Atualmente não sei quem sou, só sei que sou uma pessoa diferente da que fui outrora. Lembro-me de ser uma criança e perguntar-me, como serei daqui a 10 anos, o que estarei a fazer, que pessoa vou ser?
Nos dias atuais quando se aborda o tema "mudança" existem muitas pessoas que o veem de uma maneira negativa, contudo a existência de uma mudança nem sempre é uma coisa pejorativa. Ao longo da nossa vida somos confrontados com situações que mudam o nosso comportamento, crenças e objetivos. As escolhas que fazemos no passado e o empenho que colocamos nas mesmas no presente vão ser refletidas no futuro.
Recentemente vi um filme bastante interessante, infelizmente não me lembro do nome, mas no mesmo são discutidos vários temas. Numa parte do filme uma das personagens disse uma frase que me marcou bastante, " O passado é história, o futuro é incerto e o presente é uma dádiva". Uma frase simples e de poucas palavras que demonstra a essência da vida. Tudo o que fazemos e experenciamos no passado é história porque nunca mais o vamos viver, são experiências únicas que iremos guardar na memória, o futuro tal como a frase do filme refere é algo incerto, algo que é desconhecido e são estes fatores que o tornam tão apaixonante. Contudo, tanto o passado como o futuro podem ser bastante perigosos para algumas pessoas, devido ao facto de existirem indivíduos que ficam presos a um ou a outro. Ficar agarrado às decisões do passado não vai alterar o presente nem o futuro, pode sim causar distúrbios psicológicos, como depressões, coisa que cada vez vem sendo mais "normal" de acontecer. O futuro também tem os seus problemas, pessoas que pensam em demasia no que pode ou vai acontecer não conseguem aproveitar o presente como gostariam e acabam por começar a ter ansiedade, ataques de pânico entre outro tipo de resposta aos pensamentos exagerados sobre o futuro. Chegando a esta parte acho que é de fácil conclusão que o que devemos todos fazer enquanto sociedade é aproveitar o presente, os momentos que experenciamos, que sentimos com o nosso coração, tudo isso, tem que ser valorizado e não estarmos presos a acontecimentos passados nem a eventuais acontecimentos futuros.
Comecei por dizer que atualmente não me conhecia, que não sabia quem era, contudo menti, sei perfeitamente quem sou e o que era. Antigamente era uma pessoa tímida, envergonhada, muito "mole", sem grande vontade para querer ser mais que isto, contudo hoje em dia tenho todo o orgulho em dizer que sou totalmente diferente, muito sociável, sem medo de falar seja com que for, por vezes muito extrovertido etc. O que me assusta nesta mudança foi ter acontecido em tão pouco tempo e tão drasticamente, passar do "8" para o "80" num espaço que eu considero curto sobressalta-me um pouco. Tenho plena consciência que esta mudança se deve a inúmeros fatores, contudo aquele que eu gostaria de destacar é o facto de já há dois anos estudar longe de onde fui criado, encontrar-me longe de casa, longe dos meus pais, longe da minha família obrigou-me a ser uma pessoa mais desenrascada e não estar à espera que alguém fizesse as coisas por mim.
Provavelmente quando entrei na aventura de ir estudar para longe de casa ainda era uma criança, tinha apenas 17 anos. Hoje com 19, passados 2 anos de estudar fora posso dizer que sou muito mais "homem" em comparação com o miúdo que tinha 17 e que pensava que tinha o mundo a seus pés.
Tenho orgulho naquilo que fui, tenho orgulho naquilo que sou e sei que vou ter orgulho daquilo que vou ser.
João Carriço
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