domingo, 23 de maio de 2021

"o sol é de todos menos meu"

    Por vezes, temos um daqueles dias em que tudo parece correr ao contrário do desejado. Um daqueles dias em que parece que nos estão a por à prova, em que surge um imprevisto e parece que tens alguém dentro da tua cabeça e que te questiona constantemente, "E agora, como é que te desenrascas?".

      Por exemplo, está uma pessoa deitada a pensar que está muito bem disposta e que o dia vai correr mesmo bem, quando olha para as horas e vê que está atrasada porque o despertador não tocou, e lá se vai a boa disposição. Entretanto, depois de levar com o transito no caminho, parece que toda a gente se lembrou de sair à mesma hora, parece que o dia finalmente começa a correr bem. Acontece que se dirige a uma aula e se lembra nesse preciso momento que na aula anterior o professor pediu o computador, e o computador estava em casa. Depois chega a hora do almoço, após umas cinco voltas à carteira apercebe-se que não tem dinheiro que chegue para comer, mas lá há alguém que se oferece para o pagar. Na continuação das aulas, há ainda aquela altura da correção de um trabalho, e com um bocadinho de sorte, perguntam-lhe logo a única questão a que não soube responder. Por fim chega a altura de ir para casa, em que tudo parece mais tranquilo, em que já só pensa em lá chegar e descansar de toda aquela correria. Mas não. Distrai-se um pouco com as horas e perde o autocarro, tenta arranjar boleia com alguém, mas parece que toda a gente se lembrou que tinha algo importante para fazer naquele momento. Fica então à espera do próximo autocarro. Finalmente em casa, convencida de que pode então relaxar, liga a televisão, que precisamente naquele dia decide não funcionar. Lembra-se então de ir à internet, que parece estar bem mais lenta que nos outros dias.

      É nestas alturas que uma pessoa pensa, "mas que mal é que eu fiz". É nestas alturas que se olha para os outros, mesmo não conhecendo de lado nenhum, e sem sequer ocorrer que possam ter muitos mais problemas do que nós, ou bem piores, e se fica com uma sensação de, como canta o António Zambujo, "o sol é de todos menos meu".

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