Era uma miúda, não há muito tempo atrás. Ainda sou - ainda faço por sê-lo. Ainda faço por manter a vivacidade que costumava ter quando tudo era mais fácil. Quando a noção não se tinha assentado em mim como a poeira assentou nos livros do meu avô. Quando a pureza permanecia lado a lado com a inocência.
Hoje o que trago comigo são apenas memórias desses anos, que atualmente têm um sabor diferente. Sabem a saudade com uma pitada de tristeza. Não que hoje seja triste, sofro apenas de uma felicidade diferente. Com mais clareza e com direito a ponderação. Hoje o pensamento pesa, já que tenho de carregar todo este ser, que está atolado em histórias e vivências, felicidades e tristezas, amores e dores, para onde quer que vá. Se alguma vez se perguntaram porque é que o mundo se divide tanto entre o 8 e o 80, está aqui uma parte da resposta. Somos o tudo ou o nada, o azar ou a sorte, a dúvida ou a certeza. Somos a mesma miúda de há uns anos, mas também somos a mulher de há uns minutos.
Sinto-me uma velha a dizer estas maluquices e a pensar estes disparates, mas é que ultimamente ando numa luta intensa comigo própria. Estou constantemente a tentar ser melhor por alguém ou para alguém, por mim ou para mim. Sinto que é um projeto eternamente inacabado esta tentativa de manter a miúda que ainda existe em mim, e a esperança de crescer e ser a mulher que sei que um dia quero ser. Quero crescer e melhorar, sem nunca perder a vivacidade, a pureza e a inocência da miúda que era, só acrescentando a noção, a clareza e a ponderação da mulher que me vou tornando.
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