O amor, que tantas vezes é cantado ou citado em prosa e verso, é descrito com gestos grandiosos, como juras eternas, gestos gigantes, épicos ou até mesmo declarações românticas ao pôr do sol na praia. Mas a verdade é que o amor, o amor do dia-a-dia, não vive desses momentos extraordinários e grandiosos. Muito pelo contrário, vive e encontra-se nas pequenas coisas. Coisas que à primeira vista podem parecer ações banais, na realidade é nessas ações que o amor se manifesta na sua maneira mais pura e bonita.
É no mau humor
da manhã, enquanto a casa ainda dorme, que começa o amor. Quando alguém se
levanta mais cedo para preparar o café, sabendo que aquele simples gesto, não
aquecerá somente o corpo, mas também o coração de quem o recebe. Não sendo isto,
apenas um café, mas sim um cuidado que é tido em forma de uma chávena quente,
que é dado de forma delicada para a pessoa especial.
O amor está até
na forma como, à noite, se aconchega a manta sobre os pés frios do outro, mesmo
quando não é pedido. Está no olhar cúmplice que se troca à mesa do jantar,
comunicando entre si sem a necessidade de haver palavras.
É muito fácil
perdermo-nos na rotina. O trânsito, o trabalho e a faculdade, as obrigações
diárias, tudo isto nos consome. No entanto, é no meio desse caos, que o amor
revela a sua força, ele não precisa de grandes manifestações. Vive na
capacidade de conseguir parar por momentos, e ouvir o outro. Ouvir de verdade,
mesmo que o que se esteja a ouvir, seja uma coisa banal ou as vezes sem grande
interesse para o momento, como as histórias do que aconteceu no trabalho, ou
até mesmo plano para o fim de semana. Ao ouvir o outro atentamente, o amor
afirma-se. Porque o amor diário, como tantas vezes, é a presença. E é estar mesmo,
de corpo e alma, não só “estar por estar”.
Há também o
amor que se faz de silêncios. Não daqueles silêncios constrangedores, mas sim
do silêncio partilhado, onde nada é preciso ser dito, porque a única coisa
necessária ali é a companhia do outro. Porque o amor é isto, as vezes só é preciso
sentarmo-nos ao lado de alguém e somente estar. Sem necessidade de justificações,
falar ou agir. Apenas estar é suficiente.
Amar, no fim
das contas, é mais do que as palavras que dizemos, os presentes caros que se
compram ou os gestos grandiosos dos filmes românticos. É o que fazemos diariamente,
quase de uma forma que nem se entende que o amor está lá. É fazer um café pela manhã,
ouvir o dia péssimo que o outro teve ou mesmo cuidar em silêncio. E, quando
damos conta, são esses pequenos momentos ou gestos, que no fim fazem toda a
diferença. É no dia-a-dia, que o amor se revela na sua forma mais bonita e
pura.
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