quarta-feira, 31 de maio de 2023

Tugas

 Os típicos Tugas. Aqueles típicos portugueses que têm todos os mesmos hábitos e fazeres. É raro o português que não saiba o que é um típico Tuga e que não o saiba imitar. 

O Tuga é aquele que não pode passar uma manhã sem beber o seu café acompanhado de um cigarro. Aquele que não deixa passar umas férias de verão sem dar um salto ao Algarve, levando tudo o que tem em casa num minúsculo Opel Corsa, apenas com espaço para sentar o traseiro. Mas o que não pode faltar no verão do Tuga são as festinhas de verão das freguesias, disso é que eles adoram e não falham nem um ano. O copinho de vinho é também algo que não pode falhar no almoço do Tuga, e para não falar dos digestivos nos finais das refeições. 

E a obsessão de boas maneiras do Tuga? "Olá, Bom dia! Tudo bem?", "Tudo e consigo também?", "Também, muito obrigada.", "Oh perdão, dá-me licença?", "Por favor!", "Faça favor!", "Fico lhe agradecido.", "Obrigada, obrigada, obrigada.", "Ora essa, não tem de quê.", "O favor é todo meu.", e ali ficam o dia inteiro. E para se despedirem? Ui, aí sim está tudo perdido, ao telefone então. "Então vá, beijinhos aí em casa também, vá, um beijinho grande, tudo de bom, xau, xau, com licença, xau, adeus, xau, xau", e com isto nasce novamente o sol. 

E, não falamos sobre o pastel de nata, também bastante conhecido por pastel de Belém? Estas maravilhas mágicas para o paladar, os protegidos dos Tugas! Devia ser ilegal um Tuga não gostar de pastel de nata, e custa-me muito acreditar que existem pessoas assim. E depois ainda inventaram aquela questão que é: comer pastel de nata à dentada ou comer pastel de nata com colher. Bem, este assunto até dava para escrever outra Crónica, não é verdade.

Como já foi referido no início, e como é bastante visível, o Tuga é um amante de café, expresso na maioria das vezes. Apreciam-no tanto que já é uma coisa tão banal que até são capazes de o usarem como desculpa para ir sair à noite, "Ah, vou ali beber um cafésinho e já venho". Pois, o típico "Já venho" ou "Vou já" do Tuga, que já ninguém suporta mas que ninguém é capaz de parar de o dizer, já se tornou num vício. Falando em vícios parvos dos tugas, que não é o que mais falta por aí, o típico "Ahm?", "O quê?" depois de ouvir qualquer pergunta ou afirmação, tendo ouvido maravilhosamente bem. Enfim.

É um ser tão único o Tuga, que por mais que digam mal dele, ele vai lá permanecer e no fundo ser adorado por todos. 


sábado, 27 de maio de 2023

Ser ignorante

 Tenho saudades dos momentos em que era totalmente ignorante ao que se passa à minha volta.

Tenho saudades de olhar para as pessoas e não saber nada sobre elas…ou que elas não saibam nada sobre a minha vida.

Tenho saudades de ser abstinente do mundo, de pensar bem de todos e não ter opiniões sobre quem eu não falo. 

De poder tomar decisões estúpidas e imaturas sem que metade do mundo saiba ou julge.

De voltar a gostar da minha própria companhia e voltar com velhos hábitos de uma criança ignorante e abstinente do mundo.


Após vivenciar o mundo real e passar por experiências que nunca serão esquecidas é me impossível voltar a ser aquela pessoa de quem sinto tanta falta… 


quinta-feira, 25 de maio de 2023

Era um homem como os demais, só que o pior de todos

 

O seu dia começa com uma paragem no café. Toma o pequeno-almoço demoradamente, não tem pressa de ir trabalhar, prefere ficar a fazer conversa fiada e a proferir mentiras durante longas horas. Lá se decide a abandonar o café e a ir para o trabalho, menos de dez minutos e está à porta das ruínas da vacaria. Atravessa as manjedouras e chega a um pátio amplo, estaciona o seu carro e prepara-se para abrir o portão da sua oficina. A manhã vai a meio, quando veste o seu fato-macaco azul, todo sujo de óleo e se prepara para fazer alguma reparação em algum carro. As ações são todas realizadas de forma muito calma e pachorrenta, permeadas por conversas com o seu ajudante e clientes que visitam a oficina, ou por vários cigarros acendidos e pisados no chão. Quando o relógio anuncia as doze horas, o pouco trabalho desenvolvido pela manhã é cessado, dando lugar à hora de almoço. Desloca-se até a algum restaurante presente numa terreola qualquer, à borda da estrada. Faz questão de pagar o almoço ao seu ajudante e a algum conhecido que encontra no restaurante, enquanto lhe conta mais piadas e mentiras. Assim se passa o tempo, até serem catorze horas e este decidir voltar á oficina e regressar ao trabalho. A tarde é uma cópia e reflexo da manhã, perdida em mais conversas, cigarros e pouca produtividade. Por vezes, volta a sair a meio da tarde para ir buscar algumas peças ou rebocar algum carro.

