quinta-feira, 29 de abril de 2021

A eutanásia

Um assunto polémico que apesar de já ter alguns anos, continua a dar muito que falar é a eutanásia. Cada pessoa tem a sua opinião pessoal sobre este assunto. É um tema delicado, pois mexe com os princípios e com a dignidade humana. O sujeito, ao querer optar pela eutanásia, depara-se com vários obstáculos existentes na nossa sociedade, quer a nível médico, religioso ou judicial.

Há cerca de 2 meses atrás a minha mãe, que trabalha na unidade de cuidados paliativos, contou-me um episódio de um utente que passou pelo seu serviço, o sujeito tinha um quisto que precisava ser analisado, era necessário fazer uma cirurgia, que acabou por correr mal, atingiu a coluna vertebral e o jovem com apenas 24 anos ficou tetraplégico. O jovem rapaz dizia todos os dias que se a eutanásia fosse legalizada era logo a sua opção, pois estava mesmo cansado de ver o trabalho que dava às pessoas que cuidavam dele, e de ver a pena na cara das pessoas quando olham para ele e principalmente, o sofrimento da família ao ver que alguém tão jovem, dum dia para o outro ficou tetraplégico. O jovem acabou por falecer em 2010, quando lhe foi diagnosticado um tumor na cabeça, apesar de, para a família este episódio ter sido extremamente triste, lá no fundo sabiam que era o que ele desejava, por isso ele só atingiu o fim do seu sofrimento. Quem é a favor da eutanásia, defende que será o melhor caminho, porque assim se acaba a dor e o sofrimento daquelas pessoas que perderam a sua qualidade de vida e necessitam de alguém que os ajudem a colocar um ponto final no seu sofrimento. Quem argumenta contra, defende que a eutanásia é a mesma coisa que um assassinato. Muitas das pessoas que são contra a eutanásia são da religião católica, a qual considera a eutanásia um “pecado mortal”, inclusive está escrito no 5º mandamento “não matarás”, ou seja, tudo o que seja contra a vida, tal como o aborto, a eutanásia, o homicídio e o suicídio.

A meu ver as pessoas têm o direito de decidir o que querem que lhes aconteça tendo em conta a situação em que estão. Acima de tudo é necessário respeitar as decisões dos utentes. Na minha opinião, não faz sentido manter alguém que está em estado vegetativo, e se o desejo desse paciente for praticar a eutanásia, a sua vontade devia ser realizada.

Será a Liga do Vale Tudo?

 Foi em Moreira de Cónegos que se jogou a 29.º jornada do campeonato da Liga NOS. O Moreirense e o FC. Porto defrontaram-se e igualaram a partida a uma bola. Eu gostava de não ter de escrever sobre este episódio, mas após um jogo onde as emoções estiveram à flor da pele, um jornalista da TVI foi intimidado por vários membros da comitiva dos Dragões e, posteriormente, agredido pelo empresário Pedro Pinho que, por sinal, tem fortes ligações ao clube da cidade invicta e a Pinto da Costa, atual presidente do clube azul e branco. Só que a história começou a mudar de figura. 

Ora, Pedro Pinho não tem muito a ver com o clube, mas que lá estava, isso é verdade. Como? Também não sabemos. Mas a minha veia da curiosidade sente-se, verdadeiramente, inconformada e inquieta sem saber mais sobre isto. É que se não foi convidado pelo F.C Porto e se não há adeptos nos estádios, algo de errado estará a passar-se.

Agredir um jornalista, que tem o direito de informar e que está, simplesmente, a fazer o seu trabalho é assustador. Assim como seria assustador agredirem o padeiro, o camionista ou o jardineiro. Aguardo que toda esta veracidade tenha as devidas consequências e que o jornalista não seja oprimido. 

 

Recuando ao início da semana, Pinto da Costa falou no regresso à normalidade. Normalidade essa que passou pela agressão ao jornalista, insultos, coações a árbitros e a frequentes batotas que os jogadores azuis e brancos insistem em perpetuar. Estamos na liga do “Vale Tudo”? 

Não vale tudo meus caros, não pode valer. Há três dias comemorámos o 25 de abril e parece que continuamos a viver numa era onde se continua a intimidar pessoas. Já dizia Zeca Afonso: “em cada rosto igualdade”. A liberdade é uma luta constante. A igualdade é o caminho. 


Só mais uma curiosidade, então a comitiva aviou o jornalista e nem ao VAR foram? Hugo Miguel, onde estás? Consulta as imagens e irradia estes comportamentos intoleráveis, que duram há mais de três décadas.


Leram aqui: toda esta situação vai prescrever. 


Até breve, 

Carolina Estrelinha





Agressão a Jornalista em Moreira de Cónegos 


quarta-feira, 28 de abril de 2021

Marionetas


 

Marionetas

 

Existem fenómenos naturais que nos fazem duvidar da fragilidade dos seres humanos, o terramoto faz com que não nos sintamos seguros a pisar o próprio chão, o tsunami faz com que não confiemos na calmaria do mar, a trovoada faz com que o respeito que temos pelo céu triplique e outros tantos fenómenos fazem-nos questionar se verdadeiramente quem governa a terra são os seres humanos ou se não passamos de umas meras marionetas. Muitos acreditam na existência de um deus ou de vários até, outros apenas acreditam no que o próprio cérebro lhes convence a acreditar, o nome mais apropriado é ateu, mas tal como os outros, não passam de uns iludidos, porque ninguém sabe, e duvido que algum dia saibam, o que realmente cá andamos a fazer e quem nos pôs cá. Muitos cientistas acreditam que a invenção da máquina do tempo está para breve e com ela surgirão respostas a perguntas ancestrais, mas existem e existirão sempre os céticos, que muito raramente, ou nunca, acreditam em algo que não se pode provar, “sem provas, sem caso”, a frase mais vezes proferida por estes, embora alguns não ponham de parte a hipótese da máquina do tempo se tornar algo banal, custa-lhes acreditar que é possível viajar no tempo e descobrir as respostas de tais perguntas.

