Continente Africano , meados do século XV.
Acordo com o som de pássaros a cantar , da luz entrando pelas frestas da tenta , ja sentindo o vento quente matinal. Ouço de longe a gargalhada da minha filha acompanhada da voz da minha linda esposa , a dizer : " assim vais acordar o teu pai " . Levanto me e dirijo ate elas , dando lhes beijos e abraços com todo o amor que sinto por elas .
Saio em grupo com outros homens para procurar comida , após quase um dia inteiro voltamos com carne e frutas . Aqui todas as tarefas são divididas , ninguém fica parado , pois tempos difíceis se aproximam , a grande seca esta prestes a iniciar acompanhada dela doenças demoníacas que matam metade da aldeia. Que os deuses tenham misericórdia desse tribo sofredora .
No dia seguinte , tudo se repete. Oque parecer ser só mais um dia normal é marcado por algo incomum . Eu estava no alto de um penhasco procurando a rota dos búfalos , quando ao longe na direcção do mar vejos oque parece ser nuvens brancas a flutuar presa em madeira . Aviso o grupo e vamos em direção a praia , eles atravessavam o mar e as ondas como se fossem deuses , com roupas estranhas e objetos curiosos . Oque mais me fascinou era que esse povo era tão branco que parecia algodão.
A doce inocência , pela curiosidade levamos essa gente estranha ate a nossa tribo , pouco se entendia do que falavam , porém portavam objetos mágicos e sorrisos. Que dia miserável e desgraçada pelos deuses .
No nosso meio , tomaram pose de tudo que era nosso , os que tentaram resistir foram mortos com armas estranhas que não foram dadas pela natureza , sem armamento adequado fomos derotados e presos . As nossas mulheres e filhas estupradas e mortas nos nossos olhos . Foram feitas todo e qualquer tipo de atrocidade e perdemos oque nos era mais precioso , a nossa liberde .
Por uma peça do destino , sobrevivi , contra todas as minhas expectativas. Perdi minha família e a imagem que não saia dos meus pensamentos era da minha linda filha com 7 anos sendo feita de mulher por vários homens o grito e o último suspiro da minha mulher a morte dos meus irmãos e eu sem poder fazer absolutamente nada e isso irá me assombrar ate o meu último dia nessa vida maldita.
Atravessámos o mar Atlântico, que ficou conhecido como um cemitério submerso , pois aqueles que não sobreviviam eram simplesmente jogado nele , sem nenhuma humanidade. Pois deixamos de ser humanos nos tornaram mercadorias.
O porão do navio era cheio de ratos , esses transmitiram inúmeras doenças aos meus. Estávamos cobertos de sangue, lágrimas, desidratados e mortos por dentro.
Oque mais me fascina é que hoje em dia há quem diga que a escravidão nem foi tudo isso , como se fosse normal privar a liberdade de uma pessoa enquanto ele é tratado como um objeto. Não há esperança para melhoria da humanidade, pois quem não conhece o passado da sua história , estará condenado a repeti-la.
Arlinda do Rosário
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