Na quarta-feira o país acordou sobressaltado com a notícia que Noah tinha desaparecido; o menino de dois anos que vive no campo e que saiu de casa pelo próprio pé. Foram necessárias 36 horas para que fosse encontrado e está, assim, de volta à sua família e a sua casa.
Há uma coisa que povo português não entende, mas que terá mesmo de parar, pensar e, definitivamente, perceber: as investigações, quer no momento do desaparecimento quer sejam posteriores, são trabalho das autoridades competentes e não vosso, pessoas.
Eu acho que não fui a única, porém desde quarta-feira que as redes sociais metiam nojo, desculpem o palavreado, mas de facto não é possível trocar por outro, porque foi mesmo o que senti ao ler os comentários dos hipócritas de plantão. Começo a achar que vocês tiraram o curso de criminologia, enquanto assistiam ao CSI.
Depois de tanta estupidez do tipo “uma criança de dois anos não sai de casa sozinha”; “não se veste, nem se calça”; “não vai passear o cão”. Ai vocês e as vossas teorias… cansam, é verdade, cansam mesmo.
Existem coisas que não consigo entender, que passam pela parte em que algum jornalismo de treta lança uma notícia onde refere: “Entre os dois e os três anos não é habitual que uma criança se consiga vestir sozinha. Calçar-se também não é expectável. Mais: dificilmente tem o desenvolvimento motor e psicológico para sair de casa.” (Disponível na edição do Expresso). Irra, que até existem jornalistas do século passado… não dá, sinceramente.
Nem sei como hei de começar, visto que foi e continua a ser um tema polémico, mas vamos a isto.
Para os jornalistas que lançaram esta notícia só vos queria dizer uma coisinha… Sim, as crianças de dois anos são capazes de se calçarem, de se vestirem, de descer escadas e de conhecerem os seus limites. Sabem qual é o problema? É que os adultos não lhes dão os devidos créditos.
E mais, há crianças que cozinham, mexem em facas, estendem roupa, tiram a louça da máquina, colocam a mesa, tudo isto com a supervisão dos pais e não venham com coisinhas de que isso é exploração! Menos! E muitas mais coisas que agora não tenho tempo de mencionar.
Quando o ser humano deixar de dizer que as crianças são incapazes de fazer tudo, então é caso para dizer que as mentalidades estão mudadas.
Alimentar juízos de valor não é ético, senhores jornalistas.
Carolina Estrelinha

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