segunda-feira, 31 de março de 2025

O amor e os seus desvios

O amor e os seus desvios

O amor nunca chega na hora que está marcada. Ele ignora os planos, atravessa a rua sem olhar para os lados e, sem aviso, instala-se onde menos esperamos. Às vezes, vem com a delicadeza de uma brisa leve, outras, com a força de uma tempestade. O facto é que ninguém passa ileso por ele. No início, o amor parece um visitante que vem muito educado, desses que tiram os sapatos antes de entrar. Mas logo se espalha pelos compartimentos da alma, confunde as certezas, troca os móveis de lugar. O amor não pede licença. Ele faz-se presente de forma inteira ou não se faz.

Há quem tente decifrá-lo, classificá-lo, encaixá-lo em definições. Amor romântico, platônico, fraternal. Mas o amor risse dessas tentativas. Ele não se prende a rótulos, escapa pelas frestas do previsível e manifesta-se em gestos inesperados: num olhar que se entende sem palavras, numa mensagem enviada sem motivo aparente, num silêncio que diz mais do que um discurso inteiro. No amor, há também os desencontros. Ele nem sempre é justo, nem sempre é recíproco. Às vezes, aparece para um e esconde-se do outro. Há amores que nascem com um prepósito determinado ao desenlace, como estrelas que brilham intensamente antes de se apagarem. Mas mesmo os amores que não permanecem deixam a sua marca. Eles ensinam, moldam, transformam.

E, no fim, talvez o amor seja isso: um constante desvendar de mistérios, um desvio no caminho certo, uma história que nunca se repete da mesma forma. Porque o amor, afinal, não é feito para ser entendido. É feito para ser sentido.

segunda-feira, 24 de março de 2025

O amor chega sem avisar



 Vivemos na expectativa de um amor duradouro e verdadeiro como nos contos de fadas, porém também nos apercebemos que nem sempre é assim e que o amor tem as suas fases, as suas dúvidas, os seus fins e os seus recomeços. 

O amor chega quando menos se espera e não bate à porta, apenas entra sem necessitar de autorização, quando chega vem com urgência, quer saber tudo e viver como se fosse o último segundo. Mas o amor também sabe esperar, espera paciente no seu canto e aguarda  o momento em que o coração se abre e permite  que o amor entre.

O amor é os sorrisos dos dias bonitos, as conversas intermináveis mas também as lágrimas dos dias menos bons, porque o amor nem sempre escolhe o caminho mais simples mas escolhe sempre o caminho que vale sempre a pena. 

Por vezes, disfarça-se na amizade, esconde-se num olhar ou num pequeno gesto que muitas vezes passa despercebido. Outras vezes, não faz questão de se esconder, chega como um furacão e vira tudo do avesso. 

Há quem o segure com força e quem o deixe escapar, mas no fim o amor pede apenas uma oportunidade.

E mesmo quando vai embora, deixa sempre as suas pegadas quer numa música que não volta a ser ouvida da mesma maneira quer nas lembranças e memórias que perduram pela vida. O amor é uma construção de sentimentos baseados na confiança, verdade, respeito mútuo e esperança de que será eterno porque quando o amor é verdadeiro nunca parte por completo, deixa sempre a sua marca em qualquer coração.


sexta-feira, 21 de março de 2025

O Amor nas Pequenas Coisas

O amor, que tantas vezes é cantado ou citado em prosa e verso, é descrito com gestos grandiosos, como juras eternas, gestos gigantes, épicos ou até mesmo declarações românticas ao pôr do sol na praia. Mas a verdade é que o amor, o amor do dia-a-dia, não vive desses momentos extraordinários e grandiosos. Muito pelo contrário, vive e encontra-se nas pequenas coisas. Coisas que à primeira vista podem parecer ações banais, na realidade é nessas ações que o amor se manifesta na sua maneira mais pura e bonita.

É no mau humor da manhã, enquanto a casa ainda dorme, que começa o amor. Quando alguém se levanta mais cedo para preparar o café, sabendo que aquele simples gesto, não aquecerá somente o corpo, mas também o coração de quem o recebe. Não sendo isto, apenas um café, mas sim um cuidado que é tido em forma de uma chávena quente, que é dado de forma delicada para a pessoa especial.