Uma mesa grande de madeira que improvisa de escritório, um pequeno lavatório que serve de casa de banho, um calendário com a fotografia de uma mulher nua, uma aparelhagem grande preta sempre situada na rádio marinhais, um quadro branco com a lista de caloteiros, onde em primeiro lugar consta o seu próprio nome. Tudo elementos que dão uma ainda maior peculiaridade àquele espaço. Os clientes continuam a aparecer, alguns perguntam se o carro vai levar muito tempo a arranjar, outros dizem que o carro continua com os mesmos problemas que tinha antes de ser arranjado e outros ficam a dever dinheiro pelas peças e mão de obra. De vez em quando o telemóvel toca, é alguém a perguntar se pode passar pela oficina para deixar o seu carro. Por vezes, também é alguém a pedir dinheiro para pagar o aluguer de um quarto, numa cidade sempre diferente, telefonema esse que o deixa sempre irritado. Assim se passa a tarde, até serem dezoito horas e este dar por encerrado o trabalho por hoje. Há dias em que sai ainda mais cedo e outros em que sai mais tarde, tudo depende da sua vontade e apetite laboral.

Retira o fato-macaco azul que se encontra colado ao seu corpo, despede-se do seu ajudante, fecha o portão da oficina e sai hoje pela última vez da vacaria, para retornar somente amanhã. Conduz o seu Audi a3 verde de 98, por uma estrada sinuosa ao pôr do sol, até chegar a uma pequena aldeia. O normal seria passar por esta com alguma velocidade, mas desta vez detêm-se à sua saída, acabando por parar. Uma sensação de arrependimento invade os seus sentidos, levando-o a sair do carro e ir dar uma volta pela aldeia. Percorre as ruas vazias, mergulhadas no silêncio, de forma contemplativa. Observa a sua antiga casa, que outrora tentara vender, juntamente com tantas falcatruas e trafulhices que realizou ao longo da sua vida. Tantas histórias que não se sabe se são verdadeiras ou apenas um mito. Contudo, da fama e do seu passado duvidoso, já não se consegue livrar, apesar de com a idade e o prolongar dos anos, aparentar estar um pouco mudado. Mas não o suficiente para que a indiferença e o desapego perante os outros tenham desaparecido. Findada a sua caminhada pela aldeia, regressa de novo ao seu carro e arranca a todo o gás, deixando esta para trás. Assim se passa quase uma vida, até ser tarde demais e este sem ter consciência do que realmente fez.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Solidão

 Solidão, um termo que ninguém, ou quase ninguém, gosta de ouvir...

Enquanto somos jovens podemos não pensar nisto, principalmente quando estamos rodeados de pessoas que nos fazem sentir bem e quando temos bons amigos e família. Porém algumas pessoas podem não se sentir assim se tiverem uma má experiência na escola, ou determinadas amizades que as prejudiquem. Estes pequenos fatores podem tornar a pessoa mais reservada e levar a solidão, pensar que vai viver o resto da vida sozinho, mas não é bem assim. Qualquer um de nós ja teve más experiências com amizades e, ainda assim existem sempre pessoas com quem nos identificamos e acabamos por ter boas ligações. 

No entanto, para além de nos preocuparmos com este problema no caso dos jovens, este também existe em em várias aldeias que, muitas vezes, não fazemos ideia de que existem. A solidão e pequenas aldeias é recorrente e um pouco triste, porque tratam-se de pessoas que nasceram, cresceram e envelheceram naquele sítio e aquela é a sua zona de conforto. 

Há uns tempos vi uma notícia, em que mostravam uma aldeia com apenas um habitante no concelho de Góis. Era uma senhora, não muito velha, que gostava tanto do conforto do seu lar que nunca quis abandonar a sua terra, mesmo não havendo ninguém à sua volta. Ela até dizia que não tinha medo! Isto é algo que nos faz refletir um pouco, porque se fosse alguém de uma nova geração provavelmente iria querer mudar-se para uma grande cidade onde tivessem acesso a tudo, ao contrário destas pessoas que, mesmo sozinhas, valorizam as suas terras continuando nas casas onde cresceram. 

Estes são atos corajosos, embora também tenha a sua parte má, a parte criminosa. Ao longo dos anos assistimos a vários acontecimentos em que, alguns idosos são roubados e ficam sem determinadas coisas que para eles eram significativas. Neste sentido, podem surgir problemas psicológicos que, se não forem acompanhados podem levar à solidão e estas pessoas ficam esquecidas.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Como é ser meio termo?

 

Como é ser meio termo?

 

Por mais que as pessoas lutem contra o etnocentrismo e o racismo, só quem vive na pele sabe o peso das palavras de desmerecimento e desvalorização contra a nossa cultura, o nosso corpo, os nossos valores e principalmente a nossa inteligência.

Quando se é uma pessoa preta ou branca a mensagem é direta e especifica, mas e quando se trata de mulatos?

 

Quando o cabelo não é nem liso e nem crespo, a cor de pele não é nem branca e nem preta. Ou quando as pessoas brancas dizem que no verão conseguem ficar da nossa cor, e as pessoas pretas dizem que quando apanharmos sol ficaremos igual a elas.

E nesta confusão toda onde é que a gente se encontra, neste meio termo em que a pessoa não é nem branca e nem preta.

 

Com os meus cabelos cacheados, olhos castanhos-claros e pele morena sinceramente já não me encaixo em nenhum padrão de beleza, nenhuma sociedade pois se num continente sou branca demais para ser preta e noutra sou preta demais para ser branca, na qual devo me encaixar?

 

Suponho que não devia retratar este assusto desta forma, mas é curioso que nunca tinha ouvido falar antes destas diferenças, ou melhor, destas indiferenças que poucas pessoas falam sobre e quando falam têm medo de serem julgados por algo que é notório em comentários comuns no dia a dia como:” Ah, mas você não é tão preta assim!”, “este cabelo é teu ou é peruca?”, “No verão consigo ficar da tua cor!” ficavas mais se alisasses o cabelo!”.

