sábado, 10 de abril de 2021

Hipocrisia Sustentável

    Fazer a reciclagem. Evitar o plástico ao máximo. Comer menos carne. Apagar as luzes. Estes são todos pequenos exemplos do que podemos fazer para ajudar a revirar a grave situação climática em que nos encontramos. Os níveis de gases emitidos para a atmosfera são estupendos, a qualidade do ar diminuiu globalmente, as cidades estão sub-povoadas e nós compramos cada vez mais coisas de que não precisamos, o que resulta em gastarmos recursos de que a nossa terra não dispõe.

Estamos a um clique de distância nos nossos smartphones de sermos seres humanos informados e responsáveis o suficiente para estarmos a par da realidade que optamos por não ver. Por isso, temos a responsabilidade de deixar de ser insensatos com certos hábitos não-sustentáveis que temos – fazemos muito bem em não comer carne (ou pelo menos reduzir o seu consumo), pois a criação de gado produz elevadíssimos níveis de metano; mas, se deixarmos de comer carne, por que razão continuamos a desperdiçar comida e a comer, por exemplo, o peixe, que também se mostra ser insustentável para o nosso planeta? É um comportamento hipócrita termos substituído as palhinhas de plástico (que apenas correspondem a 0,04% de lixo no oceano) por palhinhas de aço enquanto que 46% do lixo que encontramos nos oceanos são redes de pesca para o peixe que consumimos. A redução do consumo da carne e do peixe é tão ou mais necessária quanto o fim do uso de certos tipos de plásticos e a utilização consciente dos que são reutilizáveis, por isso, até que ponto vale a pena sermos responsáveis pelas vidas que estão a ser destruídas pelo nível de subida das águas do mar, por todas as espécies de animais que estão em risco de extinção, e entre muitos outros exemplos de como o ser humano consegue estragar tudo o que está neste mundo? Será que vale mesmo a pena continuarmos a negligenciar o nosso meio-ambiente, a nossa casa, tudo por hábitos que nos recusamos a adaptar?




Francisco Tomé 

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