O amor está até na forma como, à noite, se aconchega a manta sobre os pés frios do outro, mesmo quando não é pedido. Está no olhar cúmplice que se troca à mesa do jantar, comunicando entre si sem a necessidade de haver palavras.

É muito fácil perdermo-nos na rotina. O trânsito, o trabalho e a faculdade, as obrigações diárias, tudo isto nos consome. No entanto, é no meio desse caos, que o amor revela a sua força, ele não precisa de grandes manifestações. Vive na capacidade de conseguir parar por momentos, e ouvir o outro. Ouvir de verdade, mesmo que o que se esteja a ouvir, seja uma coisa banal ou as vezes sem grande interesse para o momento, como as histórias do que aconteceu no trabalho, ou até mesmo plano para o fim de semana. Ao ouvir o outro atentamente, o amor afirma-se. Porque o amor diário, como tantas vezes, é a presença. E é estar mesmo, de corpo e alma, não só “estar por estar”.

Há também o amor que se faz de silêncios. Não daqueles silêncios constrangedores, mas sim do silêncio partilhado, onde nada é preciso ser dito, porque a única coisa necessária ali é a companhia do outro. Porque o amor é isto, as vezes só é preciso sentarmo-nos ao lado de alguém e somente estar. Sem necessidade de justificações, falar ou agir. Apenas estar é suficiente.

Amar, no fim das contas, é mais do que as palavras que dizemos, os presentes caros que se compram ou os gestos grandiosos dos filmes românticos. É o que fazemos diariamente, quase de uma forma que nem se entende que o amor está lá. É fazer um café pela manhã, ouvir o dia péssimo que o outro teve ou mesmo cuidar em silêncio. E, quando damos conta, são esses pequenos momentos ou gestos, que no fim fazem toda a diferença. É no dia-a-dia, que o amor se revela na sua forma mais bonita e pura.

quinta-feira, 20 de março de 2025

A essência do Amor


Será que sabemos mesmo o que é isto do amor? Começo talvez por abordar a ideia de que o amor é um dos sentimentos mais contraditórios que podemos viver. É uma escala igual entre o ênfase, a chama e o desafio que provoca de forma profunda à alma. Podemos falar de diversas formas e sentidos sobre o amor, no entanto este continua a ser por vezes uma incógnita e um desafio em determinados casos.

O amor está presente em cada canto da nossa vida, como uma melodia que, por mais que tentemos, não conseguimos deixar de ouvir. Ele aparece nas pequenas coisas: no sorriso cúmplice, no toque suave das mãos que se encontram por acaso, no silêncio confortável que se instala quando duas almas se compreendem sem precisar de palavras. Há uma leveza no amor genuíno, uma naturalidade que nos faz acreditar que, talvez, o destino tenha reservado um lugar especial para aqueles que se amam. Por outro lado, o amor é também um espaço para confrontos e desilusões onde se exigem sacrifícios, como uma troca constante entre dar e receber, onde, muitas vezes, damos mais do que esperávamos ou recebemos menos do que gostaríamos. O amor é, por vezes, um campo de batalha. Não porque a luta seja contra o outro, mas contra nós mesmos. Contra os medos, as inseguranças, os fantasmas do passado que insistem em assombrar o presente. Amar é uma verdadeira peripécia, onde nos perdemos e encontramos e acrescentamos algo àquilo que somos, sem nunca perder a essência. Mas ao mesmo tempo, o amor é também o mais simples dos sentimentos que não pede explicações nem validações de terceiros. Às vezes revela-se num gesto silencioso, numa presença que não precisa de palavras para ser sentida. Porque, na verdade, o amor não é algo que se possa definir ou compreender por completo. Fugindo à razão, ao entendimento lógico, e revelando-se nos momentos mais inesperados. O amor é algo que nunca se esgota, pode mudar de forma, de intensidade, mas nunca deixa de existir. Basta-nos vivê-lo, no seu esplendor e na sua fragilidade, para que, de alguma forma, ele seja sempre verdadeiro.


quarta-feira, 19 de março de 2025

O brilho da juventude e a luz da nostalgia

A juventude é uma fase que passa pela vida de todos, nos mais novos é o agora e parece que nunca mais acaba, nos mais velhos é a saudade de tempos que nunca mais vão voltar e que parecem que foram à milhares de anos.

