segunda-feira, 13 de abril de 2026

Entre o que fui e aquilo que ainda estou a aprender a ser

Há fases da vida em que tudo muda ao mesmo tempo. Pessoas chegam sem aviso, outras afastam-se sem explicação, e nós ficamos no meio disso tudo, a tentar perceber quem somos agora.

Quando olho para mim, não vejo só quem sou hoje. Vejo todas as versões que já fui. A mais leve, que sentia sem pensar. A mais insegura, que tinha medo de tudo. E esta, que aprendeu a pensar antes de sentir, às vezes até demais.

Houve um tempo em que tudo parecia mais simples. Confiar não custava, sentir não pesava, e o futuro era só uma ideia bonita. Mas, com o tempo, comecei a hesitar mais. A guardar o que sentia. A escolher o silêncio quando queria falar. E, sem dar por isso, fui deixando partes de mim para trás.

Mas crescer não é só perder. É também encontrar.

Há pessoas que aparecem quando menos esperamos e que mudam tudo, mesmo sem fazerem muito. Ficam. Tornam os dias mais leves, a distância menos pesada, e fazem-nos perceber que não estamos sozinhos.

E depois há outras histórias. Aquelas que começam de forma intensa e acabam… sem realmente acabar. Conversas que deixam de acontecer, silêncios que substituem o que antes era fácil. E ficamos com perguntas, com dúvidas, com coisas por dizer. Talvez o mais difícil não seja o fim, mas a falta dele.

Ainda assim, tudo fica. De uma forma ou de outra, tudo nos molda.

Hoje percebo que crescer é isso: aprender a deixar ir e, ao mesmo tempo, saber o que guardar. Nem tudo fica, mas nem tudo se perde.

E talvez ainda bem.

Beatriz Maia

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