Desde a antiguidade que a população tenta decifrar estes enigmas, mas somos interrompidos por tarefas banais como a procura de alimento e a necessidade de dormir, estas atividades imprescindíveis à nossa sobrevivência parecem ser algo que está no caminho desta procura por respostas, algo que alguém ou alguma coisa pôs no nosso caminho, quase como um obstáculo que temos de contornar para atingir aquilo que pretendemos. A referência a uma marioneta parece ser a melhor comparação possível, todos fazem coisas sem saber o porquê de o fazerem, quase como se houvesse uma força maior a controlar cada movimento, por vezes contra a vontade e pouco tempo depois as pessoas habituam-se a fazer essas tarefas, atualmente nem dão conta desta manipulação porque existem demasiadas atividades complementares que mantém a cabeça ocupada, quantas mais tiverem, menos tempo têm para se preocuparem com os “mistérios da vida”.

domingo, 25 de abril de 2021

Hospital, Covid

 


Talvez este título leve a engano e possa parecer que vai sair daqui um artigo com imensos nomes técnicos e algum testemunho da doença. 

Mas não, é apenas uma constatação cómica, uma análise do ser humano mas em tempos de COVID e com uma sala de hospital como fundo. 

Primeiro, é fácil reparar na necessidade de novidades que as pessoas sentadas têm. Basta um barulho, alguém a chegar ou o nr do guichê a mudar e a bateria social aumenta +5 pontos (nota mental:escrever sobre a nossa bateria social).

Segundo, é triste quando percebemos que bastava alguém com o 3o ano e uma agenda da Agatha Ruiz de la Prada conseguia resolver a situação do tempo de espera. Ou então, a minha falha cognitiva não me deixa ver algo perfeitamente visível. É que não consigo compreender o conceito de anotar uma hora para a consulta e chamar a pessoa duas horas depois. Talvez o problema seja do serviço público ou então é a minha veia de nobreza que se está a manifestar. 

O terceiro ponto a reparar é a dificuldade que as pessoas têm em colocar a máscara corretamente. E não, não tem a ver com idade, estatuto ou profissão ou qualquer outra característica, é burrice mesmo (peço perdão pela linguagem mais embrutalhada).
(Questiono-me se a palavra embrutalhada existirá, tenho de pesquisar)
Quando tudo terminar sugiro uma exposição fotográfica com todas as formas que as pessoas têm de colocar a máscara. Para além de um registo iria restar uma lembrança engraçada da estupidez humana. 

Ao escrever isto, uma senhora (que tentava a todo o custo convencer o marido a meter o nariz dentro da máscara) dá uma cabeçada no dispensador de álcool gel e eu chego a duas conclusões:

- não tenho maturidade suficiente para ver este tipo de situações e ficar pávida e serena;
- preciso de arranjar uma go pro urgentemente para captar todas as gafes da vida real, ultimamente tenho visto bastantes; 

Por fim deixo uma breve indicação: o médico não frequentou as aulas de proporcionalidade porque atender alguém em 10 minutos quando essa pessoa esteve 2 horas à espera é no mínimo uma falta de respeito. Pelo menos perguntava pela família ou mostrava uma fotografia do cão. Era o mínimo!

sábado, 24 de abril de 2021

Talvez seja

 

Fiquei horas a olhar para o papel sem saber o que escrever, e quando digo horas, foram horas mesmo horas que fiquei ali a olhar a tentar lembrar-me de algum tema. Li alguns textos, de alguns cronistas mais conhecidos, para ver se me ocorria alguma coisa, mas nada. Quando dei por mim apercebi-me que tinha assunto mesmo debaixo dos meus olhos, quer dizer, por acaso estava mais a entrar-me pelos ouvidos. Talvez isto agora pareça um pouco estranho, mas vou passar a explicar.

Não sei bem porquê, mas a verdade é que quando tenho de estudar ou fazer algum trabalho, faço-o a ouvir música. Já ouvi por diversas vezes, a várias pessoas, dizer que acaba por desconcentrá-las, mas comigo não. Decidi, então, que era sobre esse mesmo tema que iria escrever, a música.

A música é algo que me tem despertado algum gosto desde pequenina, pelo facto, claro, de ser habitual ouvir música em casa, mas também por ter tido aulas de música desde pequenina na escola onde andava.

Normalmente, quando não sei muito bem o que fazer, ponho-me a ouvir música. É algo que me deixa entretida durante algum tempo. Oiço várias canções, de vários artistas, de vários estilos diferentes.  Aliás, é mesmo por isso que detesto, talvez não seja a palavra mais adequada, mas foi a que me ocorreu, que me façam as seguintes perguntas: Qual a música ou o artista que mais gostas de ouvir?

Pois é, então tenho agora a dizer que não sei, não faço a mínima ideia. Como oiço tanta coisa, e de vários estilos, nunca sei muito bem o que responder. Há tempos, num programa de música, alguém comentava que nunca sabia muito bem o que responder quando lhe perguntavam o que mais gostava de ouvir, dizendo que talvez fosse “boa música”, talvez seja.

 

Dias melhores virão

     Havia tempo em que tudo era mais acessível por assim dizer, o tempo em que eu podia andar livremente pela rua, dar um abraço aos meus amigos ou conhecidos, estar em um grupo de colegas sentados a conversar sobre uma temática divertida, eu sei também que te faz falta e quem não gosta de ir a uma loja de roupas e calçados? ou sair à noite com os amigos? pois é, estão todos restringidos, ficar em casa e sem descartar o fato de não poder levar as nossas irmãs mais novas a um parque para brincar com os amigos e o mais desprazer, aquele pequeno acessório que usamos para cobrir uma parte do rosto. 

     E agora já sabes do contratempo que estou a falar? Está certo. Sei que isso tudo pode ser muito complicado e aborrecido, mas já pensou que aquele pequeno acessório pode contribuir para salvar a nossa vida e a dos outros? 

     Acredito que o contratempo em que estamos a viver também veio para nos fazer refletir sobre os nossos comportamentos e para nos mostrar que somos todos iguais independentemente da raça, religião, sexualidade e que deveríamos amar mais as pessoas. Me imagino bem velhinha a contar  Muitas vezes temos de ser forte o suficiente para enfrentar os obstáculos a nossa volta, Ainda não sabemos por quanto tempo isto vai permanecer, mas não podemos deixar o medo ocupar a nossa mente.

      Devemos continuar a pensar sempre positivo e acreditar que tudo vai passar e que vamos novamente poder andar e passear livremente pela rua, sem se preocupar, poder ir a praia com os amigos ou familiares, abraçar, beijar, poder respirar normalmente um ar puro sem o uso de máscaras na via publica. 

     Vamos nos cuidar!!!




          

quarta-feira, 21 de abril de 2021

O nosso porto alegre

O plano de desconfinamento continua, seja criticado ou não, já sentíamos saudades de alguma liberdade, mas compreendemos que algum descuido pode ser fatal para que a situação volte a descontrolar-se e voltarmos para um novo confinamento.