Os jovens quando estão a viver a juventude costumam andar com um misto de emoções, ora num dia estão felizes porque a sua maior preocupação é tentarem ficar na mesma mesa que o “cromo” da turma no teste de matemática, ora no outro estão a discutir com os pais que querem ir sair com os amigos à noite e os pais não os deixam porque da ultima vez que os deixaram sair de casa com os amigos fizeram coisas que não deviam, como fumar, beber, andar à briga; “gaiatos, o que é que se há de fazer”, isto era o que dizia a minha mãe, quer dizer, é o que ela diz que eu ainda estou na juventude que tento aproveitar ao máximo porque sei que estes tempos cada vez mais estão perto de mudar e que a vida de adulto se está a aproximar.

Agora os adultos olham para a juventude com um sentimento de saudade e que se pudessem voltar atrás nem pensavam duas vezes, e como é que eu sei disso se ainda no parágrafo anterior vos disse que ainda estou a viver a minha juventude, bem, existem dois motivos para isso, o primeiro é todas as histórias que os meus pais já me contaram de quando eram novos, de todas as suas aventuras em tempos que não haviam telemóveis, nem redes sociais em que só haviam duas maneiras de se encontrarem, ou iam bater à porta onde moravam ou achavam-se todos na rua, porque já estava no “relógio” deles que às certas horas era para estarem todos ao pé do café do bairro para irem todos brincar, como é que eu sei que eles têm saudades disto, perguntam vocês, não é pela maneira como me contam as suas histórias de quando eram novos mas sim da maneira que os olhos deles reluzem quando as estão a contar, é como se estivessem a voltar trinta e muitos anos atrás. A outra é porque apesar de eu ainda ser jovem e ainda estar a viver a minha juventude, eu sei que esses tempos estão se a esgotar e que mais cedo do que tarde vou ter que viver a “vida adulta” e que provavelmente não irei mais poder ser um jovem a viver a sua juventude, em que a minha maior preocupação é saber com os meus amigos quando é que vou sair à noite ou quando é que é para entregar um trabalho com vinte páginas e depois descobrir que só vou ter uma semana para o fazer.

Costuma-se dizer que só há uma coisa certa na vida, a morte, eu acho que ao invés de uma são duas, é a morte e o sentimento de saudade e nostalgia quando se fala na nossa juventude.

terça-feira, 18 de março de 2025

A Rebeldia dos Relógios

 

Há algo de fascinante na juventude, esta fase efervescente em que tudo parece possível e ao mesmo tempo absurdamente incerto. É um tempo de promessas e inquietações, de sonhos grandiosos e desilusões avassaladoras. Talvez seja essa mistura de esperança e ansiedade que a torne tão única, tão cheia de energia e de contradições.

Os jovens vivem num perpétuo agora. O futuro parece distante, uma ideia vaga que existe mais nas preocupações dos pais do que na realidade do dia a dia. E, no entanto, há uma urgência em tudo: nas amizades, nos amores, nas pequenas batalhas contra o mundo. Tudo se sente à flor da pele, como se cada momento fosse decisivo, como se cada escolha pudesse traçar o destino de forma irreversível.

Mas há também o peso da dúvida. O caminho é um labirinto, e por vezes é complicado encontrar a saída. Dizem-lhes que podem ser tudo o que quiserem, mas ninguém lhes ensina a lidar com a pressão de tantas possibilidades. Num mundo onde a comparação é inevitável, onde as redes sociais são montras de vidas aparentemente perfeitas, ser jovem é, muitas vezes, viver entre a euforia e a insegurança. No meio desta tempestade de sentimentos, há uma beleza inegável. A juventude é um tempo de descoberta, de primeiras vezes, de erros que moldam, de pequenas vitórias que constroem a identidade. Há nela uma liberdade que, com o tempo, se aprende a valorizar.

