segunda-feira, 21 de junho de 2021

Como a música existe para nos fazer distrair do que se passa na atualidade

    Dei por mim a pensar em demasia na filosofia dos concertos musicais. Será insano pagarmos uma quantia (por vezes, nada modesta) para assistir uma pessoa que nem se quer conhecemos pessoalmente e que nem fazemos a mínima ideia de como esta seja, apenas pelo simples facto de gostarmos de músicas que se limitam a interpretar e que, muitas das vezes, nem são compostas por estes?

Ou mais absurdo ainda, pagar um balúrdio para conhecer os nossos ídolos no backstage quando, na verdade, não passam de pessoas normais, mas que estão a cobrar um rim aos pobres fãs em troca de uma dúzia de abraços e uns sorrisinhos?

O que conhecemos, é a figura que nos é imposta e que muitas vezes é levada a “contracenar” por produtoras para nos dar uma ideia que, na verdade, não corresponde à personalidade da pessoa.

Será que o nosso ídolo musical nos provocaria asno a comer, será que trata mal a mãe ou até o simples empregado de mesa e nem deixa gorjeta? Deixamo-nos levar pela aparência, e é nos incumbida uma idealização de pessoa perfeita, deixando todas estas questões no fundo da nossa mente.

Além disso, são perguntas às quis nunca poderemos vir a saber a resposta devido à superficialidade que atinge a maioria dos artistas e a maneira como os vimos, e tudo isto acontece porque a música, de certa parte, existe para nos fazer distrair do que se passa na atualidade.

E este tema não é novidade, aconteceu com os Beatles na década de 60, com Elvis Presley na década de 50, e mais recentemente temos o exemplo das Pussy Riot que, por volta do ano 2016, o grupo musical feminino utilizava a música como uma tentativa de fuga e, também de critica, ao regime opressor russo, chegando inclusive algumas das integrantes da girls band a serem presas.

Portanto, além da música nos acompanhar em vários momentos do nosso dia-a-dia, indiretamente cria-nos uma sensação de serenidade e de distração involuntária – e não é que seja necessariamente uma coisa má, porque na verdade quem é que não gosta de uma boa distração do meio envolvente? Para mim, não há nada como a sensação da letra ou melodia de uma música transportar-me para milhares de milhas de distância.

 

 Francisco Tomé

Sem comentários:

Enviar um comentário

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...