Eu e todos os estudantes estamos de volta à nossa segunda casa, à cidade que nos acolheu. Escolhemos o Alto Alentejo para estudar e conhecemos gente fenomenal, numa cidade que cujo nome significa “lugar alegre”. Muitos de nós nunca pensamos viver os tão aclamados melhores anos da nossa vida nesta zona do país e em alguns casos sempre esteve presente aquele nervosinho miudinho para trocar ou mesmo desistir. Muitos pensavam que estavam no Portugal mais profundo, onde não existia nada e ninguém, mas no meu próprio caso era totalmente o inverso. Vir para Portalegre era algo que embora nunca pensara, muito gratificante fiquei, pois ia fazer o que sempre tinha ambicionado e conhecer uma cidade nova. No fundo ia sair da minha zona de conforto e a aventura de viver sozinho e deixar aqueles com que todos os dias convivia. A mim custou-me pois estava habituado ao movimento de uma aldeia e a cidade não era para mim – era o que pensava até ao dia que escrevo esta crónica.

Passados estes últimos 3 meses de quarentena, regressei ansioso e com a lágrima no canto do olho, pois ia deixar a minha família, mas ia voltar a ver a minha outra família que Portalegre me deu. Deixar o “cantinho” para alguém que está habituado a tal é um pouco complicado. Mas o que me faz ter força e matar as saudades é pensar que estou a fazer o que gosto e algo que os meus pais apoiam e eles também fazem disso a força para conter as saudades dos quase 200Km´s de distância.

Nunca pensei habituar-me ao ambiente citadino rapidamente, sentir-me bem num dado lugar mesmo distante de casa. Com isto quero dizer que estou bem nos dois locais e muito bem recebido. Todos os que passam por cá dizem que Portalegre é a “cidade que ninguém quer, mas que ninguém esquece” e não podia ser melhor frase para descrever este lugar, pois ao início podemos não achar muita graça à cidade, mas com o passar do tempo e devido às aventuras que passamos por cá, por mais engraçada, estupida ou romântica, nunca vamos esquecer.

Sabemos que estamos ainda no meio de uma pandemia e não temos a certeza de quando podemos voltar à dita normalidade. Ela vai chegar, com calma e o seu tempo, mas uma coisa não podemos esquecer de fazer, aproveitar este tempo sempre com os cuidados impostos, pois pode-se ter grandes e fantásticas aventuras mesmo com esta situação mundial.

terça-feira, 20 de abril de 2021

REFLEXÃO SOCIAL


 Ao refletir um pouco observo uma necessidade enorme que as pessoas têm em se destacar. Nas redes sociais, ao mostrarem que têm a melhor decoração, as melhores férias, os melhores filhos...e no dia a dia quando se queixam de todos os males e mais alguns. 

Será que não haverá por aí um meio termo, como por exemplo....a verdade?

Não Ritinha, tu não comes todos os dias granola com iogurte e mirtilos e banana e morangos e chia e.. (gostaria de ter um maior conhecimento sobre alimentos deste "tema"). Nós sabemos que todas as manhãs metes um prato de chocapic à frente quando ainda nem consegues abrir os olhos. 

Não ,Dona Ester, a sua filha não passa os 3 anos da faculdade a estudar noite e dia. Ela apenas faz exatamente o mesmo que os outros fazem e apanha cadelas de meia noite. 

Não Dona Irene, o seu neto não entrou porque o professor era péssimo e só lhe dava negativas. Ele é que não percebia nada de matemática e meteram o miúdo em 
Ciências (nada contra e envio o meu apoio a todos os nabos da matemática porque tenho o meu crachá bem polido). 

E não Sónia, tu não te levantas da cama todos os dias às 3 da manhã com gosto por dar de mamar à "princesa". Pela tua vontade havia um dispensador automático que entulhava a criança de leite para só te chatear no dia a seguir. 

E É NORMAL

A grande questão prende-se apenas na verdade e na mentira que transmitimos ao outro. Não há necessidade de passar uma imagem falsa, seja ela num cenário idílico ou num de filme de terror. Devíamos simplesmente tentar transmitir o bom e o mau mas sem deturpar a verdade. 
É importante mostrar o lado bom da nossa vida? SIM! É importante mostrar o lado mau? Sim! Se quisermos e se for essa a verdade. Não precisamos de tentar estar acima do outro. 


Ritinha, Podes comer granola e cereais e gelatina e fruta ou às vezes não comer nada, e talvez te habitues a uma alimentação variada e saudável e consigas transmitir esse hábito aos teus amigos e mesmo assim continuas a ter fotos Instagramáveis.

Dona Ester, Pode falar na nota excelente que a sua filha teve no fim do semestre ou então no estágio que ela conseguiu com o mérito próprio. 

Dona Irene, pode falar no campeonato de atletismo que o seu neto venceu porque treinou bastante e o seu verdadeiro interesse é o desporto.

E Sónia, podes dizer que apesar de teres tido uma noitada terrível conseguiste ir à festa de Natal da tua filha e ela estava linda. 

Acredito seriamente que devemos mostrar, quando queremos e qb, a nossa vida nas redes sociais. Já faz parte da nossa rotina e aproxima as pessoas numa altura de tanta separação mas não é preciso essa palhaçada toda, honestamente. 
(Nota mental: colocar lembrete para cada vez que adicionar uma foto me lembrar de não pregar altas petas senão pensam que me estou a contradizer)

domingo, 18 de abril de 2021

Reality Shows Políticos

    Quem se lembra da Supernanny? Sim, essa senhora com um ar severo que vocês estão precisamente a pensar. A tal que nos primeiros minutos dos episódios aparecia com o cabelo atado, de óculos e com uma etiqueta não só comportamental mas também de vestuário mais formal mas que, após esses primeiros minutos do episódio, já aparecia totalmente descontraída a fazer o que se parecia de muito com a icónica Mary Poppins - transformava os filhos de certos casais que se encontravam num estado de diabrete em criancinhas bem educadas, como que aquelas de revista.

