quarta-feira, 14 de junho de 2023

Costa da Caparica

    Quando fecho os olhos e penso nas minhas férias de verão, o lugar especial e cheio de memórias que vem à minha cabeça, é a Costa da Caparica. Mal vejo o mar da Costa, uma sensação de paz e de tranquilidade preenche o ar. Localizada no município de Almada, a poucos quilómetros de Lisboa é um verdadeiro paraíso para quem ama o mar e o sol.

    Este destino, foi sempre a escolha predileta dos meus pais para irmos passar férias e foi sempre o refúgio que anseio durante o ano todo. À medida que a carrinha do meu pai se aproxima da Costa, consigo ouvir as ondas a chamarem-me, sinto logo aquele cheiro inconfundível e agradável a maresia. De repente o meu pai coloca a música “Sol da Caparica” dos Peste e Sida, e lá vamos nós, todos dentro do carro a cantar aos altos berros ao som da música, sabendo que aquilo é só início de mais umas férias fantásticas.

     Lembro-me bem das minhas primeiras aventuras na praia, quando era mais pequeno só queria construir castelos de areia com o meu irmão, no momento em que ia para o mar, lembro-me de estar de mão dada com o meu pai à espera de que a onda viesse e, nesse mesmo momento ele dizia. Salta! Era sem dúvida alguma a criança mais feliz do mundo. 

    Conforme fui crescendo, as minhas experiências na costa evoluíram. A minha mãe inscreveu-me numa escola de surf, aprendi a surfar e nessa altura, as ondas do mar tornaram-se muito especiais para mim. A adrenalina de apanhar uma onda é a maior sensação de liberdade.

    Os dias eram sempre muito preenchidos, desde ir para a praia logo de manhã, bem cedo. As tardes eram reservadas para ir passear a algum lugar que não conhecêssemos ali perto. À hora de jantar e à medida que o sol se punha, a Costa transformava-se num lugar mágico, onde de um lado tinha uma paisagem encantadora para o mar e para um céu deslumbrante e do outro, os sorrisos únicos da minha família.

    No final das férias, custava-me imenso saber que tinha de deixar aquele lugar especial. Todos anos saía de lá com um pedacinho da Costa da Caparica no meu coração e esperava ansiosamente pela próxima vez.


Daniel Pereira

Aqueles olhos castanhos

    Era o primeiro dia de aulas do último ano do secundário. Tudo parecia normal. Era mais um ano letivo, mais um ano com os colegas que já trazia dos anos anteriores. No fundo, era só mais um dia de escola sem grandes novidades. Pois bem, ainda bem que não foi assim. Quando subo as escadas em direção à minha sala de aula e espreito para o fundo do corredor para ver se vejo alguém à porta, deparo-me com uma rapariga que não conhecia. Estava com cabeça baixa e mãos cruzadas, parecia ansiosa e muito misteriosa. Com curiosidade, chego perto, digo olá e pergunto quem ela é. De repente, levanta a cabeça, olha para mim e naquele momento tudo para. Tinha os olhos mais encantadores que eu alguma vira. Eram castanhos e enormes, o seu olhar tinha um brilho inexplicável que naquele momento me transmitiu a maior das felicidades. Em seguida, soltou um sorriso, cumprimentou-me, disse o seu nome e explicou-me que era nova na escola e que tinha ficado na minha turma. Ficamos a falar até o resto do pessoal chegar. Apresentei-a a todos, expliquei a situação, pois ela estava muito envergonhada. Posto isto, fomos para a aula e sem dúvida alguma foi a melhor aula de matemática que alguma vez tive. Só pensava naqueles olhos, naquele momento, naquela maneira meiguinha de ser que me deixou tão encantado. Nunca tinha ficado com tanta curiosidade sobre alguém, com tanta admiração, com tanta fascinação e por outro lado, com tanto nervosismo. Como é que uma simples conversa de cinco minutos me tinha deixado naquele estado? Em nenhum momento da minha vida tinha ficado assim por alguém. No fundo, eu sabia bem o porquê, sabia que estava ali alguém que no futuro me ia dizer muito e com a qual imensas histórias iriam surgir.


