quarta-feira, 14 de junho de 2023

Aqueles olhos castanhos

    Era o primeiro dia de aulas do último ano do secundário. Tudo parecia normal. Era mais um ano letivo, mais um ano com os colegas que já trazia dos anos anteriores. No fundo, era só mais um dia de escola sem grandes novidades. Pois bem, ainda bem que não foi assim. Quando subo as escadas em direção à minha sala de aula e espreito para o fundo do corredor para ver se vejo alguém à porta, deparo-me com uma rapariga que não conhecia. Estava com cabeça baixa e mãos cruzadas, parecia ansiosa e muito misteriosa. Com curiosidade, chego perto, digo olá e pergunto quem ela é. De repente, levanta a cabeça, olha para mim e naquele momento tudo para. Tinha os olhos mais encantadores que eu alguma vira. Eram castanhos e enormes, o seu olhar tinha um brilho inexplicável que naquele momento me transmitiu a maior das felicidades. Em seguida, soltou um sorriso, cumprimentou-me, disse o seu nome e explicou-me que era nova na escola e que tinha ficado na minha turma. Ficamos a falar até o resto do pessoal chegar. Apresentei-a a todos, expliquei a situação, pois ela estava muito envergonhada. Posto isto, fomos para a aula e sem dúvida alguma foi a melhor aula de matemática que alguma vez tive. Só pensava naqueles olhos, naquele momento, naquela maneira meiguinha de ser que me deixou tão encantado. Nunca tinha ficado com tanta curiosidade sobre alguém, com tanta admiração, com tanta fascinação e por outro lado, com tanto nervosismo. Como é que uma simples conversa de cinco minutos me tinha deixado naquele estado? Em nenhum momento da minha vida tinha ficado assim por alguém. No fundo, eu sabia bem o porquê, sabia que estava ali alguém que no futuro me ia dizer muito e com a qual imensas histórias iriam surgir.


Daniel Pereira

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