O famoso programa falhou no nosso país ocidental, mas foi e continua a ser um sucesso noutros países. Mas por que raio falhou em Portugal se, atualmente, estamos expostos a programas de entretenimento (se é assim que se podem chamar) bem mais vergonhosos do que o que passou há cerca de três anos pelo nosso país? Não estariam os mesmos portugueses que veem o Big Brother aptos para ver uma senhora da mesma idade que alguns dos concorrentes (nada ridículo) a fazer nada mais que educar crianças e tirá-las do estado do quer, pode e manda para um “eu meto a mesa!”, “eu limpo a merda do Bobby!” com um grande sorriso na cara, como que nada contrariados? Uma verdadeira magia. Pois bem, acredito que muitos dos pais portugueses gostariam de ter estado no lugar dos três sortudos casais que tiveram a sorte de passar pelo programa, apenas não o querem admitir. Mas a verdadeira conclusão que tiro é que a maioria dos portugueses gosta mesmo é de um bom barraco entre adultos e com um “moderador”, neste caso o(a) apresentador(a), que o que parece fazer é atirar lenha para a fogueira, criando um ambiente de tensão entre os concorrentes confinados numa mansão com vista para o mar. 

Mas poderiam ser inúmeras as acusações que podíamos fazer aos portugueses quanto ao insucesso da Supernanny e ao sucesso do Big Brother. Além do mais, o mundo não gira em torno destes programas de entretenimento. Temos casos muito mais escandalosos a decorrerem à vista de todos, como o julgamento da Operação Marquês que consiste também num grupo de pessoas famosas a serem acusadas de vários crimes de corrupção e branqueamento de capitais, como o ex-Primeiro Ministro José Sócrates, também um senhor com quem o ex-Primeiro Ministro alega passar férias há mais de 20 anos (o que faz deste senhor automaticamente uma pessoa de confiança, incapaz de praticar qualquer mal), empresários, familiares de José Sócrates como um primo e a ex-mulher, e até empresas de construção e de turismo. Se contássemos as temporadas desde que o processo decorre, creio que já estariam na nona, o que faz com que sejam mais do que muitas das nossas séries favoritas. E agora, quem culpamos por esta injustiça? As televisões por todo o mediatismo dado ao processo, à justiça por ser incompetente ou ao juiz Ivo Rosa pelas palmadinhas nas costas? É tudo uma questão de perspetiva. 

    Apenas acho que tudo seria mais fácil se a Média Capital comprasse todo o processo judicial da Operação Marquês e todos os domingos os portugueses votassem para a expulsão de algum dos arguidos, ou até mesmo se o programa fosse comprado pela SIC e apostassem no retorno da Supernanny e que esta ajudasse a reverter os comportamentos do diabrete que é José Sócrates.



Francisco Tomé

O teu passarinho cresceu, mãe

Perdido nos meus pensamentos, deu-se em mim uma dor no peito. Perdi-me a pensar em ti, mãe. Hoje tudo o que escrever é exclusivamente para ti, mas porquê que o faço? Porque tu mereces que o mundo saiba, tudo o que és para mim.

Criaste um mundo, onde tu és tudo. Nesse mundo és a leoa que me protege, uma ursa que me aquece quando tenho frio, uma coruja que me aconselho com a sua sabedoria, uma galinha por quereres-me só para ti, mas acima disso tudo, é um mundo que me permitiu ser feliz.

Quando sentia que todos me queriam abandonar, tu estavas lá. Quando o meu pai me deixava na varanda ao frio a espera dele, tu estavas lá. Quando eu fazia asneiras na escola, que fazia qualquer pai sentir vergonha, mas mais uma vez tu estavas lá. Quando uma menina me partia o coração, tu querias esganá-la. Felizmente, tenho a sorte de ter-te como mãe. Podes ser pequena, mas tens um coração do tamanho do mundo.

Sempre me disseram “Carlos tu és um bebé grande”, ficas aqui a saber que a culpa é tua. Sempre quis aprender algo por mim próprio, chegavas lá e fazias por mim. Depois gozavam comigo, não é que não gostasse de ser o teu bebé, mas tu és cá uma galinha. Tens de aprender que o teu “passarinho” tem de voar e fazer-se um homenzinho. O teu “passarinho” quer voar para outros mundos, cumprir os sonhos que tu tornaste possível acontecer, porque sem ti, nada era possível. Quero criar o meu mundo, onde espero ser muito feliz, onde continuarás a ser o meu núcleo e quero ser para alguém, o que tu és para mim. Hoje, encontrámo-nos separados por duzentos e muitos quilómetros, e uma pandemia, mas até podia subir o demónio a terra, podiam virar o planeta do avesso, que o amor e admiração que nos une, nunca se irá separar. Podes ficar descansada!

Mãe, lembras-te das vezes que foste chamada, devido as minhas asneiras, na escola? Lembras-te, todas as vezes que diziam, que eu era um caso perdido? Lembras-te de dizerem-te que nunca iria conseguir sobreviver sem ti? Lembras-te que foste a única que acreditava em mim? Sabes eu nunca me esqueci, trabalhei muito para dar razão as tuas palavras e lágrimas, corresponder a todos os momentos difíceis e sacrifícios. Hoje podes dizer que o teu “passarinho” que ninguém acreditava está na faculdade, já não mora com a mãe, já faz as tarefas domésticas. Apesar de ter conseguido fazer com que tenhas muito orgulho, tenho saudades de ter-te ao pé de mim. Não queria, mas cresci.

sábado, 17 de abril de 2021

Mudanças

 


A mudança é um processo em plena continuidade e mutável, por essa razão, mudar implica estar preparado para tal, quer física, quer psicologicamente, não só no aspeto individual, bem como no coletivo. A mudança faz parte da vida de cada um de nós. É inevitável viver sem presenciar a mudança, é algo que acontece naturalmente e também é necessário para o crescimento e evolução do ser Humano.

Muitas vezes é difícil mudar, mas é preciso. Mais concretamente é estar ligado às implicações instantâneas, como é o momento atual em que fomos obrigados a mudar no geral, pois foi necessário, tanto no aspecto individual, familiar e social. Muitas vezes temos medo de mudar pelo simples fato de estar a sair da nossa zona de conforto, que é um lugar onde sentimo-nos tão seguros e habituados com a rotina, mas não podemos deixar-nos abalar com isso, pois faz parte de uma nova versão de nós mesmos, uma versão mais madura, mais consciente e vivida, com mais histórias e aprendizados que podemos compartilhar com as gerações futuras.