Daniel Pereira

terça-feira, 13 de junho de 2023

A magia da música

 

               Há algo mágico na música que transcende todas as barreiras do tempo e do espaço e assim, consegue encher as nossas vidas com melodias e ritmos que ressoam nas nossas almas.

Quando mergulhamos no universo da música, percebemos o quão profundo este é. Cada género musical tem a sua própria identidade e cada um, à sua maneira, faz despertar os mais diversos sentimentos. Desde as notas suaves do jazz e do soul, às histórias que o hip-hop nos conta, à energia “caótica” do rock ou até mesmo à positividade do reggae, cada estilo oferece uma experiência única.

               No momento em que coloco os fones nos ouvidos, o mundo à minha volta congela por completo e fico com a sensação que embarquei numa viagem de barco sem qualquer destino definido. O mais incrível nessa viagem é que acabo por sempre relembrar momentos do passado e pessoas que me dizem imenso. Um amor perdido, uma aventura inesquecível ou momentos de alegria com as pessoas que mais gosto. Cada verso, cada acorde, têm o poder de transportar o meu coração para lugares tão bonitos e únicos. De repente, há uma mensagem, há alguém a chamar-me ou há algo que me distrai e infelizmente, a viagem termina. Porém, sei que aqueles minutos que estive no meu canto foram ótimos e serviram para refletir, para sorrir, para chorar ou até mesmo para matar saudades de alguém ou de algo.


Daniel Pereira

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Risos Irrisórios

 A comédia e o humor estão sempre sujeitos a um escrutínio forte e um julgamento constante, mas o que é certo é que desde um arrepio a uma gargalhada ou um choro de emoção, as sensações não são algo que consigamos controlar, ou pelo menos a 100 por cento.

As criticas referentes ao humor andam maioritariamente à volta do que é ou não correto, do que ofende ou do que não ofende, e no fundo do que é ou não aceitável.

Há coisas com que não se brinca ou não se deve brincar?

Como esta questão não tem uma verdade indubitável ao estilo dos dogmas, em teoria fica mal tomar uma posição concreta ou assumir-mos a verdade de alguém como nossa também, porque é feio.

Vivemos na era da superficialidade, onde as dores surgem por todo o lado, e graças a isto também é certo que o humor viveu dias mais plenos do que os que atravessa atualmente. O humor teve seguramente dias mais livres (ou sossegados) do que os que vive agora. Hoje em dia é facílimo olhar-mos para um skecth dos Monthy Pythons, dos Gato Fedorento ou do Herman e soltar-mos aquele “ Se isto fosse feito hoje em dia, a confusão que não dava.”

Grande exemplo disso é o próprio Herman José, quando por volta de 1986 realizou um sketch onde satirizava diversas figuras históricas e já na altura foi altamente enxovalhado pelos recetores. Foi defendido pelo professor José Hermano Saraiva, um historiador conhecidíssimo na área televisiva, que havia sido ministro do regime de Salazar, regime esse que bem conhecemos atualmente por suprimir diversas liberdades, entre outras grandes alegrias que a ditadura trouxe ao nosso pais.

Uma figura preponderante e imponente da época do estado novo, da antiga direita a defender um comediante pelo seu direito de dizer o que bem lhe apetece. Um homem

Para a pergunta dos limites do humor (a mais clichê de que me lembro) as visões oscilam, as opiniões são dúbias e as contradições nas mesmas. Puxa-se sempre pela cartada do “ a liberdade de uma pessoa começa quando acaba a do outro e blá blá blá blá…

Mas os supostos limites devem ser similares, andar de mãos dadas, com os limites da liberdade de expressão. Para além disso , a partir do momento em que alguém esboça uma reação risonha perante uma suposta piada o conteúdo desta não deve ser esmiuçado criticamente.

