Perdido nos meus
pensamentos, deu-se em mim uma dor no peito. Perdi-me a pensar em ti, mãe. Hoje
tudo o que escrever é exclusivamente para ti, mas porquê que o faço? Porque tu
mereces que o mundo saiba, tudo o que és para mim.
Criaste um mundo, onde tu és
tudo. Nesse mundo és a leoa que me protege, uma ursa que me aquece quando tenho
frio, uma coruja que me aconselho com a sua sabedoria, uma galinha por
quereres-me só para ti, mas acima disso tudo, é um mundo que me permitiu ser
feliz.
Quando sentia que todos me
queriam abandonar, tu estavas lá. Quando o meu pai me deixava na varanda ao
frio a espera dele, tu estavas lá. Quando eu fazia asneiras na escola, que
fazia qualquer pai sentir vergonha, mas mais uma vez tu estavas lá. Quando uma
menina me partia o coração, tu querias esganá-la. Felizmente, tenho a sorte de
ter-te como mãe. Podes ser pequena, mas tens um coração do tamanho do mundo.
Sempre me disseram “Carlos
tu és um bebé grande”, ficas aqui a saber que a culpa é tua. Sempre quis
aprender algo por mim próprio, chegavas lá e fazias por mim. Depois gozavam
comigo, não é que não gostasse de ser o teu bebé, mas tu és cá uma galinha.
Tens de aprender que o teu “passarinho” tem de voar e fazer-se um homenzinho. O
teu “passarinho” quer voar para outros mundos, cumprir os sonhos que tu
tornaste possível acontecer, porque sem ti, nada era possível. Quero criar o
meu mundo, onde espero ser muito feliz, onde continuarás a ser o meu núcleo e
quero ser para alguém, o que tu és para mim. Hoje, encontrámo-nos separados por
duzentos e muitos quilómetros, e uma pandemia, mas até podia subir o demónio a
terra, podiam virar o planeta do avesso, que o amor e admiração que nos une,
nunca se irá separar. Podes ficar descansada!
Mãe, lembras-te das vezes que foste chamada, devido as minhas asneiras, na escola? Lembras-te, todas as vezes que diziam, que eu era um caso perdido? Lembras-te de dizerem-te que nunca iria conseguir sobreviver sem ti? Lembras-te que foste a única que acreditava em mim? Sabes eu nunca me esqueci, trabalhei muito para dar razão as tuas palavras e lágrimas, corresponder a todos os momentos difíceis e sacrifícios. Hoje podes dizer que o teu “passarinho” que ninguém acreditava está na faculdade, já não mora com a mãe, já faz as tarefas domésticas. Apesar de ter conseguido fazer com que tenhas muito orgulho, tenho saudades de ter-te ao pé de mim. Não queria, mas cresci.
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