está aqui uma parte da resposta. Somos o tudo ou o nada, o azar ou a sorte, a dúvida ou a certeza. Somos a mesma miúda de há uns anos, mas também somos a mulher de há uns minutos.

Sinto-me uma velha a dizer estas maluquices e a pensar estes disparates, mas é que ultimamente ando numa luta intensa comigo própria. Estou constantemente a tentar ser melhor por alguém ou para alguém, por mim ou para mim. Sinto que é um projeto eternamente inacabado esta tentativa de manter a miúda que ainda existe em mim, e a esperança de crescer e ser a mulher que sei que um dia quero ser. Quero crescer e melhorar, sem nunca perder a vivacidade, a pureza e a inocência da miúda que era, só acrescentando a noção, a clareza e a ponderação da mulher que me vou tornando. 

Os padrões de beleza que nos são impostos

    Desde de pequena que me são mostrados ideais de beleza, ideais estes que acabam por mudar ao longo dos anos. Muitas das pessoas que fazem alterações físicas para corresponderem ao que é considerado belo, acabam sempre por se arrepender anos mais tarde, porque aquele ideal de beleza que lhes foi imposto acabou por mudar para algo completamente diferente.

    O que me deixa realmente chocada é que a maioria das pessoas segue, realmente, estes ideais impostos pela sociedade, como se fosse o mais correto a ser feito. Se houver alguém que não segue estes princípios, a sociedade julga logo que há algo de errado com essa pessoa, porque as pessoas pensam que se foi imposto aquelas diretrizes a toda a gente, toda a gente tem de as seguir. Alguém que não quer seguir o “rebanho” normalmente é logo considerada “feia” ou “descuidada” porque não faz de tudo para ser igual a todas as outras pessoas. Isto tudo de impor um tipo de beleza que deve ser seguido pela sociedade é levado tão a sério que, até há concursos femininos para nomear uma mulher como “Miss Queen” qualquer coisa, nestes concursos é elegida uma mulher para representar o tipo de beleza que deve ser seguido por todas as mulheres. O quão errado isto está? Nós precisamos realmente de um ideal para seguir? Tudo porque a sociedade não aceita o tipo de beleza, o tipo de estilo diferente e divertido, precisam realmente de impor uma imagem para criar um número de pessoas extremamente parecidas, chega a parecer que foi feito “copy-past” em toda a gente. Em Portugal o padrão de beleza masculino é o típico, ombros largos, corpo definido, morenos, cabelo castanho, olhos castanhos, cabelo cortado simetricamente e os dentes sempre muito brancos e alinhados. Já o feminino é o habitual, magra, mas com um corpo bem formado, cabelo claro ou com madeixas loiras, olhos claros, morena e tal como o padrão de beleza masculino, o feminino também impõe dentes muito brancos e extremamente direitos. E não estou a falar sobre a maquiagem que as mulheres e também homens se sentem obrigados a utilizar, porque, mais uma vez, a sociedade não sabe aceitar uma pele imperfeita, com acne ou marcas, não sabe aceitar que as sobrancelhas, por exemplo, nem sempre são completamente idênticas e perfeitas, entre muitas outras coisas.

    Enfim, isto na minha opinião são coisas que não deviam ser impostas às pessoas, todo o tipo de beleza devia ser aceite, todo o tipo de corpo devia ser aceite. Se todos os tipos de corpo, de beleza, de estilo fossem aceites não haveria tantas pessoas inseguras no que toca a si mesmas, à sua beleza, ao seu corpo, a como se deve ou não vestir. Não haveria tantas cirurgias para ter um corpo correspondente ao que todos querem ver, ou plásticas para ter uma cara parecida à mulher que foi elegida “Miss Queen” qualquer coisa, ou ao homem que faz todas as publicidades de roupa ou perfumes. Aqui há uns dias atrás dei por mim a pensar, na minha opinião, metade das raparigas que concorrem a esses concursos só estão lá para se sentirem aceites pela sociedade, claro que muitas estão lá porque sentem-se bem com elas mesmas e concorrem porque são confiantes e sabem que há a grande chance de ganharem, mas como disse anteriormente, a meu ver, muitas delas estão lá com uma esperança muito baixa de ganharem, mas estão lá, porque sentem que podem ganhar e finalmente serem aceites pela sociedade, se repararmos bem, todas elas são sempre muito bonitas, mas cada uma à sua maneira. Termino esta crónica a voltar a reforçar a ideia de que tudo isto de haver um padrão para seguir, é de facto, uma enorme parvoíce que faz com que as pessoas se sintam obrigadas a fazer de tudo para serem todas muito parecidas.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Quinta da Bela Vista

