Todos nós tínhamos algum medo quando éramos garotos. Ainda hoje temos medo de alguma coisa, sejam eles animais, andar de avião, ou até mesmo da coisa mais parva do mundo, mas todos nós temos um medo de alguma coisa. E claro, eu nunca fui diferente das outras crianças. Aliás, eu tinha medo de quase tudo, confesso que ainda hoje tenho medo de algumas coisas, mas especialmente de cobras e da trovoada, este último continua desde os tempos de infância.
Mas havia aquele medo, que ainda nos deixava com mais medo, do que todos os outros medos, e o meu sempre foi o escuro, que para quem não sabe dá-se o nome de Nictofobia. Acho que é aquele sentimento que a maioria das crianças têm. Eu chegava a não querer ir dormir porque já sabia que iria ter medo do escuro, mesmo com os meus pais no quarto ao lado. A minha mãe chegou a comprar-me uma luz de presença para pôr no meu quarto, para não estar totalmente escuro e não ter medo, mas mesmo assim eu ficava com medo.
Eu, como a grande maioria das crianças que têm medo do escuro, imaginávamos coisas do "outro mundo" que poderiam acontecer durante o sono, como o aparecimento de monstros durante a noite no quarto, que alguém poderia nos levar para sempre, o chamado "Velho da Saca" ou o "Bicho Papão", ou que houvesse sombras a passar por nós durante o sono. Nós crianças, tínhamos uma imaginação muito fértil e sonhávamos com tudo.
Os meus pais diziam-me sempre antes de irem dormir "não há medos João". E pronto, com esta frase lá ficava eu no escuro, deitado na cama, com os meus 50 mil bonecos ao meu lado, em que eu era "engolido" por eles. Mas foi graças aos 50 mil bonecos que conseguia dormir sozinho, naquele quarto escuro.
Hoje em dia, as coisas mudaram, mas confesso que se de noite ouvir um barulho pelo mais pequeno que seja, vou ficar com um pouco de medo, pois há coisas que nunca mudam na vida adulta.
João Sabóia
Sem comentários:
Enviar um comentário