domingo, 12 de junho de 2022

Os sonhos perdidos

Quando era pequena, deveria ter 7 ou 8 anos, o meu passatempo preferido não era brincar às bonecas, mas sim escrever. Adorava escrever. Escrevia histórias, histórias essas que na minha cabeça davam filmes dignos de Hollywood. Costumava lê-las para as minhas primas e para os meus avós, que me faziam sentir uma verdadeira escritora com os seus comentários. Este foi o meu primeiro sonho, ser escritora.

Cresci, e o meu sonho rapidamente “morreu”, porque percebi que escrevia mal e que era um sonho inalcançável.

Surgiu outro sonho. Aos 10 anos fui para um conservatório, onde encontrei a minha paixão, a música.

Aprendi a tocar saxofone, a conhecer compositores através das suas músicas, aprendi o que tinha para aprender em 5 anos, 5 fantásticos anos.

Descobri que para além de adorar tocar saxofone, adorava cantar. Era elogiada pelos meus vários professores de canto, mas nunca dei muita importância a isso. Mas assim nasceu o meu outro sonho que desaparecera por não acreditar em mim.

Agora aqui estou eu, no 2º ano do curso de Jornalismo e Comunicação. Comecei na escrita, depois na música e acabei em Comunicação Organizacional.

Atualmente, o meu porto seguro ainda é quando estou só eu com o meu saxofone e é quando me consigo abstrair de tudo o que se passa na minha vida, mas não passa disso, não passa de um refúgio.

Por isso sonhem, sonhem muito e não desistam dos vossos sonhos por medo, sigam em frente sem se preocuparem com olhares menos bons, porque a vida é feita de sabores e dissabores.

Acabo a minha última crónica com uma citação de Fernando Pessoa: “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”


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