terça-feira, 7 de junho de 2022

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    Decorria o ano de 2020, ano esse marcado pelos piores motivos que nenhum de nós imaginava que poderia acontecer. Mas nem tudo foi mau nesse ano. mais propriamente no dia 26 de setembro pelo final da tarde, quando recebo uma notificação no email, a dizer que tinha entrado no Ensino Superior, e que a cidade que me acolhia era Portalegre. Foi um misto de emoções, Feliz por ter entrado, mas ao mesmo tempo com receio do que me esperava, não por ir para longe de casa, mas sim por não conhecer a cidade em específico. Aliás, sempre que passava por Portalegre vindo de viagem com os meus pais, olhava sempre para a cidade e parecia que, a mesma, queria dizer-me alguma coisa, mas nunca soube o que era, até que, este ano, cheguei à conclusão de que me viria a acolher nu futuro próximo.

    Os primeiros tempos não foram fáceis, as saudes de casa eram imensas. Mas sempre pensei que fosse sofrer mais do que aquilo que imaginava. Diziam-me sempre "à noite, no escuro do quarto, quando tiveres a cabeça deitada na almofada, vais lembrar-te de casa... da família... dos teus avós... dos teus primos e tios... da tua irmã... do teu pai e da tua mãe, e é nesse momento que irás chorar de saude e refletires um pouco da tua vida, e questionares-te se é mesmo aquilo que queres para ti", Confesso que, passado dois anos de cá estar, já pensei em desistir, mas foi um pensamento passageiro, mas também sei que a saudade continua, onde o grande desafio de quem vem estudar para longe de casa é aprender a saber lidar com a falta daqueles que mais amamos, visto que, não serei o primeiro a passar por isto, nem serei o último, onde há milhares de alunos que passam pelo mesmo, uns piores do que os outros, mas estamos todos no mesmo barco. 

    Confesso que não sou a pessoa mais fácil para fazer laços de amizade, embora esta seja uma das razões pela qual fiquei isolado no início do meu primeiro ano, pois fico desconfiado com todas as pessoas, fazendo com que me ponha mais no meu canto e que me faça parecer tímido, mas é que de tímido não tenho de nada. Só preciso que me deem espaço para ser eu próprio e nada mais que isso, a partir daí conhecem a minha faceta mais descontraída e alegre de mim.  Conhecem o João, ou o Sabóia para todos, mas confessora que não gosto que me tratem pelo apelido, mas sim pelo meu primeiro nome. Mas também é nesta cidade que fiz diversas amizades, umas que continuam e que sei que irei levar para o resto da minha vida, outras que, pelo destino, simplesmente saíram, mas que guardo bons momentos que passamos juntos, e outras que virão num futuro. 

No início, Portalegre não me inspirava grande confiança. Era uma cidade estranha em que as ruas, as pessoas e o ambiente da própria cidade, não cativavam muito a quem escolheu a cidade para estudar. Com o passar do tempo, fui-me acostumando à Cidade dos Amores, como é conhecida por muitos, ainda que não tenha, de todo, descartado a minha opinião inicial, embora, com o tempo que cá estou, tenha aprendido a dar uma oportunidade à cidade e a cada dia que passa, aproveitá-la sempre um pouco mais. Ir à procura do desconhecido é o ponto de partida para descobrir esta cidade alentejana, rodeada por inúmeros encantos. 

João Sabóia




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