sexta-feira, 20 de maio de 2022

Liberdade desinibida

“Médicos de família com utentes que fizeram aborto podem ser penalizados”.

Mais um teatro por parte do nosso querido governo e seus respetivos deputados, sendo que seremos nós as marionetas destas possíveis medidas que no futuro podem ser aplicadas. Claro que a barbaridade destas propostas vindas da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), sendo validadas pela nossa querida Direção-Geral da Saúde (DGS), e pelo grupo de Apoio às Políticas de Saúde na área dos cuidados de saúde primários, de facto, trariam polémicas atrás. Afinal, até onde vai a nossa liberdade de decisão? Vivemos numa democracia que se encontra desinibida e desmoronada. Onde se encontram os nossos direitos enquanto cidadãos, e principalmente enquanto mulheres?

Como é possível acreditar que uma proposta destas passou para o Ministério português? Onde vivemos em pleno século XXI, e medidas como estas retroceder-nos-iam enquanto seres humanos. Uma medida destas seria uma forma macabra de contornar a legalização do aborto.

Se esta medida fosse aplicada, as manipulações psicológicas que nós mulheres iríamos sofrer seriam incontornáveis. Até que ponto um bom médico/a também poderia ser prejudicado face a uma ideologia destas? O médico/a poderá dar ótimas consultas, mas o mesmo não poderá garantir a segurança 24h/7. Uma ideia bárbara colocar vários cargos à disposição, tanto das mulheres como o trabalho dos próprios profissionais de saúde. Obtermos a aprovação desta medida, por duas entidades importantíssimas para o país demonstra um retrocesso enorme para com o nosso país.

Irónico ter ouvido por parte do coordenador para a reforma dos cuidados de saúde primários que “o objetivo do planeamento familiar é evitar a gravidez indesejada e que os médicos têm de ser avaliados por isso”.

Felizmente, tivemos uma boa iniciativa por Marta Temido em recusar qualquer penalização dos profissionais de saúde que tenham assistido a mulheres que optem pela interrupção voluntária da gravidez, e ainda garantiu, que de facto, não estaria em causa a opção da mulher.

Até que ponto estas ideologias não continuarão a surgir? O corpo é nosso e não podemos colocar de parte todos os nossos direitos e principalmente bem-estar.


Rita Ferreira

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