A vida é tudo menos uma certeza. A única coisa mais certa que ela tem, como diz o meu pai, é o pagamento de impostos e a morte. Por isso, nada é mais efémero que viver, mas mesmo assim muitos, incluindo eu (pelo menos até aos 19 anos), escolhem apenas existir. É facto que somos o que vivemos. Traçamos o nosso próprio destino, navegando ao sabor do tempo, este que se apressa a chegar ao seu fim, ao nosso fim… Então, como ousamos deixá-lo esgotar-se sem nos apercebermos? A resposta não é só uma, mas no meu caso intitula-se: Medo.
E com isto
não sei bem por onde começar, pois também não sei onde irei acabar. Só sei que
passei a maior parte da minha vida a viver com medo. Medo de viver, medo de
morrer, medo de desiludir aqueles que me amam e me admiram, medo de não ser
quem sou, quem eu penso ser, quem gostaria de ser… Vivi, então, paralisado.
Vendo bem, nem vivi, passei pelos anos da minha vida, despercebido, acanhado… Passei
por muitas coisas que não seriam possíveis sem medo, mas também não fiz outras,
porque tive medo. O que faz isso de mim? Cobarde? Fracote? Não!
Durante
muitos anos, limitei-me a ser servo obediente do medo. Isso magoava-me, ainda hoje
me magoa. Depois, fruto talvez do cansaço, comecei a tentar ser amigo do medo,
mas mais uma vez, fiz um golpe duro na minha sanidade mental. Então, o que
mudou? Foi alguma epifania trazida pela mudança de idade? O que fazem de mim,
então, os meus medos? Os meus medos são eu e eu sou os meus medos. São eles que
fazem quem eu sou, são eles que ditam que caminho escolho e, sobretudo, foram
eles que me fizeram chegar onde eu estou. Eis, diante de vós, o segredo para
enfrentar os medos, aceitá-los.
Levou alguns
anos, 19 para ser exato, até que desisti de desistir e passei a dizer que
“sim”. Sim, tenho medo. Sim, estudo jornalismo e comunicação, mas sim, gostaria
de ser piloto. Sim, estou em Portalegre, longe do meu berço e da minha cama,
mas sim, tenho uma família aqui. Sim, são os meus amigos, que tive a sorte de
conhecer por ter tido medo de arriscar, de ir às aulas, de viver o meu
secundário. Não faz mal, porque sim, o curso é fácil, sim gosto de escrever,
gosto de ser jornalista. Sim, orgulho-me disto.
Pois bem,
podia ter escolhido dizer “não” e continuar na penumbra dos meus medos, mas
escolhi aceitá-los e aceitar quem sou, para assim, focar-me nas minhas
virtudes, melhorar os meus pontos fracos e olhar com outros olhos para a vida,
de mãos dadas com o tempo, correndo em direção ao pôr do sol, com medo, mas sem
medo de ter medo.
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