Era uma noite fria de inverno e estava à lareira à tua espera. Aprendi com o tempo que o peso dos dias sobra para as noites e as noites não o sabem aguentar, elas são mentirosas, dizem que só de uma vez tudo irão reparar, mas as noites são matreiras e mesmo que pareçam ligeiras só te dão lenha para te queimares. Tu chegaste tarde, e não tinhas avisado, como já podia esperar tudo da tua parte, não dei grande importância. O lume apagou-se, e a comida que tinha feito para ti arrefeceu-se. O programa que costumávamos ver juntos, esse mesmo, acabei por vê-lo sozinho. Tinha uma piada nova para te contar, e até isso perdeu a graça. ~
Tudo passou, tal como o tempo que tardavas a chegar, ainda há tanto por sentir, tanto por dizer ainda do que já se sentiu, deixa a verdade para quando a mentira estiver dita por inteiro, para quando o sonho já não puder ser mais sonhado, para quando a chuva não tiver mais onde cair.
Não me abandones sem antes falar de cor o que nem lido conseguia dizer, deixa-me saber que não houve mais nada que houvesse por saber, espera porque o fim ainda não quer chegar, ou talvez tenha chegado ainda antes de começar. ´
Agora que chegaste, só quero saber se tens frio.
João Carriço
Sem comentários:
Enviar um comentário