quinta-feira, 31 de março de 2022

Os vinte-e-um

            Afinal, a frase de que “A partir dos 18 anos passa a correr” não é uma total mentira. O quão assustador é crescer nos tempos atuais, começar a fase de uma vida adulta que neste momento está de certa forma dificultada.

Como é suposto sentir-me assim que acabar uma licenciatura e entrar para aquele que é chamado de “um mundo real”, com responsabilidades elevadas nas quais irão ditar o nosso futuro.

Uma elevada percentagem dos jovens de hoje em dia pretende sempre sair de casa dos pais, mas como é possível sobreviver em Portugal com tamanha responsabilidade? Onde um salário mínimo não acompanha o aumento exorbitante de preços, onde estamos numa altura em que se falhares nas tuas obrigações acabas por ficar marcado, onde se não souberes ser independente e não contares com a tua única ajuda não te sucedes.

            A realidade é que a ideia de sair do teto dos pais é um objetivo, mas que neste momento estará longe de ser concretizado. Irónico pensar que a minha mãe com 23 já estava fora do seu ninho e já se encontrava a desenvolver família, e eu com 21 encontro-me a meio da licenciatura e sem qualquer tipo de estabilidade e principalmente sem qualquer ideia do que farei num futuro próximo.

Crescer não devia ser tão assustador, era suposto estar feliz com a ideia de uma independência fulcral, mas, no entanto, sinto-me completamente assustada com a incerteza de um futuro instável.

 

quarta-feira, 30 de março de 2022

A política na vida dos Jovens

 

A política na vida dos Jovens

A política é um tema bastante presente no nosso dia-a-dia. Quase que posso dizer, que faz parte da nossa rotina. E enquanto, jovem em idade eleitora, observo que a política é um tema complexo, e que acaba por não ser abordado corretamente na vida dos jovens.

Falo, por experiência própria, pois nunca tive um incentivo para gostar de política, ou sequer procurar ter conhecimento sobre o tema. E quando, cheguei à idade de eleitora, não tinha mínima noção do que era a política, o que dificulta a minha decisão na hora de escolher um partido. É claro, que muitos jovens devem passar pelo mesmo, e que, por sua vez, tornam o número de abstenções, cada vez mais elevado.

Ainda assim, os que votam, fazem-no de acordo com a influência dos parentes próximos, sobre o partido que os mesmos apoiam, e com isto, posso dar o exemplo, que observei nas últimas eleições, onde se deu uma maioria absoluta, em todo o país.

Desta forma, vemos que os jovens não adquirem a capacidade de formar a sua opinião sobre o que é a política, sobre o partido que se identificam, e o que os faz escolher tal partido, até porque se formos pesquisar os partidos e procurar os objetivos que os mesmos cumpriram e já conseguiram alcançar, damos de caras com uma escassa informação acerca disso. Por sua vez, observamos aqui mais um obstáculo na escolha de um partido, de um lado…

Vejo a política, como sendo um tema importante, e coloco especial atenção quando se trata de ser eleitor e colaborar para a existência de uma elevada abstenção, pois temos conhecimento que no tempo dos nossos antepassados, viveu-se uma ditadura, onde a censura era uma realidade e onde não havia liberdade de expressão e de voto. E acho de se valorizar, o esforço dos mesmos, para que nos dias de hoje, consigamos viver numa democracia. Deste modo, devemos olhar para os tempos de hoje, como uma oportunidade de fazermos a mudança e garantirmos que se mantenha a liberdade de expressão, apoiando o partido, com o qual nos identificamos.

Ao mesmo tempo, percebo que, por vezes, possa haver uma certa indecisão ou até a questão de não nos identificarmos com nenhum dos partidos existentes, pois podemos ter uma visão da realidade diferente, e não concordar com nenhum dos partidos que nos apresentam.

Por este motivo, concluo esta crónica apresentando a seguinte possível solução, ou seja, por exemplo, serem criadas palestras, ou até abordar o assunto em sala de aula, nas escolas, aos alunos do ensino secundário, onde se espera uma certa maturidade para começarem a procurar formar uma opinião sobre estes temas da sociedade, conseguirem ser o futuro do país e garantir a liberdade no mesmo.

