quinta-feira, 3 de junho de 2021

A (des)valorização dos bens ditos básicos

O Portugal que temos hoje não era o Portugal de há cinquenta anos. Eramos o pior país da Europa em todos os aspetos e mais alguns e tínhamos muitos problemas, que embora alguns possam persistir até aos nossos dias, são quase escaços ou nenhuns.

Hoje em dia ficamos de coração cheio quando vemos que o nome do nosso país vai para além-fronteiras; que é valorizado em diversos aspetos e até mesmo reconhecido noutros; que os nossos produtos são de excelente qualidade e estão na boca do Mundo; e que Portugal está mais moderno e que já não existem problemas de 3ºmundo, pois problemas relacionados com bens básicos só acontecem lá muito longe, parecendo uma realidade muito mais distante do que é realmente.

Também não posso negar o que acabo de afirmar, pois os meus pensamentos vão muito ao encontro destas ideias. Mas mesmo assim, alguns casos dão que pensar se realmente isto é mesmo assim, ou se teremos de nos aproximar do país para ver a verdadeira realidade.
Pois bem, foi essa a experiência que tive quando há duas semanas estava a ler a atualidade da imprensa regional de Portalegre e deparo-me com uma notícia que para além de dar que pensar, é daquelas que uma pessoa fica incrédula. Trata-se de uma aldeia no concelho de Ponte de Sor que só em 2021 (em pleno século XXI), recebeu água canalizada.
Isto dá que pensar e embora que seja um momento muito importante e histórico para a população daquela localidade, não deixa de ser algo com que uma pessoa fique a pensar sobre o assuntos, numa altura onde se fala tanto num país tão desenvolvido como hoje conhecemos e vemos muitas ações ligadas à proteção das populações e onde já nem devia existir discussão sobre a implementação ou não dos tão importantes direitos básicos de sobrevivência na sua plenitude.

Culpados? Culpas? Problemas? Pois bem sempre vai existir mil e uma explicações para que possamos tentar perceber o que realmente se passa e as culpas vão sempre cair a algo ou alguém. Até a velha história que já não pega do interior vai surgir, mas isso é o menos, pois visto bem as coisas, a maior relíquia de um país, são as suas gentes.

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