Dei por mim a pensar em demasia na filosofia dos concertos musicais. Será insano pagarmos uma quantia (por vezes, nada modesta) para assistir uma pessoa que nem se quer conhecemos pessoalmente e que nem fazemos a mínima ideia de como esta seja, apenas pelo simples facto de gostarmos de músicas que se limitam a interpretar e que, muitas das vezes, nem são compostas por estes?
Ou mais absurdo ainda, pagar
um balúrdio para conhecer os nossos ídolos no backstage quando, na
verdade, não passam de pessoas normais, mas que estão a cobrar um rim aos
pobres fãs em troca de uma dúzia de abraços e uns sorrisinhos?
O que conhecemos, é
a figura que nos é imposta e que muitas vezes é levada a “contracenar” por
produtoras para nos dar uma ideia que, na verdade, não corresponde à
personalidade da pessoa.
Será que o nosso
ídolo musical nos provocaria asno a comer, será que trata mal a mãe ou até o
simples empregado de mesa e nem deixa gorjeta? Deixamo-nos levar pela aparência,
e é nos incumbida uma idealização de pessoa perfeita, deixando todas estas
questões no fundo da nossa mente.
Além disso, são
perguntas às quis nunca poderemos vir a saber a resposta devido à
superficialidade que atinge a maioria dos artistas e a maneira como os vimos, e
tudo isto acontece porque a música, de certa parte, existe para nos fazer
distrair do que se passa na atualidade.
E este tema não é novidade,
aconteceu com os Beatles na década de 60, com Elvis Presley na década de 50, e
mais recentemente temos o exemplo das Pussy Riot que, por volta do ano
2016, o grupo musical feminino utilizava a música como uma tentativa de fuga e,
também de critica, ao regime opressor russo, chegando inclusive algumas das integrantes
da girls band a serem presas.
Portanto, além da música
nos acompanhar em vários momentos do nosso dia-a-dia, indiretamente cria-nos uma
sensação de serenidade e de distração involuntária – e não é que seja
necessariamente uma coisa má, porque na verdade quem é que não gosta de uma boa
distração do meio envolvente? Para mim, não há nada como a sensação da letra ou
melodia de uma música transportar-me para milhares de milhas de distância.
Francisco Tomé
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