segunda-feira, 17 de março de 2025

A fruta certa

 

Se pensarmos na vida como uma maçã - também podia ser uma pitaia mas a ideia de descascar podia elevar a imaginação a outro patamar, por isso fixemo-nos numa sumarenta bravo-de-esmolfe – comê-la-íamos em suaves dentadas, a rodar, sempre em busca da parte mais doce. Fatal como o destino, apenas à última dentada se saberia qual  a melhor parte e, nem sempre como sucede quando saboreamos o prato favorito, é possível reservar o melhor.

Na vida, como a degustar a maçã, por vezes vezes o sabor desenha-se em jovem, aos primeiros gestos. Não é, por isso, de grande justiça que as gerações mais novas, pujantes, sejam condenadas a conviver naturalmente com crises económicas, financeiras ou, pior, políticas. Não é correto que quem esteja a começar vida ou a iniciar carreira, se veja constantemente numa agoniante incerteza.

É perfeitamente legítimo que a parte mais porreira e despreocupada da existência possa acontecer sem receios de partir os dentes. Às vezes acontece, mas que seja por causa daquilo que todos sabemos e não porque alguém crave um canivete nos rins como que à traição.  

Um bando de “fazendeiros impreparados”, destruidores de maçãs viçosas que vão sugando o potencial produtivo do país mergulham-no, e aos seus jovens de futuro, num labirinto sem GPS. Conselho para quem tem as cartas, não sabe mas tem: cuidar a arvore, escolher a melhor maça, espremê-la em sumo e tomá-lo de um trago. Só da indignação, força, formação e boa decisão podem surgir, finalmente, soluções decentes e adequadas. 

Está nas mãos desta juventude a inversão da tendencia onde a demografia, a qualificação e o processo decisório podem passar de problema a solução. 

P.S.: Baseado em dados puramente fictícios. Não há nenhum país desenvolvido que exporte talento, importe mão-de- obra, e tenha, pelo menos, quatro atos eleitorais em menos de um ano. (se calhar a ideia da pitaia fosse mais adequada)

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