 

Os preconceitos das pessoas sempre vão estar em qualquer lado, e na minha perspetiva a única solução é tentar nos encaixar e rebater coma mesma moeda, penso que só assim conseguiremos acabar com o preconceito.


Digo sim ao medo

          A vida é tudo menos uma certeza. A única coisa mais certa que ela tem, como diz o meu pai, é o pagamento de impostos e a morte. Por isso, nada é mais efémero que viver, mas mesmo assim muitos, incluindo eu (pelo menos até aos 19 anos), escolhem apenas existir. É facto que somos o que vivemos. Traçamos o nosso próprio destino, navegando ao sabor do tempo, este que se apressa a chegar ao seu fim, ao nosso fim… Então, como ousamos deixá-lo esgotar-se sem nos apercebermos? A resposta não é só uma, mas no meu caso intitula-se: Medo.

          E com isto não sei bem por onde começar, pois também não sei onde irei acabar. Só sei que passei a maior parte da minha vida a viver com medo. Medo de viver, medo de morrer, medo de desiludir aqueles que me amam e me admiram, medo de não ser quem sou, quem eu penso ser, quem gostaria de ser… Vivi, então, paralisado. Vendo bem, nem vivi, passei pelos anos da minha vida, despercebido, acanhado… Passei por muitas coisas que não seriam possíveis sem medo, mas também não fiz outras, porque tive medo. O que faz isso de mim? Cobarde? Fracote? Não!

          Durante muitos anos, limitei-me a ser servo obediente do medo. Isso magoava-me, ainda hoje me magoa. Depois, fruto talvez do cansaço, comecei a tentar ser amigo do medo, mas mais uma vez, fiz um golpe duro na minha sanidade mental. Então, o que mudou? Foi alguma epifania trazida pela mudança de idade? O que fazem de mim, então, os meus medos? Os meus medos são eu e eu sou os meus medos. São eles que fazem quem eu sou, são eles que ditam que caminho escolho e, sobretudo, foram eles que me fizeram chegar onde eu estou. Eis, diante de vós, o segredo para enfrentar os medos, aceitá-los.

          Levou alguns anos, 19 para ser exato, até que desisti de desistir e passei a dizer que “sim”. Sim, tenho medo. Sim, estudo jornalismo e comunicação, mas sim, gostaria de ser piloto. Sim, estou em Portalegre, longe do meu berço e da minha cama, mas sim, tenho uma família aqui. Sim, são os meus amigos, que tive a sorte de conhecer por ter tido medo de arriscar, de ir às aulas, de viver o meu secundário. Não faz mal, porque sim, o curso é fácil, sim gosto de escrever, gosto de ser jornalista. Sim, orgulho-me disto.

          Pois bem, podia ter escolhido dizer “não” e continuar na penumbra dos meus medos, mas escolhi aceitá-los e aceitar quem sou, para assim, focar-me nas minhas virtudes, melhorar os meus pontos fracos e olhar com outros olhos para a vida, de mãos dadas com o tempo, correndo em direção ao pôr do sol, com medo, mas sem medo de ter medo.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Portugalisses

 Um homem chamado João foi multado por comer uma sandes dentro do seu carro. Ele não tinha conhecimento de que essa ação era considerada uma infração de trânsito. A história gerou indignação nas redes sociais e chamou a atenção da imprensa local, levantando questões sobre a relevância da proibição.

Um homem que sacia a sua fome, depois do trabalho, com o carro parado é multado porquê?

Porque é que nós portugueses somos tão “picuínhas” com certas coisas? Não existiam outros assuntos com maior importância para os senhores agentes tratarem?

Portugal é um país caricato, e estas situações são recorrentes semana após semanas, acho que devia haver um adjetivo no dicionário para este tipo de acontecimentos: “Portugalisses”

Estrada

Acelerando pela estrada, a aventura começou. O vento soprava pelos meus cabelos enquanto o horizonte se expandia diante de mim. Cidades passavam como cenas em um filme, cada uma com a sua história e características. Paisagens deslumbrantes desfilavam pela janela, despertando o desejo de as explorar. A música ecoava no carro, acompanhando o ritmo da estrada. Curvas acidentadas testavam a minha habilidade ao volante, enchendo-me de adrenalina. No fim, ao chegar ao destino, sabia que a verdadeira jornada foi a que vivi no caminho.

A cidade dos amores

 Portalegre, a cidade tranquila e charmosa do centro de Portugal, é conhecida pela sua baixa densidade populacional e ruas estreitas com imponentes casas. A cidade tem muito a oferecer, marcada pela sua gastronomia alentejana de que muitos adoram.

De comer e chorar por mais, desde os enchidos ao rebuçado de ovo, que muito prestígio tem nesta zona.

Uma cidade fria no inverno e extremamente quente no verão. Para o frio lenha na serra de São Mamede não falta, para o calor, existem opções como o Pêgo do Inferno, um paraíso natural, recheada de monumentos,  como a majestosa Sé, recentemente restaurada, até a antiga fábrica da Robinson, agora abandonada.

Embora a cidade possa parecer quieta em comparação com outras cidades, há uma vibrante comunidade de estudantes que trazem vida e energia para Portalegre. Alguns chamam a cidade de "cidade dos amores", talvez porque o amor procure a serenidade, segurança e paz que Portalegre oferece.

