Acho que desde que resido neste planeta, o conceito de “bitaite” sempre existiu. Contudo, todavia e não obstante, com a chegada massiva da internet o tão conhecido bitaite saiu das tascas e das aldeolas e entranhou-se na cultura da galáxia internet, sofrendo também várias ramificações.
Numa das ramificações meio
rebuscadas que o bitaite ganhou, surgiu a conhecida cancel culture, ou cultura
do cancelamento, no conhecido tuguês tradicional.
A capacidade de indignação e insatisfação
constante do ser humano nem sempre resulta em atitudes violentas ou revoltas
generalizadas. Por vezes há conceitos similares a este. Conceito este que é uma
embrulhada por si só.
No fundo a cancel culture é uma
afaga nas costas dos moralistas e dos politicamente corretos, que pretende à
partida com fundamentos parvos, limitar a ação social de alguém criticando-o
massivamente. No fundo, a cancel culture pode considerar-se um tau tau extra
judicial.
Um exemplo bastante simples deste
tipo de conduta, e por si só bastante desprovido de inteligência é o caso da
J.K Rowling que aconteceu há mais ou menos dois anos atrás quando esta lançou
um livro fora do universo de Harry Potter.
O livro foi alvo de uma tentativa
de escrutínio (negativo), alegando-se que devia ser visto como um insulto à
comunidade trans, porque na história, uma das personagens se veste de mulher
para cometer assassinatos. O personagem
do livro nem sequer é transexual, apenas se veste de mulher para matar.
Mas na cabeça desta gente o livro
associa qualquer homem que se vista de mulher a práticas criminosas, o que, neste
radicalismo especial, é colocar diante da opinião publica que as pessoas que
mudam de sexo são criminosas. Como diria o juiz Rui Fonseca e Castro, conhecido
pelas burrices que difundia com o movimento anti vacinas em Portugal: “NADA
MAIS TOLO!”
O conceito de boa pessoa foi tão
afiado com esta ideia que qualquer famoso que não subscreva na totalidade a
mesma caixa de ideias é escrutinado em praça publica.
No fundo, a internet veio fazer renascer
os Justiceiros da sociais que precisam constantemente do seu like moral numa
tentativa de ser super melhor pessoa que o vizinho do lado.
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