    Ultimamente tenho dado por mim a pensar demasiado na filosofia de insucesso dos casamentos. É frequente nós, mais jovens, que não temos um conhecimento tão aprofundado do que realmente é o amor e de tudo o que um compromisso sério traz consigo, ser frequente ouvirmos dos mais velhos frases como “Nunca te cases!”, ou até mesmo “Olha que são só chatices… Se eu soubesse o que sei hoje, nunca me tinha casado”. Mas o mais engraçado é que este tipo de comentários vem sempre de pessoas que, na maioria dos casos, casaram por opção própria, fruto de um amor que por norma teve início numa relação mais casual, em que se foram conhecendo ao longo do tempo e toda essa lengalenga que levou ao matrimónio. Mas a verdade é que 70 em 100 dos casamentos em Portugal acabam em divórcio. O que é que levará as pessoas a quererem realmente o divórcio? Sei que a panóplia de respostas é diversa e que na maior parte das vezes o fim dos casamentos tem origem em desentendimentos mútuos que por sua vez originam discussões, raiva e tensão acumulada, e consequentemente o casal começa a ver a sua cara-metade (se é que é mesmo) com outros olhos e questionam-se se é mesmo aquela falta de compreensão, progresso e entusiasmo que querem para o resto das suas vidas. 

Mas então e os casamentos Hindu? Olhemos então para eles, que são diferentes de nós caucasianos em quase todos os aspetos. Começando pela espera no altar, quem espera é a noiva, por exemplo, coisa que em Portugal seria impossível. Era só o que mais faltava em terras de cozido à portuguesa ser a mulher a esperar pelo marido seja onde for, especialmente no altar. Os casamentos na Índia têm uma taxa de divórcios relativamente baixa comparativamente com Portugal, e isto poderá ser devido a vários fatores que não reinam por Portugal e que, se passassem a reinar, eram olhados com muita estranheza. Qual era o bom português que gostaria de um matrimónio arranjado pelos pais para escolher a sua cara-metade? Ou até mesmo aguentarem até ao casamento sem praticarem relações sexuais, porque é quase que uma obrigação se casarem virgens? A única coisa que os bons portugueses gostariam mesmo era o facto de a festa durar três dias.

No entanto, se querem ter a minha crónica em consideração, não vejam filmes de Bollywood. Lá, vocês vão ver divórcios ou noivas a fugir no dia dos seus casamentos Hindu, e o que eu vos quis aqui mostrar foi um exemplo da filosofia de insucesso dos casamentos caucasianos, e a de sucesso dos casamentos Hindu. E sem falar que nos filmes de Bollywood o que irão ver é uma simples ficção. Acreditem em mim, que sou um caucasiano que nunca se apaixonou nem nunca teve numa relação. Mas isso são pormenores. E o título da crónica? Bem, na verdade é Quinta da Bela Vista porque soa-me a um sítio onde pessoas caucasianas se casam.


Francisco Tomé

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Oh… saudosas noites de verão

Não tarda muito para chegar o verão! As temperaturas já estão demasiado amenas para esta altura e com elas vem sempre aquela saudade de termos noção de que realmente pode-se fazer muitas mais coisas, embora isso deva-se aos dias maiores. Para mim o verão é uma coisa única e fantástica. Embora também goste de estar naqueles dias de inverno à lareira, não há nada melhor que aproveitar as temperaturas que o nosso país oferece numa ribeira e começar o dia num sítio, acabando noutro quase a 100km´s.

Mas uma das coisas que tenho mais saudades no verão e em particular nas noites é as festas das terrinhas. Em especial das da minha terra, mas também das localidades circundantes, onde juntamente com amigos fazíamos o chamado “rali-festas”. Todos os santos fins-de-semana não faltávamos a alguma, porque praticamente havia sempre.

Claro que todas as festas são iguais nalguns aspetos, pois se assim não fossem não tinham a sua essência, como é o caso das bandas da região animarem as noites, a típica aparelhagem sempre com hits que embora possam ter para cima de 20 anos, nunca passam de moda, as tão famosas bifanas no pão acompanhadas com o suminho de laranja mesmo característico só das festas e lá nalguns casos de vez em quando, aparece um artista famoso para ainda animar mais a malta e no intervalo do concerto ou no fim, as tão aguardadas fotos com ele são sagradas. Ah pois, e no domingo a banda filarmónica tem de fazer a arruada e lá para a tardinha um mini concerto.

Depois temos alguns aspetos particulares de cada terra. Na minha, para além de todos aqueles que enumerei, temos a personalidade da terra a dançar agarradinho à sua cevada fermentada; na hora da procissão de domingo, à porta da igreja tem de haver sempre uma grande confusão a ver quem é que leva o andor do padroeiro e não podia faltar as idas a pé em grupos de amigos, desde a povoação ao recinto das festas que fica mesmo no cimo da serra, que demoram, não porque é longe, mas porque alguns já vão bem alegres.