A cidade é um lugar onde as pessoas se apaixonam, desapaixonam, constroem famílias e amizades duradouras. Os estudantes que vêm de aldeias e cidades próximas muitas vezes chegam desinteressados, mas partem com lembranças e recordações que duram para sempre. Portalegre é uma cidade intensa e cheia de história, que une laços e forma paixões.

Portalegre é uma cidade que pode ser subestimada, mas não é facilmente esquecida. Com seu charme tranquilo e história rica, ela atrai e conquista os corações de muitos. "Levo este amor para toda a vida, levo não consigo esquecer", uma expressão que descreve bem o amor que muitos têm pela cidade de Portalegre.

Fute

 

No campo verde, corações aceleram e suor cai em gotas de dedicação. O desporto, uma sinfonia de força e paixão, une mentes e corpos em busca da superação. Cada movimento é uma dança coreografada, uma expressão de habilidade e determinação. Nas bancadas, o rugido da multidão faz-se ouvir, alimentando o fogo dos atletas. Gritos de vitória e lágrimas de derrota se entrelaçam, mostrando que o desporto é um espelho da vida. Nele, aprendemos lições de resiliência, trabalho em equipa e fair play. O desporto é a celebração do corpo, da mente e da união humana.

As sutilezas que levam à cama

Existe um tabu acerca de algo natural. Uma bolha de vergonha e reclusão que se formou ao redor do nosso mais velho instinto, algo que cresce na maioria de nós. Essa bolha estendeu-se e agarrou geração após geração, e o elefante na sala tornou-se um meteoro em um átomo. Todos sabem que está lá, todos sentem a presença, a tenção, todos são pegos por isso alguma vez, mas todos parecem se envergonhar.

Sim, eu falo sobre o sexo. Esta palavra parece tão reservada para momentos particulares que, enquanto escrevo essa crónica pesquisei algumas vezes sinónimos para essa palavra. Parece que não há um ponto de equilíbrio que se possa encontrar para falar sobre este assunto. Parece que não há um consenso, um tratado silencioso que deixe todos confortáveis. Alguns maníacos distorcem e excitam-se com tudo, outras pessoas sexualizam quase todas as situações, e outros, para combater essa hipersexualização fingem que o sexo simplesmente não existe. Esses últimos restringem os atos apenas entre quatro paredes, se tanto.  Digo “se tanto” porque muitas vezes esse tabu persegue os casais até suas camas, e tornam o momento em algo ditado pela sociedade, como se houvesse um júri popular a volta das suas camas a constatar se o que ali acontece é muito fora do convencional. Não deveria existir medo do julgamento se todos os envolvidos se satisfazem com o que estão fazendo. 

O sexo começa muito antes do toque propriamente dito, e é exatamente essa parte que me faz agora escrever. É engraçado analisar, em uma sala cheia de pessoas, o que elas fazem para se conectarem com alguém, para atrair alguém. É engraçado ver as estratégias, as armadilhas psicológicas. Essa é a parte mais instigante e intrigante. Esse processo pode ser muito doloroso de assistir quando o flerte de alguém é tão ruim que envolve piropos extremamente batidos e conhecidos, mas existem situações que são excecionalmente interessantes de se observar. 

Refiro me ao toque entre os dedos quando alguém vai entregar um objeto para a pessoa por quem se interessa; o rapaz que trança os cabelos da “amiga” durante a aula; ao som audível do gaguejar de uma pessoa em frente à outra, o som que deixa claro que o seu cérebro ficou tão confuso e excitado que simplesmente desligou; a massagem que um amante faz ao outro, que está passando por um dia cansativo; ao esforço dos país para colocarem os seus filhos para dormir mais cedo, uma estratégia desenhada em silencio nas trocas de olhares durante o jantar em família; ao "eu te amo" dito em um sussurro, ao pé da orelha, que silencia a multidão ao redor; à duas "amigas" que tocam a coxa uma da outra, em baixo da mesa, escondido dos país; ao olhar entre o barman e o cliente que quer muito mais do que uma bebida, e que confia no funcionário a sua frente para fazer escolhas muito além do que colocar no copo. Em todos esses momentos nota-se a caça, o prazer pela conquista, a busca pela adrenalina.

Claro que tudo isso só pode ser visto como interesse quando ambas as partes querem, e quando tudo ali é consentido, seja em palavras ou em silencio. E nós conseguimos ver, nós conseguimos sentir o ar começando a pesar com as respirações quentes e ofegantes. Nós conseguimos sentir, mesmo como observadores, a atmosfera que se reserva apenas para dois, mesmo que cercados por outras pessoas. E então podemos ver como cada uns dos olhares parecem projetar quem eles irão se tornar quando estiverem os dois completamente sozinhos, e o que eles vão fazer. Os olhares atravessam as salas sem pudor nenhum, e nós fingimos não perceber. 

terça-feira, 16 de maio de 2023

Idas ao Algarve

Sempre que vou ao Algarve é a mesma coisa! Sinto falta da época em que vivia naquela cidade que quase ninguém conhece por ficar perto da cidade capital de distrito e onde considerava que era feliz mas não tinha noção disso. As pessoas custam dizer “Aproveita o momento e o sítio onde estás, porque daqui a amanhã podes ter que sair daqui” e acho que nunca dei tanto valor a essa frase como atualmente.

