Em outubro de 2021 que embarquei na aventura do que é a universidade, do que é ficar longe da família, pois sou dos Açores. Entrei no Politécnico de Portalegre, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais. Uma universidade que fica no meio do Alentejo, se me imaginava lá? Nem por isso. Como só entrei na segunda fase todos os que entraram na primeira já tinha tido duas semanas de aulas e de praxe, ou seja, a maior questão de todas era, fazer ou não praxe. Falei com os meus pais se valeria a pena, sendo que já existem grupos formados e seria muito mais difícil me integrar, disseram-me para pelo menos dar uma oportunidade à vida académica, eu, sem esperança alguma experimentei e não podia ter feito melhor!
Quando
cheguei ao Jardim da Corredora, vi imensos universitários, algumas caras
conhecidas pois eram meus colegas e outros da residência.
Aqueles
que estavam naquela experiência há mais tempo e que também me conheciam
tentaram explicar-me como as coisas funcionavam, o que tinha de fazer a cada
palavra que eles diziam, como, “granada”, entre muitas outras coisas. O que
mais me fez ter receio foi quando uma colega disse-me “Não desistas no primeiro
dia, por pior que pareça acredita que vais gostar.” fazendo assim o meu medo
subir. Após isso começou uma correria para organizar quatro filar e lá vinham
os senhores veteranos, trajados, de capote aos ombros que esvoaçavam a cada
passo. “Olhos no chão” gritaram mil e uma vezes, já não os podia ouvir, mesmo
tentando acompanhar o ritmo daqueles que já estavam à mais tempo foi difícil.
Após algum tempo fomos todos separados por cursos e aprendi ainda mais músicas
só que desta vez as de curos. Houveram imensas brincadeiras entre nós e foi tão
divertido! Pensei que por ter chegado mais tarde não me fosse integrar, mas pensei
mal! Os veteranos fizeram questão de fazer com que nós nos integrássemos.
Senti-me
bem-vinda e que não estava sozinha, percebi a família que era a praxe e dou
graças ás amizades que lá fiz. No início não percebia o enorme encanto que as
pessoas tinham pela praxe, mas depois percebi, que a praxe ensina muitas
coisas, como ter respeito, união, solidariedade, termos empatia com pessoas que
mal conhecemos, mas estamos todos ali pelo mesmo.
Ao
contrário do que dizem, a praxe não é abusiva, não humilha ninguém.
A
praxe não é obrigatória, só vai quem quer, porém acho que as pessoas para
poderem ter uma ideia bem formada do que é a praxe deveriam ao menos
experimentar e não se guiarem pelo que veem na televisão.
Eu
tenho a noção que cada momento que passei lá irá ficar gravado para sempre na
minha memória, a praxe é uma montanha russa de emoções e sentimentos, mas dava
tudo para poder vivê-lo outra vez!
Só
quem vive é que sente, e a alegria de finalmente trajar é cem vezes maior, ter
um capote aos ombros, ser trajada pela minha madrinha, partilhar esse momento
com os meus colegas que fizeram para merecer.
Com
a praxe eu cresci e aprendi, mesmo depois de trajar eu faria a praxe de novo
sem pensar duas vezes!
“A
praxe é fixe e eu curto bué.”
Daniela
Medeiros
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