Ultimamente tenho dado por mim a pensar demasiado na filosofia de insucesso dos casamentos. É frequente nós, mais jovens, que não temos um conhecimento tão aprofundado do que realmente é o amor e de tudo o que um compromisso sério traz consigo, ser frequente ouvirmos dos mais velhos frases como “Nunca te cases!”, ou até mesmo “Olha que são só chatices… Se eu soubesse o que sei hoje, nunca me tinha casado”. Mas o mais engraçado é que este tipo de comentários vem sempre de pessoas que, na maioria dos casos, casaram por opção própria, fruto de um amor que por norma teve início numa relação mais casual, em que se foram conhecendo ao longo do tempo e toda essa lengalenga que levou ao matrimónio. Mas a verdade é que 70 em 100 dos casamentos em Portugal acabam em divórcio. O que é que levará as pessoas a quererem realmente o divórcio? Sei que a panóplia de respostas é diversa e que na maior parte das vezes o fim dos casamentos tem origem em desentendimentos mútuos que por sua vez originam discussões, raiva e tensão acumulada, e consequentemente o casal começa a ver a sua cara-metade (se é que é mesmo) com outros olhos e questionam-se se é mesmo aquela falta de compreensão, progresso e entusiasmo que querem para o resto das suas vidas.
Mas então e os casamentos Hindu? Olhemos então para eles, que são diferentes de nós caucasianos em quase todos os aspetos. Começando pela espera no altar, quem espera é a noiva, por exemplo, coisa que em Portugal seria impossível. Era só o que mais faltava em terras de cozido à portuguesa ser a mulher a esperar pelo marido seja onde for, especialmente no altar. Os casamentos na Índia têm uma taxa de divórcios relativamente baixa comparativamente com Portugal, e isto poderá ser devido a vários fatores que não reinam por Portugal e que, se passassem a reinar, eram olhados com muita estranheza. Qual era o bom português que gostaria de um matrimónio arranjado pelos pais para escolher a sua cara-metade? Ou até mesmo aguentarem até ao casamento sem praticarem relações sexuais, porque é quase que uma obrigação se casarem virgens? A única coisa que os bons portugueses gostariam mesmo era o facto de a festa durar três dias.
No entanto, se querem ter a minha crónica em
consideração, não vejam filmes de Bollywood. Lá, vocês vão ver divórcios ou
noivas a fugir no dia dos seus casamentos Hindu, e o que eu vos quis aqui
mostrar foi um exemplo da filosofia de insucesso dos casamentos caucasianos, e
a de sucesso dos casamentos Hindu. E sem falar que nos filmes de Bollywood o
que irão ver é uma simples ficção. Acreditem em mim, que sou um caucasiano que
nunca se apaixonou nem nunca teve numa relação. Mas isso são pormenores. E o
título da crónica? Bem, na verdade é Quinta da Bela Vista porque soa-me a um sítio
onde pessoas caucasianas se casam.
Francisco Tomé
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