terça-feira, 22 de junho de 2021

Para o meu avô

 Este pequeno desabafo foi escrito a 17 de janeiro de 2015, às 00:33

Tinham passado 3 dias desde a morte do meu avô e eu na altura com 14 anos precisava colocar em palavras o que se passava na minha cabeça. Apenas a minha família leu...até hoje


    Então, como está o senhor'" Nos últimos tempos esta era a minha primeira frase ao vê-lo.

    É nestas alturas que nos apercebemos da força das palavras e os sentimentos que transmite. Todos aqueles "Sabes que estou aqui", todos os "sabes que podes falar comigo", os "se precisares de falar basta ligares-me", todo este apoio tem a força de fazer com que este momento seja um pouco menos difícil.

A sua paixão pela música faz-me pensar que na vida real a teoria não nos serve de nada, pois o avô não tirou nenhum curso para ser avô, para ser pai, para ser marido, para ser Homem. Sim, Homem com letra tão grande assim como o seu sorriso, sempre sincero.

Foi e será sempre um grande homem, um grande marido, um grande pai e um grande avô. Gostava que estivesse aqui para me ver crescer, a mim, à mana, ao Santiago, à Leonor, à Madalena, ao João Pedro, à Ana e ao primo que aí vem. Gostava que visse mais um Satisfaz Bastante meu, gostava que visse as fotografias da viagem que tanto estou a "trabalhar" para conseguir, gostava que visse, quiçá, eu a acabar a universidade, futuramente a minha casa, e quem sabe os meus filhos. Mas já não pode. Não está comigo mas sei que estará sempre a ver-me a cometer os meus erros e as minhas boas ações.

     A sua partida repentina deixou todos os que o amavam em choque. Poderia ter sido um dia qualquer, mas não depois da sua melhora a olhos vistos. Aquela quarta-feira será sempre recordada como "o dia em que partiu o homem do bombo" ou "o dia em que partiu o homem do assobio", talvez "o dia em que partiu o João Fino".

     A avó tem muita força, com a nossa ajuda ela vai conseguir. O relógio já está a funcionar e as saudades de si começam a apertar. Não sei se fui a neta que gostava, mas tentei. Tentei e vou continuar a tentar para que aí de cima me mostre o seu sorriso e se sinta orgulhoso.

    Talvez todas as lágrimas que hoje saíram da cara daqueles que o acompanharam no funeral foram, outrora, sorrisos que essas mesmas pessoas deram por o ver.

    Nunca esperei que fosse embora tão cedo, mas finalmente parou de sofre. Precisamos que olhe por nós e que nos ajude, coisa que sempre fez.

    Tenho pena que todas estas palavras não tenham a força de o trazer para nós.

    Só me resta despedir, de uma forma tão estranha e tão vazia, ainda que o meu coração esteja cheio de bons momentos consigo.


Adeus avô. Fique bem.

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