Nunca pensei que me custasse tanto ir ao Algarve, sabendo que a viagem era de pouco tempo. Custa sempre a partida, por muito que saiba que no verão já lá estou outra vez. Deixar as pessoas que mais gostamos e não podemos estar! Abraçar todos os dias dói.

Adoro ir ao Algarve, ir até a famosa ria formosa e apreciar a beleza o por do sol que tanto adoro. Ir ao Algarve também é sinônimo de estar com amigos, ir beber um café e colocar a conversa em dia, saber de acontecimentos que só causam um certo impacto quando é contado pessoalmente. Ir ao Algarve é ir aos meus sítios favoritos, lugares esses que me viram crescer, mesmo que seja só por umas horas.

Mas a parte pior é ir até ao terminal rodoviário de Faro e ter que dizer adeus a todo aquilo que me prende lá. Dizer adeus a família que lá tenho, mesmo sabendo que depois da viagem vou estar com outra parte da família. Nada é fácil nas idas ao Algarve e o que é mais difícil é dizer “Não é um adeus, é um até já”.

Praia

 

Praia

Para muitos significa muito, para outros tantos não significa nada. Para mim, a praia é um refugiu, o meu lugar favorito. Estar na praia traz me paz, é uma sensação inexplicável que me faz sentir bem, esqueço todos os problemas e é sem dúvida um lugar incrível. O azul do mar e o seu cheiro, sentar-me na areia e pensar sobre tudo, deitar-me na minha toalha durante o verão e aproveitar tudo aquilo sem ter de me preocupar com nada, ouvir as gaivotas, as conversas de estranhos, de amigos e família a dizer “vamos à água” ou a típica frase “mete protetor senão apanhas um escaldão”, passar mais tempo dentro de água do que fora dela, jogar tanto à bola que saio de lá com os pés todos vermelhos e doridos mas na verdade não me importo, até é algo que me dá prazer e sei que no dia seguinte, e no próximo e no seguinte irei fazer exatamente o mesmo sem me cansar pois tudo aquilo é incrível. Podia passar a minha vida toda na praia que nunca me iria fartar e, se há algo que gostava muito era de viver perto dela, ir passear todos os dias à beira-mar, sentir o cheiro do mar e o simples facto de olhar para o mar e me acalmar e esquecer tudo, todos os problemas e dificuldades da vida, não dá mesmo para explicar e se há coisa que não percebo bem são as pessoas que não gostam de ir à praia, é claro que cada um tem os seus gostos mas é algo que eu nunca vou perceber e sinceramente acho que nem quero perceber. Há muitas mais coisas que podia falar aqui e uma delas que vou abordar é um desejo que sempre tive, de facto acho que todas as pessoas que gostam de praia desejam… trabalhar numa praia, quer seja num bar, quer seja como nadador salvador ou até mesmo ajudar a limpar as praias e, na verdade ainda não perdi essa esperança.  Há tanto para falar sobre este bonito lugar, lugar este que nunca me irei fartar, sei que por muitos anos que passem será para sempre um lugar que me diz muito e me traz uma paz de espírito gigante. 



Catarina Chenrim Novo  

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Cemitério

 

Mais um dia em que vou ao cemitério. Em que abro aquele portão preto enferrujado e dou de caras com dezenas de campas, que permanecem imóveis naquele chão de terra batida. Imóveis às estações, às intempéries, aos anos. Ponho-me a observá-las de perto, umas estão repletas de flores e com a lápide, onde consta a fotografia e algumas informações sobre a pessoa falecida, bastante nítida e límpida. Outras têm as flores todas murchas e gastas do sol, as lápides sujas e impercetíveis, ou então nem sequer têm flores ou lápides, são apenas um mero amontoado de terra castanha. Ponho-me a ler os nomes e as datas de nascimento e de falecimento. Não consigo deixar de imaginar a vida que todas aquelas pessoas tiveram, no que os seus familiares sentiram e o que podia ter acontecido, se não tivessem partido naquele exato momento. Mas, na realidade, isso nada importa, elas já não existem. Os seus corpos, as suas poeiras e as suas auras, desapareceram para toda a eternidade.

Mais uma vez em que venho ao cemitério. E não é por ser dia 1 de novembro, o único dia em que todos aqui vêm e se relembram. Nem porque gosto de vir aqui, passear pelas campas e observá-las. Que estranho e mórbido isso seria. Venho aqui porque me obrigam e arrastam até aqui. Venho aqui porque, de certa forma, necessito de vir aqui. Necessito de observar aquela campa em específico, toda repleta de flores e a sua lápide límpida e nítida. Ficar diante dela, imóvel e inerte, sem conseguir pensar em nada concreto. Um entorpecimento percorre o meu corpo, deixando-me atordoado. O caixão de madeira cedeu com o peso da terra, o corpo cedeu com a decomposição exercida pelo tempo. É sempre o que acabo por pensar, eventualmente. Quanto tempo passou realmente, desde aquele dia fatídico? 2 anos? E quanto mais tempo irá passar? 5 anos? 10 anos? Uma vida inteira? O que é que mudou realmente? Provavelmente nada. O que ela iria dizer se me voltasse a ver novamente? Que tinha orgulho em mim e para sorrir mais. O que é que eu aprendi com tudo isto? Absolutamente nada, continuo o mesmo ignorante de sempre, com os mesmos hábitos de sempre.