Talvez seja esse o grande paradoxo da juventude: enquanto se vive, nem sempre se percebe o quão extraordinária é. Só mais tarde, quando a vida se torna um pouco mais previsível, é que se olha para trás com a saudade de quem teve nas mãos o mundo inteiro sem se dar conta.

E talvez seja essa a sua maior lição: viver sem medo, errar sem culpa, e aproveitar cada instante, porque a juventude, essa sim, passa depressa demais.

segunda-feira, 17 de março de 2025

A fruta certa

 

Se pensarmos na vida como uma maçã - também podia ser uma pitaia mas a ideia de descascar podia elevar a imaginação a outro patamar, por isso fixemo-nos numa sumarenta bravo-de-esmolfe – comê-la-íamos em suaves dentadas, a rodar, sempre em busca da parte mais doce. Fatal como o destino, apenas à última dentada se saberia qual  a melhor parte e, nem sempre como sucede quando saboreamos o prato favorito, é possível reservar o melhor.

Na vida, como a degustar a maçã, por vezes vezes o sabor desenha-se em jovem, aos primeiros gestos. Não é, por isso, de grande justiça que as gerações mais novas, pujantes, sejam condenadas a conviver naturalmente com crises económicas, financeiras ou, pior, políticas. Não é correto que quem esteja a começar vida ou a iniciar carreira, se veja constantemente numa agoniante incerteza.

É perfeitamente legítimo que a parte mais porreira e despreocupada da existência possa acontecer sem receios de partir os dentes. Às vezes acontece, mas que seja por causa daquilo que todos sabemos e não porque alguém crave um canivete nos rins como que à traição.  

Um bando de “fazendeiros impreparados”, destruidores de maçãs viçosas que vão sugando o potencial produtivo do país mergulham-no, e aos seus jovens de futuro, num labirinto sem GPS. Conselho para quem tem as cartas, não sabe mas tem: cuidar a arvore, escolher a melhor maça, espremê-la em sumo e tomá-lo de um trago. Só da indignação, força, formação e boa decisão podem surgir, finalmente, soluções decentes e adequadas. 

Está nas mãos desta juventude a inversão da tendencia onde a demografia, a qualificação e o processo decisório podem passar de problema a solução. 

P.S.: Baseado em dados puramente fictícios. Não há nenhum país desenvolvido que exporte talento, importe mão-de- obra, e tenha, pelo menos, quatro atos eleitorais em menos de um ano. (se calhar a ideia da pitaia fosse mais adequada)

sexta-feira, 14 de março de 2025

Eternamente jovem

Segundo as estatísticas da ONU, os jovens são um grupo etário com idades compreendidas entre os 12 e os 24 anos. Outro conceito na internet diz que é alguém que já terminou a escolaridade obrigatória e está em busca de emprego. Esta palavra não tem uma definição fixa e pode variar de cultura para cultura, experiências pessoais, fisionomia e comportamentos.

Depois de fazer as minhas pesquisas e tentar entender o significado desta palavra, cheguei à conclusão de que não concordava com nenhum dos conceitos publicados e, por isso, criei o meu próprio conceito. Ser “jovem” é a qualidade de ser ativo, manter-se atualizado e abrir espaço para novas perspectivas.

A nossa sociedade criou uma ideia do que é ser "jovem" e do que é ser velho, colocando pessoas que estão na casa dos 40 para a frente num espaço em que já não têm a liberdade para experimentar coisas novas e arriscar, como por exemplo, finalmente tirar o dinheiro da conta poupança e fazer aquela viagem de sonho, tirar um curso aos 60, sair de um casamento de anos mas infeliz ou aprender a mexer num smartphone, que é clássica. Existem “jovens” com 19 anos que não saem de casa, não experimentam coisas novas, não sabem o que se passa à sua volta e não discutem sobre temas porque não têm interesse em nada. Por outro lado, conheço pessoas que rondam a casa dos 50 e estão sempre interessados em aprender coisas de “jovens”, a respeitar e a aceitar as mudanças do mundo, a ir para a primeira aula de dança ou a mudar os seus hábitos para ter um estilo de vida mais saudável.