Dado os “não limites” que o humor tem (ou deve ter) , devia ser criada, similar a uma ERC  a ERH (Entidade Reguladora do Humor). Só resta mesmo chamar os politicamente corretos do costume para montar a autoridade, mas até numa questão como esta, ( que se abrirmos os olhos com alguma força é bastante simples) os supra sumos da moralidade iam discordar.

O que é certo é que de qualquer das maneiras, se a piada for sobre espátulas ou por exemplo sobre candeeiros, vamos ter sempre que esperar a chegada da associação portuguesa dos utensílios de cozinha e da associação portuguesa dos apetrechos fornecedores de luz para dar o seu parecer.




Eu sou de rabo de peixe, mas não tenhas medo


 Rabo de Peixe, a nova sensação da Netflix


A série que está a fazer furor na Netflix é motivo de prestígio e orgulho para todos os portugueses, mas será que é mesmo boa, ou é só boa por ser Portuguesa e por nunca termos tido nada do género?

Em termos de produção cinematográfica a série está excelente, em termos de história, guião e personagens está mesmo exímio, sem erros.

Mas a Netflix tem inúmeras séries boas, o que faz desta especial? É por falar de droga? Já existem séries como Breaking Bad e Narcos... No fundo dizer que o português critica tudo, mas muitas vezes tem pálas como os burros para ver um só caminho. Aqui o caminho é falar e elogiar a série, sendo que existem outras produções inclusivamente portuguesas em que não existe este reconhecimento todo. 

Elogiam-se atores como José Condessa como se o mesmo tivesse feito apenas este trabalho, como se anos e anos de trabalho fossem esquecidos.

A própria área de Rabo de Peixe nem está representada linguisticamente, onde está o sotaque açoreano carregado? A Netflix tem legendas.

Há que dar mérito ao Pêpê Rapazote pela interpretação do Uncle Joe, uma imitação do Pai do Jonh B de OuterBanks. Que mais depressa falou o idioma inglês que apareceu na série que o sotaque rabo-peixense, talvez por ser de mais fácil interpretação.

Incoerência Coerente

Acho que desde que resido neste planeta, o conceito de “bitaite” sempre existiu. Contudo, todavia e não obstante, com a chegada massiva da internet o tão conhecido bitaite saiu das tascas e das aldeolas e entranhou-se na cultura da galáxia internet, sofrendo também várias ramificações.

Numa das ramificações meio rebuscadas que o bitaite ganhou, surgiu a conhecida cancel culture, ou cultura do cancelamento, no conhecido tuguês tradicional.

A capacidade de indignação e insatisfação constante do ser humano nem sempre resulta em atitudes violentas ou revoltas generalizadas. Por vezes há conceitos similares a este. Conceito este que é uma embrulhada por si só.

No fundo a cancel culture é uma afaga nas costas dos moralistas e dos politicamente corretos, que pretende à partida com fundamentos parvos, limitar a ação social de alguém criticando-o massivamente. No fundo, a cancel culture pode considerar-se um tau tau extra judicial.

Um exemplo bastante simples deste tipo de conduta, e por si só bastante desprovido de inteligência é o caso da J.K Rowling que aconteceu há mais ou menos dois anos atrás quando esta lançou um livro fora do universo de Harry Potter.

O livro foi alvo de uma tentativa de escrutínio (negativo), alegando-se que devia ser visto como um insulto à comunidade trans, porque na história, uma das personagens se veste de mulher para cometer assassinatos.  O personagem do livro nem sequer é transexual, apenas se veste de mulher para matar.

Mas na cabeça desta gente o livro associa qualquer homem que se vista de mulher a práticas criminosas, o que, neste radicalismo especial, é colocar diante da opinião publica que as pessoas que mudam de sexo são criminosas. Como diria o juiz Rui Fonseca e Castro, conhecido pelas burrices que difundia com o movimento anti vacinas em Portugal: “NADA MAIS TOLO!”

