quarta-feira, 13 de abril de 2022

 

                    A Desvalorização das Doenças Mentais por parte da Sociedade

 

O tema que escolhi abordar hoje foi, a desvalorização das doenças mentais na sociedade, que para mim, é algo que choca. Escolhi retratar este tema mais forte e impactante na nossa atual sociedade, porque percebi que isto de escrever as crónicas para o blogue da cadeira de crónica cria uma espécie de “liberdade” para partilhar e criar impacto, com estes temas mais sensíveis, que eu pertencendo á geração mais recente, acabo por ter maior sensibilidade e percepção destas injustiças que observo, e que considero merecedoras de importância e atenção e cujo, infelizmente, acredito que passam muito despercebidos. Ao mesmo tempo, escolhi este tema também, por experiência própria, e tendo eu estado frente a frente com esta questão de não se dar o devido valor às doenças mentais, que as mesmas deviam receber.

Começo então, por revelar que considero que as doenças mentais, devem ter um impacto tão grande quanto todas as outras doenças, voltadas mais para o plano físico, até porque doenças que mexem com o nosso psicológico conseguem ser mais complexas ainda, e capazes de criar “destruição”, em grande escala. E assim, partilho já que eu sofro de ansiedade, e há mais ou menos um ano, passei por uma fase mais complicada da minha ansiedade, onde muitas vezes tinha ataques de ansiedade, em que ficava com falta de ar, tremores, suores frios, etc.

Lembro-me que houve um dia em que isso aconteceu-me na aula de educação física, estava eu no meu 12º ano, e comecei a ter um ataque de ansiedade. Logo fui abordada por uma colega que tentou chamar a atenção do docente, o professor, e o mesmo optou por ignorar a minha situação e continuar a dar a aula, como se nada estivesse a acontecer. Fui socorrida por uma outra docente que me ajudou, a acalmar. Mais tarde, o mesmo professor que me ignorou numa situação daquelas, veio ter comigo e disse-me que exagerei e que estava a fazer drama. Tentei falar com a minha mãe para entrar em contato com um profissional que me pudesse ajudar, e mais uma vez, ouvi que estava a ser dramática. Até hoje lido com a ansiedade sozinha, e nunca tive qualquer ajuda de um profissional.

Com isto, apercebi-me de como vivíamos numa sociedade “adormecida” para estas situações e que olham para a nossa geração como sendo dramática, exagerada, pois no “tempo” dos nossos pais, era como se isso não existe, não se falava sobre depressão ou ansiedade. E este choque de valores e confrontos causa esta sensação de “drama” da geração anterior para a mais recente… e daí nós somos e sentimo-nos, incompreendidos e sem apoio para saber lidar com as doenças mentais.

Finalizo esta crónica ressaltando, para o impacto que as doenças mentais têm, e para alertar mais a sociedade para o conhecimento destas, de forma que todos possamos ter oportunidade de ter ajuda, e de não sermos tão descredibilizados, pela geração anterior, que olha para nós, como “dramáticos” muitas das vezes e não têm noção daquilo que estamos a sentir e pelo que estamos a passar, tendo por vezes atitudes negligentes para conosco.  

 

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