Hoje é um daqueles dias que preciso
de escrever, desabafar e deixar o meu coração falar. Bem nem sei bem por onde
começar, talvez deve-se começar pelo início. Quero falar-vos da máscara que
utilizo todos os dias e não, não é a máscara que utilizamos para nos proteger
do covid.
Toda gente que acha que me conhece,
pensam que eu sou um palhacinho ou que simplesmente gosto de fazer “figuras”.
Outras acham que por estar sempre bem-disposto que a minha vida é recheada de felicidade,
mas não é. Ainda existe aquelas pessoas que acham que tudo o que faço é para
agradar os outros. Tenho 22 anos de idade e sinceramente nunca liguei muito ao
que pensam de mim. Ontem sem motivo aparente comecei a pensar, será que é certo
eu não demonstrar o que realmente que sou? Ou será que me estou a tornar na
máscara que criei? Em determinada altura pensei, sou o Carlos Filipe Gil da
Cruz Alves ou só apenas um personagem criado por mim? Estou inseguro, embora
demonstre as pessoas que não, mas infelizmente sou das pessoas mais inseguras
que conheço.
O carlos sem máscara é alguém
sensível, que se preocupa com os outros, pareço aéreo, mas sou mais atento do
que aquilo que parece, podia estar aqui enumerar muitas diferenças, mas não o
vou fazer. O objetivo da máscara era proteger as minhas inseguranças. Nunca
tiveram medo de que não gostem de vocês? Sabem eu não, o meu único medo sempre
foi que se aproveitem do meu coração mole, de eu não saber dizer que não. Houve
pessoas que se aproveitarem, o que fez que criasse esta máscara.
Ultimamente tenho tido vários
problemas, mas o que me dói mais são os da minha família. Nunca estive tão
longe deles. Quando cheguei a Portalegre e depois de me ambientar, a minha mãe
contou-me que o meu tio tinha cancro na garganta, sempre tentei a distância dar
o máximo de apoio possível, tentei sempre mostrar que estava tudo bem. A
verdade é que não estava. A verdade é que estava completamente destruído por
dentro. Com o tempo acostumei-me a ideia, não foi fácil, mas consegui. Até que
o meu tio foi operado, na minha cabeça iria ficar tudo bem. Quando me apercebi
que ele não iria puder falar, quando vi o depois da operação, sorri e de
seguida enfiem-me dentro do quarto a chorar. Poucos sabem o que passamos. Este
é um problema da máscara disfarço tanto que quando quero apoio e não tenho. Mas
não era este momento em que devia de aparecer amigos? Pois alguns apareceram,
mas não tantos como eu esperava. Percebi que se calhar devia ser “eu” e não a
máscara. Quem gosta de mim, vai sempre ficar, certo?
Vou deixá-la cair, agora vou ser o
Carlos.
Gostei muito do seu texto @Carlos. 🥰👌
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