domingo, 18 de abril de 2021

O teu passarinho cresceu, mãe

Perdido nos meus pensamentos, deu-se em mim uma dor no peito. Perdi-me a pensar em ti, mãe. Hoje tudo o que escrever é exclusivamente para ti, mas porquê que o faço? Porque tu mereces que o mundo saiba, tudo o que és para mim.

Criaste um mundo, onde tu és tudo. Nesse mundo és a leoa que me protege, uma ursa que me aquece quando tenho frio, uma coruja que me aconselho com a sua sabedoria, uma galinha por quereres-me só para ti, mas acima disso tudo, é um mundo que me permitiu ser feliz.

Quando sentia que todos me queriam abandonar, tu estavas lá. Quando o meu pai me deixava na varanda ao frio a espera dele, tu estavas lá. Quando eu fazia asneiras na escola, que fazia qualquer pai sentir vergonha, mas mais uma vez tu estavas lá. Quando uma menina me partia o coração, tu querias esganá-la. Felizmente, tenho a sorte de ter-te como mãe. Podes ser pequena, mas tens um coração do tamanho do mundo.

Sempre me disseram “Carlos tu és um bebé grande”, ficas aqui a saber que a culpa é tua. Sempre quis aprender algo por mim próprio, chegavas lá e fazias por mim. Depois gozavam comigo, não é que não gostasse de ser o teu bebé, mas tu és cá uma galinha. Tens de aprender que o teu “passarinho” tem de voar e fazer-se um homenzinho. O teu “passarinho” quer voar para outros mundos, cumprir os sonhos que tu tornaste possível acontecer, porque sem ti, nada era possível. Quero criar o meu mundo, onde espero ser muito feliz, onde continuarás a ser o meu núcleo e quero ser para alguém, o que tu és para mim. Hoje, encontrámo-nos separados por duzentos e muitos quilómetros, e uma pandemia, mas até podia subir o demónio a terra, podiam virar o planeta do avesso, que o amor e admiração que nos une, nunca se irá separar. Podes ficar descansada!

Mãe, lembras-te das vezes que foste chamada, devido as minhas asneiras, na escola? Lembras-te, todas as vezes que diziam, que eu era um caso perdido? Lembras-te de dizerem-te que nunca iria conseguir sobreviver sem ti? Lembras-te que foste a única que acreditava em mim? Sabes eu nunca me esqueci, trabalhei muito para dar razão as tuas palavras e lágrimas, corresponder a todos os momentos difíceis e sacrifícios. Hoje podes dizer que o teu “passarinho” que ninguém acreditava está na faculdade, já não mora com a mãe, já faz as tarefas domésticas. Apesar de ter conseguido fazer com que tenhas muito orgulho, tenho saudades de ter-te ao pé de mim. Não queria, mas cresci.

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