Atualmente estamos a passar por um momento de mudanças bruscas, onde a nossa vida virou de cabeça para baixo, de um hora para outra, sem sequer um aviso prévio. No início foi difícil (até ainda o é), mudar todos os nossos hábitos e rotinas que construímos ao passar do tempo, mas nunca deixamos de ter esperança, acreditando sempre que essa fase melhorará  e voltará a ser como dantes (ou pelo menos algo parecido). Isso serviu de aprendizado e de alerta para agirmos como pessoas melhores. A vida dá voltas num piscar de olhos e com ela vem a mudança e em vez de a negar devemos abraçá-la de modo a evoluirmos e vivermos uma vida mais “leve”, de várias formas e jeitos, sem receio e sem medo de aproveitá-la e ser feliz da melhor forma possível, conscientes de que mudar faz parte de todo e qualquer um de nós, em qualquer momento e situação.

Mudança sim, mas em todo o seu sentido e aspeto positivo envolvendo todos  de maneira cíclica e sem deixar ninguém de fora, respeitando os desejos e as vontades de cada um, só assim a Mudança corresponde àquilo  que é o seu significado integral.  




Crónicas de Marlene Barbosa, in Mudanças


sexta-feira, 16 de abril de 2021

A cultura é precisa

 Estava a ver uma live, numa rede social, sobre a candidatura de Coimbra, a capital europeia da cultura 2027 e deu-me inspiração para vir escrever sobre a cultura e os tempos em que vivemos. 

Com este vírus o setor cultural é dos que mais foi afetado. Sabiam que o setor musical, em toda a Europa, teve uma quebra de 75% de receitas e que os efeitos negativos poderão manter-se durante uma década? Números devastadores! 

Em Portugal há apoios do Governo, mas são poucos e parece que não estão minimamente interessados no que toca a este assunto da cultura. Sabem a quantidade de artistas que estão parados há meses? E técnicos? Que muitas vezes não os vemos porque estão atrás das máquinas fotográficas a tirar fotos e a fazer vídeos ou estão a tratar das luzes ou dos sons para que o que iremos assistir esteja perfeito. 

Depois temos também pessoas que são contra os apoios, que já são mínimos, e outras que não percebem o porquê de reabrirem as salas de espetáculos. Que é sem cabimento nenhum. Numa esplanada o bicho não vem, mas a um concerto já é outra história. Eu falo por experiência própria, no verão do ano passado fui a 4 concertos e em todos foi-me medida a febre, mandaram-me desinfetar os sapatos e as mãos e não me pude sentar lado a lado de pessoas da minha própria família e também já fui, obviamente, a uma esplanada e a única coisa que fiz foi a desinfeção das mãos. Agora expliquem-me o porquê de não ser seguro se é, praticamente a mesma coisa? 

A cultura é precisa. A nossa personalidade, os nossos gostos diversificados são baseados no que vemos, a onde vamos, no que ouvimos. O que seriamos de nós sem música, sem livros, sem entretenimento,...? Eu seria certamente muito triste e com muito menos conhecimento. 

Por enquanto a única ajuda é digital, através das novas tecnologias mas quando reabrir, com consciência, claro, não tenham medo e vão ao teatro, a museus, comprem bilhetes de cinema e de concertos. A cultura precisa de nós, imensas pessoas do setor precisam do nosso apoio, a cultura não pode ser adiada. A cultura define um povo, as suas tradições e quem nós somos. A cultura é segura!

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os corajosos da Guerra do Ultramar

            Durante uma conversa com o meu avô, surgiu o tema da Guerra do Ultramar. Contou-me que tinha apenas 21 anos quando foi convocado para combater na guerra pelas colónias portuguesas em Angola. Teve de deixar a sua esposa e uma filha com apenas 1 ano. Não tinha opção de escolha, poderia fugir, mas iria ser procurado e estaria a falhar com o seu dever pela nação, apesar de contar que, muitos conhecidos conseguiram fugir e esconderam-se nas serras da ilha, pois não queriam combater e arriscar as suas vidas, e sejamos honestos, ninguém queria correr o risco de perder a vida. Eram jovens, a maioria deles tinham apenas 20 anos, foram todos obrigados a ir para a guerra, muitos deles terrivelmente assustados, “eu só rezava para sobreviver à guerra e voltar para ao pé da minha família”, disse-me o meu avô ao recordar aqueles tempos terríveis. Imaginem lá, ver uma quantidade imensa de pessoas mortas, e muitas delas conhecidas vossas. Contou, com lágrimas nos olhos, que foi obrigado a assistir à morte do seu mais fiel amigo, levou um tiro em cheio na cabeça e caiu ao seu lado. A guerra é feita de momentos injuriosos, que não desejo ao meu maior inimigo, pelos relatos do meu avô, não chega a ser nem perto do que se vê nos filmes, mostram-nos uma versão romantizada da guerra. Foram 8 290 soldados que deram a vida pela nação portuguesa, outros 100 000 que saíram desta guerra com doenças, e gravemente feridos, física e psicologicamente. Um número esmagador de jovens, com uma longa vida pela frente e com muita coragem para lutar pela pátria.

            Enquanto a conversa decorria, comecei a observar a tatuagem que o meu avô tem no braço, é uma tatuagem que simboliza a guerra, são duas espadas cruzadas, com uma faixa na qual está escrito “ANGOLA 73-75 4912”, perguntei-lhe o porque de ter tatuado aquilo, seria para marcar aqueles anos da vida dele? Ele respondeu-me que fez a tatuagem como uma maneira de “mostrar” às pessoas que foi um dos tais que esteve em campo de batalha pelo país, tatuou os anos que iria estar em combate (que acabou por ser um ano a mais, pois a guerra acabou mais cedo, em 1974) e o número do batalhão. E então surgiu-me a grande pergunta, como é que aquelas tatuagens eram feitas, se na guerra não haviam máquinas para fazer as tatuagens, então, perguntei-lhe como, ao que ele respondeu-me que eram feitas com agulhas normais partilhadas por todos e apenas desinfetadas com a chama de um fósforo, com tinta da china. Devido a esses métodos caseiros de tatuar, muitos soldados desenvolveram infeções e entre outras doenças.

