Creio que já todos tenhamos visto o famoso programa do canal televisivo da SIC, “Alta Definição”. E se nunca viram um episódio completo, creio que já tenham passado por um daqueles clips que costumam aparecer na página inicial do Facebook ou nas tendências do YouTube, maioritariamente devido a uma parte em que um dos convidados revela algo extremamente pessoal.
O programa é apresentado
pelo diretor do próprio canal, Daniel Oliveira, que há não muito tempo se viu
envolvido num escândalo de supostas agressões sexuais. Composto por episódios
de cerca de 40 minutos, o programa é centrado em duas personagens; Daniel
Oliveira, que conduz a entrevista, e um convidado que de alguma forma está
ligado ao grande ecrã.
Várias
personalidades da TV que de alguma forma estão ligadas ao mundo da arte são
frequentemente convidadas a aparecer no programa, sempre com a condição de expor
algo das suas vidas pessoais, como por exemplo: como corre a vida, como correu,
e o que correu bem e menos bem, e o porquê.
Há quem olhe para o
programa como um ato de coragem e pense “Epa, é mesmo bom”; “Que bela história
de vida” ou “Coragem para vir contar uma coisa destas”. Mas isto não é serviço
público, de maneira alguma. Até que ponto é que os convidados não se sentirão desconfortáveis
a expor o seu lado mais pessoal para milhões de pessoas? Ou, até para a grande
maioria que por ali passa, até que ponto é que se sentem confortáveis a contar
o seu lado mais pessoal para o seu chefe?
Envolvendo lágrimas
(se são de crocodilo ou não, não sei) até sorrisos, o que é verdade é que o
famoso programa já está no ar desde 2009, com mais de 500 entrevistas. E não é
que seja uma obrigação os convidados participarem, mas além de eu não acreditar
que não haja uma única pessoa que se tenha sentido desconfortável com tamanha
exposição da sua vida mais pessoal, a verdade é que aquele programa é um golpe
de génio de escalada na carreira.
O telemóvel de
Daniel Oliveira está cheio de gente rica e influente que sente ter uma relação
íntima com ele porque já os fez chorar. Manipulação emocional deles e do
público. Assédio ou não, é sinistro que dói.
Francisco Tomé

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