Agora com a pandemia, já vai para dois anos que isto tudo não acontece e embora perceba que seja preciso não haver para que possamos todos voltar o mais rapidamente possível ao dito normal, as saudades vêm sempre ao de cima e não vemos a hora para que as festas voltem e possamos de novo brindar a tudo, mas principalmente a que todo o Mundo tenha saúde.

terça-feira, 18 de maio de 2021

A dona do meu coração

Vou começar por dizer que tenho um coração onde cabe toda gente, mas que está reservado só para uma pessoa. Uma menina-mulher de cabelos ruivos, com uns olhos azuis como as profundezas do mar que me transmitem uma paz e ternura, que é para mim, impossível de descrever. O mais incrível, é quando ela sorri, fico completamente congelado, na maioria das vezes nem sequer consigo pensar ou dizer uma frase que faça sentido. Que poder! Ela é uma menina de 18 anos que domina e faz o que quer deste homenzinho com mau feitio.

A vida fez-me ser mais alegre e extrovertido, encaro sempre a vida com um sorriso, mas apesar disso tudo tenho um bocado de azia quando me fazem algo que eu não gosto, meu Deus. Já ela… ela é o contrário, rezingona e com um feitio forte.

Quando estamos juntos existe um ponto de equilíbrio onde reina a harmonia e o amor. Um lugar onde só existo eu e ela. Não existem problemas nem dramas. Não existe uma terceira pessoa. Esse lugar é grande é o meu coração . Como é possível? Faço esta pergunta todos os dias. Como é que alguém consegue alterar o meu comportamento assim? Sei sempre o que dizer, porquê que quando estou com ela não sei? Como é que alguém consegue ter este poder sobre mim? Quando estou sozinho pareço um cão raivoso, quando estou com ela pareço um coelhinho fofinho, mas porquê? Pronto é simples sou um cãozinho que se deixou pôr uma trela. Ainda por cima, gosto disso.  Nunca mais posso gozar com aqueles casalinhos cheios de pirosices. Fogo! O amor apanhou-me.  Nem sei como é possível ter sido apanhado. Sempre fui um menino delas e agora sou de uma só.

Pensando bem no assunto acho que ela me fez uma “macumba” ou algo do género.  Estou completamente apanhado na teia dela. Embora sejamos opostos e a única coisa que temos em comum termos mau feitio, sinto que fomos feitos um para o outro.

Fiz uma crónica sobre o amor ser uma confusão, mas com ela é simples. Será por estar apaixonado ou pela comunicação ser boa? Ou será que estou mesmo confuso? A única certeza que tenho neste momento é que amo esta miúda, ela é perfeita. Tento procurar defeitos, mas não encontro. Esta é aquela parte em que vocês me oferecem um babete. Continuando, parece que Deus a pôs no meu caminho, ela é a minha luz ao fundo do túnel.

Agradeço todos os dias por te  ter no meu caminho. Era assim que me sentia quando estávamos felizes, devia o ter dito. Não o disse e pergunto-me todas as noites, porque fui tão burro? Hoje, estamos separados, não só pelos duzentos e muitos quilómetros, mas também por atitudes infelizes de ambas as partes. Ainda assim, és tu a dona do meu coração, mesmo partido, ele ainda é teu.

sábado, 15 de maio de 2021

O dia incerto

 O dia de amanhã, prospectado na incerteza da ação dada pelo futuro de cada um, algo ao qual não se pode afirmar com veemência, incorpora em nós  a esperança de que vai ser bom tudo aquilo que se tem traçado ou projetado delineado em resultados palpáveis  e desejados. No entanto, dada à necessidade da firmeza do que vai ser o concreto, nem tudo acontece e desperta em cada pessoa a vontade de " viver o dia de hoje''.

Todos nós já ouvimos a expressão “não sabemos o dia de amanhã”, e tenho a certeza que já disseram e já ouviram muitas pessoas a usarem essa expressão como desculpa para ter certas atitudes que podemos dizer que não são as melhores no ponto de vista de algumas pessoas.

Por vezes sabe bem dizer algo do tipo, no momento de euforia tudo faz sentido, a última coisa que pensamos é no dia seguinte e nas consequências que temos que lidar. Mas e depois? E quando chegar o momento de lidar com as consequências?  E quando bate a sensação de “não deveria ter feito isso” e logo depois mascarar a situação com a famosa frase “mas só se vive uma vez”. Eu sei que veio um flashback na tua memória de algo parecido, pois sei disso porque somos todos “iguais” de uma certa forma, as nossas fraquezas nos unem de uma maneira impressionante.