            Estes soldados que foram combater por Portugal foram verdadeiros homens de coragem, que estavam na flor da juventude e que não queriam lutar e arriscar as suas vidas, mas que mesmo assim, não se esconderam, não fugiram e lutaram com toda a sua braveza, muitos sem perceberem muito bem o porquê de estarem ali, mas que no fim de contas contribuíram para a luta do país em tentar recuperar as colónias. Tudo isto só demonstrou o quanto os portugueses são um povo honrado no que toca ao cumprimento dos seus deveres. Todos os portugueses deviam orgulhar-se da grande coragem destes eternos heróis. Apesar de termos perdido a guerra e termos orgulho na nossa pátria, no povo conquistador e heroico que os portugueses foram, e em todos estes jovens soldados, não nos podemos esquecer que este período da história está enquadrado numa ditadura em que a coragem destes jovens não foi um ato deliberado, mas forçado pela necessidade que a obrigação do dever lhes impunha. Nos dias que decorrem, na plena liberdade da nossa democracia é quase impensável e atrevo-me mesmo a dizer, desumano, este tipo de conflitos políticos e territoriais serem resolvidos com guerras onde um número exuberante de vidas humanas se perdiam, chega até a ser bárbaro pensar que obrigaram estes jovens, em nome do dever militar, a fazerem frente a algo que o ser humano mais teme, a morte.


quarta-feira, 14 de abril de 2021

Não tenham medo do desconhecido

 

Quando saímos da nossa zona de conforto tornamo-nos por vezes mais sensíveis, o facto de irmos para um lugar que nos é estranho e ficarmos longe dos nossos familiares e amigos, de deixarmos de ter a nossa rotina que estamos habituados, acaba por deixar as nossas emoções à flor da pele.

Posso falar por mim. Quando fui para Portalegre, no início foi estranho, muito estranho. Caí lá de para-quedas, foi tudo tão rápido, que nem tive tempo de processar bem. Acabei por dar por mim já no quarto da residência, a pensar “o que estou a fazer à minha vida?”, “será que estou a fazer bem vir para tão longe?”. Depois de me passarem mil e uma questões pela cabeça, é que finalmente caí em mim e pensei “consegui entrar para a universidade “. No meio de tanta coisa que tinha para tratar, acabei por nem festejar, até porque nem era a minha primeira opção, nem nunca pensei ficar em Portalegre. Mas ali estava eu, mais ansioso que nunca, sozinho no quarto, com receio de sair, de não me conseguir adaptar e de não conseguir fazer amizades. Os primeiros dias não foram fáceis, estar longe dos meus, o facto de já não estar na minha zona de conforto, “na minha bolha” da qual pensei que não iria sair tão cedo. Ao início é difícil acostumarmo-nos a algo diferente, novo e custa, mas acaba por nos fazer crescer e tornarmo-nos independentes. Não podemos viver sempre debaixo da saia das nossas mães, não é verdade? Temos que evoluir e habituarmo-nos a fazer tudo sozinhos, sem precisarmos dos nossos pais. Não podemos depender sempre deles, temos que nos desenrascar, já passou a altura em que tínhamos um encarregado de educação. Agora o encarregado de educação somos nós, temos que cuidar de nós próprios e fazermo-nos à vida.

Não tenham medo do desconhecido, sairmos da nossa zona de conforto não tem que ser algo mau, pelo contrário, faz nos crescer e ganhar novas experiências, faz nos ver do que somos capazes de fazer sozinhos e ajuda-nos a ultrapassar os nossos medos. Por isso não tenham receio de arriscar!

terça-feira, 13 de abril de 2021

Liricamente Dialogando

 

Liricamente Dialogando

 

Crescer a ouvir músicas sobre pintainhos e como a vida promete é a típica infância que a maioria dos jovens da “geração z” passou, à medida que se vai crescendo e se vai passando por várias e complicadas situações também se vai alterando o gosto musical, que para a maior parte das pessoas é algo tão importante como o primeiro beijo, a diferença entre estes é de que o gosto musical vai melhorando, deixa-se no passado as músicas dos “morangos com açúcar” e o leque musical expande-se de uma forma que faz lembrar os descobrimentos portugueses, a música portuguesa torna-se algo relativo, existem pessoas que adoram e outras que, tal como os nossos profissionais, emigram para países de língua estrangeira, tal como o melhor rapper português diria, Sam The Kid, “Novas doutrinas que alteram rotinas à procura de vidas londrinas”, esta designação de melhor rapper parte do princípio de que para ser considerado o melhor de um certo país tem de ser um grande nacionalista e ter um talento inconfundível, Sam tem os dois e muito mais, passou por inúmeras situações e aprendeu valiosas lições de vida, juntando estas duas ao talento que tem para passar para o papel o que viveu faz com que seja uma espécie de “Buda” na cultura Rap portuguesa.

A letra de cada música ganha vida e faz com que nos identifiquemos com cada verso, por vezes até demasiado, poderia aqui enumerar um vasto número de artistas com os quais a população portuguesa delira mas nunca mais sairia daqui, até porque cada um tem uma abordagem diferente desta maravilha que é a música, cada um teve experiências diferentes e cada um tem uma maneira única de nos fazer arrepiar ao escutá-los. Quando há pouco referi que nos identificávamos, estava-me a referir aos pormenores que cada músico subentende em cada música que faz, acho que todos nós temos uma música preferida, e se não, de certeza que um “top 5”, devido a compreendermos o que é passar por essa experiência ou conhecermos alguém que tenha passado, também existem músicas que ouvimos apenas por gostarmos da batida ou por ter uma letra engraçada, mas penso que esta faceta tira um pouco a verdadeira essência da música, que no meio de ruídos e batidas tem sempre uma letra que nos faz interessar.

Mais do que um movimento cultural, o Rap é terapia, e como diria o Sam, “Quando a vida ficar vazia faz ela virar poesia”, e na atualidade, onde todos têm desgostos amorosos e utilizam o telemóvel para se entristecerem ainda mais, o “Mechelas” juntamente com o rapper Regula dão os melhores conselhos através do som “Solteiro”, a melhor prova de que música não é só música, e que um desgosto não é a pior coisa do mundo, “Farto de aventuras, juras e promessas, melhor do que tu procuras é quem tu tropeças”, e que a vida de solteiro nem é assim tão má, “eu estou solteiro e sozinho em casa, e em homenagem à Amy é sozinho em casa”, através de expressões e referências, como esta da Amy Whinehouse, faz com que este estilo seja pura poesia cantada.

domingo, 11 de abril de 2021

Julgar ou ser julgado?

    Somos humanos e cometemos erros por diversas vezes, certo? Tenho pensado em quantas vezes julguei as pessoas de forma errada, quantas vezes já me terão feito um julgamento e chego à conclusão que estamos em um mundo onde não há o mínimo de esforço para se criar empatia pelo próximo, pensar no mal que podemos causar ao outro e que só damos conta quando passamos por uma situação semelhante.

   Existe uma grande dificuldade em compreender que cada pessoa tem a sua escolha, a sua razão, que criticas são sempre bem-vindas, sempre que construtiva, ou seja criticas focadas no bem do próximo que poderão proporcionar uma maior motivação às pessoas.

