segunda-feira, 8 de maio de 2023

Amor-próprio

 

Todos os sábados saio para passear, espairecer e ver o pôr de sol, e esta semana não foi diferente, sempre vou á fonte dos amores que fica por de trás do museu de tapeçaria.

 

Os fins de semana em Portalegre são sempre calminhas, a maioria dos estudantes que vão todos para casa, e por isso não há tanto movimento como num dia útil. Num certo dia acordei muito triste e desmotivada, fiz os trabalhos todos da faculdade, limpei o quarto e fiz as minhas marmitas da semana e ao fim do dia optei por ir ver o pôr do sol.

 

Ao chegar, deparei-me com um grupo de pessoas estranhas, que nunca nem se quer os tinha visto em Portalegre, não quis me aproximar e nem me envolver, sentei-me no muro e liguei os meus fones. De repente ouvi alguém a chamar por mim, tirei os fones e quando virei para trás vi que era o António, um amigo que tinha conhecido na faculdade e que por acaso também frequenta o mesmo ginásio que eu. 

Um rapaz padrão, alto, musculoso e de olhos azuis, um tipo bem peculiar e que chama a atenção, conversamos sobre as aulas, sobre a alimentação, sobre suplementos e sobre o meu plano de treino.

 

Entre as idas e vindas das conversas sobre coisas que certamente uma pessoa normal não percebia, o António tocou num assunto que é um dos meus pontos fracos, sem ter um porquê obvio ele agarrou a minha mão e começou a falar de sentimentos de amor e que estava apaixonado por mim e que queria saber se os sentimentos eram correspondidos. levei um susto, parei por um instante e, porque por mais que eu tinha uma paixoneta por ele, não estava à espera daquilo, mas mantive a postura por um instante parei para pensar, e na verdade não há nada que me impeça de viver mais uma aventura. 

 

E depois de um boa e longa conversa optamos em ficar no sigilo para nos conhecermos melhor, de entre encontros de desencontros se passaram três meses e decidimos que afinal, não tínhamos tanta coisa em comum, e optamos em seguir caminhos diferentes.

 

Os passeios nos sábados mantiveram, a companhia é que não.

Passei a gostar e apreciar a minha própria companhia, sem depender de ninguém e no final entendi que pessoas são passageiras nas nossas vidas, e o importante é nunca me perder de mim mesma, porque as pessoas entram e saem das nossas vidas, mas no final ficamos sempre sozinhos.



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