Ainda me recordo como se fosse hoje da caminhada da nossa seleção no europeu de futebol em 2016. No início, tal como a maioria dos portugueses não acreditava que conseguíssemos finalmente conquistar um troféu, o momento da equipa não era assim tão positivo. No primeiro jogo, embora não estivéssemos a fazer um grande jogo tínhamos conseguido chegar à liderança do marcador com um golo de Nani. Num período de desconcentração defensiva sofremos o golo do empate e não conseguimos esboçar nenhuma reação na parte final, alcançando apenas um empate contra uma seleção que fazia a sua estreia em fases finais e consideravelmente mais fraca do que a nossa seleção. Após este primeiro jogo, se já não tinha grandes esperanças ainda mais reduzidas ficaram. No segundo jogo contra a Áustria, o selecionador Fernando Santos decidiu não fazer nenhuma alteração no 11 e a equipa voltou a ter mais uma exibição mísera não indo além de um empate contra mais uma seleção muito mais fraca do que a nossa. No último jogo que era um tudo ou nada, conseguimos empatar com a Hungria com uma exibição estrondosa de Cristiano Ronaldo, carregando completamente a nossa equipa para a próxima fase. Este Europeu era o primeiro com o novo formato introduzido pela UEFA em que os 4 melhores terceiros lugares também se apuravam, graças a esta medida conseguimos chegar aos oitavos de final e com o a vitória da Islândia no último minuto ficámos do lado mais favorável da grelha evitando seleções como a França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália. Lembro-me perfeitamente de dizer para o meu pai que tínhamos reais possibilidades de chegar à final e vingar a derrota de 2004.
Nos oitavos de final, jogámos contra a forte seleção da Croácia que havia vencido o seu grupo ficando à frente da Espanha. Fernando Santos parecia ter aprendido com os erros que cometeu na fase de grupos fazendo uma série de alterações nas opções iniciais da nossa equipa. Num jogo bastante equilibrado conseguimos chegar à vitória perto do final do prolongamento com um golo de Ricardo Quaresma. Após este resultado, vi algo que ainda nunca tinha visto na seleção, uma união de todo o país em torno da nossa equipa.
Num verdadeiro teste de fogo à nossa capacidade de superação, conseguimos virar a eliminatória com a Polónia alcançando a vitória nas grandes penalidades num jogo em que Renato Sanches confirmou todo o seu talento e Rui Patrício fez uma defesa monstruosa à penalidade de Blaszczykowski. E com estas duas vitórias bastante sofridas estávamos nas últimas quatro seleções sobreviventes.
Na meia final, demonstrámos a nossa qualidade e fizemos um grande jogo para ficar a apenas um passo de um sonho que à partida parecia impossível.
No dia da final, tal como todos os portugueses estava bastante nervoso, embora já tivesse nascido não me recordava da final de 2004 mas já tinha visto vídeos da forma como o nosso país tinha vivido esse momento histórico. Desta vez, não éramos nós os anfitriões mas sim os convidados, procurávamos fazer à França o que a Grécia nos tinha feito.
Lembro-me de ver as imagens dos jogadores no túnel antes do jogo e de achar os jogadores franceses com um ar bastante convencido como se já tivessem ganho e o jogo fosse apenas uma mera formalidade. O início foi bastante agreste para as nossas aspirações, com a lesão do nosso capitão que viu impossibilitado o seu sonho de poder decidir a final. Numa demonstração clara de união do grupo, a equipa reagiu bastante bem e foi aguentando as investidas dos gauleses, de destacar as exibições monumentais de Pepe e de Patrício. No minuto 79, no momento da entrada do Éder disse em tom de brincadeira que era ele que ia marcar o golo da vitória mas estava longe de acreditar neste cenário. E ao minuto 109, aconteceu o pequeno milagre que precisávamos, com um remate magnifico do nosso número 9, nesse momento nem sequer tive forças para me levantar do sofá, apenas me ajoelhei no chão a chorar por sentir que estávamos tão perto de fazer história. No final do jogo lembro-me das explosões de alegria da população nas ruas, celebrando efusivamente esta vitória que irá ficar marcada para sempre nas memórias dos portugueses.
O dia 10 de Julho de 2016 irá ser relembrado como o dia em que um pequeno país de 10 milhões de pessoas bateu uma das maiores potências mundiais na sua própria casa, demonstrando claramente que não existem impossíveis e que devemos sempre almejar algo grande.
Francisco Realinho
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