Há fases da vida em que tudo muda ao mesmo tempo. Pessoas chegam sem aviso, outras afastam-se sem explicação, e nós ficamos no meio disso tudo, a tentar perceber quem somos agora.
Quando olho para mim, não vejo só quem sou hoje. Vejo
todas as versões que já fui. A mais leve, que sentia sem pensar. A mais
insegura, que tinha medo de tudo. E esta, que aprendeu a pensar antes de
sentir, às vezes até demais.
Houve um tempo em que tudo parecia mais simples.
Confiar não custava, sentir não pesava, e o futuro era só uma ideia bonita.
Mas, com o tempo, comecei a hesitar mais. A guardar o que sentia. A escolher o
silêncio quando queria falar. E, sem dar por isso, fui deixando partes de mim
para trás.
Mas crescer não é só perder. É também encontrar.
Há pessoas que aparecem quando menos esperamos e que
mudam tudo, mesmo sem fazerem muito. Ficam. Tornam os dias mais leves, a
distância menos pesada, e fazem-nos perceber que não estamos sozinhos.
E depois há outras histórias. Aquelas que começam de
forma intensa e acabam… sem realmente acabar. Conversas que deixam de
acontecer, silêncios que substituem o que antes era fácil. E ficamos com
perguntas, com dúvidas, com coisas por dizer. Talvez o mais difícil não seja o fim,
mas a falta dele.
Ainda assim, tudo fica. De uma forma ou de outra, tudo
nos molda.
Hoje percebo que crescer é isso: aprender a deixar ir
e, ao mesmo tempo, saber o que guardar. Nem tudo fica, mas nem tudo se perde.
E talvez ainda bem.
Beatriz Maia
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