quarta-feira, 8 de junho de 2022

Quando fores grande...

     "Quando fores grande queres ser o quê?" deve ser a frase mais citada pelos "adultos" às crianças. Onde os pais, mas especialmente os avós ambicionam que os netos sejam grandes "doutores", médicos, advogados, mas a cima de tudo que tenham uma profissão onde se possa ganhar bem e viver sem dificuldades financeiras. Mas o que me chama mais à atenção, é o facto, de que, os avós querem sempre que os netos sejam médicos para que no futuro possam tratar deles, com eles fizeram com os garotos. 

    Analisando bem os meus tempos de criança, eu já quis ser tanta coisa, que todas as semanas mudava de profissão. Já quis ser astronauta (todas as crianças já pensaram em ser astronautas), piloto de aviões, ser operador de caixas de supermercado, bombeiro, polícia, entre tantas outras que não me estou a lembrar agora. A minha mãe chegava a uma altura, em que, já nem me perguntava o que é que eu queria ser, pois já adivinhava que a resposta que lhe tinha dado há dois dias atrás, já não era a mesma.

    Mas também há crianças que, desde muito novas, já sabem aquilo que querem ser, e que não mudam muito como eu. 

    Aos olhos dos nossos familiares, temos que ter um curso académico para sermos bem sucedidos e sermos "alguém nesta vida", e as crianças que não ambicionam ter um curso universitário, porque não querem estudar, não são assim bem vistas pelos familiares. Lembro-me de a minha avó dizer-me que tinha que ir tirar um curso para ser bem sucedido. Eu não ligava muito ao que me dizia, pois ainda tinha uns 11 anos, mal sabia eu o que era a faculdade. No entanto, estou aqui porque gosto, mas a cima de tudo para poder exercer na área da comunicação, e não porque vim obrigado para aqui, mas isso é tema, se calhar, para outra crónica. 

    Olhando para trás, eu acho que faz todo o sentido nós querermos ser tudo aquilo que sonhamos, porque a criança é o símbolo da inocência, o que lhe faz sonhar, descobrir, pensar e imaginar. Na verdade, não podemos destruir os sonhos das crianças. Devemos é incentivá-las a descobrir a sua vocação e sonhar com elas, aquilo que elas querem ser "quando forem grandes".

João Sabóia

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