No passado domingo fez exatamente oito dias que Portugal festejou pelo quadragésimo sétimo ano consecutivo o Dia da Liberdade. Assinalado com comemorações festivas em várias freguesias portuguesas, muitas figuras que contribuíram para o desenvolvimento social de uma determinada zona são, por norma, homenageadas neste feriado.
Apesar da pandemia, a junta de freguesia da
minha terra não deixou este dia passar impune - optaram por homenagear figuras
que já estavam para ser homenageadas não só desde o ano passado, mas que há
muito mereciam este reconhecimento. E uma das pessoas homenageadas foi o meu
avô, que desde muito cedo estimulou o interesse por parte da população na área
do desporto local, e reconhecido também pela sua notável liderança e funções exercidas profissionalmente
na vila onde sempre passou, e continua, a passar os seus dias.
Durante o discurso do presidente da câmara,
dei por mim a pensar numa frase que foi proferida por este - “Eu gosto das
pessoas, a memória das pessoas é de todos e, posto isto, gosto de homenagear as
pessoas enquanto estas estão vivas”. Apesar deste discurso soar muito trivial, (ora
não fosse ano de eleições autárquicas), não consegui ajudar a não concordar com
o que foi dito. Porque é só nos lembramos de homenagear certas pessoas quando
estas morrem? Será que não as homenageamos em vida para não perdermos tempo e, quando
morrem, para não nos sentirmos culpados de não termos feito nenhuma condecoração
à pessoa, fazemos uma pequena comemoração de vida em prol desta para libertar
algum peso que está na nossa consciência de que podíamos ter feito mais e mais cedo, ou somos
simplesmente surpreendidos quando a pessoa falece, porque somos inocentes ao achar que as pessoas duram para sempre?
Apesar deste ser um argumento um pouco impropério,
a verdadeira conclusão que tiro das comemorações de vida é que não deveriam de
ser necessárias. As coisas são para serem ditas todos os dias, à medida que as sentimos, de modo a não cairmos na modéstia de deixar de agradecer algo que fizeram por
nós, ou até um sentimento que a outra pessoa sabe que temos por ela, mas que não
exprimimos há algum tempo. O óbvio também é para ser dito.
Francisco Tomé

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