O dia de amanhã ninguém tem a certeza, às vezes um pouco de aventura não faz mal a ninguém. Mas pensa duas vezes antes de fazer  algo porque por vezes nem sempre dizer “mas só se vive uma vez” resulta, e quando algo fica manchado na tua memória é difícil fugir disso, só com muitas seções de terapia e olha lá.


Reflitam e lembrem-se que o dia de amanhã é feito de erros e acertos.


Crónicas de Marlene Barbosa, in O dia incerto


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Digam não ao bullying e ao Cyberbullying

 

Cada vez existe mais casos de crianças, adolescentes e até idosos que sofrem de bullying. Qualquer forma de bullying pode marcar para sempre a personalidade do indivíduo, torná-lo débil na capacidade de comunicar e incapaz de se afirmar em termos sociais. A frequência e severidade destes comportamentos vão, progressivamente, enfraquecendo a capacidade de resistência da vítima que, de forma corrosiva, se vai isolando, destruindo a sua autoimagem, reduzindo a autoestima e aniquilando qualquer tentativa de ultrapassar ou de alterar o círculo vicioso agressão/vitimização.

 Em cada faixa etária tem situações diferentes, como por exemplo há o bullying na escola que maior parte das crianças e adolescentes sofrem de ofensas e por vezes até agressão. E há o bullying na população mais envelhecida, pode haver pessoas que pensam que só existem vítimas de bullying na população mais nova, mas não, existe em várias idades infelizmente, nos idosos por vezes acontece só pelo facto de se quererem integrar na sociedade de hoje em dia, de quererem ser ativos e de terem redes sociais.

O bullying face-a-face continua a persistir e evoluiu para novas práticas: o cyberbullying. Para que um comportamento agressivo seja considerado cyberbullying devem ser satisfeitas três condições: repetição do comportamento; causar dano a alguém; ser levado a cabo com intencionalidade. Em função da via pela qual é produzido e do tipo de agressão praticada, pode ser definido como todo o comportamento manifestado por um grupo ou indivíduo que, de forma retirada, transmita mensagens agressivas ou hostis, com a intenção de fazer mal ou causar incomodidade a alguém. Trata-se de uma forma de ser cruel para com outros enviando, reencaminhando, publicando conteúdos prejudiciais aos mesmos e fazendo comentários ofensivos utilizando, as redes sociais ou outras tecnologias digitais: e-mails, mensagens por telemóvel ou websites. No que se refere à natureza do abuso praticado, este pode traduzir-se em comportamentos de discussão acesa, assédio, dissimulação, revelação de segredos, engano, exclusão e ciberperseguição. Organizado numa dinâmica relacional, em que se diferenciam papéis (agressor, vítima, reforçador, auxiliar, defensor e observador), o canal de comunicação usado, a instantaneidade e a ausência de contacto face-a-face conferem-lhe características especiais. Nesse sentido, e por se prover da rapidez, visibilidade e imediatismo da informação proporcionada pela Internet, facilmente se dissemina, alargando o poder pessoal de quem intimida e a vulnerabilidade de quem é vítima.

O cyberbullying acontece principalmente nos jovens, mas também existem casos noutras faixas etárias, por exemplo, a população mais envelhecida que usa redes sociais é muitas vezes atacada com comentários ofensivos por se tentarem integrar nas novas aplicações de interação.

O Bullying e o cyberbullying atenta contra a saúde, a integridade psicológica e, em alguns casos, física da vítima, exerce danos emocionais de difícil reversão, ou até mesmo irreversíveis, de que é exemplo a diminuição da função cognitiva após os 50 anos de idade. As vítimas, regra geral, apresentam perturbações do sono e da alimentação, frustração e baixa autoestima, comprometimento da capacidade de socialização, ansiedade, stresse, depressão, fobia e desmotivação perante a vida escolar absentismo e menor desempenho académico. Para além do referido, apresentam maior tendência para atribuir a culpa a si próprias, desinteresse geral pior saúde física e maior tendência para o suicídio.

As redes sociais é o meio em que mais afeta, existe sempre comentários ofensivos só por simplesmente uma pessoa ser ela própria. Atrás de um ecrã todos falam e não podemos deixar-nos rebaixar por outras pessoas que não são melhores que nós, são pessoas frustradas que descarregam nos outros porque também tem problemas, mas em vez de procurarem ajuda para os resolverem, massacram os outros para fazerem a eles próprios felizes e isso é só triste.

Digam não ao bullying e ao Cyberbullying!

terça-feira, 11 de maio de 2021

O Curso Certo É O Que Nos Faz Feliz

 

Hoje, enquanto lia alguns artigos aleatórios na internet, encontrei um que me despertou a atenção, acerca de profissões e cursos com mais empregabilidade no país.  Nem sempre tive esta “coisa” de questionar tudo, mas de há algum tempo para cá, isto passou a fazer parte de mim, não sei se será um problema ou não, mas depois de ler fiquei a pensar se esse artigo fará algum sentido.