O conceito de boa pessoa foi tão afiado com esta ideia que qualquer famoso que não subscreva na totalidade a mesma caixa de ideias é escrutinado em praça publica.

No fundo, a internet veio fazer renascer os Justiceiros da sociais que precisam constantemente do seu like moral numa tentativa de ser super melhor pessoa que o vizinho do lado.




Moralidade Imoral

Graças ao passar dos tempos e das vontades, o irrequieto ser humano comum, que se diverte a escrutinar tudo o que é assunto polemico no seu perfil com demasiado underscores numa rede social qualquer, está constantemente à procura de uma indignação para fazer passar o seu tempo.

De entre os temas que normalmente lhe passam pelos olhos surge por vezes a questão dos jardins zoológicos e do bem estar animal dos mesmos, que pode à partida  parecer um tema super supérfluo. Contudo, se olharmos duas vezes para o ecrã e pensarmos redobradamente no assunto, a questão dá que pensar e apresenta uma margem forte de reflexão.

Se calhar, por se tratar de um tema mais delicado nem é abordado nas redes sociais, dado o requinte verbal que estas difundem, mas isso é outra novela com muitos episódios.

Por um lado , é alegado pelos defensores da existência de estes estabelecimentos que os jardins zoológicos possuem uma forte vertente educacional e conseguem conservar as espécies. No outro lado estão os opositores, que salientam fortemente que os zoos restringem a liberdade animal e que os animais em cativeiro sofrem diversos entraves na sua saúde graças a estas questões de clausura.

Já eu, quanto me debruço no assunto promovido a debate pelo fernando_benfiquista_46  que quando vê publicações de concertos faz questão de salientar que “ se fosse para trabalhar de enxada na mão não aparecia nem metade”, tenho uma opinião super embrionária acerca do assunto.

 O facto mais assustador é que consigo traçar uma similaridade forte entre as touradas e os zoos. Para o assunto não deixar ninguém perplexo e de olhos muito abertos passo a explicar. Apesar de ter crescido num meio onde a tauromaquia era pratica recorrente e proliferava com uma incidência forte , consigo facilmente reconhecer nos dias de hoje que há algo de errado, o que me faz perder parte da simpatia que possuía por esse meio, o que também acontece com os zoos.

Assim como se diz na gíria, que quando temos um filho, é mais correto apresenta-lo ao animal de estimação fora do ambiente em que este está inserido (não vá o canito começar a ladrar desenfreadamente em cima da criança) , também é mais correto visitar os animais no seu habitat natural, mais num Badoca Park style, do que no modelo convencional já conhecido.

O que é certo é que por vezes é mais simples dizer que os zoos deviam todos fechar e ser incendiados com grandes archotes, ao invés de alimentar o nosso animal doméstico devidamente ou abrir  ligeiramente o vidro do carro quando o deixamos fechado lá dentro para irmos ao shopping passear.



Educação Deseducada

No decorrer da nossa aprendizagem escolar, naquela que é a nossa pequenez mais pequenina, a sinceridade inerente a uma criança sai-nos muitas das vezes pela boca antes sequer de mostrar-mos os dentes. Mas se há frase que ouvimos com frequência ser dita pela pequenada, seja de que geração for é algo similar ao conhecidíssimo “ Mas para que é que eu vou usar isto na minha vida?” ou um “Eu mais nunca vou usar isto na minha vida”.

Se pararmos para pensar, esta afirmação da criançada, e por vezes da criançada mais graúda, parece pouco fundamentada e facilmente escrutinável, uma vez que o ensino tenta abranger um lote extenso de conteúdos que possam vir a ser uteis na restante formação futura das crianças ou até mesmo no mercado de trabalho.

Contudo (e apenas exemplificando), dada a precariedade que o nosso pais faz florar, torna se útil para um jovem acabado de chegar ao mercado de trabalho saber emitir um recibo verde ou realizar um depósito bancário.