   Já tive momentos em que vi pessoas julgarem outras pela forma física, pela personalidade, pela aparência, entre outros fatores, só pelo facto de não ser e  estar de acordo com talvez o que  o consciente da pessoa quisesse visualizar. No momento, nunca se para para refletir e chegar à conclusão que é algo inaceitável, pensar que a pessoa está a fazer algo errado, quando apenas é o contrário daquilo que se possa pensar. Não podemos julgar, nem a vida, nem a situação, nem os sentimentos dos outros porque cada um acaba por sentir a sua dor e aflição, reagindo como consequência ao que sente.

   Nunca devemos tirar conclusões precipitadas com base no que criamos na nossa mente, acreditando que todos nós carregamos uma carga emocional grande, onde apesar de tudo evoluímos a cada dia, pelo que devemos estar mais atentos a quem nos acompanha.  


Acredito que alguma vez já foste julgado por algum motivo.

sábado, 10 de abril de 2021

Hipocrisia Sustentável

    Fazer a reciclagem. Evitar o plástico ao máximo. Comer menos carne. Apagar as luzes. Estes são todos pequenos exemplos do que podemos fazer para ajudar a revirar a grave situação climática em que nos encontramos. Os níveis de gases emitidos para a atmosfera são estupendos, a qualidade do ar diminuiu globalmente, as cidades estão sub-povoadas e nós compramos cada vez mais coisas de que não precisamos, o que resulta em gastarmos recursos de que a nossa terra não dispõe.

Estamos a um clique de distância nos nossos smartphones de sermos seres humanos informados e responsáveis o suficiente para estarmos a par da realidade que optamos por não ver. Por isso, temos a responsabilidade de deixar de ser insensatos com certos hábitos não-sustentáveis que temos – fazemos muito bem em não comer carne (ou pelo menos reduzir o seu consumo), pois a criação de gado produz elevadíssimos níveis de metano; mas, se deixarmos de comer carne, por que razão continuamos a desperdiçar comida e a comer, por exemplo, o peixe, que também se mostra ser insustentável para o nosso planeta? É um comportamento hipócrita termos substituído as palhinhas de plástico (que apenas correspondem a 0,04% de lixo no oceano) por palhinhas de aço enquanto que 46% do lixo que encontramos nos oceanos são redes de pesca para o peixe que consumimos. A redução do consumo da carne e do peixe é tão ou mais necessária quanto o fim do uso de certos tipos de plásticos e a utilização consciente dos que são reutilizáveis, por isso, até que ponto vale a pena sermos responsáveis pelas vidas que estão a ser destruídas pelo nível de subida das águas do mar, por todas as espécies de animais que estão em risco de extinção, e entre muitos outros exemplos de como o ser humano consegue estragar tudo o que está neste mundo? Será que vale mesmo a pena continuarmos a negligenciar o nosso meio-ambiente, a nossa casa, tudo por hábitos que nos recusamos a adaptar?




Francisco Tomé 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Profissionais das pandemias

 

Fico estupefacta com a quantidade de coisas que este vírus nos ensinou. A quantidade de termos que parece que foram inventados agora, que nunca antes ouvimos falar.

Isolamento profilático? Confinamento? Calamidade? Distanciamento social? Cerco sanitário? Achatar a curva? Layoff? Teletrabalho? Surto? Zaragatoa? Desconfinamento? – Tudo palavras que, até à pouco tempo, a maior parte de nós nunca tinha ouvido. Somos bombeados com termos deste género a toda a hora, em todo o lado. Com tanta expressão “científica” e tanta informação, parece que basta ver as notícias para se ser profissional no Covid-19.

Hoje em dia estamos a passear na rua e, naquelas conversas paralelas que vamos ouvindo enquanto andamos, ouvem-se coisas como: “O índice de transmissibilidade já está quase nos 2” – Isto ouvido fora do contexto (na minha opinião até mesmo dentro do contexto) soa um pouco estranho. Mas afinal quem é o Zé Manel que está ali no café para saber este tipo de informação? O profissional do Coronavírus? Lá está, era o que escrevia aqui à pouco, com o bombardeamento de informação que está em qualquer lado para onde nos viremos, isto agora é um mundo cheio de profissionais entendidíssimos no que toca a pandemias. Elas que venham, que já estamos aqui todos em frente à televisão prontos para adquirir novos palavreados que nos façam sentir super intelectuais.

Uma das minhas paixões

 

Estava para aqui a vaguear nos meus pensamentos quando me veio à memória o meu primeiro contacto com os cavalos.

Não tinha mais de uns seis, sete anos, quando estive, pela primeira vez, em cima de um cavalo. Embora estive-se um pouco nervosa, com algum receio, consegui desfrutar bastante do momento, que, embora curto, foi muito agradável. Desde aí que ficou o gostinho pela equitação. Quando ia a algum lado e tinha oportunidade de montar um bocadinho, fazia-o sem hesitar. Nunca tinha pensado em ter aulas, até que uma vez, numa atividade com outros colegas, cujo propósito era, precisamente, montar um pouco a cavalo, o dono da quinta, que era quem estava connosco na altura, para nos ajudar, se virou para mim, quando terminei, e me disse que devia dizer aos meus pais para me porem na equitação, que tinha jeito. Andei, por uns tempos, com aquele pensamento na cabeça, mas acabei por esquecer. Só se voltou a tocar no assunto quando fui questionada pela minha família sobre que atividade extracurricular queria praticar. Não tinha grande vontade de fazer alguma, mas respondi prontamente que se tivesse de ser, seria equitação. Penso que essa decisão se deu devido não só ao meu gosto, mas também por influência da minha prima, que na altura praticava equitação.

Tive aulas, então, durante algum tempo. Já não monto a algum. Confesso que já sinto saudade daquela liberdade e adrenalina, e da maneira como me conseguia abstrair de tudo o resto.  

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Politiquices à parte, a minha junta é melhor que a tua! – Parte I

Sempre ouvi dizer que “a galinha da vizinha é melhor que a minha” e isso também se pode implicar quando o assunto são as 3092 freguesias de Portugal. Descansem que não venho para aqui falar de forças políticas, mas sim de política muito superficial e de algo que gostava de vivenciar desde que comecei a interessar-me por este tipo de assuntos e deixei de ver o hemiciclo da Assembleia da República como um mero local onde pessoas ilustres se sentavam e quando lhes dava na “gana” falavam do que queriam - sim, era esta a definição quando eu era criança e a via na televisão -. Desde que fomos afetados pela crise mundial de 2008, comecei a gostar de discutir política, sempre com respeito às diferentes perceções que me davam, mas claro refutava sempre com a minha.