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Mas por ti eu fico

 Mãe, eu não estou bem, mas eu aguento, eu prometo que vou aguentar para te dar um motivo de orgulho.

Apesar de estar a fazer um esforço para gostar do curso ainda não consegui gostar, não gosto de aqui estar, sinto que não me encaixo, quero desistir desde o primeiro dia, mas tu estás feliz com os meus resultados e vês que eu me esforço. “Filha, não desistas. Estás a ter boas notas.” e aqui estou eu.

Entro na sala e assim se inicia uma aula de uma disciplina aleatória. Não percebo nada. Quero entender a matéria, mas não me entra nada na mente. Tenho medo de ter resultados menos bons. Tenho medo de chumbar. Tenho medo que não fiques orgulhosa.

Choro de stress. Choro porque não percebo nada. Choro porque não consigo gritar.

Devia de estar a aproveitar os “melhores anos da minha vida”, no entanto não consigo aproveitar ao máximo. É todo um misto de coisas. Contudo, no meio disto tudo aproveito para agradecer às pessoas que me são próximas e que a faculdade me deu a oportunidade de conhecer. Sem vocês não estaria a viver bons momentos e não estaria a criar boas memórias. Obrigado por tudo, estão a proporcionar-me algum brilho nesta vida. Fico grata pela vossa existência e por me terem acolhido. Sei que não sou a melhor companhia para diversas ocasiões, mas obrigado por tudo.

Estou realmente ansiosa para acabar o curso. Já falta pouco para finalizar esta etapa da minha vida.

Mãe…quero ir-me embora, mas por ti eu fico.


Ana Lopes

Habituei-me a este cenário

Venci o bullying. Venci a depressão. Cresci e fui forte durante os dois anos em que a minha mãe esteve doente, aguentei essa dor que sentia em silêncio porque a meu ver só o silêncio é que me compreendia. Mas, não consigo vencer esta luta que tenho comigo mesma. A minha mente dá cabo de mim aos poucos e reconheço que acabei por me adaptar às partidas que me são pregadas. Habituei-me a este cenário.

Sofro em silêncio pois tenho receio de incomodar as pessoas que me são próximas com os meus problemas, sinto que estou a ser chata e que têm mais que fazer do que me ouvir…reservo-me por achar que é a melhor “solução”.

Lido diariamente com as facadas que a minha mente me espeta, contudo tenho alturas em que simplesmente não consigo aguentar e acabo por ter as “famosas recaídas”. Quando esse cenário acontece apetece-me gritar, mas acabo por deixar as minhas lágrimas escorrerem-me pela face como forma de alguma dor infiltrar-se nas lágrimas e desaparecer assim que as limpo. Fico mais aliviada.

Podia romantizar esta questão toda e dizer que a minha mente cria pensamentos que são estrelas perdidas no céu e que eu não as consigo encaixar em constelações, no entanto é um bocado o oposto como já deu para perceber ao longo desta crónica, portanto não preciso de me alongar quanto a este ponto.

Não tenho o intuito de tornar esta crónica numa coisa deprimente ou algo do género, simplesmente quis dar uma espécie de um “grande passo” e escrever aquilo que sinto, pois, acredito que existem pessoas que se identificam com as palavras que escrevi.

Finalizo esta crónica escrevendo o seguinte: espero que um dia esta luta chegue finalmente ao fim.




Ana Lopes

sábado, 26 de março de 2022

Dependência emocional


Durante os meus 28 anos de vida raramente alguém me chegou ao coração , raramente senti amizade por alguém,e raramente senti necessidade de conectar-me com qualquer ser humano existente no mundo.

O motivo da minha frieza tinha a ver com medo de ser rejeitado, com o medo que uma amizade genuína me torna-se de alguma forma vulnerável ao ponto de perder a minha força vital baseada na raiva.


