Desde que comecei a ser considerada alguém (leia-se, idade
suficiente para participar em certas conversas e ter uma opinião que começa a
ser apreciada) que reparo numa característica humana, uma característica que me
entristece tanto como me deixa curiosa.
Falo das pessoas que têm o hábito de falar com linguagem
mais erudita para serem tomados como pessoas mais “notáveis”. São aquelas
pessoas que dizem “putrefato” quando podiam perfeitamente ter dito “a apodrecer”
ou quando dizem que determinado processo é “cuntatório” em vez de dizerem
simplesmente que é “demorado”.
A questão não reside na utilização deste vocabulário mas sim
na ocasião em que é utilizado. Muitas das vezes, quem decide demonstrar os seus
tamanhos conhecimentos só o faz porque nesse ambiente há alguém que talvez não
conheça todas aquelas palavras e dessa maneira há um destaque desse orador. A
tristeza do assunto foca-se na vaidade e não na sabedoria.
Qual é o objetivo de nos engrandecermos perante pessoas que não tiverem o mesmo percurso que nós e, por isso, era muito pouco provável saberem o significado daquela palavra ou expressão
E neste momento estão vocês a pensar “Mas tu fazes o mesmo,
usas vocabulário menos conhecido quando falas e depois armas-te em esperta a
explicar o seu significado”. Aí é que está! O uso de linguagem mais formal é
para mim um teste e não uma vaidade, é um teste para mim, para que eu esteja
sempre a evoluir. Se não aceitarem esta justificação lembrem-se que “é preciso
sair da ilha para ver a ilha” e como não consigo sair de mim posso, mais uma vez,
criticar-me criticando os outros.
Sem comentários:
Enviar um comentário