terça-feira, 25 de maio de 2021

Saudades Da Terrinha

 

Saudades Da Terrinha

 

Saudades daquele cheiro a bifana acabadinha de fazer acompanhada daquela cerveja fresquinha ao final da tarde naquela esplanada que não é comparável com mais nenhuma, já que não existe nenhuma em que esteja sempre lá, o “João maluco”, uma lenda de Sesimbra, tanto por ter um caderno assinado por todas as raparigas por que passa como pela sua boa disposição que alegra a esplanada inteira. Saudades do grupo de amigos com os quais já combinamos coisas juntos desde que deixamos de usar fraldas, aquele grupo que se acompanha mutuamente e que cresce junto, hoje em dia cada um com a sua vida mas sempre que existe um tempinho em que todos possam, lá surgem aquelas conversas que duram uma tarde inteira e muitas das vezes se prolonga pela noite fora, acaba sempre numa grande noite quando isto acontece, o pior é o dia a seguir, com aquela ressaca em que a palavra de ordem é ÁGUA, uma dádiva de deus, é a cura para todos os males naquele dia tão “seco”.

 É pena estas conversas só ocorrerem de tempo a tempo, mas sempre me disseram que os melhores amigos não são aqueles com quem lidamos a toda a hora, mas sim aqueles que, passe o tempo que passar, não mudam a sua atitude conosco, ao longo do tempo vamos aprendendo a diferença entre estes e aqueles que se dizem ser nossos amigos, mas são tão falsos quanto aquele relógio comprado nos chineses (nada contra), outra coisa que se encontra na terrinha é claramente a família, esses sim, não precisamos de escolher porque já nos foram designados à nascença, e quer queiramos ou não temos de nos “aguentar à bomboca”, e sinceramente não me importo nada com o que me calhou na rifa, hoje em dia ouvem-se tantas histórias de problemas familiares que me sinto um sortudo por não ter quase nenhuns, é impossível não haver nenhuns, nem mesmo aquelas famílias que tentam transparecer uma imagem de “família ideal” são assim tão perfeitas. As saudades apertam mais quando se fala em mar ou algo relacionado com isso, só de pensar que cada vez que o calor aperta não posso largar o que estou a fazer para ir dar aquele mergulho refrescante até me vêm as lágrimas aos olhos, mas por outro lado também é uma coisa boa, porque se fosse assim já tinha chumbado por faltas.



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