A praia é dos sítios mais extraordinários que existem, ir à praia é sinônimo de paz e de calma. É um local onde podemos relaxar, passar um bom
tempo, tanto com amigos e família como com nós próprios; é um sítio onde nos
divertimos, passamos bons momentos e relaxamos, mas, se há coisa que me fascina
na praia são as conversas que acontecem nas toalhas ao lado da minha, é todo um
mundo à parte, repleto de detalhes e peripécias surreais. Ouvimos todo o tipo
de conversa que se possa imaginar, quer queiramos quer não, é algo inevitável e
não há dúvida de que é algo bastante engraçado. Desde o grupo de amigos que se
junta todos os domingos à tarde e vão para a praia, que falam do que aconteceu
ao longo da semana de aulas, riem de piadas que contam uns aos outros, falam
das ditas novidades sobre a vida de outros amigos, onde acabamos por saber que
a Margarida acabou com o namorado porque ele não lhe respondeu em 10 minutos,
que a Maria e a Leonor estão chateadas porque uma foi jantar fora e não disse à outra, isto tudo misturado com uma música altíssima que sai da coluna que estes
levam para a praia, para todos aqueles que estão na mesma a ouvirem; A família
de emigrantes que se veem uma vez por ano e que falam tão alto que a sua
conversa não se ouve só na toalha ao lado mas sim na praia toda, uma mistura de
português com francês que metade das pessoas nem percebe, chega a ser engraçado
e incomodativo ao mesmo tempo, falam, montam uma barraca na praia como se
estivessem a acampar num parque durante três dias, levam comida para todos e ás
tantas já estão a oferecer um pouco de melancia e de algo típico que trouxeram
da terrinha onde moram e acabam por começar a falar com todos aqueles que estão
à sua volta. Existe ainda também este tipo de situações, filhas que vão para a praia com os pais separados, uma historia que presenciei
no ano passado; duas raparigas já com os seus vinte anos, a dar um espetáculo
para o resto da praia, tudo o que elas diziam ouvia-se na praia toda, já tinham
idade para ter juízo, mas não, passaram o tempo todo a discutir uma com a outra
e, no final todos ficamos a saber que uma das irmãs sofria de ansiedade mas
tinha vergonha que soubessem, o que acaba por ser ridículo visto que ela falava
tão alto que toda a praia ficou a saber; a outra irmã gozava com ela pois ela
tinha medo de viajar por achar que ia ter um ataque; cada vez que se levantam
da toalha para ir fazer o que quer que fosse, não durava mais de cinco minutos
pois acabavam sempre por discutir, e bem coitado do pai que já nem as podia
ouvir, nem o pai nem ninguém que estivesse ali perto delas, mas não há duvida
de que melhorou bastante o meu dia e o dia de todas aquelas pessoas que ouviram
as discussões das gémeas na praia. E, as conversas de estranhos acabam sempre
por nos fazer rir e entreter durante aquele período que passamos na praia,
ficamos a saber a vida toda de uns desconhecidos que decidiram ir para a mesma
praia que nós, no mesmo dia e à mesma hora.
Catarina Chenrim Novo
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