A minha frieza e pragmatismo levou a que percorresse um longo caminho de constante evolução, consegui sair de uma cadeira de rodas contra todas as expectativas e opiniões de médicos, consegui ter uma vida independente contra todas as palavras de desalento que me dirigiam, arranjei um trabalho contrariando o estigma social que a sociedade têm em relação às pessoas com deficiência.

E finalmente entrei na universidade! tudo parecia correr de feição, até conhecer alguém que me conseguiu chegar ao coração,gerou -se uma dependência emocional ao longo do tempo, e não é amor! É algo diferente! .


No entanto! Esta ligação emocional é algo que não pode continuar a existir,em primeiro lugar porque a pessoa despreza tudo aquilo que significo, em segundo lugar já não sei quem é realmente esse ser humano, em terceiro lugar esta conexão emocional está -me a colocar numa posição de vulnerabilidade e isso enfraquece o meu espírito.


Mas não a consigo ignorar! Não consigo fechar os olhos e fingir que a conexão não existe, e isso,leva -me a entrar numa encruzilhada mental, por um lado tenho a sensação de que estou a lidar com alguém perigoso, capaz de tudo para ser o centro das atenções e isso preocupa-me , por outro lado, necessito dela para conseguir ter a força mental para continuar a percorrer este longo trajeto.

No fundo! Falta -me a coragem para tomar uma decisão definitiva! Afasto -me ou tento que as coisas voltem a ser como antes.



José Martins 


sexta-feira, 25 de março de 2022

Crónica para gente grande


Não sei se te recordas, não sei sequer se esta é uma ideia presente no teu imaginário, mas sinto que quando éramos pequeninos, tínhamos a inevitável tendência de ignorar o que nos diziam. Limitávamo-nos a ir brincar, a colocar os dedos nos ouvidos ou a fazer caretas, no desejo sincero de que o "Vai arrumar o quarto", o "Come a sopa" e o "Não tires isso do lugar", vindo da boca dos nossos, não nos atingisse. Havia uma pequenez que nos assistia, pelo simples facto de fazermos morada numa realidade distinta, onde a principal condição era deixar de lado tudo o que considerássemos acessório. (Talvez viesse daí a "Nostalgia da Infância" de que Pessoa tanto falava). Justamente nos últimos anos, o mundo tem dado um grito tão ou mais audível do que aqueles que teimávamos em ignorar e adivinha… Embora a vida tenha passado por nós, embora digam que do caminho se faz aprendizagem, há uma reação que se mantém. Andamos todos a ser gente pequenina. Diariamente, há um vírus que ocupa espaço e que pode tomar conta do nosso corpo sem darmos conta, há um mundo demasiado aquecido para em pouco tempo podermos viver nele, há uma guerra a ocorrer mesmo aqui ao lado… e por tudo isto, acho mesmo que é chegada a hora de percebermos, que estamos há demasiado tempo a ser parte integrante do problema e não da solução. Perdemo-nos em ajuntamentos desmedidos e o vírus vingou com muito mais facilidade, consumimos até mais não e contribuímos para a libertação de Gases com Efeito de Estufa na atmosfera, e por fim, se fizermos uma viagem até ao epicentro da guerra, percebemos que o grande responsável por toda aquela questão, não é nada mais nada menos do que: um ser humano. Então quando é que se tenta inverter esta situação? perguntas tu. Quando o mundo se cansa de gritar e começa a chorar a bandeiras despregadas, digo-te eu. É que por alguma razão, somos sempre mais sensíveis ao choro do que ao desespero que o antecede. Em jeito de nota final, importa referir que escrevo esta crónica para que de alguma forma ela possa chegar até ti (se te fizer sentido). Contudo, também eu faço parte deste lugar comum e ando há muito a ser gente pequenina. Assim e tendo tudo isto em consideração, só me resta esfregar a lamparina e desejar atempadamente que de uma vez por todas, todos nos tornemos gente grande.

Rita Nobre.

