segunda-feira, 12 de junho de 2023

Incoerência Coerente

Acho que desde que resido neste planeta, o conceito de “bitaite” sempre existiu. Contudo, todavia e não obstante, com a chegada massiva da internet o tão conhecido bitaite saiu das tascas e das aldeolas e entranhou-se na cultura da galáxia internet, sofrendo também várias ramificações.

Numa das ramificações meio rebuscadas que o bitaite ganhou, surgiu a conhecida cancel culture, ou cultura do cancelamento, no conhecido tuguês tradicional.

A capacidade de indignação e insatisfação constante do ser humano nem sempre resulta em atitudes violentas ou revoltas generalizadas. Por vezes há conceitos similares a este. Conceito este que é uma embrulhada por si só.

No fundo a cancel culture é uma afaga nas costas dos moralistas e dos politicamente corretos, que pretende à partida com fundamentos parvos, limitar a ação social de alguém criticando-o massivamente. No fundo, a cancel culture pode considerar-se um tau tau extra judicial.

Um exemplo bastante simples deste tipo de conduta, e por si só bastante desprovido de inteligência é o caso da J.K Rowling que aconteceu há mais ou menos dois anos atrás quando esta lançou um livro fora do universo de Harry Potter.

O livro foi alvo de uma tentativa de escrutínio (negativo), alegando-se que devia ser visto como um insulto à comunidade trans, porque na história, uma das personagens se veste de mulher para cometer assassinatos.  O personagem do livro nem sequer é transexual, apenas se veste de mulher para matar.

Mas na cabeça desta gente o livro associa qualquer homem que se vista de mulher a práticas criminosas, o que, neste radicalismo especial, é colocar diante da opinião publica que as pessoas que mudam de sexo são criminosas. Como diria o juiz Rui Fonseca e Castro, conhecido pelas burrices que difundia com o movimento anti vacinas em Portugal: “NADA MAIS TOLO!”

O conceito de boa pessoa foi tão afiado com esta ideia que qualquer famoso que não subscreva na totalidade a mesma caixa de ideias é escrutinado em praça publica.

No fundo, a internet veio fazer renascer os Justiceiros da sociais que precisam constantemente do seu like moral numa tentativa de ser super melhor pessoa que o vizinho do lado.




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