Desde criança que sempre me foi quase que imposto seguir enfermagem, porque era um curso “com saída”, e como era uma área que me despertava algum interesse, nunca contestei, nem sequer pensei no assunto. Mas quando segui ciências percebi que detestava, era realmente infeliz, e cheguei à conclusão, dois anos depois, que essa não seria a área que queria seguir o resto da vida.

A muito custo, decidi mudar de curso, e comecei a questionar o porquê de ter escolhido ciências, sendo que nem sequer tinha ponderado outra opção, apesar de sempre ter gostado bastante de ler e escrever. Estou agora, finalmente, a estudar algo que me realiza.

Foi também nessa altura que percebi que os cursos até podem ter mais ou menos saída/empregabilidade, mas será justo condenar alguém a seguir uma profissão que não quer? E será esse futuro profissional competente, sendo que é infeliz? São questões que deixo para reflexão.

Solidão Introspetiva

 

Solidão Introspetiva

 

Por vezes as pessoas habituam-se tanto a ter a companhia de outras que se esquecem de tirar aquele tempinho para si, aquele tempinho que não sabíamos que precisávamos, aquele tempinho onde nos pomos a pensar na vida e nas suas voltas e reviravoltas, e pensamos no quão estranha ela é, na verdade, e sem querer, estabelecemos um tempo de antena equilibrado na nossa cabeça entre o passado, presente e futuro.

 São tantas as matérias em que pensamos que às tantas não vemos nexo nestas, começamos a pensar naquele primeiro dia de escola do quinto ano onde podíamos ter feito mais amigos do que o que fizemos, embora a meio do primeiro período já conhecêssemos a escola inteira, e quando damos por nós, já estamos a pensar naquela coca-cola que entornámos por cima daquela nossa vizinha no café da esquina quando tínhamos dezasseis anos, e sem relacionamento nenhum, lembramo-nos que no dia seguinte temos de entregar aquela trabalho de faculdade que andamos a fazer há já algum tempo e nos tínhamos esquecido, a esta altura dá nos aquele clique para começar a fazer algo produtivo e sentimo-nos os maiores por nos termos lembrado de algo importante na nossa vida, pode parecer insignificante, mas é um sentimento de felicidade momentâneo inigualável, semelhante àquele de quando voltamos a ver a família após termos estado muito tempo fora. A frase que mais vem á cabeça quando estamos sozinhos é a típica, “mais vale sozinho que mal acompanhado”, uma frase que todos deveriam levar mais a sério porque, no dia a dia é utilizada tão banalmente que acabamos por nem prestar atenção ao seu significado, e é nestes momentos em que estamos sozinhos que realmente a percebemos, se existem pessoas que não fazem sobressair o melhor de ti, o melhor a fazer é não estares com elas, mas também existem aquelas pessoas que te deixam tão à vontade que podes ser quem és realmente sem estares condicionado/a, é ao pé dessas pessoas que devemos estar.

Agora com outra idade e outras responsabilidades, damos mais valor ao tempo que passamos sozinhos, simplesmente porque aquele fim de semana passado em Portalegre, sem contacto com amigos e família, nos fez pensar no que realmente importa, as pessoas que realmente gostam de nós e as metas às quais nos comprometemos a alcançar.



As nossas vidas

         Sentada na minha secretaria a pensar na minha próxima crônica, ando meio desnorteada que nem consigo raciocinar bem, dessa vez decidi que assim vou escrever a minha crônica, no momento a única coisa que estou a matutar é o quão a vida é tão complicada, tão injusta e ao mesmo tempo tão maravilhosa. E tenho a certeza que você também pensa o mesmo.  

Às vezes nós nos encontramos bem, há vezes em que estamos tristes, confusos, sem disposição para uma determinada situação. Em outros dias basta uma pequena piada para nós gargalharmos, há dias cinzentos e azuis, tem um momento em que nada faz sentido, tem dias que falamos com todas as pessoas ao nosso redor e outros dias em que mal damos boa noite antes de deitar e sem saber como é que vai ser o dia seguinte, em outros dias nós conseguimos olhar fora da nossa bolha, do nosso mundo e ver as pequenas sombras de felicidade que são perdidas por aí.


É difícil acreditar que todos nós vivemos essa agitação constantemente, todos os dias vivemos de tudo um pouco e nem sequer paramos para lembrar que a vida nem sempre é fácil, mas vale a pena ser quem somos, cometemos erros a todos instantes e arrependemo-nos do que fazemos, porque não pensamos no ato antes de agir, isto é, nós agimos em conformidade com a intuição e só depois pensamos nas consequências das ações proferidas pelo nosso ego. 




sexta-feira, 7 de maio de 2021

Graças a quem?