* imagem 1: “Into the Eye”[2015] . https://society6.com/product/into-the-eye_print#1=45; imagem 2: pensador.uol.com.br; imagem3: https://66.media.tumblr.com/fcdf05f82c218d7cbf5d8d5d5f9a205f/2c3af71c3b786532-60/s640x960/3c8cdc396fdd3a14922d507feaaa1215394372e4.jpg; imagem 4: https://lh3.googleusercontent.com/-5iFlHudeW4x6yGt1I3NuFlRLhqR1G42u4RFzHTzSDBwnGsVrIK-QlXPTuHBAbaxpmzEBCs=s94           

terça-feira, 22 de março de 2022

O desporto na (minha) vida

 

    Bem, o desporto… Às vezes custa levantar para ir dar aquela corrida, não é? ir para o treino chato da quarta-feira (falo por mim, era quase sempre o dia mais chato do planeamento), mas no final, sabe e faz tão bem. Adiante, o desporto é algo que sempre fez parte de mim e que sempre vai fazer. Comecei pela natação, a minha mãe colocou-me lá quando eu ainda tinha apenas uns meses de vida porque os médicos aconselhavam e claro, dá sempre jeito saber “nadar” e ter atividade desde o berço. Mais tarde, veio a patinagem, gostava da sensação de liberdade e de felicidade que me permitia sentir e então, decidi ir para uma equipa! Confesso que não durou muito tempo porque digamos que… um dia, num treino, fui contra o menino em que eu tinha uma “paixoneta” na altura e com os meus inocentes 7 anos nunca mais quis aparecer com tanta vergonha. De seguida, fui para o hip-hop, andei lá algum tempo mas como não consegui aprender todas as coreografias na primeira aula, não quis mais ir (sim, eu era uma criança que queria conseguir tudo à primeira, senão não me agradava).

    Quando fui para o 4ºano, tornei-me uma apaixonada pela ginástica artística, onde já tinha mais disciplina e vontade de melhorar a cada dia que passava. Foi o primeiro desporto onde fui a competições mais “a sério” com direito a medalhas e pratiquei esse desporto muito tempo ainda. Durante tudo isto, tive sempre na natação e um dia, com 12 anos, acabei eu o meu treino de natação quando um senhor vem perguntar se eu sabia o que era o triatlo… (Não, não fazia a menor ideia do que era aquela coisa) e deixei que ele continuasse. No final ele pergunta se tenho interesse em experimentar, e logo eu, amante de novas experiências, soltei um sorriso de orelha a orelha e respondi “claro!”. Caso não saibas o que é este desporto, consiste em 3 modalidades: natação, ciclismo e atletismo. Ignorando as dores de pernas que me deu foi o desporto que mais me marcou (não só com memórias, como com arranhões nas pernas) e que fez parte da minha vida mais tempo. Depois, devido a novas obrigações na vida tive de o abandonar, mas guardo comigo tudo o que me fez viver! O desporto deve estar sempre presente nas nossas vidas. Então sempre que posso dou uma corrida ou vou ao ginásio. Eu sei que parece chato e custa a começar, mas com o pensamento e motivação corretos torna-se divertido e faz bem à saúde. (Vá, mas uma cervejinha de vez em quando com um bom churrasco também é bom e a gente gosta não é verdade?).

 

 





segunda-feira, 21 de março de 2022

Sobreviver...

 

Quando nos pedem para nos descrevermos dizemos o que gostamos de fazer e tudo anda muito à volta disso, mas a pergunta que coloco é… quem somos realmente?

Somos apenas seres que gostamos de coisas?

Se eu pudesse dizer o que verdadeiramente sou, talvez dissesse que sou uma mera sobrevivente neste mundo, um mundo que tem mais de escuro do que de brilhante.

Quando somos crianças, todos os filmes que vemos acabam com um final feliz, mas ao longo do nosso crescimento percebemos que é tudo menos verdade. Deparamo-nos com falhas, desilusões, mortes, doenças e tudo do que há de pior na vida. Quando crescemos deparamo-nos de que a nossa visão de final feliz afinal mudou e que o mundo bonito e cor-de-rosa não existe.

Somos feitos dessas mesmas falhas, das desilusões, dos choros, dos risos e de todas as memórias que nos vão ficando ao longo dos anos.

