quinta-feira, 29 de abril de 2021

A eutanásia

Um assunto polémico que apesar de já ter alguns anos, continua a dar muito que falar é a eutanásia. Cada pessoa tem a sua opinião pessoal sobre este assunto. É um tema delicado, pois mexe com os princípios e com a dignidade humana. O sujeito, ao querer optar pela eutanásia, depara-se com vários obstáculos existentes na nossa sociedade, quer a nível médico, religioso ou judicial.

Há cerca de 2 meses atrás a minha mãe, que trabalha na unidade de cuidados paliativos, contou-me um episódio de um utente que passou pelo seu serviço, o sujeito tinha um quisto que precisava ser analisado, era necessário fazer uma cirurgia, que acabou por correr mal, atingiu a coluna vertebral e o jovem com apenas 24 anos ficou tetraplégico. O jovem rapaz dizia todos os dias que se a eutanásia fosse legalizada era logo a sua opção, pois estava mesmo cansado de ver o trabalho que dava às pessoas que cuidavam dele, e de ver a pena na cara das pessoas quando olham para ele e principalmente, o sofrimento da família ao ver que alguém tão jovem, dum dia para o outro ficou tetraplégico. O jovem acabou por falecer em 2010, quando lhe foi diagnosticado um tumor na cabeça, apesar de, para a família este episódio ter sido extremamente triste, lá no fundo sabiam que era o que ele desejava, por isso ele só atingiu o fim do seu sofrimento. Quem é a favor da eutanásia, defende que será o melhor caminho, porque assim se acaba a dor e o sofrimento daquelas pessoas que perderam a sua qualidade de vida e necessitam de alguém que os ajudem a colocar um ponto final no seu sofrimento. Quem argumenta contra, defende que a eutanásia é a mesma coisa que um assassinato. Muitas das pessoas que são contra a eutanásia são da religião católica, a qual considera a eutanásia um “pecado mortal”, inclusive está escrito no 5º mandamento “não matarás”, ou seja, tudo o que seja contra a vida, tal como o aborto, a eutanásia, o homicídio e o suicídio.

A meu ver as pessoas têm o direito de decidir o que querem que lhes aconteça tendo em conta a situação em que estão. Acima de tudo é necessário respeitar as decisões dos utentes. Na minha opinião, não faz sentido manter alguém que está em estado vegetativo, e se o desejo desse paciente for praticar a eutanásia, a sua vontade devia ser realizada.

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