É verdade que com o tempo ocorrem algumas mudanças no nosso corpo, e talvez eu não tenha a mesma energia aos 70 que tenho agora aos 19 anos, mas pretendo manter-me jovem. Pretendo sair de casa, conversar com as pessoas, praticar alguma atividade física, aprender a tocar algum instrumento novo e ter ideias novas. Uma pessoa velha é aquela que se prende ao passado e não abre espaço para as mudanças inevitáveis à sua volta, que vê a vida a passar e acha que há um limite para poder continuar a arriscar. Para a maior parte das pessoas, a juventude tem um prazo de validade. Eu acredito que a juventude seja infinita.

É um privilégio envelhecer e ter mil histórias para contar, mas também é fundamental acompanharmos a evolução do mundo à nossa volta para evoluirmos também. Como disse o Marian Gold, vocalista da banda Alphaville na sua música, “eu quero ser eternamente jovem”.


quinta-feira, 13 de março de 2025

Juventude, um bicho estranho

 

A juventude é algo estranho. Pois dizem que é a melhor fase da vida, mas ninguém consegue explicar bem o porquê. Os adultos suspiram por ela, como se tivessem perdido um bilhete dourado para um parque de diversões. Os mais velhos garantem que éramos felizes e não sabíamos. Mas será que é mesmo assim?

Ser jovem hoje é um desafio. Há quem diga que nunca foi tão fácil – tudo está à distância de um clique, da comida ao conhecimento. Mas, se está tudo à mão, porque é que há tanta gente a sentir-se perdida? Os nossos avós tinham um caminho que à partida é certo: escola, trabalho, casa, família. Hoje, há mil caminhos e, com tantas opções, é difícil saber qual escolher. A juventude também é sinónimo de pressa. Queremos tudo para ontem: sucesso, amor, dinheiro, propósito. Mas, enquanto tentamos correr, o mundo lembra-nos que ainda somos "muito novos para certas coisas". Exigem que saibamos o que queremos da vida aos 18 anos, mas não nos deixam escolher um sofá no IKEA sem um adulto por perto. Acaba por existir um certo paradoxo. Porém ainda há as redes sociais, uma montra de vidas perfeitas onde toda a gente parece estar a viver melhor do que nós. Ninguém posta as dúvidas, os medos ou os momentos mais secantes que temos no nosso dia a dia. Só viagens incríveis, corpos esculpidos e carreiras de sonho. Resultado? Uma geração que se compara constantemente e que, muitas vezes, sente que nunca está à altura. Mas a juventude também tem o seu brilho. É o tempo da descoberta, da irreverência, dos erros que ainda têm desculpa. É quando nos atrevemos a sonhar alto, a mudar de rumo, a reinventar-nos. Há uma energia única na juventude – um desejo de mudar o mundo, de questionar o que sempre foi dado como certo.

Talvez os mais velhos tenham razão. Talvez só quando a juventude nos escapar por entre os dedos é que perceberemos o quão especial ela era. Mas, até lá, seguimos a viver, um passo de cada vez, entre certezas que duram um instante e dúvidas que parecem eternas.

terça-feira, 11 de março de 2025

Deixam-nos ser jovens?

 Lembro-me que quando era uma criança, ainda em muito tenra idade, todos os adultos me diziam sempre: “Aproveita agora, enquanto és criança, que depois quando fores adulto, vai ser difícil”. Mal sabia eu que todos estavam a falar a sério. Não que a minha infância fosse fácil, entre todos os trabalhos da escola, regras e horários impostos pelos adultos, que sempre tinham a expectativa que um dia iria dar um bom adulto. Mas ninguém nos prepara para a pressão que é ser jovem em Portugal.