Mas perguntam vocês, por uma “sobrevivente”? talvez pensem que é uma palavra forte ou até uma palavra estranha, mas se pensarmos, todos andamos aqui a tentar sobreviver.

Todos os dias temos um novo desafio, uma nova batalha, seja algo tão simples como nos levantarmos da cama, ou algo mais complexo como tentar ser perfeita para os olhos desta sociedade, sociedade que ao longo dos anos se foi tornando cada vez mais tóxica e exigente.

Tudo o que fazemos é a pensar nos outros, no que os outros vão pensar, no que os outros vão dizer, mas quando é que pensamos verdadeiramente em nós?

Pois é, no meio desta selva que é a vida, pensar em nós talvez seja o modo perfeito de sobreviver.

Isto tudo para chegar à conclusão de que durante os poucos anos que tenho, tenho tentado sobreviver da forma errada.

 Ser Mulher!

Dou por mim muitas vezes a pensar o que é SER MULHER? O que significa? E esse significado mudou realmente ao longo dos tempos?

Se formos ao dicionário (Priberam) é nos dito que “é um ser humano do sexo feminino ou de género feminino. Ou Pessoa do sexo ou género feminino depois da adolescência”(1). Enfim tudo remete para o facto de, em termos de sistema reprodutor o nosso é de uma maneira, e existir outro ser humano com outro aparelho reprodutor - homem, diferente da mulher. Ok, também temos alguma diferenças anatómicas, mas… todo o ser humano tem uma cabeça, dois braços e duas pernas. Somos iguais nas nossas diferenças! Somos um complemento um do outro. A natureza assim fez para haver a sobrevivência da espécie. Mas em tal conceito, onde está dito que um tem que ser mais importante ou com mais poder do que o outro? É que durante séculos e até aos dias de hoje, o género feminino é humilhado, sacrificado de todas as maneiras e mais algumas – desde de nem ser considerado um ser humano, mas sim um objeto ou mercadoria até ser mutilada para bel prazer de outros.

Nós continuamos a ser o parente pobre do ser humano, aquela pessoa que deve de ser multifacetada ao ponto de sermos quase super-heróis, mas muitos e muitas dirão: - Não fazem mais do que o vosso/nosso dever como mulheres.

E assim volto a pensar o que é SER MULHER?

É um ser humano (certo), com um aparelho reprodutor que permite acolher vida e quando chega o tempo pari-la (certo), mas é também uma pessoa que tem que se impor o tempo todo, tem de lutar por direitos básicos, por salários iguais, tem de provar o tempo todo que é competente no que faz. É ter de exigir respeito a todas as horas do dia e da noite, é ter de viver a se justificar: Porquê essa roupa? Porquê esse comportamento? Porque é que tu achas que podes ser dona da tua vida, do teu corpo, como tu ousas ser "dona" da tua vida? Pois ouso, ousamos e é assim que vai ser, cada vez mais!

É ser mãe, esposa, amiga, filha, colega, motorista, dona de casa, trabalhadoras multitarefas e multifacetadas. Somos um mundo! E o mundo cabe dentro de nós!

Para mim, ser mulher é ser alguém que, apesar de ter as mesmas potencialidades do homem, pensa e se emociona de forma distinta. Ambos são capazes de raciocinar e desenvolver talentos, o que os diferencia é o modo de ver e interpretar sensações e informações. O homem é mais focado e objetivo. A mulher tem uma perceção mais expandida e é dona de uma pluralidade que lhe permite múltiplos raciocínios simultâneos. No dia em que se consolidar este entendimento, de que somos todos parte de uma unidade maior, e que gêneros diferentes são complementares, e não opostos, teremos, sem dúvida, um mundo melhor.

Constato que no fundo continua tudo igual, que nada mudou, que a mudança foi superficial, não chegou à maioria das mulheres neste planeta e até isso acontecer… pouco mudou, muito pouco…

E a sensação e sentimento que tenho no fundo é o de querer ser leve e livre, livre para ser MULHER sem conceitos, preconceitos, suposições, mal-entendidos e tudo o de mau. O de ser/existir simplesmente… MULHER!


