domingo, 13 de junho de 2021

Troca-me lá isso por miúdos


Como futura comunicadora tenho um hobbie caricato: observar.

Desde que comecei a ser considerada alguém (leia-se, idade suficiente para participar em certas conversas e ter uma opinião que começa a ser apreciada) que reparo numa característica humana, uma característica que me entristece tanto como me deixa curiosa.

Falo das pessoas que têm o hábito de falar com linguagem mais erudita para serem tomados como pessoas mais “notáveis”. São aquelas pessoas que dizem “putrefato” quando podiam perfeitamente ter dito “a apodrecer” ou quando dizem que determinado processo é “cuntatório” em vez de dizerem simplesmente que é “demorado”.

A questão não reside na utilização deste vocabulário mas sim na ocasião em que é utilizado. Muitas das vezes, quem decide demonstrar os seus tamanhos conhecimentos só o faz porque nesse ambiente há alguém que talvez não conheça todas aquelas palavras e dessa maneira há um destaque desse orador. A tristeza do assunto foca-se na vaidade e não na sabedoria.

Qual é o objetivo de nos engrandecermos perante pessoas que não tiverem o mesmo percurso que nós e, por isso, era muito pouco provável saberem o significado daquela palavra ou expressão

E neste momento estão vocês a pensar “Mas tu fazes o mesmo, usas vocabulário menos conhecido quando falas e depois armas-te em esperta a explicar o seu significado”. Aí é que está! O uso de linguagem mais formal é para mim um teste e não uma vaidade, é um teste para mim, para que eu esteja sempre a evoluir. Se não aceitarem esta justificação lembrem-se que “é preciso sair da ilha para ver a ilha” e como não consigo sair de mim posso, mais uma vez, criticar-me criticando os outros.


 

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