 A pressão, começa mais cedo daquilo que imaginávamos. Ainda nem tinha aprendido a fazer contas complexas, ou até mesmo a escrever textos, e já se ouvia vozes a falar do “futuro”. Um futuro, que parece ainda estar tão longe, mas que por sua vez, nos exige uma preparação constante. Começando pelos exames nacionais, que decidem mais o nosso futuro que nós próprios, que nos colocam uma pressão de perfeição para pudermos ter um futuro “minimamente” decente. Escolhemos uma área de estudo, muitas vezes sem sequer saber se gostamos ou não, mas temos de escolher dentro do tempo que o sistema acha o mais indicado, que por vezes, esse tempo é tão curto que nem temos tempo para parar, refletir e perguntar: “Será mesmo isto que eu quero?”.

 Depois disso, vem as responsabilidades e ainda mais pressão. Primeiro vem a faculdade, onde quase somos obrigados a frequentar e a escolher algo que dê emprego, o que não foi bem o meu caso. Por causa disso, andamos numa montanha-russa de emoções, onde nela estão as obrigações, trabalhos da faculdade, estágios, empregos, sim porque muitos de nós jovens, ainda tem de crescer um pouco mais rápido, arranjando um emprego para completar os estudos, este aqui já é o meu caso, onde as vezes, nem temos tempo de ser jovens, e viver as experiências que tantas esperanças nos deram, ao alcançar esta idade. Terminamos a faculdade, com uma promessa de uma vida social promissora, empregos de sonho, casa de sonho, ou seja, uma vida de sonho.

 A questão que coloco agora, no meio destes pensamentos todos é: “Deixamos de ser jovens tão cedo por opção, ou a sociedade assim nos exige este crescimento, e maturidade toda?” Há sempre uma cobrança própria, interior, em que ficamos a pensar, que devemos estar sempre prontos para todos os desafios, que ao acabarmos a escola, qualquer seja o ano de escolaridade, temos logo de arranjar um trabalho, se tivermos um emprego mais precário, foi porque não nos esforçamos o suficiente.

 Ao nos queixarmos destas coisas, a geração anterior, vem perto de nós e ainda nos dizem que “temos tudo de mão beijada”, “no nosso tempo não era assim”. É verdade que temos a vida um pouco mais simplificada, mais oportunidades, tanto de empregos como estudos, mais recursos a tecnologias e ao mundo. Mas também temos umas maiores expectativas a cumprir, pois, se não tivermos um curso superior, não vamos ser ninguém na vida, se vivermos na casa dos mais aos vinte e cinco ou trinta anos, parece que falhámos, se não tivermos um emprego, que os adultos considerem a sério, também falhámos na vida. Somos cada vez mais “controlados”, com os adultos nos medindo cada passo que damos, vendo se é o mais correto ou não, para eles atenção, pois, por vezes, o que não parece correto para os outros, para nós é o mais acertado.

 E posto isto, o que nos sobra de sermos jovens? Haverá espaço para erros e indecisões? Haverá tempo para nos focarmos em nós, e nos encontrar mos enquanto pessoas ou seres humanos? Ou somos obrigados a acelerar o passo, ignorando o que nos faz mais feliz, para corresponder ao relógio imposto pelos adultos, controlando assim o nosso tempo, sendo obrigados, e passo a citar de novo, a andar no ritmo que querem, ou no nosso próprio ritmo, sem termos tempo para saborear o nosso tempo enquanto jovens?

 Com a ansiedade e pressão, que a nossa geração de jovens tem, por vezes esquecemo-nos de viver o presente, e ver as coisas belas que a vida tem, sim porque fora das nossas bolhas de ansiedade, pressão e expectativas, temos um mundo belo e maravilhoso lá fora.

 Então, em suma, como os grandes escritores dizem, é justo perguntarmos nos se entre tantas pressões e expectativas, nos deixam ser jovens. Porque, no fundo, não é as responsabilidades que nos assustam, pelo menos a mim não, o meu medo é de tentar crescer rápido demais, olhar para trás e ver que não aproveitei nada da minha juventude, que não terei histórias incríveis para contar na velhice, e ainda, o que mais me assusta, é que, quando me tornar adulto, fique igual aos outros de agora, que tanta pressão e expectativas nos dão.

 Porque, no fim disto tudo, a pergunta que fica no ar é: “Se não conseguirmos ser jovens agora, quando é que poderemos ser?”