(1)"mulher", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, 
https://dicionario.priberam.org/mulher [consultado em 18-03-2022].


sábado, 19 de março de 2022

Viver escondido atrás de uma máscara


 

O cisne preto

 

Conheci há uns meses atrás um cisne bonito ,elegante com um olhar dócil que encantava tudo e todos há sua volta através do seu brilho e  charme   , ele era perfeito ! a sua  simpatia , a sua delicadeza e a sua energia fazia – me sentir bem ,fazia – me sentir que poderia contar todos os meus segredos sem qualquer constrangimento .

 

Os meses  passaram e aquele cisne tornou – se no meu suporte emocional , a amizade que sentia por aquele ser era cada vez mais forte , construiu – se um elo de ligação tão forte que nada o poderia  quebrar , até   o cisne revelar a sua verdadeira essência por detrás da máscara .

 

Nas ultimas semanas comecei a ver o seu olhar a ficar obscuro , as suas asas branca foram escurecendo e a sua frieza começou a notar – se , aquele cisne já não era aquilo que via no inicio , de repente ! a mascara caiu e a vaidade e  o egocentrismo daquele ser ficou visível aos meus olhos,  todo ele era maligno , todo ele cheirava a hipocrisia , havia uma  perversidade aterradora no seu olhar distante . 

 

Perguntei – me a mim mesmo como é que me deixei enganar por aquele cisne demoníaco? ,como é que fiquei tão iludido ?   Finalmente percebi que me deixei encantar pela ilusão mágica da perfeição , deixei – me iludir pelas palavras dóceis e pelo seu  brilho que encantava a minha mente .

 

No fundo ! Fui seduzido pela sua atuação desconcertante baseada na falsidade e hipocrisia , mas não sinto raiva por ele me ter enganado , afinal! ambos dançámos no mesmo palco , ambos fingimos emoções , ambos mentimos um ao outro , ambos surfamos na maré da falsidade e das aparências .

 

Tenho pena daquele cisne obscuro ! Pois todos os dias tem que interpretar um papel exigente cujo a sua atuação têm que roçar a perfeição , não deve ser facíl fingir ser alguém que não é , não deve ser facíl fingir ser perfeito , no fundo! ele é vitima da sua própria mente imperfeita e quebrada .

 

Texto

José Martins

 

 

 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Estamos todos solidários com a Ucrânia ,mas!

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia  já ceifou milhares de vidas inocentes incluído crianças e mulheres , mais de quatro milhões de pessoas viram as suas vidas completamente destruídas , sendo obrigadas a fugirem para outros países deixando irmãos , filhos , amigos e pais para trás , nada justifica a barbárie que o regime russo está a fazer, não existe nenhuma explicação , justificação ou argumento que nos faça entender o porque de tanta crueldade e perversidade.

 

Enquanto crianças morrem e famílias são separadas , o ocidente reage à crueldade com fortes sanções de palha ,com grandes discursos emblemáticos por parte dos lideres europeus  que servem apenas para ficarem bem nas camaras , já os cidadãos comuns estão dispostos a ajudar no que for necessário ,desde que possam publicitar a sua solidariedade nas redes sociais , pois ! caso contrário não mexem uma palha .

 

                Já Zelensky  presidente Ucraniano recusa – se a sair do país e todos os dias fala  aos seus cidadãos  encorajando -  os a lutar pelo seu nação ,  não sei se a sua postura é um ato de heroísmo ou de  estupidez! Pois não só está a assinar a sua morte como irá assinar a morte de milhares de pessoas.

 

Já o líder do mundo  livre o presidente norte – americano sorri nas conferencias de imprensa relacionadas com a Ucrânia  , revelando que os americanos estão- se a lixar para a morte de crianças ucranianas , afinal!  Não podemos esquecer que uma criança ucraniana têm menos valor que uma criança americana , não vale apenas gastar recursos e ir contra a opinião pública, senão ainda perde as eleições.

