segunda-feira, 13 de junho de 2022

Dava Tudo Para Poder Vivê-lo Outra Vez!

Em outubro de 2021 que embarquei na aventura do que é a universidade, do que é ficar longe da família, pois sou dos Açores. Entrei no Politécnico de Portalegre, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais.  Uma universidade que fica no meio do Alentejo, se me imaginava lá? Nem por isso. Como só entrei na segunda fase todos os que entraram na primeira já tinha tido duas semanas de aulas e de praxe, ou seja, a maior questão de todas era, fazer ou não praxe. Falei com os meus pais se valeria a pena, sendo que já existem grupos formados e seria muito mais difícil me integrar, disseram-me para pelo menos dar uma oportunidade à vida académica, eu, sem esperança alguma experimentei e não podia ter feito melhor!

Quando cheguei ao Jardim da Corredora, vi imensos universitários, algumas caras conhecidas pois eram meus colegas e outros da residência.

Aqueles que estavam naquela experiência há mais tempo e que também me conheciam tentaram explicar-me como as coisas funcionavam, o que tinha de fazer a cada palavra que eles diziam, como, “granada”, entre muitas outras coisas. O que mais me fez ter receio foi quando uma colega disse-me “Não desistas no primeiro dia, por pior que pareça acredita que vais gostar.” fazendo assim o meu medo subir. Após isso começou uma correria para organizar quatro filar e lá vinham os senhores veteranos, trajados, de capote aos ombros que esvoaçavam a cada passo. “Olhos no chão” gritaram mil e uma vezes, já não os podia ouvir, mesmo tentando acompanhar o ritmo daqueles que já estavam à mais tempo foi difícil. Após algum tempo fomos todos separados por cursos e aprendi ainda mais músicas só que desta vez as de curos. Houveram imensas brincadeiras entre nós e foi tão divertido! Pensei que por ter chegado mais tarde não me fosse integrar, mas pensei mal! Os veteranos fizeram questão de fazer com que nós nos integrássemos.

Senti-me bem-vinda e que não estava sozinha, percebi a família que era a praxe e dou graças ás amizades que lá fiz. No início não percebia o enorme encanto que as pessoas tinham pela praxe, mas depois percebi, que a praxe ensina muitas coisas, como ter respeito, união, solidariedade, termos empatia com pessoas que mal conhecemos, mas estamos todos ali pelo mesmo.

Ao contrário do que dizem, a praxe não é abusiva, não humilha ninguém.

A praxe não é obrigatória, só vai quem quer, porém acho que as pessoas para poderem ter uma ideia bem formada do que é a praxe deveriam ao menos experimentar e não se guiarem pelo que veem na televisão. 

Eu tenho a noção que cada momento que passei lá irá ficar gravado para sempre na minha memória, a praxe é uma montanha russa de emoções e sentimentos, mas dava tudo para poder vivê-lo outra vez!

Só quem vive é que sente, e a alegria de finalmente trajar é cem vezes maior, ter um capote aos ombros, ser trajada pela minha madrinha, partilhar esse momento com os meus colegas que fizeram para merecer.

Com a praxe eu cresci e aprendi, mesmo depois de trajar eu faria a praxe de novo sem pensar duas vezes!

“A praxe é fixe e eu curto bué.”

 


Daniela Medeiros

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