A época da juventude



A juventude é uma época de contrastes, por um lado é uma época onde os sonhos prevalecem num mundo cheio de possibilidades, por outro cresce as incertezas e as dúvidas. 

Entre os primeiros amores, as primeiras conquistas e a esperança  surgem as  frustrações, e a revolta de perceber que a vida nem sempre responde como esperado, que as certezas pouco duram e que o caminho nem sempre é o mais simples. A juventude constrói-se ao mesmo tempo que se destrói,  ansiamos por respostas mas a juventude também nos ensina  que muitas delas virão mais tarde quando já não tivermos a urgência de entender tudo. 

A juventude é marcada por descobertas, conhecemos novas pessoas, novos lugares, novas emoções, novos encantos e desencantos, fazemos as primeiras grandes decisões e surgem perguntas que ecoam nas mentes de jovens que dão os seus primeiros passos nesta nova época questões como, quem somos? Para onde queremos ir? O que queremos fazer? Estas são perguntas às quais não existe uma resposta definitiva, mudam com o tempo e com tudo o que a juventude traz. 

Os dias são longos e curtos, existem momentos em que tudo acontece rápido demais, como se o tempo nunca fosse suficiente e outros em que um minuto parece uma eternidade.

A época da juventude é uma tentativa e erro, ensina que errar faz parte e que não precisamos de respostas certas, pois a beleza da juventude está na incerteza do próximo passo. 

Nesta fase tudo parece possível, realizar sonhos, mudar o mundo… mas no entanto o choque da realidade traz consigo o peso da responsabilidade, aceitamos que existirão perguntas sem respostas e que a maturidade não vem de um dia para o outro é uma construção cheia de experiências, lições e recomeços. A juventude é como um livro aberto à espera que uma história seja escrita .


segunda-feira, 10 de março de 2025

A incerteza de ser jovem

 A incerteza de ser jovem


O tema “juventude” pode ter diferentes abordagens, mas todas elas remetem-

nos para a ideia de sonhos, incertezas, medos e descobertas. A vontade de

mudar o mundo, fazer mais e melhor e a coragem de novos desafios são o lado

bom de ser jovem, no entanto, a pressão feita pela sociedade, o peso de não

querer dececionar e a ânsia de encontrar rumo e futuro, são certamente o lado

menos bom desta fase da vida. Como o nome indica, a juventude é o período

onde os jovens vivem a liberdade, uma vida sem responsabilidades acrescidas

que mais tarde irão aparecer mas também uma vida em construção, ou seja, é

em quanto somos jovens que temos que nos moldar enquanto seres humanos.

Entrando num modo de comparação, os tempos juvenis de hoje em dia são e

não são assim tão diferentes dos mais antigos. No tempo dos pais e avós, a

juventude era vivida de uma forma mais subtil, onde a preocupação com a vida

futura e o trabalho a realizar já estavam bem presentes, no entanto, a diferença

a encontrar centra-se na influência das redes sociais, que não existiam na

altura. Hoje em dia, a realidade dos jovens é viverem num mundo exigente, no

qual têm de se definir e posicionar, muitas vezes sem saberem ou entenderem

o que realmente querem, vivendo com uma constante pressão de que falei à

pouco, que provém desde cedo. Pressão essa que desencadeia muitas vezes

das redes sociais e do estereótipo que é formado para um jovem nos tempos

atuais. Muitos de nós temos dúvidas e medos acerca do futuro e das escolhas

que devemos ou não fazer, medo do fracasso e da incerteza… A juventude é a

coragem de não saber tudo, mas de saber que o desconhecido é o caminho

mais fácil, onde as possibilidades podem surgir. Ela não está livre de falhas,

mas é justamente a partir dessas falhas que o crescimento acontece. È como

diz a velha frase: “é a errar que aprendemos”. Isto de ser jovem não é sempre

um mar de rosas, é mais uma luta constante com o mundo e com o nosso “eu”

interior, sendo o período onde as emoções estão mais à flor da pele e o certo e

o errado andam a par e passo. Falar de juventude é falar de incerteza, de

esperança e de uma procura verdadeira de quem somos.

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...