Passaram apenas uns 5 minutos, desde que estou ali imóvel, em frente àquela campa. Viro-lhe as costas e volto a fitá-la ao longe, como sempre faço. Fecho aquele portão preto enferrujado e vou-me embora, mas a sua presença e memória nunca me abandonam. Dou por mim nos dias de semana, à noite e no silêncio do quarto, a olhar para uma fotografia tirada no dia de Natal. Nas noites de fim-de-semana, a assistir filmes maternais e a ver álbuns inteiros de fotografias, que vão desde a lua de mel até ao meu nascimento. Dou por mim a chorar copiosamente na escuridão da madrugada, a mentir de forma compulsiva aos meus amigos, dizendo que ela ainda existe, a não conseguir seguir em frente. Dou por mim a ir ao cemitério.

terça-feira, 9 de maio de 2023

Será que o Alentejo é esquecido?

Ja pararam para pensar a quantidade de notícias que vemos pu ouvimos, em órgãos de comunicação nacionais, sobre o interior? São poucas, infelizmente...

Como todos sabemos existe aquilo a que podemos chamar desertos de notícias na zona interior do nosso país. Isto é algo negativo, deveria haver pelo menos uma quantidade relativamente igual de notícias acerca do norte, do litoral, do interior ou da zona sul do país, mas isso não acontece. 

É evidente a centralidade de notícias nas zonas Lisboa e Porto pensando-se que é onde tudo acontece e que, no caso de Portalegre, é um sítio onde não ha acontecimentos, não nada para noticiar porém não é verdade. Sei que também é difícil para os meios mais pequenos, como no interior, conseguir sustentar uma rádio ou um jornal financeiramente, mas existem vários meios precisam de mais jornalistas porque os que têm muitas vezes têm que fazer todo o trabalho que, numa grande redação, não fariam, provavelmente estariam apenas num setor. 

Acho que este fator é um incentivo para os hovens que querem ingressar no curso de jornalismo e que querem ser jornalistas, pois podem apostar nestas regiões que têm poucos jornalistas e também apostar no digital que por vezes é esquecido ou é quase impossível dominar, visto que não têm pessoas suficientes para tudo. 

Por isso acho que deveriamos pensar no monento em que quisermos estagiar, por exemplo, em conhecer estas regiões que precisam e apostar nelas, até porque pode ser uma boa escolha para aprendermos mais sobre e poder ajudar.




segunda-feira, 8 de maio de 2023

Amor-próprio

 

Todos os sábados saio para passear, espairecer e ver o pôr de sol, e esta semana não foi diferente, sempre vou á fonte dos amores que fica por de trás do museu de tapeçaria.

 

Os fins de semana em Portalegre são sempre calminhas, a maioria dos estudantes que vão todos para casa, e por isso não há tanto movimento como num dia útil. Num certo dia acordei muito triste e desmotivada, fiz os trabalhos todos da faculdade, limpei o quarto e fiz as minhas marmitas da semana e ao fim do dia optei por ir ver o pôr do sol.

 

Ao chegar, deparei-me com um grupo de pessoas estranhas, que nunca nem se quer os tinha visto em Portalegre, não quis me aproximar e nem me envolver, sentei-me no muro e liguei os meus fones. De repente ouvi alguém a chamar por mim, tirei os fones e quando virei para trás vi que era o António, um amigo que tinha conhecido na faculdade e que por acaso também frequenta o mesmo ginásio que eu. 

Um rapaz padrão, alto, musculoso e de olhos azuis, um tipo bem peculiar e que chama a atenção, conversamos sobre as aulas, sobre a alimentação, sobre suplementos e sobre o meu plano de treino.

 

Entre as idas e vindas das conversas sobre coisas que certamente uma pessoa normal não percebia, o António tocou num assunto que é um dos meus pontos fracos, sem ter um porquê obvio ele agarrou a minha mão e começou a falar de sentimentos de amor e que estava apaixonado por mim e que queria saber se os sentimentos eram correspondidos. levei um susto, parei por um instante e, porque por mais que eu tinha uma paixoneta por ele, não estava à espera daquilo, mas mantive a postura por um instante parei para pensar, e na verdade não há nada que me impeça de viver mais uma aventura. 

 

E depois de um boa e longa conversa optamos em ficar no sigilo para nos conhecermos melhor, de entre encontros de desencontros se passaram três meses e decidimos que afinal, não tínhamos tanta coisa em comum, e optamos em seguir caminhos diferentes.

 

Os passeios nos sábados mantiveram, a companhia é que não.

Passei a gostar e apreciar a minha própria companhia, sem depender de ninguém e no final entendi que pessoas são passageiras nas nossas vidas, e o importante é nunca me perder de mim mesma, porque as pessoas entram e saem das nossas vidas, mas no final ficamos sempre sozinhos.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

Quem sou eu

 

Até hoje não tenho resposta para a questão “quem sou eu”.

Recentemente disseram que eu não sou a pessoa que eles pensavam que era…mas o que tenho eu a ver com isso? Nem eu sei quem sou quando mais tu saberes.

Mas a verdadeira pergunta é: alguém sabe quem realmente é?

Eu acho que não…se estiveres com o teu namorado não vais agir da mesma maneira que ages com os teus amigos ou familiares, se estiveres num ambiente desconhecido não vais agir da mesma maneira que ages num ambiente familiar.

Assim acredito que nós nunca vamos saber quem realmente somos e se agora me perguntarem quem eu sou…a minha resposta vai ser “depende”, depende de quão à vontade estou no ambiente, depende do que sinto por ti e também depende dos problemas que enfrento. 


