domingo, 18 de abril de 2021

Reality Shows Políticos

    Quem se lembra da Supernanny? Sim, essa senhora com um ar severo que vocês estão precisamente a pensar. A tal que nos primeiros minutos dos episódios aparecia com o cabelo atado, de óculos e com uma etiqueta não só comportamental mas também de vestuário mais formal mas que, após esses primeiros minutos do episódio, já aparecia totalmente descontraída a fazer o que se parecia de muito com a icónica Mary Poppins - transformava os filhos de certos casais que se encontravam num estado de diabrete em criancinhas bem educadas, como que aquelas de revista.

O famoso programa falhou no nosso país ocidental, mas foi e continua a ser um sucesso noutros países. Mas por que raio falhou em Portugal se, atualmente, estamos expostos a programas de entretenimento (se é assim que se podem chamar) bem mais vergonhosos do que o que passou há cerca de três anos pelo nosso país? Não estariam os mesmos portugueses que veem o Big Brother aptos para ver uma senhora da mesma idade que alguns dos concorrentes (nada ridículo) a fazer nada mais que educar crianças e tirá-las do estado do quer, pode e manda para um “eu meto a mesa!”, “eu limpo a merda do Bobby!” com um grande sorriso na cara, como que nada contrariados? Uma verdadeira magia. Pois bem, acredito que muitos dos pais portugueses gostariam de ter estado no lugar dos três sortudos casais que tiveram a sorte de passar pelo programa, apenas não o querem admitir. Mas a verdadeira conclusão que tiro é que a maioria dos portugueses gosta mesmo é de um bom barraco entre adultos e com um “moderador”, neste caso o(a) apresentador(a), que o que parece fazer é atirar lenha para a fogueira, criando um ambiente de tensão entre os concorrentes confinados numa mansão com vista para o mar. 

Mas poderiam ser inúmeras as acusações que podíamos fazer aos portugueses quanto ao insucesso da Supernanny e ao sucesso do Big Brother. Além do mais, o mundo não gira em torno destes programas de entretenimento. Temos casos muito mais escandalosos a decorrerem à vista de todos, como o julgamento da Operação Marquês que consiste também num grupo de pessoas famosas a serem acusadas de vários crimes de corrupção e branqueamento de capitais, como o ex-Primeiro Ministro José Sócrates, também um senhor com quem o ex-Primeiro Ministro alega passar férias há mais de 20 anos (o que faz deste senhor automaticamente uma pessoa de confiança, incapaz de praticar qualquer mal), empresários, familiares de José Sócrates como um primo e a ex-mulher, e até empresas de construção e de turismo. Se contássemos as temporadas desde que o processo decorre, creio que já estariam na nona, o que faz com que sejam mais do que muitas das nossas séries favoritas. E agora, quem culpamos por esta injustiça? As televisões por todo o mediatismo dado ao processo, à justiça por ser incompetente ou ao juiz Ivo Rosa pelas palmadinhas nas costas? É tudo uma questão de perspetiva. 

    Apenas acho que tudo seria mais fácil se a Média Capital comprasse todo o processo judicial da Operação Marquês e todos os domingos os portugueses votassem para a expulsão de algum dos arguidos, ou até mesmo se o programa fosse comprado pela SIC e apostassem no retorno da Supernanny e que esta ajudasse a reverter os comportamentos do diabrete que é José Sócrates.



Francisco Tomé

1 comentário:

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