Mas eu quero focar-me mais no poder local, mais precisamente nas juntas de freguesia. Embora sejam a composição política mais pequena no nosso grande e vasto sistema administrativo, é aqui que temos a primeira resposta a problemas relacionados com a nossa rua, o nosso bairro e da terra em si. Quem por lá passa começa a ter uma noção diferente da política e dessa vida, que não passa só por cortar fitas e ouvir as pessoas a tratarem pelo “Sr.” ou “Sr.ª Presidente”.

Ao contrário de muitas pessoas por esse país fora, o meu sonho não é subir ao mais alto cargo da nação para tomar decisões importantes. Embora não posso negar que seria interessante, – e muitos problemas de freguesias que se uniram podiam ser postos em causa. Mas isso fica para uma outra crónica - a minha aspiração na vertente política é ter um contacto mais próximo com a junta da minha freguesia. Muitos agora deve estar a pensar que não penso em alto, só que, penso até demais, pois ser presidente de uma aldeia no interior de Portugal é muito mais para além de ser apoiado por um certo partido que aplaude aquelas medidas. Tentar resolver os problemas que uma freguesia rural como a minha enfrenta cada dia que passa e que podem ser cruciais para o bom funcionamento da mesma. Mas o mesmo acontece nas juntas de freguesia que constituem uma vila ou cidade, pois se assim não fosse, elas não existiam nesses locais.

Para além de promessas, quem assume o lugar de presidente de junta deve ter principalmente em conta, saber conhecer as suas gentes e tentar minimizar problemas de todos os tipos que podem surgir ao longo das 24H de um dia.

E sejamos realistas, estamos sempre a criticar o que foi mal feito na nossa freguesia, mas se são os de outras a falar, aí está o barulho armado, pois quem está mal pode sempre “ir pregar para outra freguesia”, não é verdade??

terça-feira, 6 de abril de 2021

#Desconfinar ou #FicaremCasa?


Caros leitores, a questão que vos coloco hoje é, talvez, um pouco complicada, mas ainda assim parece fácil: são a favor do #Desconfinar ou do #FicaremCasa?

Portugal entrou, ontem, na segunda fase do plano de desconfinamento que a 1 de abril o Governo declarou ao país, mas que, ainda assim, sugeriu muita cautela aos portugueses. Será que o verbo “cautelar” vai ser uma prioridade?


Os miúdos do pré-escolar, da primária, do 2º e 3º ciclos têm vindo a regressar às aulas em regime presencial (gritem pais deste país, gritem), mas acham que todos os pais estão de acordo com o regresso? Não fiz nenhuma pesquisa nem tampouco um inquérito, mas aposto 3,20€ em como existe uma percentagem considerável de papás e mamãs que preferem ou preferiam ter os seus rebentos no seu ninho, em casa, mas isso são outros quinhentos. 


Realmente, todos os dias falta-nos um parafuso na bagunça que é a nossa cabeça, mas a falta de coerência deixa-me completamente sem os que já pouco restavam. O governo português arrancou com a reabertura de esplanadas de cafés e restaurantes; e que bom que é para todos os empresários poderem, finalmente, retomar a sua normalidade e a sua atividade. Todavia, de Norte a Sul foram os milhares de alunos que estão ou estariam obrigados a estar em casa, na modalidade de E@D, que se deslocaram às esplanadas para conviverem com os amigos, mas ir à escola? Nem pensar nisso, nem pensar meus caros.


Qual a credibilidade dos especialistas em colocarem a reabertura de esplanadas primeiro que a entrada de todos os alunos na escola? A Covid só é transmissível em contexto escolar? Ou será que as esplanadas estão imunes?

Há muitas questões que não as vemos respondidas, mas ainda assim acredito que todos os dias os envolvidos neste rodopio, que é a Covid, dão o seu melhor nas decisões que tomam, independentemente se somos de acordo ou não.


Sobre a questão que coloquei inicialmente nesta crónica, posso afirmar, convitamente, que sou a favor do #Desconfinar, mas em segurança, com responsabilidade e com muita esperança de que o melhor está para vir.


Até Breve, 


Carolina Estrelinha 





Fotografia - Correio do Minho 




domingo, 4 de abril de 2021

Cor da Pele

     Costuma dizer-se que se nos habituamos desde pequenos a algo, nunca esse “algo” nos será estranho.

     Desde novos, e partindo da minha própria experiência, crescemos acompanhados pelos nossos pais e família, e este é o primeiro contato que vimos a ter com outras pessoas. No meu caso, ambos são “brancos”, como eu, e por isso, talvez, seja mais propício ter ou criar uma maior distinção a pessoas de outra cor.

     No meu ponto de vista, as nossas primeiras interações com outras pessoas e com outras circunstâncias são importantes, pois de certo, no futuro, ser-nos-ão mais familiares, e, por isso, mas comuns.

     Se formos verificar, provavelmente um filho de pais homossexuais terá uma visão diferente tanto da homossexualidade como da sexualidade em si, pois cresceu com essa realidade.

     Uma criança que tenha pais “brancos”, mas que cresça, por exemplo, no Brasil, onde existe uma maior diversidade racial, terá um contato diferente com os que a rodeiam.

     Não acho que exista um racismo já incutido em nós, acho que, simplesmente, parte das nossas experiências e convivências. Para além da educação também interferir bastante neste tema.

     O medo que criamos no nosso subconsciente ao desconhecido acaba por justificar as nossas reações face a pessoas diferentes.

     Tanto “brancos” como “pretos” cometem crimes, mas se estiver habituada, e por isso, familiarizada, a pessoas da minha cor, o que me for desconhecido irá sempre assustar-me mais. Faz parte, mas devemos sempre dar uma hipótese às pessoas e às circunstâncias novas que iremos enfrentar. 

     Partindo de um exemplo simples, se alguém nos der a provar algo que nós desconhecemos o nosso primeiro instinto será a dúvida, a desconfiança, talvez até medo, mas só passaremos a ver as coisas de uma forma diferente, se nos permitirmos a isso.

     As nossas bases de convivência e a nossa educação criam os nossos instintos, mas ao longo do nosso percurso de vida vamos nos moldando e permitindo-nos a coisas novas que vão mudando a nossa forma de agir, ser e pensar. 

     O racismo não está em nós apenas está em quem não se permite ver mais para além da cor da pele.

 

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...