Liricamente
Dialogando
Crescer
a ouvir músicas sobre pintainhos e como a vida promete é a típica infância que
a maioria dos jovens da “geração z” passou, à medida que se vai crescendo e se
vai passando por várias e complicadas situações também se vai alterando o gosto
musical, que para a maior parte das pessoas é algo tão importante como o
primeiro beijo, a diferença entre estes é de que o gosto musical vai
melhorando, deixa-se no passado as músicas dos “morangos com açúcar” e o leque
musical expande-se de uma forma que faz lembrar os descobrimentos portugueses,
a música portuguesa torna-se algo relativo, existem pessoas que adoram e outras
que, tal como os nossos profissionais, emigram para países de língua
estrangeira, tal como o melhor rapper português diria, Sam The Kid, “Novas
doutrinas que alteram rotinas à procura de vidas londrinas”, esta designação de
melhor rapper parte do princípio de que para ser considerado o melhor de um
certo país tem de ser um grande nacionalista e ter um talento inconfundível,
Sam tem os dois e muito mais, passou por inúmeras situações e aprendeu valiosas
lições de vida, juntando estas duas ao talento que tem para passar para o papel
o que viveu faz com que seja uma espécie de “Buda” na cultura Rap portuguesa.
A
letra de cada música ganha vida e faz com que nos identifiquemos com cada
verso, por vezes até demasiado, poderia aqui enumerar um vasto número de artistas
com os quais a população portuguesa delira mas nunca mais sairia daqui, até
porque cada um tem uma abordagem diferente desta maravilha que é a música, cada
um teve experiências diferentes e cada um tem uma maneira única de nos fazer
arrepiar ao escutá-los. Quando há pouco referi que nos identificávamos, estava-me
a referir aos pormenores que cada músico subentende em cada música que faz,
acho que todos nós temos uma música preferida, e se não, de certeza que um “top
5”, devido a compreendermos o que é passar por essa experiência ou conhecermos
alguém que tenha passado, também existem músicas que ouvimos apenas por
gostarmos da batida ou por ter uma letra engraçada, mas penso que esta faceta
tira um pouco a verdadeira essência da música, que no meio de ruídos e batidas
tem sempre uma letra que nos faz interessar.
Mais
do que um movimento cultural, o Rap é terapia, e como diria o Sam, “Quando a
vida ficar vazia faz ela virar poesia”, e na atualidade, onde todos têm
desgostos amorosos e utilizam o telemóvel para se entristecerem ainda mais, o “Mechelas”
juntamente com o rapper Regula dão os melhores conselhos através do som “Solteiro”,
a melhor prova de que música não é só música, e que um desgosto não é a pior
coisa do mundo, “Farto de aventuras, juras e promessas, melhor do que tu
procuras é quem tu tropeças”, e que a vida de solteiro nem é assim tão má, “eu estou
solteiro e sozinho em casa, e em homenagem à Amy é sozinho em casa”, através de
expressões e referências, como esta da Amy Whinehouse, faz com que este estilo
seja pura poesia cantada.
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