Apesar de em certa parte, o ensino auxiliar parte do que é fulcral uma criança aprender, como por exemplo fazer divisões com dois números no divisor, é a meu ver mais útil dar a conhecer aos jovens certos conceitos básicos no que diz respeito às suas finanças do que saber decor e salteado todos os tipos de rochas presentes na esfera terrestre.

O ensino português mostra-se cada vez mais desadequado para certas questões da vida adulta e isso verifica-se até pelo facto de 60 por cento dos jovens procurarem auxílio para solucionar as questões financeiras na internet. O desconhecimento dos jovens no que diz respeito a esta matéria é cada vez mais evidente.

Para além de ensinar ao jovem que dois mais quatro são seis para poderem contar os seus trocos, também é necessário aconselha-los com vista a que estes desenvolvam uma vida financeira saudável  e sobretudo informada, para não deixar fugir as moedas.







domingo, 4 de junho de 2023

Desmistificando os Açores

 -ATENÇÃO! Esta crónica é de caráter puro e simplesmente satírico. As ilhas e o continente português são, de facto, mundos diferentes, mas com muita coisa em comum. Um obrigado a todos os meus amigos continentais que me fazem sentir em casa, mesmo estando a mais de 1800 km da mesma. Portugal, insular ou continental, é um país de encantos e de gentes incríveis e trabalhadoras.


Ser açoriano, no continente português, é como fazer parte de um fenómeno de imigração sem sair do país de origem. Isto porque, embora a língua falada seja a mesma e a moeda também, a verdade é que as diferenças entre uma e outra realidade são notórias e os nossos amigos “continentais” não perdem tempo em constatar que “não és daqui, pois não?”. Orgulhosos como os açorianos são, não temos problemas em responder rapidamente, “Não, sou dos Açores.”, o que se mostra, desde logo, num ponto em comum, já que a maioria dos portugueses continentais já foi aos Açores, mais concretamente à ilha de São Miguel, “capital do Funchal, na Madeira”. A quantidade de “barbaridades” estereotipadas que um açoriano ouve num contacto deste tipo são deveras estonteantes e, por isso, como bom cidadão desta belíssima nação Lusitana, tomo por minha missão desmistificar essas aberrações lógicas e concessões erradas sobre as nove ilhas dos Açores (sim, são nove, não sete). 

A descoberta dos Açores, como a maioria da sua história, está envolta em mistério e incerteza. Não se sabe ao certo quando as primeiras ilhas foram descobertas, sabe-se, sim, que o seu povoamento se deu em meados do século XV. Por isso, é perentório frisar que nem todos os habitantes das ilhas dos Açores falam “Açoriano”, isto porque não existe tal coisa como um sotaque “Açoriano”, existe sim o sotaque micaelense, trazido pelos alentejanos, algarvios e franceses que povoaram a ilha de São Miguel por volta desse período. Por outro lado, a ilha Terceira tem o seu sotaque caraterístico e cantado, cujos flamengos trouxeram da zona da flandres, já a ilha do Faial passa um pouco mais despercebida, aproximando-se da pronúncia coimbrã.  

Mas numa coisa o povo continental tem razão. Viver numa ilha no meio do Atlântico é verdadeiramente difícil. Os invernos são rigorosos e as restantes estações incertas, pois, nos Açores, os meteorologistas têm trabalho a quadruplicar, uma vez que, num dia apenas, poderão ocorrer todas as quatro estações do ano. Se de manhã está sol, é porque à tarde vai chover e se de manhã está calor, é porque à tarde vai fazer frio. Neste recanto, entre o continente Americano e o continente Europeu, chove enquanto faz sol e o céu enche-se de nuvens mais rápido do que, após 15 minutos, se abre e mostra, mais uma vez, o azul do céu. É por isso, muito difícil entrar e sair de ilha para ilha, ou até mesmo para fora do arquipélago, entre novembro e janeiro, podendo algumas ilhas, como o caso das mais ocidentais (que são mais vulneráveis às tempestades), ficarem isoladas do exterior durante algumas semanas. Por conseguinte, damos muito valor aos corajosos e habilidosos pilotos da “SATA” (Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos) e aos marinheiros que enfrentam as condições mais inóspitas, chegando a estar longe da família por meses a fio, para que cheguem brinquedos para as crianças, combustível para os carros, provisões para os super mercados, enfim, tudo o que não se consegue arranjar num imponente pedaço de litosfera. 