Quem sou eu depende de tudo. 


quinta-feira, 4 de maio de 2023

Tempo

 Acordo irritada, em algum dia no ano de 2022, o alarme não desliga e eu estou demasiado bêbada para o fazer sozinha. Respiro fundo e abro os olhos, engulo a ânsia de vômito que invade a minha garganta, luto contra o resquício de luz que entra pela minha janela e desligo a porcaria do despertador. Sinto o mundo a girar, as paredes multiplicam-se e replicam-se. Desisto e fecho os olhos. Meu cabelo cheira a tabaco, e consequentemente o resto do meu travesseiro pegou o cheiro. A minha cama parece um navio que naufragou (na madrugada passada), e agora os destroços se mexem enquanto atravessam uma maré nauseante.

Após um tempo de preparo psicológico, sinto me pronta para sair da cama, ou pelo menos me convenço de que estou pronta. Os meus avós estão a minha espera para almoçarmos na casa de amigos. Tento organizar as coisas na minha mente, preparo cada passo antes de os dar, para que eu não piore o que já está mal. Primeiro sento-me na cama, observo as minhas roupas espalhadas pelo chão, e amaldiçoo-me. Levanto e vou contra a porta do guarda-roupa, é isso o que acontece quando se mistura pressão baixa, alimentação ruim e remédios para dor de cabeça, tudo no mesmo copo, goela abaixo.

Saio do meu quarto e vou direto para o banheiro, atiro-me na água quente, o que contradiz a teoria do banho gelado, que os filmes me disseram que os bêbados fazem. Todo meu banho sem abaixar a cabeça, sem olhar para o chão. Experiencio o sabor da noite passada, ainda alojado no céu da minha boca. Saio do banho, fecho os olhos contra qualquer luz, visto a roupa mais ajeitada, novamente evitando a todo e qualquer custo olhar para o chão. Vou escovar os dentes e arrumar meu cabelo, e olhando para o meu reflexo deparo-me comigo, não sinto vergonha, pois eu faria tudo de novo, mas sinto medo, medo de precisar fazer isso sempre para sentir alguma coisa.

Encontro meus avós na sala de casa e digo-lhes que estou pronta. Não os abraços para eles não sentirem o cheiro de tabaco no meu cabelo. No carro, em direção à casa desses amigos, sinto como se o carro estivesse a se equilibrar em uma corda bamba enquanto pula de trampolim. Ao chegar lá sou obrigada a abaixar a cabeça para abraçar uma criança, e depois obrigo-me a comer a comida, pois ela foi especialmente feita para a minha dieta vegetariana. Sorrio para os nossos anfitriões com a certeza de que cada dente meu esconde uma vontade absurda de vomitar.

Hoje, maio de 2023, lembro-me disso, sei que sobrevivi a esse dia, e a boa notícia é que não vomitei nesse dia. Não aguentei toda a comida, mas eu disse que eu estava cheia e pedi para que me deixassem levar as sobrara para comer em casa. Sei que sobrevivi, e não me arrependo do que fiz. Me arrependo de poucas coisas, e minhas noites de bebedeiras não são uma delas. Todas essas noites, as pessoas que conheci e os lugares pelos quais passei, me trouxeram a esse exato momento.

Escrevo essa digressão ao meu passado ao lado da minha mulher. Uma noite de primavera, o vento fresco invade a janela e faz tremer a luz da vela. O cheiro da essência “Oceano” posta sobre a vela espalha-se pelo quarto. Minha menina está ao meu lado, a fazer anotações relativas à sua faculdade. Nossos pés tocam-se, e cada uma está distraída nas suas próprias responsabilidades. Nesse momento eu fecho os olhos e começo a escrever sobre como era minha vida há um ano atrás, tudo isso para dizer que ela e o tempo me trouxeram um sentimento de genuína felicidade e maturidade. Ela poupou-me das noites à procura de corpos, ela me salvou dos cheiros misturados no meu cabelo, e impregnou as minhas narinas no cheiro do seu pescoço, ela me fez reaprender a estar feliz sóbria, a aproveitar os dias, e principalmente, ela me ensinou a amar.

E o tempo ensinou-me a perdoar, e que, mesmo admitindo isso a contragosto, algumas pessoas realmente mudam e evoluem. Claro que esse processo esbarra sempre nas nossas próprias limitações, mas vale o esforço mudar e evoluir para manter as pessoas que nós amamos nas nossas vidas. O tempo também trouxe a idade, entrei na faculdade, meus amigos foram para longe e é quando olho pra trás e digo “sorte a minha de ter feito tudo aquilo”. Não só não me arrependo como também me orgulho. Me orgulho porque as náuseas do dia seguinte me ensinaram a beber somente por apreciação, os corpos esbarrando-se uns contra os outros me ensinaram que prefiro ter meus amigos em espaços confortáveis e aconchegantes, as madrugadas de friagem na rua me ensinaram a apreciar os braços quentes que me abraçarão essa noite.

Isto não é nada mais do que a passagem do tempo, uma clara dissertação sobre a nossa evolução, alguns levam 10, 20, 30 anos, outros são completamente consumidos pelo passado e ficam presos lá. Mas eu tive sorte, ela me tirou do limbo em que eu vivia, da repetição constante de traumas passados. Isto nada mais é do que a vitória do tempo sobre as nossas amarras. 