 

Por cá! neste país insignificante e irrelevante no panorama internacional , vemos o nosso presidente da república  na sua campanha eterna de populismo a juntar – se ás manifestações dos ucranianos ,distribuindo afetos  e argumentando que os ucranianos são  portugueses , como se eles quisessem a nossa nacionalidade para alguma coisa , eles apenas querem as suas vidas de volta!

 

Já o PCP continua fechado na sua visão desvirtuada do mundo ,para eles o que os Russos estão a fazer não representa uma agressão mas sim uma intervenção pacifica , ainda me interrogo como é que este partido é respeitado em Portugal ?

 

 

Concluindo!  O que estamos a observar no mundo é um país a ser devorado por outro ,com a cumplicidade do resto do mundo que lamenta mas nada  faz  , o que é preciso acontecer para a Nato agir? Será que não basta ver crianças a morrer de sede e fome , mulheres grávidas a verem as suas vidas ceifadas por causa de bombardeamentos contra maternidades, famílias a serem separadas para o resto da vida !

 Afinal não  somos todos iguais!

José Martins

sexta-feira, 11 de março de 2022

O consumismo e a sociedade

O consumismo sempre foi um tema que deu muito que falar, a sociedade portuguesa sobretudo sempre foi uma consumidora assídua principalmente em épocas festivas, como se vê naquelas reportagens que dão sempre nessa altura para mostrar o que um bom português compra para a sua noite de Natal, como se metade dos espectadores estivesse muito interessado…

O consumo vive dos consumidores, o indivíduo por muito minimalista que seja nunca mas mesmo nunca consegue deixar de gastar nisto ou naquilo, existe sempre aquele objeto, aquela camisola ou até mesmo a ida aquele restaurante caríssimo que só se vai lá uma vez na vida, isso meus caros também se chama consumismo ao fim ao cabo estamos a gastar o precioso dinheiro em algo que talvez nem apreciamos.

É claro que na altura natalícia, por muito que se evite comprar algum presente nunca dá certo, porque ou começamos a pensar que pessoa tal pode ficar chateada, ou porque comprar um presente só não faz mal, pois é verdade! Não faz mal, mas à conta disso e da maioria das pessoas pensar assim as grandes cadeias estão a enriquecer sem nós darmos conta disso.

Um termo que também está relacionado agora com o consumismo é “ah e tal! Vamos ser mais ecologistas, poupar mais, ajudar o ambiente etc.” pois é mas o “ser ecologista” também saí caro, só para terem noção de como está a economia, aqui há tempos fui a uma cadeia de supermercado de grande prestígio e com um grande nome, não vou aqui referir porque nem me pagam para estar a fazer publicidade por isso… enfim,  precisava de cebolas e como é óbvio antes de pegar no saco das cebolas reparei em duas fatores, primeiro, no preço e segundo, no ser ou não biológico, ao constatar que 500 gr corresponde a cerca de três cebolas que custavam a um preço absolutamente absurdo e que cerca de 1,5 kg custava  quase o mesmo preço e era uma maior quantidade, posto isto tirem as vossas próprias conclusões, é claro que o ser biológicos traz benefícios, dizem eles, para a saúde porque não tem químicos mas será que compensa para a carteira?

Para rematar, quero só salientar dois aspetos, não tenho nada contra o ser consumidor, até porque também sou consumidora como todos os seres humanos, o outro aspeto é precisamente aquele de pensar melhor antes de comprar, porque existe tanta coisa que nos fazem comprar, por exemplo, as publicidades servem para atrair o cliente, quantos é que já não compraram coisas pela publicidade e depois veio a ver-se e nem precisávamos daquilo. Portanto bora pensar melhor antes de escolher e gastar dinheiro à toa, temos de aprender a poupar que a vida não está fácil.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Bem-vindos a 2021-2022!

 Um novo ano lectivo, um novo semestre - mas o mesmo desafio: ao longo das quinze semanas do semestre, escrever e publicar crónicas em 2500 caracteres com espaços.

Olhar para o mundo, olhar para nós e partilhar o que nos intriga, motiva, faz rir, ou desconsola - e partilhar aqui, neste que será o nosso espaço e o nosso palco.



Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...