segunda-feira, 12 de junho de 2023

Risos Irrisórios

 A comédia e o humor estão sempre sujeitos a um escrutínio forte e um julgamento constante, mas o que é certo é que desde um arrepio a uma gargalhada ou um choro de emoção, as sensações não são algo que consigamos controlar, ou pelo menos a 100 por cento.

As criticas referentes ao humor andam maioritariamente à volta do que é ou não correto, do que ofende ou do que não ofende, e no fundo do que é ou não aceitável.

Há coisas com que não se brinca ou não se deve brincar?

Como esta questão não tem uma verdade indubitável ao estilo dos dogmas, em teoria fica mal tomar uma posição concreta ou assumir-mos a verdade de alguém como nossa também, porque é feio.

Vivemos na era da superficialidade, onde as dores surgem por todo o lado, e graças a isto também é certo que o humor viveu dias mais plenos do que os que atravessa atualmente. O humor teve seguramente dias mais livres (ou sossegados) do que os que vive agora. Hoje em dia é facílimo olhar-mos para um skecth dos Monthy Pythons, dos Gato Fedorento ou do Herman e soltar-mos aquele “ Se isto fosse feito hoje em dia, a confusão que não dava.”

Grande exemplo disso é o próprio Herman José, quando por volta de 1986 realizou um sketch onde satirizava diversas figuras históricas e já na altura foi altamente enxovalhado pelos recetores. Foi defendido pelo professor José Hermano Saraiva, um historiador conhecidíssimo na área televisiva, que havia sido ministro do regime de Salazar, regime esse que bem conhecemos atualmente por suprimir diversas liberdades, entre outras grandes alegrias que a ditadura trouxe ao nosso pais.

Uma figura preponderante e imponente da época do estado novo, da antiga direita a defender um comediante pelo seu direito de dizer o que bem lhe apetece. Um homem

Para a pergunta dos limites do humor (a mais clichê de que me lembro) as visões oscilam, as opiniões são dúbias e as contradições nas mesmas. Puxa-se sempre pela cartada do “ a liberdade de uma pessoa começa quando acaba a do outro e blá blá blá blá…

Mas os supostos limites devem ser similares, andar de mãos dadas, com os limites da liberdade de expressão. Para além disso , a partir do momento em que alguém esboça uma reação risonha perante uma suposta piada o conteúdo desta não deve ser esmiuçado criticamente.

Dado os “não limites” que o humor tem (ou deve ter) , devia ser criada, similar a uma ERC  a ERH (Entidade Reguladora do Humor). Só resta mesmo chamar os politicamente corretos do costume para montar a autoridade, mas até numa questão como esta, ( que se abrirmos os olhos com alguma força é bastante simples) os supra sumos da moralidade iam discordar.

O que é certo é que de qualquer das maneiras, se a piada for sobre espátulas ou por exemplo sobre candeeiros, vamos ter sempre que esperar a chegada da associação portuguesa dos utensílios de cozinha e da associação portuguesa dos apetrechos fornecedores de luz para dar o seu parecer.




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