Pastel de Nata


Provavelmente este é dos textos mais prazerosos que eu alguma vez concebi. Escrever sobre pasteis de nata é quase tão bom e agradável como comer um. Todas as semanas faço questão de comer dois ou três. Mas a grande questão que se coloca e que muita gente me faz é, o que é que tem de especial? E eu respondo. Tudo. Basta lembrarmo-nos da sua massa folhada estaladiça e tostada e, depois da minha parte favorita, o recheio. O delicioso e cremoso recheio a escorrer quando trincamos o doce. É algo mesmo único.

Quando pensamos em pastéis de nata é inevitável não nos lembrarmo-nos da famosa casa dos Pastéis de Belém, em Lisboa. Fundada em 1837, a casa dos Pastéis de Belém é uma das casas de doçaria mais famosas em Portugal. Muito conhecida graças ao seu grande segredo, a misteriosa receita dos pastéis de Belém que os tornam tão únicos.

Mas, embora a casa dos pasteis de Belém seja uma referência a nível nacional e mundial, os meus pastéis de nata prediletos não são os pastéis de Belém, mas sim os da Pastelaria Alcôa, em Alcobaça. Sem dúvida alguma são os mais deliciosos que alguma vez provei.

Uma das coisas que mais me recordo da minha infância é quando estava com a minha avó e, ela levava-me a uma pastelaria ao cimo da rua de comércio em Portalegre que, hoje em dia, infelizmente já não existe e eu pedia sempre a mesma coisa. Um pastel de nata e um compal de pera. Naquele momento, sentia-me a criança mais sortuda e feliz do mundo.

Para as pessoas que ainda não provaram este doce português, peço que o façam o mais rápido possível, pois vão ficar rendidos. O pastel de nata é um tesouro gastronómico que merece ser apreciado por todos.

 

 

Daniel Pereira



quarta-feira, 3 de maio de 2023

Nostalgia de verão

 

Verão, a melhor altura do ano, estamos sempre muito ansiosos para que ele chegue.

Podermos ir para a piscina e para a praia com os amigos e familiares, estamos de férias e não temos de nos preocupar com as aulas.

Quando era mais nova, era sem dúvida muito mais excitante do que é agora, eram tempos diferentes, não que agora seja mau, mas antes era melhor. Acordar e saber que não tinha de ir para a escola, saber que ia passar o dia todo a brincar com os vizinhos e que só ia a casa no caso de ter mesmo muita sede, pois muitas das vezes, se entrasse já não voltava a sair porque os pais achavam que era tarde e que estava há demasiado tempo na rua, tudo isso era fascinaste e muito divertido. Saía de manhã e íamos bater à porta uns dos outros para brincar, todos os dias as brincadeiras eram iguais, jogar às escondidas, jogar wii, fazer lutas e até mesmo jogar ao quarto escuro por exemplo, era algo de que nunca nos fartávamos; passávamos a manhã nisto e depois chegava a hora do almoço, só queríamos almoçar para depois da digestão podermos ir para uma das piscinas, um dia na casa de um e o outro na casa de outro… o verão era sempre assim, algo radiante e algo que nunca nenhum de nós se irá esquecer pois fez parte da nossa infância.

Hoje em dia é diferente, continuamos a sair para a rua todos juntos no verão, agora somos mais, mas continua a ser bastante engraçado e é muito bom recordar o que fazíamos há 10 anos atrás; agora falamos dos problemas da vida, jogamos ás cartas, bebemos uns copos, mas acima de tudo continuamos a gostar de estar uns com os outros e a recordar aqueles bons momentos que passámos juntos, tempos que não vão voltar mas que nunca serão esquecidos.



Catarina Chenrim Novo 

Pressão de ser perfeito

 Na sociedade atual, há quem se compare com outra pessoa, pois acha que não é “perfeita” ou não se encaixa na atual sociedade que ainda coloca padrões tão desnecessários.

Hoje, enquanto estava no autocarro, duas raparigas iam a conversar e percebi-me que naquela conversa toda, algo não me suava bem, foi então que percebi que elas estavam literalmente a comparar-se uma com a outra e foi ia que percebi que nós, raparigas e também muitos rapazes, comparamo-nos como bonecos, como se todos tivéssemos que ter um iphone, ou uma mala de uma marca cara, ou até a coisa mais banal, roupa de lojas famosas.

A verdade é que as comparações que fizemos são causadas não só pela sociedade que tem um padrão de beleza, como pelos nossos amigos, que pensam que ao dizerem “Devias emagrecer um bocado”, ou “Devias mudar o teu estilo e começar a comprar a tua roupa na mesma loja que nós”, não estão a magoar alguém  e de inicio até podemos pensar que não mas depois começamos a interiorizar o que essa  pessoa disse e, por conseguinte pensamos que temos que mudar e que eles têm razão.

Mas a outro grande responsável por essa pressão em se ser perfeito, os nossos pais, visto que, muitas vezes nos comparam com o nosso irmão/ irmã, com a filha daquela amiga que não veem a muito tempo ou até com o filho/ filha da vizinha.

A pressão em se ser perfeito vem até dos lugares que nós menos esperamos e a verdade é que pode levar muitas vezes, a ansiedade e até bipolaridade por parte de quem se sente inferior. É necessário pensar-se neste tema da pressão e ter-se noção que nem todos temos os gostos e é ok gostamos de coisas diferentes e termos estilos diferentes, porque se fossemos todos iguais qual seria a piada de existir vida e de existirmos enquanto seres humanos??

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...