Uma vez que nos últimos dias se tem vindo a notar alguma subida de temperatura, digamos que se verficam, talvez, temperaturas primaveris, é mesmo nesse tema que me vou focar, na primavera.

Esta altura do ano, que para muitos significa, temperaturas um bocado mais altas, dias um pouco mais longos, campos floridos, o cantar dos pássaros logo pela manhã, mas para outros significa que vem aí a altura das crises de alergia. Altura de comichões nos olhos, zona esta do rosto que dizem sempre para não coçar, "que às vezes é pior" mas que a comichão às vezes é tanta que a mão quase sempre lá vai parar, deixando alguma dor na vista. Altura dos espirros e das comichões no nariz, para não falar daqueles dias em que, como se costuma dizer, "o nariz está sempre a correr". Altura em que os lenços de papel e os sprays nasais são dos bens essenciais do dia a dia. Altura em que o nariz fica vermelho de tanto ser assuado. Altura em que surge aquela tosse horrível. Altura em que surgem as dificuldades respiratórias. Altura em que, tal como no inverno, vêm as pneumonias, as bronquites,  as crises de asma, no caso de alguns. Altura em que surgem aquelas dores de cabeça, para alguns mais assentuadas, para outros menos, que vão embora tal como apareceram, do nada. 

Felizmente, a medicina dispõe de diversos medicamentos para diminuir os sintomas. Alguns mais eficazes para algumas pessoas do que outros. 

Eu, ja não me deparo com grande parte destes sintomas, pelo menos tão acentuadamente, graças a deus, quer dizer, graças à vacina.

 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Politiquices à parte, a minha junta é melhor que a tua! – Parte II

Se conseguimos alcançar algum lugar ou prestígio foi graças ao nosso esforço e dedicação perante algo que levou trabalho, mas que nos dá muito orgulho em fazer. O mesmo acontece aos estatutos das localidades por este país fora. Para falar destes assuntos a história é muito importante e deve ser sempre um fator relevante para a discussão destes temas. Se uma dada localidade é considerada freguesia é porque tem as características sociais, humanas e geográficas para o ser (o mesmo acontece em maior destaque para as sedes de concelho), mas a parte histórica tem uma força ainda grande, neste “país à beira-mar plantado”. Para perceber isso é ver o caso da cidade onde escrevo esta crónica. Portalegre é a sede de distrito com menos população, mas como é diocese, não perde o estatuto administrativo que lhe foi dado.

Mas focando-me no assunto que me traz aqui, relacionado com as uniões de freguesias e pegando nos aspetos que atrás referi, por um lado acho que não está de todo bem, tirarem o estatuto de freguesia às localidades, pois terá consequências a curto e longo tempo relacionadas com assuntos burocráticos e que vão levar a outros tantos problemas, por vezes situações que podiam ser solucionadas de imediato ou que nem deviam existir. Para além disso uma característica das populações das freguesias mais rurais é o “bairrismo”, ou seja, sempre existiu aquela picardia entre terras, devido as suas culturas e tradições e a ideia de se juntar “alhos com bugalho” não era muito bem vista (e ainda assim continua). Temos de ver os dois lados da balança e por isso até em algumas situações foi bom isso ter acontecido, pois com a ajuda dos dois lados, podia-se resolver com mais eficácia certas deficiências que as populações encontravam.

Embora seja algo que já vem de 2013, continua a ser algo sempre discutido e assunto em cima da mesa e embora nalguns casos até se estabeleceram boas relações, noutros ainda continuam o seu luto e luta para que a terra que os viu crescer seja independente, numa altura em que o poder local tem grande importância para que as regiões não sejam esquecidas e estejam sempre representadas pelos seus.

O governo central tem grande peso sobre algumas decisões locais, por isso era algo que podia ser sempre melhorado, nunca esquecendo as características de uma dada localidade para que ambas as partes (população e instituições governamentais) se complementem.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Eu e os meus amigos

 Amigos não era algo que conhecia quando era mais pequeno. Sempre fui uma criança isolada e colocada de lado pelos outros. Por vezes pensei que o problema era eu, pensei diversas vezes. Será que não falam comigo por ser gordinho? Ou será que sou mau? A verdade é que não tive amigos e durante muito tempo a minha melhor amiga foi a minha própria sombra. Cresci e com o passar do tempo fiz amigos, muitos deles são tudo o que eu tenho. Os primeiros amigos que eu tive são meus amigos ainda atualmente. O melhor disso é que eles me conhecem melhor do que eu próprio, o melhor de tudo é que eles se preocupam comigo como se fosse irmão deles. O tempo passa a voar, cheguei ao secundário e dei por mim e de repente tinha muitos amigos.

