quarta-feira, 29 de abril de 2026

Desilusões

 Desilusões não avisam. Não mandam mensagem antes, não dão sinais claros. Acontecem. Às vezes vêm de pessoas, outras de planos, outras ainda daquela ideia meio ingénua de que as coisas iam correr exatamente como imaginávamos.

Crescer é, de certa forma, acumular pequenas desilusões. Não aquelas dramáticas de filme, mas as discretas, o amigo que afinal não era assim tão amigo, a oportunidade que parecia certa e falhou, ou até nós próprios quando não correspondemos às expectativas que criámos. E isso custa, mesmo quando tentamos fingir que não.

Há uma fase em que se começa a perceber que nem tudo tem explicação. Nem sempre há um motivo claro, nem sempre alguém pede desculpa, nem sempre há um “fim” bonito. E talvez a parte mais difícil seja lidar com as coisas que ficam em aberto.

Mas também há qualquer coisa de útil na desilusão, mesmo que na altura só nos apeteça desligar de tudo. Obriga-nos a ajustar o olhar, a baixar um pouco a idealização, a perceber melhor quem está e quem não está quando interessa.

A verdade é que ninguém escapa. Toda a gente se desilude, em momentos diferentes, por razões diferentes. E, com o tempo, aprende-se a não pôr expectativas irreais em tudo e todos. Não deixa de doer, mas deixa de surpreender tanto.

No fundo, desiludir-se é perder uma ilusão. E por mais chato que seja, talvez seja assim que a realidade começa, finalmente, a fazer mais sentido.


Beatriz Maia

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