terça-feira, 13 de abril de 2021

Liricamente Dialogando

 

Liricamente Dialogando

 

Crescer a ouvir músicas sobre pintainhos e como a vida promete é a típica infância que a maioria dos jovens da “geração z” passou, à medida que se vai crescendo e se vai passando por várias e complicadas situações também se vai alterando o gosto musical, que para a maior parte das pessoas é algo tão importante como o primeiro beijo, a diferença entre estes é de que o gosto musical vai melhorando, deixa-se no passado as músicas dos “morangos com açúcar” e o leque musical expande-se de uma forma que faz lembrar os descobrimentos portugueses, a música portuguesa torna-se algo relativo, existem pessoas que adoram e outras que, tal como os nossos profissionais, emigram para países de língua estrangeira, tal como o melhor rapper português diria, Sam The Kid, “Novas doutrinas que alteram rotinas à procura de vidas londrinas”, esta designação de melhor rapper parte do princípio de que para ser considerado o melhor de um certo país tem de ser um grande nacionalista e ter um talento inconfundível, Sam tem os dois e muito mais, passou por inúmeras situações e aprendeu valiosas lições de vida, juntando estas duas ao talento que tem para passar para o papel o que viveu faz com que seja uma espécie de “Buda” na cultura Rap portuguesa.

A letra de cada música ganha vida e faz com que nos identifiquemos com cada verso, por vezes até demasiado, poderia aqui enumerar um vasto número de artistas com os quais a população portuguesa delira mas nunca mais sairia daqui, até porque cada um tem uma abordagem diferente desta maravilha que é a música, cada um teve experiências diferentes e cada um tem uma maneira única de nos fazer arrepiar ao escutá-los. Quando há pouco referi que nos identificávamos, estava-me a referir aos pormenores que cada músico subentende em cada música que faz, acho que todos nós temos uma música preferida, e se não, de certeza que um “top 5”, devido a compreendermos o que é passar por essa experiência ou conhecermos alguém que tenha passado, também existem músicas que ouvimos apenas por gostarmos da batida ou por ter uma letra engraçada, mas penso que esta faceta tira um pouco a verdadeira essência da música, que no meio de ruídos e batidas tem sempre uma letra que nos faz interessar.

Mais do que um movimento cultural, o Rap é terapia, e como diria o Sam, “Quando a vida ficar vazia faz ela virar poesia”, e na atualidade, onde todos têm desgostos amorosos e utilizam o telemóvel para se entristecerem ainda mais, o “Mechelas” juntamente com o rapper Regula dão os melhores conselhos através do som “Solteiro”, a melhor prova de que música não é só música, e que um desgosto não é a pior coisa do mundo, “Farto de aventuras, juras e promessas, melhor do que tu procuras é quem tu tropeças”, e que a vida de solteiro nem é assim tão má, “eu estou solteiro e sozinho em casa, e em homenagem à Amy é sozinho em casa”, através de expressões e referências, como esta da Amy Whinehouse, faz com que este estilo seja pura poesia cantada.

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