O facto é que de um momento para o outro conquistar muitos amigos originaram-me diversos problemas na minha cabeça. Diversas vezes pensei. O que mudou? Eu sou o mesmo porque só agora, reparam em mim? Será que gostam de mim? Durante anos a fio pensei que iria ficar sozinho. Foram anos na escuridão, foram eles que me salvaram daquele lugar vazio e triste. Acho que tenho um grande agradecimento a eles por ser alguém feliz.

Ao início demonstrava todas as minhas emoções, mas uma amiga ensinou-me quer esteja feliz ou triste, tenho de sorrir. O sorriso é a maior arma porque quando estou triste não o demonstrou a qualquer pessoa, só os meus verdadeiros amigos irão reparar.

Antes de vir para Portalegre, estava “cheio” de amigos. Quando cá cheguei, adivinhei? Nem se conta pelos dedos de uma mão os amigos que tenho. Sinceramente mesmo estando a espera que era isso que ia acontecer, não consegui resistir e acabei por ficar triste. Mas em Portalegre às coisas tornaram-se diferentes. As pessoas mostram-me um carinho que nem tenho palavras para o descrever. Não estou habituado a isso. Estava acostumado a ser eu a procurar alguém e não ao contrário. Aqui procuram-me e sinceramente nem sei como reagir. Às vezes sou rude, noutras por vezes sou muito extrovertido. Como se diz vou do 8 ao 80 e do 80 a 8. Sou muito feliz, mas cometi um erro com uma amiga que eu gosto muito. Deixei que os meus problemas e as coisas que me diziam interferem-se com a melhor pessoa que conheci em Portalegre, sem hesitações que a vou levar no coração o resto da minha vida. Pensando bem não percebo porque que a tratei dessa forma, ela é tão doce e tratei a mal. Durante uma semana, os meus problemas aumentaram sem que ela tivesse culpa. Depois de tanto refletir achei melhor afastar-me dela, mas mais uma vez não o fiz da maneira mais correta. Porque fui tão burro? Será que mereço ser amigo de alguém tão bom? Quis protegê-la e fui talvez quem lhe fez mais mal. A conclusão de que cheguei antes de pedir que me dê espaço. Cheguei a conclusão que não merecia amizade dela e hoje passada exatamente duas semanas penso o mesmo. Depois disto acho que não sou um bom amigo. Estraguei uma amizade que era espetacular e perdi uma pessoa que adoro. Eu sei que vais ler isto, portanto te digo não foste tu que perdeste, fui eu. Quero ser um amigo melhor para os outros.

Após esta pequena reflexão perceberão que posso ser um amigo melhor, posso e tenho de escolher melhor os meus amigos. Apesar dos dramas amigos são como uma família composta só por irmãos mais novos. Amigos fazem-nos crescer enquanto seres humanos e pode ser a melhor coisa que temos na vida.


A Liberdade do Óbvio

    No passado domingo fez exatamente oito dias que Portugal festejou pelo quadragésimo sétimo ano consecutivo o Dia da Liberdade. Assinalado com comemorações festivas em várias freguesias portuguesas, muitas figuras que contribuíram para o desenvolvimento social de uma determinada zona são, por norma, homenageadas neste feriado.

Apesar da pandemia, a junta de freguesia da minha terra não deixou este dia passar impune - optaram por homenagear figuras que já estavam para ser homenageadas não só desde o ano passado, mas que há muito mereciam este reconhecimento. E uma das pessoas homenageadas foi o meu avô, que desde muito cedo estimulou o interesse por parte da população na área do desporto local, e reconhecido também pela sua notável liderança e funções exercidas profissionalmente na vila onde sempre passou, e continua, a passar os seus dias.

Durante o discurso do presidente da câmara, dei por mim a pensar numa frase que foi proferida por este - “Eu gosto das pessoas, a memória das pessoas é de todos e, posto isto, gosto de homenagear as pessoas enquanto estas estão vivas”. Apesar deste discurso soar muito trivial, (ora não fosse ano de eleições autárquicas), não consegui ajudar a não concordar com o que foi dito. Porque é só nos lembramos de homenagear certas pessoas quando estas morrem? Será que não as homenageamos em vida para não perdermos tempo e, quando morrem, para não nos sentirmos culpados de não termos feito nenhuma condecoração à pessoa, fazemos uma pequena comemoração de vida em prol desta para libertar algum peso que está na nossa consciência de que podíamos ter feito mais e mais cedo, ou somos simplesmente surpreendidos quando a pessoa falece, porque somos inocentes ao achar que as pessoas duram para sempre?