Mas o povo açoriano aprendeu a conviver bem com a solidão de ser ilhéu. Cria o seu próprio gado, planta a sua própria horta. As nossas ilhas são um autêntico “pomar” no meio do Oceano, que nunca para de dar frutos. No inverno, servem de abrigo a iatistas aventureiros, que se refugiam nas nossas vertentes altas e escoadas de lava solidificada. Na primavera, a imensidão de floresta virgem recobre-se de uma tenra verdura e as flores desabrocham, abraçando o clima ameno e agradável do arquipélago. No verão, as nossas praias de areia basáltica convidam os turistas a desfrutar do nosso quintal e os cachalotes e golfinhos que fazem das profundezas do mar a sua casa, vêm desfrutar das ricas e quentes águas açorianas.  

 Pois bem, tirando os contratempos de estar a cerca de 1800km do continente Europeu, a vida por cá é bastante pacífica. Não existem shoppings, mas temos tudo o que precisamos, desde uma casa que parece estar num destino de férias, boa comida, boa gente, na ilha do Pico, um vinho tão bom que foi parar à mesa de Czares e Papas, na ilha Graciosa, queijadas divinais, na Ilha das Flores, cascatas lindíssimas. O que não falta são razões para amarmos a nossa terra, a nossa identidade, as nossas diferenças, as nossas virtudes e desvirtudes, o que não falta são razões para os meus amigos continentais me virem visitar e pararem de dizer baboseiras.  

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Simples Pormenores

 O que um simples pormenor pode causar. Um pequeno gesto, uma pequena palavra. O grande impacto que têm às vezes. 

Muitas vezes as pessoas não pensam antes de dizerem algo ou fazerem alguma coisa. Mas deviam, pois nunca sabemos o impacto que as nossas palavras ou os nossos gestos podem ter na outra pessoa. Sempre se ouviu dizer "Não faças ao outro aquilo que não gostavas que te fizessem a ti.". E nisso é que nos temos de guiar e assim nos devemos de comportar. Pensar sempre antes de agir e antes de falar, e pensar "Será que devo dizer isto?", "Será que ele/a vai reagir bem com isto?", "Eu gostava que me dissessem isto?". E se a resposta for "Não" recuamos três passos atrás. 

Mas não vamos pensar apenas na forma negativa, mas também na positiva. O que um simples "Bom dia" pode fazer no dia de uma pessoa. Basta um "Bom dia!" para o dia de qualquer pessoa correr bem, e ter literalmente um "Bom Dia". O que impacta dizer um "Bom dia" e não dizer. Aquele "Estás bem?" que sabe a um calmante a descer-nos pela garganta. Ou aquele abraço caloroso no meio do silêncio que nos sabe a conforto e a Casa. 

São os pormenores, e eles, fazem a diferença. 

Verão

 O sol desponta timidamente no horizonte, trazendo consigo o doce sabor do verão. As ruas ganham vida, repletas de sorrisos e a nossa pele é beijada pelo calor. Os dias prolongam-se, convidando-nos a explorar a natureza e a desvendar novos horizontes. As praias enchem-se de risos e mergulhos refrescantes. O ar perfumado das flores embala os nossos sonhos de uma estação repleta de promessas. O verão, com a sua magia efémera, traz consigo a energia e a liberdade para abraçar a vida e celebrar cada instante. Bem-vindo, verão!

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...