A satisfação e a insatisfação são
uma constante inconstância e aliada à fácil vontade de revolta do português
para com Portugal, junta-se muitas vezes a questão deste se remeter à sua
insignificância (ou à que neste caso pensa que tem).
É certo que mais do que um povo
queixoso, o português tem direito a queixar-se do que bem entender mas muitas
das vezes está ridiculamente intrínseco ao português, queixar se quando não tem
grande legitimidade para tal.
Como diz um famoso poeta
futebolístico “ ser português é pensar pequeno”, e preso por uma corda de sisal
a este raciocínio vem a ideia do português, que com um mero toque ou bitaite,
consegue resolver todas as questões fraturantes da sociedade onde se insere.
Salários, litoralização, áreas
metropolitanas, panorama político no geral, meteorologia, trânsito, IVA,
futebol, desde os tópicos mais controversos ás questões mais simples, tudo
acaba por ser (ou pode ser) alvo de escrutínio por parte de um português
insatisfeito.
Nesta perspetiva, a insatisfação
é quase mágica, transformando muitas vezes o português no sabichão que opina e
resolve tudo. Orienta o que está desorientado, e conserta o que está partido,
tudo isto através da arte do paleio. Quase como se a insatisfação que “mal faz
moça” aos restantes europeus, tirasse o discernimento total ao português
descontente.
No fundo, o intuito desta crónica
era dizer, sub-repticiamente, que os portugueses acabam por não ter grande
coisa para se queixarem por viverem num belo país, mas agora que vejo bem, já
me deixei contagiar pelo meu Portugalismo.

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