   Apesar deste ser um argumento um pouco impropério, a verdadeira conclusão que tiro das comemorações de vida é que não deveriam de ser necessárias. As coisas são para serem ditas todos os dias, à medida que as sentimos, de modo a não cairmos na modéstia de deixar de agradecer algo que fizeram por nós, ou até um sentimento que a outra pessoa sabe que temos por ela, mas que não exprimimos há algum tempo. O óbvio também é para ser dito.



Francisco Tomé

sábado, 1 de maio de 2021

“Ter tudo na vida é bom?”

 

Apesar da vida ser entendida como um percurso do Homem como um ser social, inserido em diversas culturas com particularidades diferenciadas, ainda assim, para muitos a vida depende dos seus propósitos, dos seus ideias, dando ênfase aos seus próprios desafios. Ocasionalmente o confronto com a realidade desvirtua o propósito almejado. No entanto, há quenha que valoriza a vida sem esforço, por isso, quer tudo de mão beijada, e há quenha que  isso não lhe passa pela cabeça, lhe dá o real valor, porque sabe que ela é uma dádiva e, portanto, a respeita e a atribui o seu devido valor. Se assim não fosse não deveria haver vida.

Por vezes me perco a pensar, e “por vezes” quero dizer a todo o segundo. Parece que nunca paro de ter ideias, estou sempre a matutar algo, me perco muito rápido porque parece que a minha mente não para de trabalhar nem por um segundo. Tudo me leva a questionar, a perguntar, a querer saber o porquê das coisas. A curiosidade sempre fez parte de mim, isso não tenho como negar.


Dentre uma das questões que andava a me perguntar por estes dias que é "o que seria de nós se tivéssemos Tudo”, primeiro pensei seria um paraíso na terra, pois ninguém passaria necessidade e tudo seria maravilhoso, e depois pensei que tudo que adquirimos nas nossas vidas faz parte de um processo para o nosso aprendizado. Acho que nunca daríamos tanto valor às coisas se tivéssemos tudo de mão beijada, não teria graça, nada seria tão importante e não daríamos tanto valor às coisas como damos quando adquirimos algo com tanto esforço e dedicação.


O caminho que percorremos até conseguirmos algo é muito importante, pois nesse processo aprendemos muito. Só nós sabemos como é cansativo do início até o fim, e realmente só percebemos que valeu a pena no final da caminhada, ao se  lembrar de tudo que passamos e também  de todos os perrengues que tivemos que ultrapassar. O sentimento de vitória, ao analisar os sacrifícios que foram necessários e os resultados obtidos, é inquestionável a valorização de cada esforço e afirmar que cada gota do suor valeu a pena.     


Às vezes pensamos em desistir, mas somos mais fortes do que isso. Todas as nossas feridas nos fazem mais fortes, sem eles não seríamos a pessoa que somos hoje.


   Crónicas de Marlene Barbosa ,in “Ter tudo na vida é bom?” 


Marisa Liz, a mulher furacão

     Todos nós temos alguém que nos inspira, que nos faz acreditar que tudo é possível mesmo que não acreditemos a 100% em nós. Vai haver sempre alguém. A minha maior inspiração é a Marisa Liz, que não é novidade para ninguém. Pelo menos, não é novidade para quem me rodeia.

Como é possível alguém ficar indiferente a esta mulher? Todos nós temos gostos diferentes e ninguém é obrigado a gostar do mesmo, e ainda bem porque senão eramos todos iguais, mas caramba, como é que ficam indiferentes quando ela canta? Quando ela fala, e bem, sobre tudo? Sim, é apenas a minha opinião e eu “defendo os meus”, mas até a minha avó, que não é muito fã, me vem falar bem do que ela disse quer no the voice portugal, quer numa entrevista. Eu fico toda babada, claro! E não é só aí, quem já foi a um concerto, sabe a magia das palavras que ela utiliza que fazem acreditar e sonhar ou a pensar sobre determinado assunto.  

Falar da Marisa é sempre tão complicado. Não que não haja adjetivos que a qualifiquem, mas são tão poucos para a mulher que ela é. Tem dos abraços mais calorosos, transforma lágrimas em enormes sorrisos, as suas palavras tranquilizam, faz o bem e pelo bem, é uma força da natureza, aquece o coração, é dos seres humanos mais genuínos e faz deste mundo um lugar muito mais bonito. Quando canta arrepia, ninguém fica indiferente à sua voz, ao seu talento, cria vários sentimentos únicos em cada um de nós, tem uma energia contagiante, entrega-se de coração a tudo o que faz. É um ser humano cheio de luz, que nos proporciona tanto que dá amor, que é amor. Eu sou muito grata por ter esta mulher linda e inspiradora na minha vida.

A Marisa é a mulher furacão, que onde quer que vá, o que quer que diga, ninguém fica indiferente. É impossível! Todos nós devíamos ter uma Marisa Liz na vida.




Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...